Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Comentário - São Morais

São Morais, deixou um comentário ao post As esplanadas em 61 no Quitexe às 20:59, 2009-12-24.

Comentário:


Era meu desejo estar aqui bastante tempo em amena cavaqueira, com lembranças que enchem a minha alma de alegria e inquietação mas como o meu tempo é muito limitado terá que ficar para ocasião mais propicia à escrita e á meditação.

 

Nesta época natalícia que atravessamos não queria deixar de reforçar a magia da partilha dos afectos e das esperanças. Porque em cada um de nós se aviva o gesto de dar e receber a vontade de unir esforços e enlaçar as mãos em meu nome e em representação, face votos de que todos vós sejam iluminados pelos valores que o natal inspira e que 2010 converta expectativas em realidades e desejos em conquistas.

 

Um abraço amigo

São Morais

publicado por Quimbanze às 10:41

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Filipe Branco - Comentário

Filipe Branco, deixou um comentário ao post Comentários - António Casal (Fonseca) às 22:38, 2009-12-20.

Comentário:
 

Estive no Quitexe em 72-73 na ccs bcac 3879.

Era muito amigo do Evaristo e do irmão Henrique. No natal de 72-73 jantei na casa deles, depois de jantar com os meus companheiros. O Evaristo era um bom jogador de damas, ele organizou um torneio no Quitexe, quem venceu já nao me lembra .
Tenho algumas fotos do Quitexe, logo que me seja possivel, ponho-as aqui.

Nao estou certo do Sr. Morais, mas esse nome nao me é estranho. Nao sei se ficava para o lado do Tupeto, ou no lado de cima à beira da casa do Evaristo.

Um abraco enorme para toda esta gente boa, do Quitexe onde fui sempre muito bem tratado.

FILIPE BRANCO - VIANA DO CASTELO

 

Agradeço muito o seu comentário.

O Bar do Sr. Morais ficava na rua de cima,  na zona de saída para Luanda, na esquina da rua que conduzia à pista de aviação do Quitexe.

 

Por favor envie-me as fotografias do Quitexe para j-garcia@netcabo.pt

 

João Garcia

 

publicado por Quimbanze às 09:51

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Domingo, 13 de Dezembro de 2009

O Velho Correia

  foto  Arlindo de Sousa

 

Arlindo de Sousa e o "velho" Correia, em 1961, em frente ao edifício então designado de “Casa dos Aspirantes”, ou dos funcionários da Administração.  "Chamávamo-lo "Velho", carinhosamente, por respeito à idade dele e por estima pessoal  e consideração pelo facto de lhe terem morto a esposa (uma senhora francesa) no Cólua".

 

 

 

O velho Correia que perdeu a mulher no Cólua
 
O Correia terá abandonado Luanda seduzido pela febre do café; ele e a sua esposa, uma senhora francesa, fixaram-se numa localidade chamada Cólua onde, outro luandense, locutor da Rádio de Angola e movido pelo mesmo sonho se lhe viera juntar. Suponho que, para além de pequenas casas comerciais, também tenham demarcado algum terreno de matas para plantar café. O Cólua pertencia à área do Posto Administrativo de Cambambe e estava localizada nas margens do rio Vamba, que faz limite com a área do Posto do Quitexe. Conhecia o Sr. Correia e a sua esposa por virem, de vez em quando ao Quitexe fazerem compras.
 
 No dia 15 de Março, de manhãzinha, o Sr. Correia abandona o Cólua deixando lá a esposa na companhia dos criados. O seu destino é o Quitexe, onde é surpreendido pelo ataque da UPA. Consegue escapar mas não pode voltar e por ali fica, esperando que alguma força militar vá com ele ao Cólua ver da sua mulher, da qual não há notícias. Os dias vão passando e o velho Correia, homem de 60 anos e já de cabelos brancos, desespera perante a impotência de não poder ir à procura da esposa. Ninguém arrisca sair para aqueles lados. E, assim, dia após dia, de espingarda ao ombro e fazendo guardas à noite, espera, espera, espera...
  
Da desquerda para a direita: João Garcia, Martins Gonçalves, ?, Velho Correia
Um dia, alguém que viajou de avião para o Uíge, vem dizer-nos que o avião sobrevoou uma coluna militar entre a Bela Vista e Aldeia Viçosa, a caminho do Quitexe. Dois dias depois ainda nada se sabia dos militares; seria mais um boato lançado para alimentar um desejo tanta vez anunciado.
 
Afinal a coluna existia, mas vinha para ocupar a povoação abandonada de Aldeia Viçosa que ficava a 50 km do Quitexe. Tratava-se de uma companhia vinda de Luanda que lá acampou, com 50 trabalhadores Bailundos da fazenda Madeira & Marques que ficava perto da povoação. O Comandante da Companhia resolve mandar um pelotão ao Cólua, à procura da senhora francesa. O trajecto é muito mau, uma picada lamacenta. Os três jipões chegam à povoação, mas não encontram ninguém e resolvem regressar. Os Upas preparam uma emboscada e, quando os dois primeiros jipões saem duma curva, atacam a terceira viatura matando os nove soldados e apoderando-se de uma metralhadora, das espingardas e respectivas munições. A companhia alertada via rádio sai em socorro do pelotão, limitando-se a trazer os corpos dos nossos martirizados soldados. A companhia, meio destroçada, regressa a Luanda com os corpos, deixando outro pelotão de guarda à povoação, acompanhados dos 50 Bailundos.
 
