Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
Governante exorta para a necessidade de conservação do património cultural


Uíge - O vice-governador para Organização e Serviços Técnicos do Uíge, Nazário Bomba, exortou domingo, na localidade do
Gama, município do Quitexe, a necessidade da população e estruturas afins, trabalharem na conservação e respeito do património cultural na região, com vista a sua preservação.

O governante falava no final da visita realizada ao sítio histórico  ”Mbongui-ia-Matadi” construído pelo capitão-mor dos Dembos, Ribeiro de Almeida em 1919, tendo sido abandonado pelo sargento José Messias que, em 1921, instalou novo posto em Cambamba.
 

 

O responsável apelou também à direcção do Centro Universitário local no sentido de programar acções de investigação para que os estudantes da opção de história possam trabalhar e tornar públicos os resultados das respectivas fontes históricas. 
 

 

O director da Cultura no Uíge, António Mukanza Canguidi, assegurou que a sua instituição vai continuar a trabalhar para o reconhecimento do local como “sítio histórico”, tendo em conta a sua importância na história do país.
 

 

Estiveram presentes no local, membros do governo provincial, da administração municipal do Quitexe, comunal de Vista Alegre, autoridades policiais e tradicionais da regedoria do Gama.

Angolapress

 

 

 



publicado por Quimbanze às 21:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 31 de Janeiro de 2010
Histórias da minha meninice no Quitexe V- António Guerra

 

Do social…
Para os que lêem sem terem vivido os anos 50 ou 60 em África, vou tentar compilar o modo como vivíamos os tempos livres (hoje impensáveis sem televisão, Net ou telemóvel).
Depois de um árduo e transpirado dia de trabalho, o repouso dos guerreiros fazia-se em casa com a família. Depois de jantar, geralmente à varanda ou nas salas, ouvia-se a rádio, ligado a pilhas ou baterias de automóvel, pois electricidade era coisa que ainda não havia (até 1959 ou 1960). Aguardavam-se as notícias, quase secretamente, da rádio Brazaville, por não estarem conotadas com a ideologia política reinante em Portugal, logo mais próximas da realidade e de âmbito mais alargado.
O cinema era aguardado com expectativa, como forma privilegiada de lazer. Até o Quitexe dispor de um gerador a diesel, o senhor que vinha do Uige para projectar o filme, trazia um pequeno gerador. O interessante é que a energia eléctrica só funcionava até às 11h da noite. No dia de cinema, não havia tempo para comentários sobre o filme. As pessoas saíam do armazém da administração praticamente a correr, para chegar a casa e rapidamente se aprontarem para se deitarem. Ao fim do 3º sinal de intermitência da luz, esta apagava-se até à tardinha do dia seguinte.
Os fins-de-semana eram os momentos sociais por excelência. Ou se ia para a fazenda, mas raramente uma família sozinha. Os grupos faziam-se por afinidade e os piqueniques eram formas de convívio muito habituais. A ideia de piquenique envolvia um almoço que na minha família era geralmente de bacalhau e batatas, acompanhados com as couves tronchudas que se cultivavam nas margens do ribeiro da fazenda do meu pai. Eram as raízes a falar mais alto! Também era frequente visitarmos outros fazendeiros. Recordo de um desses dias na fazenda da Minervina. O lanche era borrachinhos fritos com gindungo,q.b., de tal modo q.b. que os meus lábios ficaram inchados com tanto gindungo. O tratamento foi besuntarem-me a boca de manteiga. Era a integração a falar alto também.
Quando não se saía da vila ao fim-de-semana, o entretimento era, por vezes o Sansão – um bode pestilento e enorme do rebanho dos meus pais. Os homens serraram-lhe as pontas dos cornos e passaram a toureá-lo na rua de baixo.  Diz-se que os primeiros militares que foram para o Quitexe comeram o Sansão. Era preciso estar com muita fome, penso eu.
O futebol (não fôssemos nós latinos) era outra forma de passar o tempo. Não me recordo muito bem do modo como decorriam os jogos, de quem jogava, mas recordo-me de um jogo de solteiros contra casados que teve um final agitado.
A vida era simples, mas nada monótona. Havia um sentido de comunidade em que se confiava e esta paz na maneira de viver fez de nós pessoas generosas e tolerantes, sem sermos “santos”. O Sol e o calor ajudavam a ter a porta sempre aberta e por ela entravam todos os que desejassem, mesmo sem as formalidades dos convites a que hoje estamos habituados.
Era normal qualquer casa dispor de um quarto, designado de “quarto de hóspedes”, sempre pronto para receber o amigo, o conhecido ou mesmo o viajante que por lá parasse.
Éramos realmente uma família alargada que conseguiu transmitir aos mais novos esse sentimento, ainda hoje vivo nos reencontros de angolanos, até daqueles que nunca conhecemos.
António Guerra
 
Esta é uma cópia do Boletim Oficial de Angola, publicado em 26 de Julho, recolhida pelo João Cabral e que terá sido o início da iluminação pública no Quitexe.
Diz-nos João Cabral:
"O que  aconteceu no Quitexe, como refere o António Guerra, não foi muito diferente do que aconteceu, pela mesma época, no Bolongongo.
Até à chegada dos geradores públicos, as trevas só eram quebradas por velas, candeeiros a petróleo ou então pelos muito sofisticados Petromax. A partir de então, o gerador ligava-se à hora do crepúsculo e permanecia assim até às onze horas, iluminando as duas ou três ruas da localidade e fornecendo também iluminação às casas particulares. Então, piscava uma vez, piscava segunda vez... e à terceira era de vez, até ao anoitecer do dia seguinte em que tudo recomeçava.

Poucos anos mais tarde, o gerador passou a funcionar também duas ou três horas logo pela manhã, para que as senhoras - ou os seus criados - pudessem utilizar os novíssimos ferros eléctricos, substitutos dos de brasas, para passar a roupa.
Quanto aos restantes electrodomésticos... manteve-se o antigamente: fogão a lenha, frigorífico a petróleo e rádios a pilhas ou baterias".


publicado por Quimbanze às 23:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 24 de Janeiro de 2010
Administração Municipal do Quitexe está em obras de reabilitação

Por informação do Jornal de Angola ficamos a saber que o vice-governador provincial do Uíge para a organização e serviços técnicos,  Pedro Vilhena, visitou, no Quitexe, as obras de reabilitação da administração municipal e das casas dos administradores municipal e adjunto.

Sede da Administração em 1961 - Foto Arlindo de Sousa

 

Sede da Administração em 2004 - Foto de Ivo Bije

 

Congratulamo-nos com esta notícia pois, desde o ataque da UNITA, em 1991, que a administração do Quitexe estava privada de uma sede condigna, restando, apenas um edifício esventrado e em ruínas.

 

O vice-governador visitou, também, a área onde vai ser construído o posto policial e as reservas fundiárias do município, numa extensão de cem hectares, enquadrado no programa do Governo de construção de um milhão casas em todo o país.



publicado por Quimbanze às 18:36
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Histórias da minha meninice no Quitexe IV- António Guerra

 

Papas de linhaça
Lembro-me de uns capins muito altos (como todos os capins em Angola) que quando arrancados e aquecidos ao fogo, se batidos com força no chão estouravam como foguetes.
Muitas vezes apanhava esses capins com os criados e à noite, à fogueira, era uma festa de foguetes que só visto.
Ora um certo dia andava eu mais um criado pelo capinzal que havia por trás da casa do tio Celestino, quando eu resolvo agarrar um capim desses para levar. Só que em vez de o agarrar por baixo, agarrei-o pelas folhas e puxei. Foi golpe certo na mão. Como havia uma certa cumplicidade entre mim e o criado que sempre me acompanhava, pedi-lhe para não dizer nada aos meus pais.
Os meus pais só deram conta quando eu já não conseguia fechar a mão, tal era a gravidade da infecção. De imediato foi chamado o Dr. Almeida Santos (Dr. Talambanza, como era conhecido) que resolveu lancetar-me a mão para drenar. Quando me apercebi das intenções dele, resolvi tentar uma fuga estratégica, que não foi bem sucedida (já me conheciam as manhas). Fui agarrado e levado junto do doutor para me tratar. Como não conseguia fugir, esperneei, gritei, mas não tive grande sorte.
Tentei outro estratagema. Resolvi demonstrar todos os meus profundos conhecimentos de português vernáculo. A minha mãe estava boquiaberta, pois não sabia que eu era tão erudito. O doutor estava espantadíssimo pois não sabia que uma coisa tão pequena tivesse tão profundo vocabulário. Acabado o relatório em português, seguiu-se uma demonstração do que já tinha aprendido em Kimbundo.
Não me deram tréguas. Fui amarrado a uma cadeira com as mãos atrás das costas da cadeira, fui lancetado e espetaram-me umas papas de linhaça quentes na mão. Talvez para me compensar de tal grau de conhecimentos, o Dr. Talambanza repetiu o tratamento uma série de dias seguidos. Ou será que ele queria aprender qualquer coisa comigo?!
Foi bastante doloroso, mas o Dr. fez um serviço espectacular. Não tenho nenhuma cicatriz na mão, só na recordação!
António Guerra


publicado por Quimbanze às 18:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Histórias da minha meninice no Quitexe III- António Guerra

 

Acidente  no poço roto
 
O meu pai andava a fazer a 2ª casa no Quitexe, (teria eu 8 anos, talvez 1958), que ficava de gaveto entre a rua de baixo e a rua que seguia para a igreja e, como é natural, andavam sempre por lá alguns trabalhadores nos seus afazeres.
2004 - A casa em ruínas
Nas traseiras da casa estava a ser construída uma fossa séptica, com poço absorvente para onde seriam canalizados os esgotos da casa. O tal poço absorvente ou poço roto como lhe chamavam, não era mais do que um buraco circular e profundo, com as paredes revestidas de pedra irregular e com fendas entre elas de forma a permitirem a infiltração dos líquidos.
Numa bela tarde, andava eu de bicicleta a brincar na obra, quando ao passar pela parte de trás da casa, um dos trabalhadores, também com vontade de brincar, abriu as pernas entre a parede posterior da casa e o poço (que na altura estava vazio para sorte minha), deixando apenas livre para eu passar uns escassos 40 ou 50 centímetros entre a borda do poço e o pé dele.
Claro que eu insisti em passar e passei! A roda da frente passou bem mas a de trás resvalou numa pedra e lá fui eu para o fundo do poço. Só não levei com a bicicleta em cima, porque o tal trabalhador ao ver-me cair, lhe deitou a mão e conseguiu agarrar a roda da frente.
À medida que eu ia caindo para o fundo do poço, o meu traseiro ia raspando pelas pedras que revestiam as paredes. O senhor foi logo buscar uma escada e tirou-me de lá.
Quando a minha mãe me viu chegar à loja muito sorrateiro e com as mãos atrás das costas, disse logo: “Já a pregaste”.
Depois foi a humilhação de tirar os calções rasgados, as cuecas rasgadas e deitado em cima do balcão, sujeitar-me ao tratamento de desinfecção com álcool (como se dizia na altura, o que arde cura) de um traseiro bastante arranhado.
O meu castigo foi ficar uns tempos sem a bicicleta que foi pendurada numa trave do armazém da loja. Será que fui eu o castigado ou foi a bicicleta? E quem merecia o castigo?
Continuo a pensar que todos os azares que me iam acontecendo infância fora, eram fruto de muita injustiça…
 
António Guerra


publicado por Quimbanze às 22:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
Histórias da minha meninice no Quitexe II- António Guerra

 

Daniel, o profeta
 
Os “Kotas”, mais para a minha idade, certamente que se lembram que antigamente, fazíamos uma espécie de provas na 3ª classe. Estas provas eram feitas na escola do Quitexe, por uma equipe de dois professores que vinham de fora e a nossa professora (D. Lucília Barreiros) que apoiava. No ano seguinte, tínhamos o exame da 4ª classe e os exames de admissão ao liceu e às escolas (Industrial e Comercial). Era já uma grande aventura!
 Por volta de 1959, 1960 os exames da 4ª classe eram feitos no Uige. Acontece que por alturas da tal prova da 3ª classe, aguardávamos nós ansiosos e nervosos, mais nervosos que ansiosos, comentando entre nós no coberto da escola: “… e se eu reprovo? … será que eu passo?... e o exame será difícil?....
A inquietação era grande e própria da idade. No meio de tanto “aperto”, um dos nossos colegas, o Daniel da família Manda Fama, ergueu os braços, como se ameaçado por uma arma “ mãos ao ar”, e disse no ar mais solene que se possa imaginar: “Calma irmãos… que vamos passar todos”.
Devo esclarecer que nessa altura vivíamos uma religiosidade profunda, frequentando a catequese e demais actividades da Igreja como seja a Cruzada Eucarística. Como disse, o Daniel era da família Manda Fama a que pertencia também a menina Efigénia, a nossa catequista.
Chegaram os tais examinadores (um professor e uma professora), fizemos as provas e não é que passámos todos para a 4ª classe?! Dado o momento solene que tínhamos vivido, o nosso amigo ganhou, entre a miudagem, a alcunha de Daniel o Profeta.

