Sábado, 15 de Maio de 2010

Santo António de Caculo Caenda - Arlindo de Sousa

Nos passados dias 2 e 3 do mês corrente, estive em Lamego para ver uma exposição de carros de tracção animal e calcorrear mais uma vez a parte mais antiga da cidade. Nestas andanças incluí por mero acaso o Bairro de Fafel, onde encontrei um pequeno monumento comemorativo com os seguintes dizeres:

 

“LARGO

de St. ANTONIO de

CACULO CAENDA

Dembos – 1909

Amigos de Fafel – 09/2008”

 

 

Como devem calcular, fiquei espantado. Quando cheguei a casa fui à Internet e sobre o assunto encontrei apenas a seguinte informação:

 

Amigos de Fafel

Arquivo: Edição de 05-09-2008

6 SETEMBRO-Sábado

IV Encontro Convívio dos Amigos de Fafel, Ponte de Pau e Oliveiras;

 

11,00 Horas - Homenagem Pública ao Major David Magno com descerramento de uma placa toponímica;

 

13,00 Horas - Colocação da Placa LARGO STº ANTÓNIO DE CACÚLO CAENDA Dembos – 1909-Amigos de Fafel – 09/2008”.

 

 

 

O meu passo seguinte consistiu em procurar o que pudesse sobre o Major David Magno. Todavia encontrei muito pouco. Apenas o seguinte:

 

MAGNO, David José Gonçalves (1877-1957)

Oficial do Exército

Nasceu em Lamego a 17 de Agosto de 1877 e morreu em Lisboa a 30 de Setembro de 1957. Seguiu a carreira militar, sendo promovido a alferes em 22 de Dezembro de 1906. Começou por se distinguir em Angola, ao conseguir avançar para o interior e impor a presença portuguesa na região dos Dembos Orientais. Combateu depois em França, durante a Primeira Guerra Mundial, onde por feitos em combate recebeu a cruz de guerra e a cruz de Cristo com palma. A sua acção no CEP não foi, contudo, consensual e isenta de polémica, pelo que pediu para ser julgado pelas acusações de que foi vítima, tendo sido absolvido e visto confirmados os seus serviços como relevantes.
Mais tarde, na sequência da revolta de 3 de Fevereiro de 1927 foi deportado para o Sul de Angola, tendo antes passado pelos Açores e Guiné. Reabilitado foi promovido a major e em 14 de Março de 1932 optou por passar à situação de reserva.
Paralelamente à sua carreira militar exerceu intensa actividade literária, sendo autor de diversas obras, algumas das quais escritas com base na sua experiência de guerra, para além de ter sido membro da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, da Revista Militar e da Comissão de História Militar”.

 

E também o que se segue:

 

Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia

—Vol. I — Fases, II e III—Pôrto, 1920 e 1921. — Estes dois fascículos

dos Trabalhos da Sociedade de Antropologia conteem, entre outros

artigos cuja índole não interessa em especial à nossa revista, um estudo

do sr. major Leite de Maglahães sôbre etnologia timorense, outro do

sr. capitão David Magno sôbre os Dembos e ainda um do sr. Prof. J.

Pires de Lima sôbre o dente santo de Aboim da Nobrega e a lenda de

S. Frutuoso Abade.(...)

O trabalho do sr. David Magno sbôre a população angolense dos

Dembos é uma detalhada e interessante resenha dos caracteres etnográficos

daquela população, cujas origens o autor averiguou sobre curiosos

documentos dos povos de Caculo-Cahenda.

M. C.

 

[16983]
Magno, David J. G.
A sublevação dos Dembos de 1913 / David J. G. Magno. - Lisboa : Sociedade de Geografia de Lisboa, 1917 (Lisboa : Typographia Universal, 1917. - 71 p.

 

Título: Revoltas e Campanhas nos Dembos (1872-1919). 47 Anos de Independência às Portas de Luanda.

Autor: Marracho, António José Machado

 

Resumo: Em 1872 perante a escassez de meios no terreno, falta de força, falta da autoridade portuguesa, o dembo Caculo Cahenda, revoltou-se. A resposta militar portuguesa foi materializada através do envio de uma coluna comandada pelo Tenente-Coronel Gomes de Almeida. O aparente sucesso militar traz consigo uma paz negociada com a manutenção do Status Quo. Como consequência do fim do conflito, foi assinada uma portaria pelo Ministro dos Negócios da Marinha e Ultramar, na qual foi decretada, a abolição de dízimos dos concelhos, passagens dos rios e dízimos do pescado. No período de 1890 a 1907, os dembos, entraram em conflito com os portugueses três vezes: em Dezembro de 1890, de Janeiro a Março de 1891 e em Fevereiro de 1899. De 1907 a 1919, foram organizadas sete expedições militares: Setembro a Novembro de 1907, de Julho de 1908, de Fevereiro a Março de 1909, de Julho a Setembro de 1913, de Novembro a Dezembro de 1918, de Janeiro a Abril e de Maio a Dezembro de 1919, sem contar com incidentes menores. Os dembos, nunca tiveram o apoio dos seus irmãos do Golungo Alto ou de Ambaca. Abandonados, divididos, caíram em dominó. A impossibilidade de arranjar pólvora, a doença do sono, a abertura de estradas e a cultura do café iriam anular os últimos lutadores pela independência pelo menos até 1961. Na conferência de Berlim de 1884-85, foi decidida a partilha do continente Africano. Alterouse o paradigma de relacionamento entre Europeus e Africanos. Nasceu um direito novo, que validava a efectiva ocupação dos territórios Africanos. Quando Paiva Couceiro assume o Governo da província, decide terminar com a independência dos Dembos. Ordena a constituição da coluna de 1907. A coluna de 1907 fez 39 etapas superiores a 21 quilómetros, sendo a maior de 38, percorrendo enquadrada por graduados cerca de 840 quilómetros. Se adicionarmos as marchas extraordinárias, ela percorreu mais de 1500 quilómetros. Entre 1913 a 1917, a região dos Dembos mantém-se estável. Os poderes locais Africanos decidem o seu destino e toleram a autoridade portuguesa nos seus fortes. Na década de 1920, foi desenhado o mapa de Angola, fruto de uma intensa actividade militar. As campanhas na região dos Dembos enquadram-se neste cenário político-militar com vertentes étnicas e tribais.

 

Arlindo de Sousa

publicado por Quimbanze às 10:15

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