Do pelotão e dos Bailundos nada se sabe. Não respondem às chamadas via rádio; um avião da Força Aérea da base do Negage tenta localizá-los durante três dias. É quando o Chefe do Posto e o Tenente, que comanda a pequena força militar, vêm ao meu encontro e me dão conhecimento dos factos que acabo de relatar.
 
-         Agora, temos necessidade de alguém que vá a Aldeia Viçosa tentar encontrar os soldados desaparecidos. Vimos pedir-lhe o jipe...
-         Sim senhor, acabo de encher o depósito e está ao vosso dispor.
-         Mas Garcia, nós precisamos que além do jipe, você também vá....
-         Mas como, eu? Para além do Dambi-Angola, que é a última sanzala do Quitexe, não conheço nada, nem ninguém. Como as coisas estão para aqueles lados é uma missão muito arriscada e riscos já nós corremos aqui todos os dias. Mas, afinal quem é que vai?
-         O Dr. Assoreira, se você for, também vai.
-         E quem mais?
-         Mais ninguém.
 
O Dr. Assoreira seria a última pessoa que eu abandonaria pois além de muito meu amigo é um homem destemido, incapaz de, numa situação difícil, virar as costas e me deixar sozinho. Além disso, conhecia bem aquela região dos Dembos e todas as sanzalas, pois fora durante anos delegado de saúde do Quibaxe. O risco é de facto muito grande, mas como negar socorro a soldados que, para virem em nosso auxílio, deixaram a família em Portugal e, de repente, são atirados para as matas impenetráveis do Norte de Angola, entregues a si próprios, sem saberem onde estão e onde está o inimigo. A prová-lo está a morte dos nove soldados.
-         Podem contar comigo. Digam a hora a que partimos...
-         Se já comeu alguma coisa, quanto mais cedo melhor.
 
E, assim, o Dr. Assoreira na sua carrinha Chevrolet com ajudante bailundo e eu no jipe, também com um ajudante, estamos preparados para uma missão que nos pode custar a vida. Entretanto um relâmpago forte seguido de uma chuvada intensa (a bula messoque) atrasa por pouco tempo a partida. O sol intenso logo aparece.
 
 Arrancámos os dois, o Médico à frente e eu logo atrás. Percorremos alguns quilómetros, já passamos o Luege e estamos a deixar a anhara de capim e prestes a entrar nas matas do desfiladeiro que nos leva, pela estrada nova, ao Dambi-Angola. Surpresa das surpresas, um a um os três jipões do pelotão desaparecido estão, agora, parados ali à nossa frente. São homens marcados por um enorme sofrimento físico e psicológico. A Upa, com a metralhadora roubada, aterrorizou-os completamente. Todos vêm traumatizados; o jovem alferes, esse vem totalmente transtornado. Mesmo assim todos sorrimos de alegria, não evitando que uma ou outra lágrima escorra pela cara abaixo.
 
 Demos a volta, guiando, agora, o pelotão até ao Quitexe. Há que arranjar alojamento e comida para estes homens. Comer, vão ao bar do Pacheco, e eu, a pedido do tenente, vou tentar arranjar sitio onde possam dormir. Lembrei-me do armazém da casa do Álvaro Pacheco, em frente à minha, que estava desocupado. E agora.... os soldados vão dormir em cima do cimento? Fico preocupado e, então, resolvo ir à minha loja e trago todos os cobertores que estão nas prateleiras, uns 60 ou 70. Cada soldado fica com um para por no chão e outro para se tapar, pois durante a noite arrefece e os mosquitos aparecem zumbindo à roda da cabeça. Durante três dias ninguém chateia os homens, que bem precisam de descansar e recuperar do trauma psicológico que os afecta.

João Nogueira Garcia em "Quitexe 61, Uma Tragédia Anunciada"

publicado por Quimbanze às 22:51

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As esplanadas em 61 no Quitexe

 

De Arlindo de Sousa recebemos estas fotos tiradas em 61 no Quitexe

 

Como refere, desfocou os rostos por respeito ao direito pessoal de imagem (apesar de já terem passado 48 anos os visados poderiam não gostar de se verem publicitados na Internet). Apenas ficou visível o seu rosto e do Martins Gonçalves (que na altura mandava colaboração para o Jornal do Congo).

 

 

ESPLANADA DO PACHECO - À direita Martins Gonçalves, segundo à esquerda Arlindo de Sousa

 

 

    BAR DO MORAIS - os vidros das janelas ainda se encontravam partidos devido aos ataques da UPA

publicado por Quimbanze às 22:37

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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Quitexe - as placas de identificação da vila

 

Placa de identificação do Quitexe colocada pela JAEA

Fotografia de José Oliveira tirada em 1969

 

 

 Fotografia tirada em 2004 (?)

 

Após o alargamento e repavimentação da estrada desconhemos se foi mantida a placa.

publicado por Quimbanze às 08:33

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