 

Foto das comunhões no Quitexe.O 2º rapaz da fila da frente do lado esquerdo, é o Acácio Barreiros, segurando a bandeira da Cruzada Eucarística e aquelas faixas que os dois rapazes do lado esquerdo ostentam, não são dos cavaleiros Templários, mas da Cruzada Eucarística.A menina Efigénia está ao fundo atrás do Acácio.
Afinal éramos todos bons meninos.
Foto cedida por Maria Manuela Jardim Baptista
A escola do Quitexe.
Foi no alpendre que o Daniel, o profeta, ditou a sentença:
“Calma irmãos … que vamos passar todos."
E passámos…..
 
António Guerra
 


publicado por Quimbanze às 22:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Histórias da minha meninice no Quitexe I- António Guerra

 António Guerra continua a brindar-nos com as suas histórias de uma infância feliz passada no Quitexe:

 

 

À PESCA… sem cana
Das minhas lembranças mais longínquas do Quitexe, recordo-me da época em que havia meia dúzia de casas e da união entre as pessoas. Éramos uma espécie de família alargada, com temperamentos diferentes, mas de uma solidariedade e interacção que só quem passou por Angola pode entender.
Ao fim de semana, duas ou três famílias juntavam-se e rumavam à margem de um rio para o costumeiro pic-nic.
 pic-nic na zona do Quitexe
Foto João Nogueira Garcia
Do menu pic-nic, fazia sempre parte a pescaria no rio. À falta das engenhosas canas de pesca, outro engenho surgiu - as bombas feitas pelo sr. Silva Fogueteiro .
O almoço era feito no local e mais para o meio da tarde os homens lançavam uma ou duas bombas para o rio. As mulheres e crianças dirigiam-se para um ponto a jusante onde houvesse pé  e com grandes cestos da apanha do café, era só deixar entrar os peixes que vinham a boiar na corrente. O peixe era então distribuído por todos.
 Pescaria no Rio Luquixe - Foto João Nogueira Garcia
 
Só mais tarde começou a aparecer pelo Quitexe um senhor numa carrinha de caixa aberta, com grandes caixas na carroçaria, onde trazia peixe envolto em camadas de gelo partido e que vinha de Luanda.
Eu gostava mais deste peixe do que do  rio, pois o do rio tinha muitas espinhas. Mas do que eu mais gostava mesmo era ir comer (sem a minha mãe dar conta) umas funjadas com os criados. Ainda hoje o meu prato favorito é uma boa funjada de peixe seco ou uma moambada de galinha. Como tive o privilégio de partilhar estas iguarias com quem mais entendia delas, até aos meus 19 anos de idade, comi sempre o funge com as mãos. Asseguro-vos que tem outro paladar comer o funge à mão, tal como o frango de churrasco. Quando comecei a namorar e para que não me julgassem algum troglodita, passei a comer mais “civilizadamente”.
 
António Guerra

 



publicado por Quimbanze às 19:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
Governador do Uíje defende maior apoio para projectos de reconstrução da província

Governador do Uíje defende maior apoio para projectos de reconstrução da província O governador do Uíje, Paulo Pombolo, disse ontem, durante a realização do acto central das comemorações do Dia dos Mártires da Repressão Colonial, que a província necessita do apoio do Governo central na mobilização de recursos que possam ajudar a resolver os problemas de energia e água, saúde, educação, para além de outros que têm a ver com a reparação das vias de acesso aos municípios do interior.
  “Precisamos do apoio do Governo central para ultrapassarmos as dificuldades que ainda enfrentamos nos sectores da saúde, energia e água, educação, e principalmente na reparação das vias de acesso aos municípios do interior da província”, disse.
Paulo Pombolo, que falava para milhares de pessoas que acorreram ao local do acto, realizado no largo do Palácio da Justiça, referiu que o governo local pretende construir um novo Uíje, apostando no desenvolvimento com vista à melhoria das condições de vida das populações locais. O governador disse, na ocasião, que estão a ser preparadas as condições necessárias que vão garantir um futuro melhor, unido em torno dos objectivos estratégicos aprovados pela população da província nas eleições legislativas de 5 de Setembro de 2008.
  “Assim, do Bembe a Quimbele, de Maquela do Zombo ao Quitexe, do Sanza Pombo a Kangola e dos Buengas a Ambuíla, estamos empenhados na consolidação da unidade, do espírito do amor ao próximo, privilegiando o trabalho como elemento fundamental que vai levar a província ao desenvolvimento económico e social da região”, frisou.
  Pombolo manifestou-se preocupado com o facto de algumas localidades municipais estarem a correr o risco de ficarem isoladas do resto da província. As ravinas e o desabamento de algumas pontes afectam, nesta altura, os municípios do Ambuíla e Quimbele.
  Sobre a importância da data, o governador do Uíje sublinhou que “estamos a render uma profunda homenagem aos mártires da repressão colonial, que abriram o caminho para a nossa liberdade e independência”. O governador do Uíje acrescentou que “é neste dia de significado ímpar, que a população da província assume o compromisso de continuar a honrar com espírito patriótico e de bravura os heróis da liberdade, que de forma corajosa enfrentaram e venceram as forças de exploração e da injustiça”, referiu. O governador Paulo Pombolo agradeceu ao Governo central pela escolha do Uíje, para a realização deste importante acto.

 

Jornal de Angola



 



publicado por Quimbanze às 22:52
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
Comando do B.Artª 786- 1965

 

 

 

José Lapa enviou-nos esta foto  referente à moradia onde estava sediado o Comando do B.Artª 786. Foi tirada em Julho de 1965 .
 
       
 



publicado por Quimbanze às 22:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
Comentário - São Morais

São Morais, deixou um comentário ao post As esplanadas em 61 no Quitexe às 20:59, 2009-12-24.

Comentário:


Era meu desejo estar aqui bastante tempo em amena cavaqueira, com lembranças que enchem a minha alma de alegria e inquietação mas como o meu tempo é muito limitado terá que ficar para ocasião mais propicia à escrita e á meditação.

 

Nesta época natalícia que atravessamos não queria deixar de reforçar a magia da partilha dos afectos e das esperanças. Porque em cada um de nós se aviva o gesto de dar e receber a vontade de unir esforços e enlaçar as mãos em meu nome e em representação, face votos de que todos vós sejam iluminados pelos valores que o natal inspira e que 2010 converta expectativas em realidades e desejos em conquistas.

 

Um abraço amigo

São Morais



publicado por Quimbanze às 10:41
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Filipe Branco - Comentário

Filipe Branco, deixou um comentário ao post Comentários - António Casal (Fonseca) às 22:38, 2009-12-20.

Comentário:
 

Estive no Quitexe em 72-73 na ccs bcac 3879.

Era muito amigo do Evaristo e do irmão Henrique. No natal de 72-73 jantei na casa deles, depois de jantar com os meus companheiros. O Evaristo era um bom jogador de damas, ele organizou um torneio no Quitexe, quem venceu já nao me lembra .
Tenho algumas fotos do Quitexe, logo que me seja possivel, ponho-as aqui.

Nao estou certo do Sr. Morais, mas esse nome nao me é estranho. Nao sei se ficava para o lado do Tupeto, ou no lado de cima à beira da casa do Evaristo.

Um abraco enorme para toda esta gente boa, do Quitexe onde fui sempre muito bem tratado.

FILIPE BRANCO - VIANA DO CASTELO

 

Agradeço muito o seu comentário.

O Bar do Sr. Morais ficava na rua de cima,  na zona de saída para Luanda, na esquina da rua que conduzia à pista de aviação do Quitexe.

 

Por favor envie-me as fotografias do Quitexe para j-garcia@netcabo.pt

 

João Garcia

 



publicado por Quimbanze às 09:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 13 de Dezembro de 2009
O Velho Correia

  foto  Arlindo de Sousa

 

Arlindo de Sousa e o "velho" Correia, em 1961, em frente ao edifício então designado de “Casa dos Aspirantes”, ou dos funcionários da Administração.  "Chamávamo-lo "Velho", carinhosamente, por respeito à idade dele e por estima pessoal  e consideração pelo facto de lhe terem morto a esposa (uma senhora francesa) no Cólua".

 

 

 

O velho Correia que perdeu a mulher no Cólua
 
O Correia terá abandonado Luanda seduzido pela febre do café; ele e a sua esposa, uma senhora francesa, fixaram-se numa localidade chamada Cólua onde, outro luandense, locutor da Rádio de Angola e movido pelo mesmo sonho se lhe viera juntar. Suponho que, para além de pequenas casas comerciais, também tenham demarcado algum terreno de matas para plantar café. O Cólua pertencia à área do Posto Administrativo de Cambambe e estava localizada nas margens do rio Vamba, que faz limite com a área do Posto do Quitexe. Conhecia o Sr. Correia e a sua esposa por virem, de vez em quando ao Quitexe fazerem compras.
 
 No dia 15 de Março, de manhãzinha, o Sr. Correia abandona o Cólua deixando lá a esposa na companhia dos criados. O seu destino é o Quitexe, onde é surpreendido pelo ataque da UPA. Consegue escapar mas não pode voltar e por ali fica, esperando que alguma força militar vá com ele ao Cólua ver da sua mulher, da qual não há notícias. Os dias vão passando e o velho Correia, homem de 60 anos e já de cabelos brancos, desespera perante a impotência de não poder ir à procura da esposa. Ninguém arrisca sair para aqueles lados. E, assim, dia após dia, de espingarda ao ombro e fazendo guardas à noite, espera, espera, espera...
  
Da desquerda para a direita: João Garcia, Martins Gonçalves, ?, Velho Correia
Um dia, alguém que viajou de avião para o Uíge, vem dizer-nos que o avião sobrevoou uma coluna militar entre a Bela Vista e Aldeia Viçosa, a caminho do Quitexe. Dois dias depois ainda nada se sabia dos militares; seria mais um boato lançado para alimentar um desejo tanta vez anunciado.
 
Afinal a coluna existia, mas vinha para ocupar a povoação abandonada de Aldeia Viçosa que ficava a 50 km do Quitexe. Tratava-se de uma companhia vinda de Luanda que lá acampou, com 50 trabalhadores Bailundos da fazenda Madeira & Marques que ficava perto da povoação. O Comandante da Companhia resolve mandar um pelotão ao Cólua, à procura da senhora francesa. O trajecto é muito mau, uma picada lamacenta. Os três jipões chegam à povoação, mas não encontram ninguém e resolvem regressar. Os Upas preparam uma emboscada e, quando os dois primeiros jipões saem duma curva, atacam a terceira viatura matando os nove soldados e apoderando-se de uma metralhadora, das espingardas e respectivas munições. A companhia alertada via rádio sai em socorro do pelotão, limitando-se a trazer os corpos dos nossos martirizados soldados. A companhia, meio destroçada, regressa a Luanda com os corpos, deixando outro pelotão de guarda à povoação, acompanhados dos 50 Bailundos.
 
Do pelotão e dos Bailundos nada se sabe. Não respondem às chamadas via rádio; um avião da Força Aérea da base do Negage tenta localizá-los durante três dias. É quando o Chefe do Posto e o Tenente, que comanda a pequena força militar, vêm ao meu encontro e me dão conhecimento dos factos que acabo de relatar.
 
-         Agora, temos necessidade de alguém que vá a Aldeia Viçosa tentar encontrar os soldados desaparecidos. Vimos pedir-lhe o jipe...
-         Sim senhor, acabo de encher o depósito e está ao vosso dispor.
-         Mas Garcia, nós precisamos que além do jipe, você também vá....
-         Mas como, eu? Para além do Dambi-Angola, que é a última sanzala do Quitexe, não conheço nada, nem ninguém. Como as coisas estão para aqueles lados é uma missão muito arriscada e riscos já nós corremos aqui todos os dias. Mas, afinal quem é que vai?
-         O Dr. Assoreira, se você for, também vai.
-         E quem mais?
-         Mais ninguém.
 
