Sábado, 11 de Abril de 2009

O QUITEXE - Apresentação aos soldados

Publicamos hoje um texto (cedido por José Oliveira) de apresentação  do Quitexe aos soldados do Batalhão de Cavalaria 1917. É um texto muito interessante, porque, retirando a retórica do "Angola é nossa" (outro discurso não seria de esperar), são apresentados dados muito exactos da história do Quitexe e outros, estatísticos, à revelia do discurso oficial. Embora desconhecendo a origem dos dados é curioso como se assume que metade da população indígina ainda se encontrava escondida nas matas ou emigrara para o Congo (esta percentagem será, concerteza, bem maior). Outro dado, já conhecido, é que o número de trabalhadores do Sul, conhecidos por Bailundos, suplantava a população local e o terceiro grupo, brancos e mestiços, não ultrapassava as seis centenas. Por outro lado reconhece-se que os povos desta região tinham atrás de si uma história de sublevação contra a autoridade portuguesa.

 

 

O QUITEXE

 

 

O Quitexe e a sua região será por algum tempo como que a nossa casa, aquela que, de armas na mão, teremos de defender como parte integrante da Pátria. Conhecer a nossa terra é arreigar em nós, ainda mais, a firme disposição de a conservar nossa.
Esta razão de ser, dos apontamentos, que a seguir, podereis ler sobre o Quitexe.
BREVE RESUMO HISTÓRICO                    
O Dange era primitivamente um posto administrativo dos Dembos, mas de 1912 a 1932 pertenceu à Circunscrição do Encoge, passando nesta data a pertencer de novo aos Dembos, como parte do Concelho de Ambaca
O limite do Quitexe foi pela primeira vez fixados em 1918,tendo esta povoação sido a sede da Circunscrição do Encoge até à extinção desta 1932.
Em 1961 por portaria nº11740 de 26JUL61 foi criado o concelho do Dange com sede em Quitexe.
Trata-se portanto dum concelho de fresca data onde rareiam os elementos históricos e os que existem estão estreitamente ligados à história dos Dembos, donde se desmembrou em parte, por razões as mais variadas, mas em que avulta a diminuta população de Portugal Metropolitano, mormente em relação aos imensos territórios Ultramarinos, que possui, o certo é que a região dos Dembos, habitada por povos notavelmente aguerridos sempre criou dificuldades à ocupação Portuguesa.
Os nossos avós, inconformados com esse estado de coisas, redobraram de esforços e as revoltas dos nativos foram sendo sucessivamente dominadas e estabelecidos postos militares que asseguraram a soberania portuguesa, que, à medida que se
Consolidava, foram transformados em postos de administração civil.
É de inteira justiça, referir neste breve resumo histórico, as figuras de dois grandes militares que pela acção e pelo valor, conduziram á completa dominação da região dos Dembos.
Capitão João de Almeida (1906) e Capitão. Ribeiro de Almeida (1919)
Mais recentemente, em 15 de Março de 1961,de novo estala a subversão nesta região, com requintes de ferocidade e malvadez num grau extraordinariamente alto de que são testemunho as lápides afixadas na igreja do QUITEXE, que apenas representam uma pequena fracção das vitimas inocentes atingidas por criminosos de coração e mentalidade endurecidos, depois foi a resposta adequada dos portugueses de hoje, não menos valorosos que os de antanho, valentia, espírito de sacrifício e profundo amor á pátria, têm vindo a reconquistar o terreno e a destruir a subversão.
Nota: - Ao b/cav1917 no sector de QUITEXE cabe a enorme responsabilidade de continuar a obra dos seus antecessores até á completa exterminação da subversão, ninguém regateará a responsabilidade e todos saberão cumprir, disso estou certo.
1.      Alguns apontamentos sobre o concelho do Dange (sede em Quitexe)
O concelho do Dange pertencente ao distrito de Uige, tem além do posto sede, os P.A. de Aldeia Viçosa, de Vista Alegre, e de Cambambe, sendo que só os dois primeiros pertencem ao nosso subsector.
O Quitexe, como Aldeia Viçosa, são povoações em que cada casa é uma loja comercial, nas quais se transaccionam os mais variados artigos com a população branca e de cor, e se asseguram o abastecimento necessário à vida dos povos. Rodeadas por todos os lados de fazendas de café, umas largas dezenas onde trabalham uns 12.000 homens naturais do sul de Angola, grandes e pequenas, de brancos e nativos, vive-se e respira-se café todo o ano, na medida em que toda a actividade é quase exclusivamente relacionada com este produto.
No entanto desenha-se actualmente um certo interesse pela exploração de madeiras nas suas matas quase virgens.
A população de cor pertence na sua grande maioria aos grupos étnicos dos Macambas e Mahungas e agrupa-se em sanzalas sempre que possível nas imediações das suas lavras (café, milho, mandioca, ginguba, batata doce, feijão, etc.) pois com raras excepções dedicam-se quase exclusivamente às actividades agrícolas. Trata-se de regressados das matas, para onde fugiram em 1961.
Os Macambas, mais valentes e mais ferozes, durante muito tempo escravizaram os Mahungas e não consentiam sequer os casamentos entre ambos.
Após o terrorismo as condições modificaram – se sendo que o maior número de regressados das matas são Mahungas, tradicionalmente mais submissos e trabalhadores. Entre eles não se registam grandes rivalidades, excepto entre os Cungas, cuja animosidade já vem de longe. Antes do terrorismo a população de cor do concelho rondava os 18.000 indivíduos e na actualidade não ultrapassa os 9.000. Um pouco menos de metade ainda está nas matas, onde levam uma vida mais que miserável, ou imigraram para o Congo ex Belga.
O baixo nível exibido pelas pobres sanzalas em que vivem os apresentados contrasta significativamente com dinheiro que auferem com a venda do café das suas lavras.
No ano findo, só em mercados de café, os povos do concelho receberam cerca de 6.500 contos.
A população branca e mestiça do concelho, dia a dia vem aumentando, atinge actualmente as 6 centenas de almas, entre fazendeiros, e trabalhadores das fazendas e comerciantes. Com uma altitude média de 800 metros em que são numerosas as terras densamente arborizadas e os rios, torcicolados, fartos de água, tem um clima regular e agradável.
O concelho é atravessado pela estrada asfaltada Luanda – Carmona, e sobre esta se situam o Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre, outras estradas «picadas», servem o concelho, permitindo o escoamento dos seus produtos, sendo de realçar a que conduz a Camabatela e Salazar do distrito de Cuanza-Norte.
O QUITEXE, a 40 km. de Carmona, que em 1961 viu gravemente afectada a sua sobrevivência, mas que nunca foi totalmente abandonada pela população branca, está presentemente em franco desenvolvimento e oferece aos numerosos visitantes um clima de tranquilidade assinalável. Uma estação telégrafo-postal, uma escola primária e um posto sanitário, conferem-lhe a possibilidade de comunicar com o mundo exterior de divulgar e expandir a língua-pátria e de apoiar as populações nas suas necessidades mais instantes.
O COMANDANTE
António Manuel Pinto de Amaral
Ten. Coronel de Cavalaria
 
Este artigo foi extraído do jornal «O DINOSSÁURIO» órgão do B./ CAV. 1917
Quitexe, Setembro de 1967
ANGOLA
 NOTA: O  Comandante António Manuel Pinto de Amaral faleceu no ano de 2007 com posto de Major-General.
publicado por Quimbanze às 11:44

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