Sábado, 19 de Junho de 2010

APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE - TORRES GARCIA

Como vimos, anteriormente, a listagem de "Agricultores"  do Quitexe, de acordo com o "Anuário do Império Colonial", aquando da sua 1ª edição, 1935, era a seguinte


 - Dr. António Alberto Torres Garcia
 - Guerra, Carvalho & Cª, Lda.
 - José Borges Calheiros
 - José Ferreira
 - José Neves Ferreira
 - Matos, Vaz & Cª Lda.

  

Começamos pelo primeiro da lista, Dr. António Alberto Torres Garcia:

  

Nasceu em Várzea  Grande -Vila Nova do Ceira, no ano de 1889, e veio a morrer, na casa onde nasceu, a  9 de Setembro de 1937.

Era filho do proprietário Joaquim da Costa Garcia e de Maria Augusta Nazaré Garcia.

Concluídos os estudos liceais em Coimbra, ingressa na Faculdade de Direito dessa cidade, obtendo o respectivo grau de bacharel em 1911, e, mais tarde, frequenta o 1.º ano do Instituto Superior Técnico. O seu percurso profissional é pautado pelo exercício de diferentes actividades, em áreas diversas.

Na docência, foi assistente da Faculdade de Ciências de Coimbra, professor no Liceu José Falcão e lente na Escola Industrial e Comercial Brotero.

 

 

No âmbito militar, fez parte do Corpo Expedicionário Português no posto de alferes miliciano, de onde ascendeu a tenente miliciano no Batalhão de Artilharia da Costa e a capitão, quando regressou da campanha.

Na administração de Angola, serviu, desde 1926, de secretário provincial e, entre 26 de Março e 17 de Agosto de 1928, de governador--geral interino, ocupando ainda o lugar de director da Companhia de       Pesca do Sul desse território ultramarino.

Por sua iniciativa foi fundado em 1932, em Porto Alexandre, o sindicato de Pesca, depois GRÉMIO DOS INDUSTRIAIS  DE PESCA sendo, de longe  a maior obra socioeconómica do distrito. A importância deste organismo foi de tal maneira válida que as suas estruturas iniciais se mantiveram inalteradas, no fundamental, até ao fim, até 1975.

 

Finalmente, no domínio do associativismo, presidiu à Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra, desempenhou o cargo de secretário--geral do Congresso Beirão, em 1936, e integrou o conselho directivo da Casa das Beiras.

Emancipando-se ideologicamente na última década da Monarquia, filia-se no Partido Republicano Português, além de aderir ao Centro Republicano Académico e à Maçonaria, em cuja loja “Redenção” se iniciou, sob o nome de Morral.

É durante a I República que desempenha os cargos políticos mais relevantes. Começa por ser vereador da Câmara Municipal de Coimbra, em 1913 (reassumindo o lugar na década de 1930), da qual virá a ser presidente e vogal, a partir de 1920. Segue-se a passagem pelo Congresso da República, onde foi deputado por Coimbra (nos períodos de 1921 a 1922 e de 1922 a 1925) e, nessa condição, membro das comissões de Orçamento, Finanças, Comércio e Indústria e Guerra.

Ascende, por fim, à esfera governativa, nos papéis de ministro do Trabalho (em Novembro de 1921), ministro da Agricultura (de 22 de Julho a 22 de Novembro de 1924; de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925 e de 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926) e, por último, ministro das Finanças, que exerceu entre 1 de Agosto e 17 de Dezembro de 1925.

Além de ter sido director do Diário de Coimbra desde os tempos da Ditadura Militar até 1937, ano em que faleceu, notabilizou-se enquanto conferencista, tendo realizado palestras sobre assuntos coloniais na Sociedade de Geografia de Lisboa, na Associação Comercial do Porto e na Câmara Municipal de Coimbra.

Foi igualmente o grande impulsionador do Caminho de Ferro de Arganil. Mas, apesar das verbas que disponibilizou para a obra, enquanto ministro das finanças, e de toda a actividade exercida em prol deste investimento viu a linha de caminho de ferro parar a escassos 5 Km da sua terra Vila Nova do Ceira, ficando a linha reduzida ao ramal da Lousã com términos em Serpins.

 

Durante a sua permanência em Angola demarcou diversas propriedades, tendo requerido, em 1929 a concessão dos seguintes terrenos, na circunscrição da Quibala, Distrito do Cuanza-Sul (conforme descrito no Boletim Oficial de Angola):


- 4900 ha em Bango-ia-Coma, na sede da circunscrição;
- 4900 ha no Sobado de Tari, em Cariango;
- 4900 ha, no Sobado de Gungo, em Cariango;
- 4900 ha, em Catumbe, na sede da circunscrição;

Apesar destas demarcações não terá aí exercido qualquer actividade agrícola.

 

Mais tarde, e de acordo com o Boletim Oficial de Angola de 28 de Maio de 32, é-lhe atribuída a concessão de uma propriedade na área do Encoje que será a fazenda Pumbaloge no Quitexe que, no entanto, nunca terá gerido directamente.

 

Curiosas, são as áreas demarcadas, sempre de 4900 Ha. A explicação residia na tabela de taxas:

 

 

Aviso da Repartição Superior da Agrimensura

 

- Para os devidos efeitos se publica que as importâncias a depositar… pelos requerentes de concessões de terrenos do Estado ou de títulos de concessão ou de propriedade, são os seguintes:

 

          Terrenos de 1ª classe (povoações classificadas)

- até 500 m2                     -   30$00 

- por cada 100 m2 além  -     1$00

  

       Terrenos de 2ª classe e subúrbios

- até 500 ha                     -   30$00 

- de 501 até 2500 ha        -   70$00 

- de 2501 até 5000 ha      - 120$00 

- por cada 100 há a mais -     4$00

 

Não são aceites vales ou cheques. As importâncias deverão ser depositadas na Caixa Económica Postal ou Fazenda, à ordem do Director da Agrimensura.

29 de Agosto de 1923.

 

Saliente-se que, depois da demarcação havia que obter uma licença provisória de ocupação que só era passada se estivessem agricultados 20% da área demarcada. Para esse efeito era feita uma vistoria com elementos da administração, das finanças e testemunhas dos interessados.

 


 

publicado por Quimbanze às 08:39

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