O Dr. Assoreira seria a última pessoa que eu abandonaria pois além de muito meu amigo é um homem destemido, incapaz de, numa situação difícil, virar as costas e me deixar sozinho. Além disso, conhecia bem aquela região dos Dembos e todas as sanzalas, pois fora durante anos delegado de saúde do Quibaxe. O risco é de facto muito grande, mas como negar socorro a soldados que, para virem em nosso auxílio, deixaram a família em Portugal e, de repente, são atirados para as matas impenetráveis do Norte de Angola, entregues a si próprios, sem saberem onde estão e onde está o inimigo. A prová-lo está a morte dos nove soldados.
-         Podem contar comigo. Digam a hora a que partimos...
-         Se já comeu alguma coisa, quanto mais cedo melhor.
 
E, assim, o Dr. Assoreira na sua carrinha Chevrolet com ajudante bailundo e eu no jipe, também com um ajudante, estamos preparados para uma missão que nos pode custar a vida. Entretanto um relâmpago forte seguido de uma chuvada intensa (a bula messoque) atrasa por pouco tempo a partida. O sol intenso logo aparece.
 
 Arrancámos os dois, o Médico à frente e eu logo atrás. Percorremos alguns quilómetros, já passamos o Luege e estamos a deixar a anhara de capim e prestes a entrar nas matas do desfiladeiro que nos leva, pela estrada nova, ao Dambi-Angola. Surpresa das surpresas, um a um os três jipões do pelotão desaparecido estão, agora, parados ali à nossa frente. São homens marcados por um enorme sofrimento físico e psicológico. A Upa, com a metralhadora roubada, aterrorizou-os completamente. Todos vêm traumatizados; o jovem alferes, esse vem totalmente transtornado. Mesmo assim todos sorrimos de alegria, não evitando que uma ou outra lágrima escorra pela cara abaixo.
 
 Demos a volta, guiando, agora, o pelotão até ao Quitexe. Há que arranjar alojamento e comida para estes homens. Comer, vão ao bar do Pacheco, e eu, a pedido do tenente, vou tentar arranjar sitio onde possam dormir. Lembrei-me do armazém da casa do Álvaro Pacheco, em frente à minha, que estava desocupado. E agora.... os soldados vão dormir em cima do cimento? Fico preocupado e, então, resolvo ir à minha loja e trago todos os cobertores que estão nas prateleiras, uns 60 ou 70. Cada soldado fica com um para por no chão e outro para se tapar, pois durante a noite arrefece e os mosquitos aparecem zumbindo à roda da cabeça. Durante três dias ninguém chateia os homens, que bem precisam de descansar e recuperar do trauma psicológico que os afecta.

João Nogueira Garcia em "Quitexe 61, Uma Tragédia Anunciada"



publicado por Quimbanze às 22:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

As esplanadas em 61 no Quitexe

 

De Arlindo de Sousa recebemos estas fotos tiradas em 61 no Quitexe

 

Como refere, desfocou os rostos por respeito ao direito pessoal de imagem (apesar de já terem passado 48 anos os visados poderiam não gostar de se verem publicitados na Internet). Apenas ficou visível o seu rosto e do Martins Gonçalves (que na altura mandava colaboração para o Jornal do Congo).

 

 

ESPLANADA DO PACHECO - À direita Martins Gonçalves, segundo à esquerda Arlindo de Sousa

 

 

    BAR DO MORAIS - os vidros das janelas ainda se encontravam partidos devido aos ataques da UPA



publicado por Quimbanze às 22:37
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Quitexe - as placas de identificação da vila

 

Placa de identificação do Quitexe colocada pela JAEA

Fotografia de José Oliveira tirada em 1969

 

 

 Fotografia tirada em 2004 (?)

 

Após o alargamento e repavimentação da estrada desconhemos se foi mantida a placa.



publicado por Quimbanze às 08:33
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 28 de Novembro de 2009
Procissão no Quitexe - 21-01-1969

            Tocam os sinos da torre da igreja,
            Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
            Na nossa aldeia que Deus a proteja!
            Vai passando a procissão.

 

Em frente do clube                                      foto de José Oliveira

 

 

 

De regresso à igreja                                   foto de José Oliveira



publicado por Quimbanze às 07:41
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
Pescaria no Rio Luquiche - Quitexe (anos 50)

A beleza das margens                   Foto João Nogueira Garcia

 

 

 

                                                       Foto João Nogueira Garcia

 

 

A pescaria  - atiravam um petardo para a água e, depois, era só apanhar os peixes para dentro dos cestos.

Este tipo de pesca, altamente lesivo para o ecossistema, porque mata toda a cadeia de peixes, era largamente utilizada.

 

 

 



publicado por Quimbanze às 22:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 22 de Novembro de 2009
Quitexe - anos 50

                                                                                                    Foto João Nogueira Garcia

 

 

1949/50 - A casa de João Nogueira Garcia, já construída (ainda sem o varadim) e a de Celestino Guerra, em acabamentos. Nesta altura construía-se primeiro e só depois se tratava da legalização do terreno.

Graças ao trabalho de investigação de João Cabral apresentamos hoje as publicitações no Boletim Oficial de Angola  dos pedidos para a concessão dos aforamentos destes dois terrenos.

 

 

Entre estes dois lotes viria, mais tarde, a ser construída a casa de Abílio Guerra.

 

                                                                                                         Foto João Nogueira Garcia

 

Nesta foto, salvo erro, da minha irmã Paula em 1954, vê-se a casa de Celestino Guerra e, ao fundo, a de Jaime Rei. Os animais passeavam no que seria a larga avenida do Quitexe.

 

 

                                                                Foto João Nogueira Garcia

 

A casa de Silva Fogueteiro construída na rua perpendicular à avenida, que ligaria a Igreja à Administração.



publicado por Quimbanze às 07:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 21 de Novembro de 2009
Paulo Pombolo - Novo Governador do Uíge

Paulo Pombolo foi nomeado governador da província do Uíge, em substituição de Mawete J.Baptista, também nomeado para o cargo de governador de Cabinda.

Recorda-se que no 30 de Outubro deste ano, Paulo Pombolo tinha sido eleito para 1° Secretário Provincial do Uíge.

Natural da Damba, onde em 1976 ingressou na JMPLA.
De 1976 até ano presente, o novo governador do Uíge, subiu todas as escalas da hierarquia, já que nos meados dos anos 80, era Secretário Nacional da JPMLA/JP para Esfera Productiva e uma década depois tinha sido eleito como 1° Secretário Nacional da mesma organização e logicamente membro do BP do MPLA.

 

O governador do Uíge, Paulo Pombolo, no acto de posse, apontou como prioridade a resolução dos problemas que afligem os compatriotas angolanos expulsos da vizinha RDCongo, concentrados nas regiões da Damba, Maquela do Zombo e no centro de acolhimento da província.

 
“Esse será um dos primeiros trabalhos que vamos concertar com os quadros que se encontram na província, para se conseguir ajudar os nossos concidadãos a regressarem às suas zonas de origem”, disse Paulo Pombolo em declarações à imprensa após a cerimónia de investidura.
 
O segundo plano, salientou, será dedicado à continuação do programa que a governação cessante iniciou no princípio deste ano, “ao qual tivemos a oportunidade de acompanhar durante a nossa missão à nível da direcção nacional da juventude do MPLA”.
 
“Vamos apelar aos quadros do governo que se encontram na província para que arregacemos as mangas para darmos continuidade do programa em curso”, enfatizou o governante, que igualmente é o primeiro secretário provincial do Uíge do MPLA, partido no poder.
 
O blogue Quitexe deseja ao novo governador  o maior sucesso  na resolução dos problemas que afectam os cidadãos da província do Uíge.


publicado por Quimbanze às 15:04
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 8 de Novembro de 2009
Recordações do Quitexe 61\63 - Arlindo de Sousa

 

Como neste blogue as  intervenções dos nossos colaboradores vão sendo relegadas para segundo plano com a introdução de novos “posts” resolvi criar um novo blogue apenas com as  magnifícas participações de Arlindo de Sousa, com vista a dar-lhe maior relevo. Chama-se “Recordações do Quitexe 61\63”e caracteriza bem a vivência no Quitexe nos dois anos que se seguiram ao eclodir da guerra. O blogue está referenciado no lado esquerdo em "Outras Páginas" e também pode ser acedido aqui .


publicado por Quimbanze às 18:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Vice-governador insta camponesas a incrementar produção agrícola

 

Uíge - O vice-governador para organização e Serviços Técnicos do Uíge, Nazário Pedro Vilhena Bomba, instou hoje a mulher camponesa da região a incrementar a produção de bens alimentares, com vista a combater a fome e a pobreza junto das famílias.
 
O responsável, que falava no acto de entrega de “in puts” agrícolas e sementes às viúvas e outras mulheres da aldeia de Quitoque, município de Quitexe, disse que com o aumento da produção de diversos produtos locais, as famílias poderão contribuir na resolução dos problemas que afectam as famílias no domínio alimentar.
 
Nazário Pedro Bomba aconselhou as mulheres a organizarem-se em cooperativas agrícolas com vista a atrair o apoio por parte do governo e contribuir para o desenvolvimento agrário.
 
"Nós estamos muito satisfeitos com este trabalho. É necessário não parar depois da colheita da ginguba e do milho. Neste momento o governo precisa das mulheres camponesas, precisa de todas as pessoas envolvidas na produção agrícola, a crise financeira veio chamar atenção a todos nós quanto á importância da agricultura. Porque não só do petróleo e dos diamantes que se vive", observou.
 
Manifestou a sua satisfação pelo trabalho que está a ser desenvolvido pela organização não governamental angolana "Angoavi" no desenvolvimento da produção agrícola e incentivou a mesma a prosseguir com a mesma iniciativa.
 
Na ocasião, a directora provincial do Uíge da Família e Promoção da Mulher, Emília Fernandes, apelou às mulheres a organizarem-se melhor para aumentar a produção dos bens de consume e melhorar o nível de vida das famílias.
 
Entre as individualidades presentes ao acto destacam-se a administradora municipal do Quitexe, Maria Kavunga, representantes da Angoavi, da Unidade Técnica de Coordenação da Ajuda Humanitária (UTCAH), Fórum das Organizações não Governamentais Angolanas (FONGA) e da Rede Mulher.
 
Angop


publicado por Quimbanze às 16:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Acidentes na estrada Quitexe/Uíge



Uíge - Trezentos e 54 pacientes com diversos diagnósticos foram assistidos no fim-de-semana, no banco de urgência da pediatria do Hospital Provincial do Uíge, mais 32 em relação ao período anterior, informou hoje à Angop a enfermeira em serviço Virgínia António.
 
A técnica de saúde explicou que 54 pacientes internaram no banco, 24 dos quais tiveram transfusão de sangue, menos 12 que no período anterior.
 
Acrescentou que outros 13 foram transferidos para enfermaria, mais um em relação ao período anterior, e 297 atendidos de forma ambulatória.
 
A enfermeira fez saber que o elevado número de transfusões de sangue nos doentes deve-se à malária e anemias, acrescentando que no período em análise o banco registou elevado número de doentes com diarreias e doenças respiratórias agudas, anemias, malária, entre outras.
 
Aconselhou a população a primar pela higiene pessoal e caseira, mantendo o saneamento do meio, assim como tratar a água com lixívia ou ferve-la, entre outras medidas básicas que visam garantir a segurança na prevenção de várias endemias que afectam a saúde de muitos cidadãos.
 
Por outro lado, o banco de urgência dos adultos atendeu 101 pacientes com diferentes patologias, menos 14 em relação ao período anterior, revelou a chefe do banco de urgência Maria Fátima Cotelo.

 

A responsável disse que dos doentes atendidos 13 foram por agressões, menos quatro do que no período anterior, 25 feridos em consequência de 16 acidentes de viação, ocorridos nos bairros Gai, Candombe-Velho, periferia da cidade do Uíge, assim como nas vias Negage/Uíge e Quitexe/Uíge.

 
O excesso de velocidade e o uso de bebidas alcoólicas pelos automobilistas estiveram na base dos acidentes.

 



publicado por Quimbanze às 16:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
As Telecomunicações do Quitexe em 1961/63 - 2ª parte por Arlindo de Sousa

 

Como facilmente se compreende, sendo os transreceptores P19 coevos da 2.ª Guerra Mundial (1939-45), nos anos sessenta estavam a ficar tecnicamente bastante obsoletos. Outros modelos mais avançados tinham entretanto entrado no circuito comercial da especialidade. Pelo que no Quitexe em 1963, se não estou em erro, se procedeu a substituição dos velhos e saudosos P19 por volumosos transreceptores RCA de cristais fixos de operação muito semelhante à utilização de um telefone normal. Se bem me lembro, os aparelhos em foco apenas permitiam a utilização de duas ou três frequências fixas: através de uma era possível transmitir de modo a que o sinal pudesse ser ouvido num rádio doméstico de forma não só absolutamente perceptível, mas com a qualidade do som irradiado por uma qualquer emissora; através de outra, o sinal chegava aos rádios domésticos de forma confusa e insusceptível de ser descodificado (funcionava como um canal secreto); e a terceira frequência parece-me que funcionava como canal de emergência. Mas tudo o que acabo de referir deve ser aceite com alguma reserva. Não esqueçamos que já lá vão quase cinco décadas. E praticamente não cheguei a operar com o novo transreceptor. Mal ele foi instalado, parti eu para Luanda a fim de iniciar o cumprimento do Serviço Militar.
Militares portugueses em operações na Serra da Canda junto à fronteira com o Zaire em 1966. O transreceptor patente na foto era alimentado por um dínamo impulsionado por pedais, à semelhança de uma bicicleta de ginástica sem rodas. O signatário está em 1.º plano segurando o microfone.
A recordação mais viva que tenho do novo transreceptor é a do enorme tamanho e a qualidade e intensidade do som, que se fosse recebido no máximo através do altifalante associado (e não através do acessório tipo telefone) podia ser ouvido quase no meio da vila do Quitexe. A esta distância temporal, hoje tenho também a convicção de que a substituição dos velhos e saudosos P19 pelos volumosos transreceptores RCA de cristais fixos, em termos de comunicação à distância através do éter, significou igualmente o fim de um certo pioneirismo romântico e de uma época irrepetível.
Em matéria de telecomunicações, eu não conheci a vila do Quitexe antes de 15 de Março de 1961. Os que a conheceram directamente, por lá terem nascido ou trabalhado e porventura visitem de vez em quando este site, poderão também deixar aqui o seu testemunho. Todavia, numa publicação de 1959 (Dicionário Corográfico Comercial de Angola…, 4.ª Edição, Edições Antonito, Luanda – Angola) encontrei sobre o Quitexe, entre outra informação, o seguinte:
 “C.T.T.: Est. F. P. (Estação telefono postal) de 3.ª, com rádio transreceptor P. 19, comunicando oficialmente com Camabatela; enc. post. ord. (Encomends postais ordinárias) e todos os demais serviços em Carmona. A pov. (povoação), sede dum posto com grande movimento, ambiciona ter uma est. T. P. (Estação telégrafo postal) de 2.ª, com pessoal privativo dos C.T.T. e tem condições para isso. É servida pela carreira de autocarros entre Luanda e Carmona.”
Entre 1959 e 1961, não sei se quanto a telecomunicações houve qualquer evolução. O que sei, por experiência directa, é que durante o tempo em que trabalhei no Quitexe (1961-63) o serviço de correio era assegurado pela própria Administração (subíamos os dois ou três degraus de acesso e, em vez de seguirmos em frente em direcção à secretaria, entrávamos na porta à esquerda).
 
Ali havia a possibilidade de enviar e receber correio normal, registado e até de receber e enviar telegramas através do transreceptor P 19 que, em horário estabelecido, se ligava à Central dos C.T.T. de Carmona. Tal como, se tivermos em conta a transcrição supra, já acontecia em 1959 e muito provavelmente também sucedeu no curto período de tempo que se seguiu até 15 de Março de 1961.
     
       A ditar um telegrama para a Central dos Correios do Uíge
Como podemos constatar, quando deixei o Quitexe em Setembro de 1963, a antiga ambição da vila de ter “uma est. T. P. (Estação telégrafo postal) de 2.ª, com pessoal privativo dos C.T.T.” continuava por realizar. 
Entretanto, creio que no início de 1963, era instalado o primeiro posto público de telefone no Quitexe. Passou a funcionar também na Administração e, à semelhança do serviço “F. P.” (telefono postal), também ligava a vila à Central dos C.T.T. de Carmona. Os telegramas, que anteriormente eram enviados e recebidos pelo “rádio transreceptor P. 19”, passaram a ser ditados de e para Carmona pelo telefone.
 O serviço telefónico era assegurado dia e noite. Durante algum tempo, eu próprio pernoitei na Administração, precisamente no compartimento onde estava o telefone, para assegurar o dito serviço. Recordo-me de que, estando ali sozinho, para quebrar a monotonia entretinha-me a falar com o funcionário que desempenhava idêntica tarefa na Central dos C.T.T de Carmona. Falávamos durante horas e horas. Às vezes, através do sistema de comutação da Central (o serviço de comutação de ramais ainda era inteiramente manual), aparecia um terceiro ou terceira participante na conversa. Das relações do meu interlocutor. Conversámos tanto, tanto… e nunca cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Já nem do nome me lembro!
Não recebia qualquer compensação pecuniária por assegurar aquele serviço. No dia seguinte de manhã, com a abertura ao público da Administração, iniciava as minhas tarefas normais de funcionário administrativo. Daquela experiência ficou-me apenas a possibilidade única de, passado quase meio século, poder afirmar que a linha telefónica, estendida entre Carmona e o Quitexe, em 1963 esteve durante muitas noites à minha inteira disposição. Utilizava-a como uma espécie de Internet. A única limitação era o sono. Não foram poucas as vezes em que deixei o meu interlocutor “pendurado”. Vencido pelo cansaço e pela imperiosa necessidade de dormir, ausentava-me involuntariamente para o reino do deus Morfeu.
    Microfone de um transreceptor P 19
Voltando aos saudosos transreceptores P19, em muitas ocasiões as condições de exploração eram francamente más. Admitindo que num determinado momento estávamos a operar em 5.3, descer por exemplo para 5.0 ou subir para 5.5 era muitas vezes a solução. Contudo a exploração numa frequência indevida atrapalhava por vezes outros operadores de rádio e, além disso, havia a autoridade que vigiava o espaço radioeléctrico. Como se sabe um bem escasso. Por isso, de vez em quando, apareciam na Administração do Concelho notas do Serviço de Vigilância do Espaço Radioeléctrico de Angola (não sei se esta designação está correcta) a lembrar as frequências que legalmente nos estavam atribuídas.
Nós tomávamos conhecimento e no dia seguinte, se a urgência do serviço e as dificuldades eventualmente presentes no espectro radioeléctrico em o efectuar assim o ditassem, voltávamos a operar numa qualquer frequência que encontrássemos disponível e livre de ruído. 
Qualquer operador de rádio sabe por experiência própria que as interferências podem ser devidas a condições atmosféricas adversas. E que podem variar muito ao longo do dia. Essencialmente por se alterarem as condições de propagação das ondas hertzianas. Mas, inúmeras vezes, tinha-se a impressão de que as dificuldades de transmissão e recepção eram causadas por interferências propositadas. Seriam interferências hostis provocadas intencionalmente pelo conhecido método de empastelamento de comunicações, que basicamente consistia então em utilizar um emissor mais potente, sediado por exemplo num país vizinho, para lançar ruído contínuo na frequência de uma rede rádio em horário de laboração?
          
Antigo terminal de telefone -CP                             Telefone analógico
Com certeza que em matéria de comunicações à distância, as coisas no Quitexe passados tantos anos estarão hoje muito diferentes. Seria interessantíssimo que algum amigo daquela vila ou ali a residir deixasse aqui consignado o panorama actual da estimada vila quanto a telecomunicações.

 



publicado por Quimbanze às 12:21
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
As Telecomunicações do Quitexe em 1961/63-1ª parte por Arlindo de Sousa

 Como é amplamente sabido, a seguir a 15 de Março de 1961 a vida no Quitexe e zona envolvente, tal como em muitos outros pontos do Norte de Angola, ficou totalmente desorganizada. Em todas as vertentes: numerosas vítimas; povoações e fazendas destruídas; itinerários inseguros, etc.

No contexto de desorganização verificado, a que de imediato se tentou responder tentando repor a normalidade perdida, as comunicações via rádio tiveram um papel fundamental. Com a utilização dos velhos transreceptores P 19 pela sede do concelho, pelos postos administrativos e até pela maioria das fazendas. Cujos proprietários, refeitos do choque inicial provocado pelo ambiente generalizado de sublevação, voltaram ao trabalho. Empregando como mão-de-obra gente do Sul de Angola.
Em Aldeia Viçosa, quando o chefe de posto António Augusto Ribeiro França e eu próprio lá chegámos, para além dos víveres e do diverso material transportado, contava-se um P 19. Com que comunicávamos umas três vezes por dia com a Repartição Distrital de Administração Civil do Quanza Norte em Salazar, actual N’Datalando. O pelotão da Companhia de Caçadores 89, que em regime de rotatividade guarnecia Aldeia Viçosa, tinha os seus próprios meios de comunicação.
                     A comunicar utilizando o transreceptor P19
O material informativo enviado tinha normalmente a ver com eventuais ataques e respectivas consequências, verificados na área do posto, e com o que estava a ser tentado para recuperar social e economicamente a região. Em sentido inverso vinham instruções ou respostas a solicitações do posto. Ao tempo era governador do distrito, o Major Silva Sebastião.
Em condições normais, um posto administrativo só operava no âmbito de uma rede rádio do respectivo concelho. Mas o caso de Aldeia Viçosa constituiu transitoriamente uma excepção, porque a sua instalação precedeu a instalação da administração do recém-criado concelho a que pertencia (o Concelho do Dange com sede no Quitexe) nuns dois ou três meses. Passado este lapso de tempo, a situação normalizou e o Quitexe, enquanto sede da administração do Concelho do Dange já em pleno funcionamento, passou a ser a central da rede rádio que agregava os postos de Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Cambama (o último posto administrativo a entrar em funcionamento).
Paralelamente o Quitexe passou a integrar a rede rádio do distrito, cuja central estava sediada em N’Datalando e agregava os concelhos de Ambaca, Quiculungo, Golungo Alto, Dembos e Cambambe.
 Mais tarde e após a sua transferência em 21 de Julho de 1962 para o distrito do Uíge (era governador o então Major Rebocho Vaz), o Quitexe em termos de telecomunicações passou a integrar a rede rádio do seu novo distrito. Cuja central sediada em Carmona agregava os concelhos de Negage, Santo António do Zaire, S. Salvador do Congo, Zombo, Pombo, Damba, Ambrizete, Nóqui, Cuango e Macocola.
   
 Interior da Administração - Sala do transreceptor P19 (são visíveis os sacos de areia a defender a janela)
Os velhos P 19, como eram habitualmente designados, prestaram serviços inestimáveis. Em situações de urgência, não foram poucas as vezes em que foi possível falar directamente com a Torre de Controle do Aeroporto de Luanda e até com o avião solicitado já em pleno voo. Para assim se poder dar mais alguma esperança àqueles que, feridos, precisavam de ser evacuados com a maior brevidade possível. Quantas vidas, não foi assim possível salvar?  
Em condições normais, os velhos P 19 cumpriam bastante bem. Quando as interferências ou as condições de propagação nos molestavam era possível mudar de frequência. E tentar melhor intensidade de sinal (QSA) para dar pleno e satisfatório cumprimento ao serviço de transmissão e recepção de mensagens. Umas em linguagem clara. Outras, se o assunto o exigia, devidamente cifradas. Para a codificação do material enviado e descodificação do material recebido existia na Administração um dicionário criptográfico. E o mesmo sucedia em cada um dos lugares onde estavam sediados os transreceptores que integravam a rede rádio concelhia e a rede rádio distrital.
A metodologia utilizada no trabalho de emissão e recepção era bastante artesanal (aprendíamos por autodidactismo). Seguindo apenas e remotamente alguns dos procedimentos habitualmente usados noutros serviços oficiais de transmissões por rádio, que habilitavam os seus operadores de rádio com cursos específicos. Em todo o caso, dominávamos o Alfabeto Fonético usado pela ICAO (Organização Internacional da Aviação Comercial) e mais algumas competências interiorizadas com a prática diária.
No meu caso específico, tinha frequentado um Curso de Morse em Luanda a título particular. Muito antes de ingressar no Quadro Administrativo. Tentando aumentar as hipóteses de vir a conseguir um emprego melhor. No Quitexe havia uma chave de Morse, mas nunca foi utilizada. O pessoal não estava tecnicamente apetrechado para o efeito.
 
Talvez seja útil recordar que o Código de Morse, concebido pelo físico americano Samuel Morse (1791-1872) em 1832, assenta na possibilidade de à distância se transmitir letra à letra através de um fio condutor e mais tarde também através de ondas hertzianas.
              
                                               Samuel Morse
As letras são representadas por traços e pontos. Um ponto corresponde a um sinal acústico brevíssimo (cerca de 1/25 do segundo) e um traço a um sinal acústico cerca de três vezes mais prolongado. Assim a letra A é identificada por um ponto e um traço; a letra B por um traço e três pontos; a letra C por traço ponto traço ponto. E assim sucessivamente.
                                                Código  Morse
Quanto ao Alfabeto Fonético ICAO, faz equivaler a cada uma das letras do alfabeto uma palavra mundialmente conhecida por todos os operadores de rádio. Profissionais ou amadores. A título de exemplo, se estou envolvido numa transmissão de rádio a partir de Viseu e pretendo identificar o local onde me encontro, informo que estou a transmitir de Victor, India, Sierra, Echo, Uniform. E por aí fora.
O mundo das comunicações tem beneficiado nos últimos anos de uma verdadeira revolução técnica. Em todo o caso ainda está bem perto de nós a época em que o Alfabeto Fonético ICAO era de aplicação obrigatória nas radiocomunicações aeronáuticas, marítimas, militares, dos correios, etc.
Arlindo de Sousa

 



publicado por Quimbanze às 14:23
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Anuário do Ultramar - 1959

De 1956 a 1959 é impressionante o aumento das casas comerciais no Quitexe.

 

Se no princípio da década eram apenas três ou quatro, a meio da década passam a nove e, em três anos, disparam para mais de 34, incluindo um talho. Toda esta actividade fomenta o aparecimento de pensões (duas), oficinas de reparação de automóveis (duas) e  depositários de gazolina (quatro).

 

Na agricultura regista-se um aparente decréscimo, que não corresponde à realidade. De facto em 59 não são registadas muitas empresas descritas em 56 e que se mantinham em laboração.

 

Outros ramos ganham, também, protagonismo. Na exploração de madeiras surgem sete serrações e o incremento da construção leva ao aparecimento de duas cerâmicas.

 

 



publicado por Quimbanze às 11:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Anuário do Ultramar - 1956

Na edição de 1956 encontramos a descrição de todas as empresas existentes no Quitexe em 55, nos diversos ramos da actividade económica:

 



publicado por Quimbanze às 10:40
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
"Anuário do Ultramar Português"

João Carlos Cabral, que continua as suas investigações sobre o "Faísca", vai tropeçando com informações sobre o Quitexe e tem a amabilidade de mas enviar. As que agora publico encontrou-as ao esmiuçar o "Anuário do Ultramar Português", edições de 1951, de 1955 e de 1959. É provável que os elementos se refiram aos anos imediatamente anteriores (50, 54 e 58). A mais antiga, de 51, é a publicidade à casa comercial do meu pai, João Nogueira Garcia:

 

 

 Outros anúncios encontrados referem-se aos comércios de Abílio Guerra, Rui Rei e Agostinho Correia Mendes em 1955:

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 11:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 17 de Outubro de 2009
As viaturas da Administração em 61 - por Arlindo de Sousa

 

Esta foto apresenta o Jeep Willis que a Administração do Concelho do Dange herdou do antigo Posto Administrativo do Quitexe. Foi usado pelo seu último Chefe de Posto, Nascimento Rodrigues. Como dissemos num outro momento, o Quitexe pertencia então ao concelho de Ambaca em Camabatela.
 
 
 
 
 
Esta foto exibe o Nissan Patrol que a Administração adquiriu novo. Era uma belíssima viatura. Que na fotografia eu estou a estacionar em frente da então Residência do Administrador.
 
Sobre as viaturas do estado, recordo que em virtude de alguns abusos (sobretudo nos grandes centros urbanos dizia-se que havia funcionários que as utilizavam até para irem à praia) houve um governador-geral (já não me lembro do nome) que quis acabar com tais anomalias. Para o efeito fez sair legislação provincial que determinava que todas as viaturas do estado deviam ser identificadas lateralmente com a palavra “ESTADO”. Escrita com letras quase garrafais (o tamanho das letras era devidamente estipulado). Inicialmente até no Quitexe a determinação foi cumprida. Posteriormente, dados os óbvios inconvenientes por se tratar de uma zona sublevada, o Quitexe e todas as outras zonas igualmente afectadas, foram oficialmente dispensadas da supra-referida disposição legal.
 
 
Arlindo de Sousa


publicado por Quimbanze às 22:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
Quitexe - Chegada de Batalhão - Arlindo de Sousa

 

Esta foto mostra o aparato de um batalhão de tropa, então recém-chegado ao Quitexe para render a Companhia de Caçadores 89.
Para o aboletamento de tantos militares foi necessário requisitar casas civis, cujos proprietários estavam ausentes desde os trágicos acontecimentos de 15 de Março de 1961. Devido à ausência dos donos das casas, e para mais fechadas, o comandante do batalhão dirigiu a requisição à Administração do Concelho.
No dia seguinte, eu, indigitado pelo administrador, e um oficial, indigitado pelo respectivo comandante, acompanhados de ajudantes entrámos nas casas. Depois de devidamente inventariados, os bens encontrados foram armazenados num compartimento para o efeito escolhido em cada casa.
Enquanto decorria a tarefa de inventariação, não nos passou despercebido o facto de invariavelmente os calendários ostentarem ainda a data de 15 de Março de 1961. A folha não fora arrancada. Naquele trágico dia o tempo parou no Quitexe. Como todos sabemos, mais tarde o curso do tempo foi retomado com grandes sacrifícios. Mas também com enorme sucesso. Os que o viveram têm o dever de o testemunhar por escrito para memória futura. Enriquecendo assim a História de Angola e a História de Portugal.
Arlindo de Sousa


publicado por Quimbanze às 23:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Comentário - Octávio Botelho

Octávio Botelho, deixou um comentário ao post Comercializados mais de 137 mil quilogramas de café mabuba às 22:39, 2009-10-10.


Comentário:


Olá, muito boa noite!...O meu nome é Octávio Botelho, sou sarg.Ajud.Artª., reformado e nos anos de 64/65/66/67, estive como furriel, no RAP-2, a fazer a formaçâo do BArt 786, integrado na CArt 785. 

Era meu Comandante de Compª. o Capitão Artª.Almeida Costa; o Comandante de Batalhão era o Ten. Cor. Coito Graça e o 2º.Cmdt. o Major Pinheiro.

Em 65 embarquei no "Vera Cruz" para Luanda e depois de lá estar, foi  o Batalhão(CCS), colocado no Quitexe e as Companhias (785), no Liberato,(784), na Fazenda Stª.Isabel(Vamba) e (783), em Zalala(Luége).

Ao ler os "posts" aqui colocados, revivo na minha memória factos ocorridos há 44 anos, locais que percorri centenas de vezes, durante os dois anos que permaneci na área!...Não tenho saudades desses tempos e do que por lá passei e que, para mim, foram muito duros. Mas tenho sim saudades da minha idade, da aventura, da minha saude que já não é o que era naqueles tempo e também, porque não, gostaria imenso de poder um dia voltar aos lugares aonde passei dois anos da minha vida e ver como estão hoje esses mesmos locais!...Mas, por outro lado, essa realização revela-se utópica, pois a minha idade e saúde actuais não me permitem meter-me em tais aventuras.

Sem mais, de momento, os meus cumprimentos ao administrador do Blogue, pedindo-lhe desculpas pela minha intrusão no mesmo.

 

Octávio Botelho 10/10/2009

 

 

Octávio, participe sempre!

Por favor envie-me o seu endereço de e-mail para que possamos contactar.

João Garcia



publicado por Quimbanze às 23:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 11 de Outubro de 2009
Sinal da Televisão Pública de Angola chega ao município de Quitexe

Desta vez parece que é verdade!

  

Depois de termos anunciado, em Outubro de 2007, que haveria sinal da TPA no Quitexe até ao final desse ano, e voltado a anunciar que seria em Maio de 2008, agora, finalmente confirmou-se a inauguração. Congratulamo-nos pela instalação de mais esta infra-estrutura que possibilitará aos Quitexenses o acesso à informação audio-visual.

Uíge - Os munícipes de Quitexe, a 40 quilómetros a sul da cidade capital da província do Uíge, podem a partir de hoje, sexta-feira, assistir ao canal da Televisão Pública de Angola, inaugurado pelo ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, no quadro da política do Governo de Angola de expansão e modernização dos órgãos públicos em todo o território nacional.

 
Para além de Quitexe, os municípios da Damba, Púri, Bungo e Bembe receberam igualmente o sinal da TPA.

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 09:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Ligação aérea Quitexe - Luanda por Arlindo de Sousa

 

Esta fotografia mostra o avião que fazia a ligação aérea Luanda – Quitexe e vice-versa. Este avião um dia despenhou-se ao levantar voo. Caiu a cerca de mil metros do fim da pista.
Com o avião repleto de passageiros e os motores já em aceleração máxima, o comandante Ferreira da Silva (acho que se chamava assim) notou que havia uma falha. Mandou sair toda a gente e resolveu descolar com avião vazio para o testar num voo breve sobre a pista. Que afinal veio a ser não só mais curto do que pretendia mas ainda fatídico. O piloto ficou muito ferido e o avião destruído.
As pessoas que esperavam na pista o regresso da aeronave para reembarcar, ao mesmo tempo que lamentavam o desastre respiravam de alívio. Escaparam por sorte. Devida essencialmente ao sentido de responsabilidade do piloto.
Uma ou duas semanas depois um camião transportou os destroços do avião acidentado para Luanda.
 
Arlindo de Sousa


publicado por Quimbanze às 22:48
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Carlos Alves - Comentário

Carlos Alves, deixou um comentário ao post Jogo de futebol solteiros / casados 1972 às 19:27, 2009-10-04.

Comentário:

Olá a todos!

Foi com grande emoção que encontrei esta página dedicada ao Quitexe ...

O tempo e as vicissitudes da vida afastam-nos das nossas raízes, empurram-nos para longe do nosso passado... Mas nós somos o que vivemos e todos nós somos um bocado do nosso Quitexe ...

Vi este jogo aos 10 anos de idade... Sou filho do Ilídio Alves da cerâmica, que era defesa na equipa dos casados. E, nesse momento, não podia adivinhar que, tantos anos depois, sentiria o que sinto agora ao ver estas fotografias, este texto e estes comentários...


Se calhar não me lembro de nenhum de vós, dos que aqui, como eu, depositaram um pouco das suas emoções e das suas recordações. Mas, curiosamente, sinto-me perto de cada um de vós, sinto-vos como amigos, sinto-vos como pertencendo ao mesmo grupo...

É a força do Quitexe que nos une..

No fundo, todos nós respirámos aquele ar, sentimos aquele cheiro, partilhámos aquele mundo que só entende quem nele viveu...

Obrigado amigos, por manterdes vivo este espaço de memória, este espaço que é um espaço comum às nossas vidas...

Carlos Alves



publicado por Quimbanze às 07:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
ALBINO CAPELA
Por cortesia de C. Viegas transcrevemos do seu blogue "Cavaleiros do Norte -  Quitexe" esta crónica de Albino Capela, pároco do Quitexe até 1975
 
Recordo bem os motivos que me levaram de Luanda para o Quitexe. Seria uma espécie de degredo, mas não o foi. Desde logo, fiquei encarregado da Missão Católica do Quitexe, que compreendia a área do Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre.
Perante área tão grande, procurei organizar a minha actuação, do ponto de vista religioso. Celebraria sempre no Quitexe e depois iria a Aldeia Viçosa e Vista Alegre. Aqui começou o bom e o bonito. Para ir a Vista Alegre, era preciso escolta militar e eu desconhecia tal coisa. Cheguei ao controlo, em Aldeia Viçosa, e o soldado que estava de serviço disse-me que não podia passar e eu..., cheio de pena porque tinha trabalho em Vista Alegre, fui falar com o Comandante da Companhia e ele dispensou-me imediatamente um Unimog, ou dois, com muitos soldados. Ia no meu carro e pensava: "Sou uma pessoa importante, até vou com escolta"...
Depois aprendi a mentir (um padre a mentir!!!!...), como qualquer outro camionista, e lá passava livremente até Vista Alegre. Qual era a mentira? "Vou para a Fazenda Madeira e Marques...». Mas como todos os camionistas diziam que iam para lá, os soldados comentavam: "Madeira e Marques deve ser uma grande cidade".
Devo esclarecer que Madeira e Marques era (ainda é?) uma fazenda de café muito bem organizada e orientada pelo seu gerente, o Zé da Madeira e Marques. E agora as recordações vêm-me em atropelo: este Zé, grande amigo, bem como a família, veio a morrer em Luanda, em circunstâncias muito difíceis de esclarecer. Mais tarde, soube que a sua esposa estava em Alijó, funcionária dos CTT. Para ela, se me está a ler, um grande beijo do Padre Albino. Era assim que eu era conhecido.
Gostava imenso das pessoas do Quitexe e, quando digo Quitexe, quero dizer Quitexe, Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Cambamba. Sempre fui muito bem recebido por toda a gente. Quando ia celebrar missa a uma sanzala, os nativos faziam uma festa: cantavam, dançavam, tocavam batuque. E nesse dia sabia-se que havia churrasco na casa do soba.
No Quitexe propriamente dito, na Vila do Quitexe, falava com toda a gente (era tão pouca!...) e mantenho ainda contactos com algumas pessoas que de lá vieram. Gostava imenso de receber na minha casa "os tropas" e lá falávamos de tudo. Era bons momentos, que não se podem esquecer. A todos estes momentos - contacto com as gentes, com os fazendeiros, como pessoal das fazendas, com os nativos das sanzalas, etc... - voltarei, se Deus quiser nos "próximos capítulos".
 
 
ALBINO CAPELA


publicado por Quimbanze às 19:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Protecção Civil apoia famílias sinistradas pela chuva



 Cento e 45 famílias da povoação de Kombo, município de Quitexe, província Uíge, sinistradas pela chuva, receberam na última semana, chapas de zinco e tendas, informou hoje, quinta-feira à Angop, o responsável local da Comissão de Protecção Civil, Eduardo André Pereira.
 
Segundo o responsável, foram entregues 279 folhas de chapas e três tendas.   
 
Em consequência das chuvas, 18 casas e duas igrejas da localidade de Kombo/Quitexe foram destruídas.

 

 

 

 

 

 

 

Angop

 


publicado por Quimbanze às 19:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 27 de Setembro de 2009
Comentários - Arminda Antunes
De Arminda Antunes a 24 de Setembro de 2009 às 01:05
 
António Guerra
 
Olá, não posso estar errada pois o quitexe não era grande , és o Toninho Guerra filho da D.Helena Guerra? Diz-me por favor pois não imaginas as vezes que tenho perguntado e comentado aonde estará a avó Helena, os anos foram passando e nunca mais sobe nada , eu sou bem mais nova que vocês quer dizer naquela altura era uma diferença de idades, sou filha do Antunes e da Alice do talho a quem a tua mãe segundo sempre ouvi baptizou por Néné e irmã do Tonito , mas para mim na minha memória se tive alguma avó foi a tua mãe, vê se mal mas é ela de certeza, o avô Abílio , ainda nos encontramos em Luanda morávamos perto, em 69 o meu pai resolveu voltar ao Uíge e ainda vos visitei em vindas a Luanda em 74 tinha vindo para cá continuar a estudar e nunca mais voltei nem tive noticias vossas. Dá-me noticias vossas a tua irmã? Os teus pais são vivos? Eles eram mais velhos que os meus. Que saudades , eu era tão pequenita e ainda hoje tenho saudades e falo quando vejo fotos aos meus filhos na avó Helena. Um Abraço



 
 

De António Guerra a 27 de Setembro de 2009 às 10:43
 
Olá Arminda,

Sou eu mesmo sem dúvida. Lembro-me muito bem de ti, dos teus pais e do teu irmão, que a última vez que o encontrei foi no Aero clube em Luanda. Manda um contacto teu para podermos falar, pois também quero saber de todos vós. Os meus pais faleceram em Luanda, A minha mãe em 1972 e o meu pai em 1973. Escreve para o meu mail guerraquitexe@gmail.com

Beijinhos

António Guerra


publicado por Quimbanze às 15:40
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

CONTACTOS

Carlos Morais, Adriano Correia, Arminda Antunes e outros Quitexenses

 

Estou a criar uma lista dos naturais e amigos do Quitexe espalhados pelo mundo. Para isso preciso de ter os vossos endereços de e-mail para que os contactos e a troca de informação, relatos, histórias e fotografias seja facilitada. Por favor enviem-me as mensagens e fotografias para                                                                                                  j-garcia@netcabo.pt .

Por uma questão de privacidade os vossos endereços electrónicos não serão publicados.

 

João Garcia

 

 



publicado por Quimbanze às 15:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 12 de Setembro de 2009
Fotografias do Quitexe- Maio 69

José Oliveira "César" enviou-nos, gentilmente, mais estas fotos, publicadas no seu Blogue http://www.cesar1917.blogspot.com/ cedidas pelo Ex-Furriel Enfermeiro CCS do B/CAV1917 João Claudio

 

Saida para Carmona, à direita vê-se a serração, a seguir a sanzala Talambanza (ou Tala M' Banza), ao fundo à esquerda, o posto dos Voluntários.

Como pano de fundo, toda imponente, a serra do Quitoque.

 

.

 

Nova sanzala construidas pela CCS do B/CAV. 1917

 

 

«Chitaca», pequena horta, e a nova sanzala vista de outro ângulo.

 

 

 

Vista geral da chitaca atrás da casa do meu Pai

 

 

João Garcia



publicado por Quimbanze às 19:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

A mais bela foto do Quitexe

 

Considero esta fotografia, cedida por João Cláudio (ex-furriel enfermeiro da ccs do b/cav 1917), a mais bela estampa do Quitexe. O enquadramento é magnífico, o céu e a igreja em todo o seu esplendor, não há igual !

 

 Ver, também, em  http://www.cesar1917.blogspot.com/

 

João Garcia

 



publicado por Quimbanze às 10:14
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
“De Quibala a Malele (Norte de Angola) – No Decorrer de Uma Guerra” de Sérgio O. Sá

Depois de um tempo ausente retomo a publicação de textos sobre obras literárias em que o Quitexe seja referenciado. Umas vezes só de passagem, numa qualquer viagem pelo interior de Angola, noutras como palco de pedaços de vida de quem ali nasceu ou assentou, labutou, viveu e, por vezes morreu.

 
Como zona de guerra, são inúmeros os militares que mencionam o Quitexe nas suas recordações vertidas em livro. Falo hoje de um livro recentemente publicado “De Quibala a Malele (Norte de Angola) – No Decorrer de Uma Guerra” de Sérgio O. Sá, edição de autor.
 
Sérgio Sá inicia o livro com uma vasta introdução em que faz uma explanação das relações de Portugal com os povos colonizados. Surpreende a sua capacidade de síntese, o reportar de todos os pontos essenciais, remotos e próximos para a compreensão do eclodir da guerra.
 
 
Ler mais em O Quitexe na Literatura


publicado por Quimbanze às 20:08
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Rui Rei - Comentário


Olá Sãozinha e filho:

 

Pois é verdade..........Sr. Morais, sempre querido por todos, mas é a vida. Estive no Quitexe no inicio deste mês e como já foi falado aqui, foi aberta uma filial do banco BIC lá e querem saber aonde? ...Pois precisamente na vossa casa nova, em frente à Geladinha, onde estava o Supermercado...Era para tirar uma fotogarfia e aqui postar , mas depois passou-se a hora mas a qualquer hora o faço.

 

Saudações para todos

 

Rui Rei



publicado por Quimbanze às 19:54
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
José Morais -Comentários
2 comentários:

De Carlos Morais a 10 de Setembro de 2009 às 03:29
Boa noite

Tenho 21 anos e sou neto do já falecido José Morais.

Vi o seu (António Casal) comentário acerca do restaurante que o meu avô abriu e se me perdoa eu vou corrigi-lo. O meu avô abriu um restaurante juntamento com a minha avó Esmeralda e filhas Antónia (tratada por Sãozita e minha mãe) e Lurdes.

Nunca cheguei a conhecer o meu avô e sinto uma enorme tristeza porque a minha familia não páre de falar muito bem dele.

Pouco sei do que as pessoas passaram em Angola mas do que sei, foi uma aventura para sempre relembrar..Quando este assusnto é falado cá em casa, as lágrimas escorrem pela face de minha mae . o sonho dela é de la voltar.



Se não se importam, faço aqui um apelo em nome dela..Se alguem tiver fotografias, lembranças, seja o que for sobre o tempo em que minha familia passou lá, por favor postem aqui.



Desculpem um incómodo mas se existe uma coisa sagrada para a minha familia , essa coisa é Quitexe .



P.S. Irei ajudar a minha mae . a escrever qualquer coisa para aqui e postar algumas fotos se possivel. ela tem imensas..



Um abraço



Carlos Morais



De António Casal a 10 de Setembro de 2009 às 19:32
Viva
Eu sei que nunca foi fácil para a tua mãe abordar o tema Quitexe . Melhor do que eu, sabes da sua sensibilidade e tal como o seu avô sempre teve um coração enorme! Disso mesmo fui testemunha em tempos do Quitexe e ter conhecido a familia Morais foi para mim um enorme privilégio. Um dia, talvez brevemente, escreverei algumas linhas e recordarei o teu avô, tal qual eu o conheci.
Também tenho algumas fotos (poucas) do Quitexe e talvez algumas sejam iguais às vossas visto terem sido tiradas junto da casa dos teus avós.
Entretanto nós falaremos de tudo isso.
Cumprimentos para todos
Um abraço
António Casal


publicado por Quimbanze às 19:58
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 6 de Setembro de 2009
Comentários - António Casal (Fonseca)
Sobre Jogo de futebol solteiros / casados 72 no Domingo, 6 de Setembro de 2009 às 21:31
 
     

 

Peço desculpa pela informação errada e estou aqui para me penitenciar: O Sr Morais não foi refazer a sua vida para Lisboa, mas sim para Vila Praia de Âncora. Quanto aos irmãos Santiago, o Evaristo encontra-se de facto no Brasil, mas o Henrique vive agora na Maia (PORTO).
Temos a lamentar o falecimento do Sr . Morais, mas a D. Esmeralda , filhas e restante familia encontram-se bem.
Quanto ao Pimenta do talho, continuarei a tentar encontrar o seu paradeiro.
António Casal (Fonseca)

 

 

 

 

 

Sobre Recordar é viver ! - Antônio Rei no Domingo, 6 de Setembro de 2009


 

Caro António Rei


Tenho seguido atentamente as narrativas e acho muito interessante o contributo. Para quem apenas esteve um ano no Quitexe, são novidades atrás de novidades, mas que com muito gosto vou absorvendo.
Conversei muitas vezes com o seu pai e numa das vezes o amigo tinha chegado para gozar férias no Quitexe. O colega que me acompanhava virou-se para mim e para o seu pai e disse referindo-se a si: Epá..., aquele ali vai todo catita! «É o meu filho!» respondeu o seu pai. O meu colega coçou na cabeça, um pouco atrapalhado!
Enfim, coisas sem importância mas que me vieram à memória.
Continue as suas narrativas porque são de facto muito interessantes. Por outro lado, fazem parte da História da Vila e é um privilégio lê-las contadas na 1ª pessoa.

Um abraço


António Casal

 

 



publicado por Quimbanze às 23:47
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Comentário de ADRIANO CORREIA
 2 de Setembro de 2009
 
Exmos

Venho por este meio apresentar-me como um dos quatro filhos do Manda-Fama " de Quitexe . Fui o único que nasci em Luanda, decorrente da fuga de Quitexe , quanda a minha mãe estava grávida de 1 a 2 meses, porque nasci em Outubro de 1961. O meu pai FREDERICO AUGUSTO CORREIA era o dono das bombas da Shell , loja de comércio, fábrica de descasque de café e ainda construtor / empreiteiro da construção civil, mas infelizmente faleceu a 30 de Março do corrente ano.
O meu pai esteve em Luanda até 1974, e depois foi para Portugal -Lisboa.
Gostaria de receber fotos para confrontar com a minha mãe, ou com um primo meu Daniel Ferreira, que segundo sei trabalhava nas lojas do pai "Cipriano Correia" e do ti "Luís Correia" que na altura tinha por volta dos 13/14 anos .
 
Antecipadamente grato,
 
Com os melhores cumprimentos
 
ADRIANO CORREIA


publicado por Quimbanze às 23:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Nova administradora municipal do Quitexe - Maria Fernanda Cavunga

Foi recentemente nomeada em despacho do ministro da Administração do Território,  a nova administradora de Dange-Quitexe,  Maria Fernanda Cavunga.

 

Enviamos os nossos parabens à nomeada e congratulamo-nos por ver uma mulher a assumir as rédeas da administração do município.

 

Tem pela frente uma árdua tarefa, tendo referido, na tomada de posse, que a reabilitação e a construção de infra-estruturas sociais nomeadamnte a construção de novas salas de aulas, centros de saúde, assim como a reabilitação das vias de acesso serão as principais prioridades do seu mandato. Para a concretização deste propósito, realçou esperar que os habitantes do município colaborem, contribuindo na materialização dos programas do Governo para que a localidade, num curto espaço de tempo, conheça progresso e atínja o desenvolvimento.



publicado por Quimbanze às 20:03
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 23 de Agosto de 2009
Caricocos

Vasculhando nos papeis velhos do meu Pai encontrei duas facturas que ele deve ter guardado e trazido na carteira em Julho de 61, quando regressou a Portugal.

 

Uma, a mais interessante, é de 25 de Março de 61, dez dias depois dos trágicos acontecimentos, e refere-se à compra de 5 pacotes de "Caricocos" na Casa Barateiro de Alfredo Barata. 

 

Estes pacotes redondos traziam 300 cigarros e o meu pai cortava o pacote a meio abrindo-o em duas partes. Não há dúvida que ele se precaveu, garantindo um stok de cigarros que o acompanhariam nas noites longas de vigília na pala do bar do Pacheco, aguardando os ataques da UPA ao Quitexe.

 

5 caricocos - 93.50

                                                        1 marmita  - 15.30

 

 

No rádio passava a publicidade cantada aos "Cariocos":

 

"Quem não fuma caricoco

Não sabe o que é bom

Caricoco uê uá

Caricoco uê lá lá"

 

A outra factura refere-se a refeições no Bar Gomes no Uíge nos dias 20, 21 e 22 de um mês indeterminado desse longínquo 1961

 



publicado por Quimbanze às 10:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 22 de Agosto de 2009
O MEU AMIGO GUEDES DO QUITEXE - António Casal

 

Há pessoas que não esquecemos por muitas e variadas razões! No Quitexe, terra que me fora destinada para cumprir parte da Comissão, tive o grato privilégio de conhecer alguns civis. Não muitos, é verdade, até porque alguns mostravam-se mais distantes e por razões que não vêm ao caso, mas que penso fazerem parte da História. Daqueles com quem privei, gostaria de realçar aqui, hoje, o Sr. Guedes. Conheci-o em finais de Abril de 1972, tinha acabado de chegar ao Quitexe. Almoçava eu no Topete e achei curioso o modo como um Sr., meticulosamente, “torneava” um simples pau com a ajuda duma navalha! Nele concentrava toda a sua atenção, como de uma obra de arte se tratasse. Também eu, criado numa aldeia, tinha por hábito entreter-me de igual forma mas, confesso, muito longe daquela técnica que observava. Terminado o almoço e um pouco atrevidamente, abeirei-me e tentei puxar conversa baseada no trabalho que tão pacientemente executava. Confesso que não me terá dado grande saída e lá terá pensado: «Mas afinal o que é que este maçarico vindo do “puto” quer»?! Se calhar nem pensou nada disto, digo agora a tanto tempo de distância! Mas eu, disposto a dois dedos de conversa, teria de encontrar forma de encetar um diálogo que o cativasse. Enquanto me olhava ainda de soslaio, sentei-me a seu lado e de imediato gabei a sua obra, mostrando curiosidade pela mesma.
«Você acabou de chegar não foi?!... - perguntou .
Por instantes reteve os olhos na farda e olhou para mim em jeito gozão e com um sorriso desconcertante - este sorriso, apercebi-me mais tarde, era-lhe muito peculiar. Percebi que a cor da pele ainda branca e o camuflado novo carregado de goma (que me coçava o pescoço…diga-se), me tinham “atraiçoado”. Creio ter-se apercebido que afinal o que eu queria, e precisava mesmo, era conversar um pouco. E era mesmo! Estava ávido de conhecer tudo aquilo, depois de tanto ouvir falar do Quitexe. Ficou admirado porque, dizia: «normalmente, o pessoal da tropa até nem faz muitas perguntas!!!» Pois…mas a questão è que por lá tinha andado o meu irmão e daí a minha ansiedade. Sentia, além de uma enorme curiosidade, a necessidade de fazer uma ligação entre o terreno e as palavras das epístolas recebidas daquela terra. Já no aeroporto, em Lisboa, pedira-me para lhe enviar notícias de Zalala e do Quitexe e eu queria-as rapidamente.
Diz-me o Sr. Guedes: «Ó amigo, isso não é assim de repente! Então você acabou de chegar!!! Vai ter muito que aprender e vai demorar tempo até perceber alguma coisa! Isto tem muito que se lhe diga!!!...».
A minha ansiedade contrastava com a sua serenidade. E tinha razão, ele tinha todo o tempo do mundo a seu favor. E lá ia moldando o pedaço de pau, como que envolto num espírito de paz do tamanho do Mundo! A sua calma só foi interrompida pela chegada da filha de quem não recordo o nome. Alegre e vivaça, insistia muito nas atenções do pai, agora movida pela minha presença, como é característico nas crianças. Já com a navalha pousada no chão, de sorriso aberto, recebia-a com olhos carregados de ternura. Como as feições tinham mudado com a sua chegada!... Esta, quanto mais atenções recebia, mais queria - e não eram regateadas!... Reconheci então estar ali a mais. Os momentos eram de família e afinal eu não passava dum intruso acabado de chegar àquelas terras. «Não vá, espere lá! Então não quer saber para que é o pau»?! – disse, ainda com a filha sentada no joelho e bem enrolada ao pescoço.
Explicou-me então que andavam por ali uns cães vadios e que no dia anterior se teve de acautelar para não ser mordido ali para os lados da Administração. Estava então a tomar as devidas providências para que tal não acontecesse. Agora sim, o Sr. Guedes mostrava-se mais aberto á conversação. O trabalho que efectuava na madeira, servia apenas para passar o tempo e dar-lhe um aspecto menos agressivo.
Passados eram poucos dias e senti na pele o efeito dos tais cães vadios. Na rua de cima junto ao Geladinha do Quitexe, fui mordido por um deles e que me deixou um tanto maltratado! Lembrei-me então das precauções do Sr. Guedes, com quem me tinha cruzado minutos atrás. Chegou-lhe aos ouvidos e fez-me uma visita. Devo confessar que não esperava e achei curioso o gesto, conhecendo-me ele á tão poucos dias!
Durante o ano em que permaneci no Quitexe, muito se conversou e sobre tantas coisas. Até de política falámos, imagine-se!!! E fazia-o desprovido de qualquer receio! Quem pensa que não sabia o que dizia, aí engana-se!... Era um homem que opinava baseado num traquejo evidente de vivências, algumas bem agrestes!
Gostava muito de conversar, mas também é verdade que gostava que o escutassem! Acutilante por vezes e quando necessário, não deixava o interlocutor sem resposta, dando nota de perspicácia oratória e do conhecimento dos temas.
Nunca mais soube de notícias do Sr. Guedes e família, apesar de muito tentar na Net. Nem de alguns outros que meus amigos fizeram o favor de ser.
Onde quer que esteja com a família, saiba que me senti sempre privilegiado com a sua atenção e amizade durante o período em que permaneci no Quitexe.
Um grande abraço e, quem sabe, até um dia.
 
15 de Janeiro de 2009
 
António Casal
 

 



publicado por Quimbanze às 08:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 19 de Julho de 2009
Fotografia - José Oliveira

Do amigo José Oliveira recebemos esta fotografia tirada no Quitexe em 02/08/1968

Alguém se reconhece?

 

Clic para ampliar



publicado por Quimbanze às 14:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Banco BIC inaugura balcão no Quitexe

Luanda – O banco BIC ascendeu este ano para 100 milhões de dólares norte-americanos o crédito para agricultura e pecuária, informou hoje (quarta-feira), em Luanda, o presidente do conselho de administração da instituição bancária, Fernando Teles.


De acordo com o gestor, que falava na Feira Internacional de Luanda (Filda), no quadro da concessão de crédito ao sector agrícola, a província de Malanje recebeu, a menos de quinze dias, um financiamento na ordem dos 175 milhões de dólares.


Referiu que a par de Malanje, o banco BIC também está a financiar projectos agrícolas na província do Kwanza Sul, fundamentalmente, no sector de produção de algodão.


Fernando Teles anunciou, para sexta-feira, a inauguração de mais dois balcões nos municípios do Sanza Pombo e Quitexe, todos na província cafeicula do Uíge.


O BIC possui 49 agências em Luanda, 109 nas outras 17 províncias do país.

 

Angop



publicado por Quimbanze às 13:16
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Recordar é viver ! - Antônio Rei

 

Nos últimos tempos tenho-me deliciado ao relembrar das coisas de Quitexe e saber de amigos através deste blog .

João Garcia, Tozé e Antônio Guerra tem insistido para que participe relatando primeiras lembranças de minha vida .

Aliás o padroeiro de Quitexe é S. José, mas bem que poderia ser Sto Antônio, já que dos primeiros natos de origem européia nascidos em Quitexe são Antônios : Antônio Manuel Pereira Guerra, Antônio Francisco Pereira Rei e Antônio José Garcia .

Recordar algo sobre Quitexe é responder à mais conhecida inquisição de psicólogos / psicanalistas : relate as primeiras lembranças de sua vida .

Não quero fazer um texto tão descritivo, até porque não tenho o dom dessa arte .

Vou dividir minhas lembranças , em ordem cronológica , em três fases : Antes de 1961, 1961 e pós 1961 até 1973  quando vim para o Brasil e passei pela última vez por minha terra .

 

Antes de 1961 .

  • O primeiro acontecimento que me bem à mente está relacionado ao dia de nascimento de meu irmão ( 15 de Abril de 1955 ) pois os meus tios para me afastarem de casa e não contarem o que estava acontecendo me pediram para ir à padaria de D. Maria Guerreiro buscar qualquer coisa além do pão .
  • A viagem por uma estrada de terra que levava de Quitexe ao Uige para o batizado de meu irmão. Afinal de contas o grande pároco era o Padre Rosa. Na época uma ponte havia caído ( para variar ) e foi aquela ginástica para os carros passarem por quatro tábuas ( sem os passageiros  . Passageiros à frente a pé .
  • As idas a Camabatela ( pois Quitexe inicialmente pertencia a Camabatela ) e as paradas no Pumbassai. O casal que administrava a fazenda tinha uma excelente plantação de morangos. Visitas ao Dr. Assoreira que me havia salvo de uma perigosa " lombriguite ".
  • Almoços em fazendas vizinhas. Certa vez na fazenda de Celestino Guerra uma das imagens bem fortes foi, junto a uma nascente ou rio perto da sede da fazenda, quando tiraram a pele de umas " seixas " para o churrasco
  • A nossa escola de Quitexe - professora ( esposa do Sr. Pirão ), na sede da administração, com uma única grande sala. Certo dia, após um grande temporal, levei um troféu que havia causado pânico a todos os alunos: uma lâmpada queimada. Dessa época recordo-me de alguns colegas: O Antônio Guerra, a Graça Barreiros, Maria Manuela Jardim Batista, Fátima Pacheco, Graça Morais.
  • Recordo-me de nosso passeio até ao rio na saída para o Uige em busca do musgo e pedras para montar o presépio .
  • Uma das primeiras sessões de cinema. Ao ar livre , atrás da administração, com o filme em preto e vranco " Marcelino, pão e vinho "
  • A caçada ao porco é tradicional . Uma porca nossa ( que havia tido 18 crias ) havia fugido e entrado no mato durante uma queimada . Só que eu havia visto um nativo a empurra-la para o mato. Não adiantou de nada minha afirmação. Levei uma surra por ter entrado no meio da queimada. Minha vingança veio dois dias após, quando descobriram que ela havia sido morta e estava bem salgada na casa do nativo que eu havia denunciado .
  • Festa de S. João. Como o Quitexe ficava animado . Especialmente a avenida ( avenida claro com duas pistas laterais ) de baixo. E para relembrar a data até hoje tenho as marcas ( cicatriz no joelho esquerdo ) de um pulo que dei em uma fogueira em frente à casa do Antônio Guerra . Esqueceram de avisar que a fogueira era mão única e alguém veio do outro lado e nos encontramos em cima da fogueira .
  • Temporais eram de arrasar . Era trovão, água, clarão. Certo dia, duas horas antes do temporal, o céu começou a ficar vermelho. Vermelho de sangue. E todo o mundo na rua comentando. Alguém resolveu dizer que havia lido que o mundo terminaria em 1964. E que aquilo era o principio do fim do mundo. Terrível e põe terrível nisso, até que se passasse o ano de 1964 .
  • Como era boa a funjada. E Francisco, filho do velho Cazenza e que cuidava de mim, tinha sempre um prato escondido junto à fogueira no fundo do quintal onde preparava sua comida. Funge e peixe assado. Aliás, Francisco Cazenza teve três filhos que homenageando meus pais os batizou como Rei Gonçalves, Jaime Gonçalves e Glória . Ao saberem que meu irmão voltara a Angola procuraram-no e pediram o telefone de minha mãe . É gratificante para ela, em datas especiais , receber uma ligação deles .
  • É bom recordar Madame Ruth ( sempre acompanhada por sua filha deficiente visual ) e seu Land Rover parando em casa antes de ir para sua fazenda perto da Ambuila ( fazenda ).
  • Recordar as paradas na fazenda dos Poço e a banana frita que a senhora nos servia .
  • Recordar José Bastos ( havia vindo para o Brasil mas regressou a Angola e mora no Sul de Angola ) e Alfredo ( alfaiate ) e seu sinal na testa . Seu tio Álvaro Bastos .
  • As idas para Uige e paradas no Pumbaloge ( casa da M.ª Manuela Batista ) ou na fazenda Pingano dos Pombo . Aliás ouvi dizer que Rui Manuel está no Algarve , Cid mora perto de Lisboa , Ricardo é tripulante da TAAG e está sempre em Luanda e visitando as fazendas da família no Quitexe. Artur está pelo Quitexe e já toca uma madeireira.
  • O " Pernadas " e suas visitas semanais ao Quitexe com sua potente moto, levando os bilhetes da Loteria Federal .
  • A nova escola . A professora Lucilia Barreiros .
  • O Professor Pires que se preparava para abrir um colégio no Quitexe , numa segunda casa nossa e que mais tarde viria a ser hospital militar .
  • Em principio de Fevereiro de 1961, o Quitexe todo parava junto à estrada / rua de cima. Carros e mais carros - caravanas – com famílias passavam em direção a Luanda , vindos do Congo .

     

O 15 de Março de 1961

  • Acredito que estávamos em férias da Páscoa pois estávamos em casa.
  • Logo pela manhã ( 6 horas ), bateram a nossa porta . Meu pai avisou que teria de ir com o Chefe do Posto Sr. Nascimento Rodrigues e Sr. Abílio Guerra para os lados da fazenda onde havia acontecido algo.
  • Perto das 8 horas enquanto minha mãe acabava de arrumar os quartos, eu já havia aberto a loja e me sentava na varanda para estudar.
  • Nesse momento os sinos e uma enorme algazarra se ouviam vindos da parte de cima da vila.
  • Perguntei a minha mãe o que seria e pediu-me para fechar as portas pois iríamos ver o que acontecia .
  • Ao fechar a ultima porta , quase deixei minha mãe do lado de fora, e vejo pela vitrine da loja um grupo levantando catanas e dando gritos de guerra. " MATA " e " UPA" . Nisto ouviram-se mais tiros . O grupo seguiu em direção a casa de Guerra e Garcia .
  • Passados momentos com o grupo mais afastado minha mãe saiu e viu que muita gente se encaminhava para a casa do Sr. Morais. Fomos para lá. Os comentários eram entre adultos. Os miúdos ficavam quietos. Cerca das dez horas chegam meu pai e os demais. Contam o que haviam presenciado .
  • Cerca das 10:30 h fomos em grupo até à administração. Apesar dos adultos protegerem as crianças e nós não sabermos o que estava acontecendo, deu para ver uma pessoa deitada perto da padaria do Guerreiro e um a criança deitada no chão no meio do campo que havia atrás do prédio da escola .
  • Ficamos na administração e no inicio da tarde fomos em comboio para o Uige.
  • Ficamos em casa de amigos. Lembro-me que era primeiro andar e que se entulhou a varanda de tijolos e sacos de cimento.
  • Ao outro dia fomos de avião para Luanda e ficamos no Hotel Continental. Passados dias trocamos de hotel. Como aconteceu com a maioria, apanhei sarampo e fui parar no Hospital .
  • No Hospital, o meu apartamento era no térreo. Em 19 ou 20 de Abril , houve um ataque ao hospital e foi um corre / corre. Sei que me jogaram da cama e fiquei deitado no chão entre a cama e a parede . Tiros não acabavam . Nisto chegam meu pai ( que ficara no Quitexe ) .
  • No dia 21 de Abril fomos para Portugal. Meu pai regressa ao Quitexe. Não sei se por falha de um motor ou por parada programada páramos na Ilha do Sal. Nunca esqueço as maravilhosas laranjas que nos ofereceram com uma casca ... vem grossa. Em 22 de Abril estávamos em Portugal . 

     

De 1961 a 1973

  • Minha mãe regressa a Angola, para tocar a vida junto a meu pai e fiquei internado no Colégio Nun´Álvares Pereira de Tomar e todo o ano passava o mês das férias grandes no Quitexe .
  • Eram sempre época de colheita e compra do café. A visita às sanzalas. A compra do café.
  • Sempre que ía ao Quitexe , sou presenteado com "Marufo" e especiarias pelos mais antigos e sobas . Quando regresso de férias a Portugal levo sempre em minha bagagem um quitute especial : amendoim ( ginguba) torrado com açúcar e pimenta oferecido por D. Maria Pacheco.
  • De férias, alguns rituais junto a aqueles que continuavam no Quitexe. Visita. E uma era obrigatória. Srs. João Garcia e Alfredo Garcia .
  • Quitexe em que o convívio se torna diferente .
  • Quitexe onde o próprio governo desconfia de seus heróis e a PIDE os coloca na cadeia .
  • Quitexe que começa a deixar o senso família para trás .
  • Quitexe das longas e traumatizantes viagens pela estrada até Luanda .
  • As idas à fazenda com pontos de referência : A fazenda dos Garcia , o Ambuila , a fazenda dos Poço , o Quitoque , o Mongage e a fazenda Ambuila . Sem escolta ou pegando a poeira de um carro militar que casualmente vai na mesma direção . Antônio da Ambuila e Faísca
  • O Quitexe paraíso, massacrado e renascido .
  • O Quitexe dos perseverantes  

Um grande abraço a todos os que nasceram , viveram ou passaram pelo Quitexe.

 

 

Antônio Rei

 



publicado por Quimbanze às 23:57
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
António Guerra - Histórias e recordações do Quitexe - A razão por que escrevo
Reconhecendo o esforço de manter um blog, eu tenho sido um dos assíduos a escrever sobre episódios da minha infância. Faço-o também porque estas eram as histórias que os meus filhos mais gostavam de ouvir e, a seguir aos meus filhos, os meus sobrinhos e a malta miúda que faz da minha casa a sua também.
De repente, dou comigo a pensar o que imaginarão as pessoas que lêem o blog, sobre o “índio” que escreve estas “barbaridades” e “malabarismos”.
Pois actualmente sou uma pessoa de 59 anos, e um cidadão comum. Por incrível que pareça, considero-me caseiro e recatado. Gosto da descoberta, de viajar na minha XPTO (para quem não descodifique XP faz parte da matrícula da minha autocaravana e, para a família e amigos, sou conhecido por Tó).
Embora considere que falar do meu actual estado de alma seja importante, o que me levou a fazer este pequeno comentário foi uma das fotografias do meu álbum.
 
Penso que seja elucidativa do modo como eram criadas a maior parte das crianças “do mato” em Angola. À solta com as galinhas, pelo quintal, com um criado pouco mais velho do que nós ao nosso lado que muitas vezes fazia tantos disparates como nós. Éramos uma equipa imbatível!
Mas tudo tem uma razão de ser. Os nossos pais tinham deixado a sua terra natal para recomeçar e construir uma nova vida, de preferência de sucesso. Trabalhavam de sol a sol nas fazendas, nas lojas, nos negócios. A natureza ajudava a que não fossem necessários grandes cuidados com roupas, com saúde, com segurança.
Está sucintamente enquadrado o que tenho vindo a escrever. A foto é elucidativa do que eu era.
 
António Guerra


publicado por Quimbanze às 22:52
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

António Guerra - Histórias e recordações do Quitexe - A professora faz "milagres"

 

Certo dia, o meu pai foi a Luanda com o Sr. Baptista da fazenda Pumbaloge, a D. Rosa Maria esposa do sr. Baptista, a Manuela e o João. A Manuela e o João eram filhos do Sr. Baptista e da D. Rosa, e frequentavam também a escola do Quitexe - Durante a semana ficavam em casa dos meus pais e ao fim de semana iam para o Pumbaloge.
Quanto à Manuela, tive o grato prazer de a reencontrar ao fim de 49 anos de separação, tenho falado com ela bastantes vezes e é sempre com muita alegria que recordamos alguns momentos da nossa infância (e ela tem imensas recordações) no Quitexe e no Pumbaloge.
Acontece que em Luanda iam decorrer as corridas de automóveis e, como não podia deixar de ser, eles iam assistir, mesmo que para isso a Manuela e o João tivessem que falar um dia ou dois à escola. Escusado será dizer que eu também queria ir, pois além de ir passear a Luanda e ver as corridas, ainda faltava à escola. Eu argumentei, berrei e fiz trinta por uma linha, mas não fui. O meu pai para me calar lá me foi dizendo que eu ficava, mas quando estivesse doente não ia à escola.
É claro que no dia seguinte eu estava muito, mas muito doente mesmo. A minha mãe como me conhecia bem as manhas, não acreditou e queria que eu fosse à escola. “Não vou, mesmo que para isso tenha que fugir”. Se bem o pensei, melhor o fiz e vá de correr por ali fora, sem destino. Foram mobilizados os criados lá de casa para me apanharem e me levarem ao pé da minha mãe. Com a agilidade de umas corridas, umas fintas e algumas pedradas bem mandadas, lá consegui manter o inimigo que me queria apanhar a uma distância considerável de segurança. Eles certamente não estariam também muito interessados em apanhar-me até porque havia uma certa cumplicidade entre nós (como eu gostava de ir comer com eles aquelas belas funjadas).
 Como começava a ficar cansado de tanta fugida, refugiei-me muito sorrateiramente numa casa próxima da minha onde vivia a minha tia Ana, esposa do tio Tomás (irmão do meu pai). A minha tia apercebeu-se da minha entrada, fechou a porta e aguardou que a minha mãe me fosse buscar.
Fui agarrado, levei uma tareia (embora continuasse doente) e por uma orelha fui levado até à escola. Quando chegámos à rua de cima, de onde se via a escola, a D. Lucília estava à porta a apreciar o espectáculo. Eu mal a vi …..MILAGRE, passou-me a doença toda. Libertei-me do “carinho” da minha mãe e muito direitinho, como todos os meninos bem comportados, entrei para a sala. A D. Lucília não perguntou nada e eu também nada disse. Fiquei aborrecido por não ter visto as corridas de automóveis em Luanda e acima de tudo por não terem acreditado na minha doença súbita.
A vida já nessa altura era muito injusta para algumas crianças, onde eu me incluía. Tenho a impressão que Os Direitos das Crianças não tinham ainda chegado ao Quitexe.
 
António Guerra
 
 


publicado por Quimbanze às 22:47
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 30 de Junho de 2009
António Guerra - Histórias e recordações do Quitexe - Problema resolvido

Do António Guerra recebemos mais um naco de prosa delicioso sobre a  história da sua infância no Quitexe. Transcrevo, também parte da sua mensagem, que é, no fundo, um pedido de mais participação ao pessoal que, na meninice, comeu as mangas e pitangas daquela terra.

 

Como o material sobre o Quitexe começa a faltar, junto envio mais uma das minhas recordações.
Pena que mais ninguém se lembre de nada.
O que é feito da Nônô (Maria Onorinda Gaspar Ramos)?
E a malta da família Manda Fama?
E o António Rei?
Todos eles andaram na escola e devem lembrar-se de alguma coisa.
Eu da minha parte penso continuar enquanto tiver alguma coisa para partilhar.
Agora é que a minha professora vai dar por bem empregues as palmadas que me deu...
 
 
Problema resolvido
O mote sobre o “menino” foi dado no episódio da caçada ao porco. O que se vai seguindo, não foge muito do rapaz que eu era e da maneira livre e segura como fui criado. Proponho-me, hoje, falar da pessoa, penso eu que a única, que me conseguia “domesticar”, a professora D. Lucília Barreiros.
Com sete anos, entrei para a escola e, como no Quitexe não havia propriamente uma escola, um espaço físico com esse nome, as aulas eram dadas num salão do posto administrativo. O nosso professor, de quem tenho uma lembrança muito vaga era um senhor já bastante entrado na idade e que tinha duas características interessantíssimas. Tinha alguns dentes estragados e era muito guloso. Como àquela altura já todos tínhamos tirado o curso de malandragem, depois do intervalo não tínhamos aula, pois o lanche dele era quase sempre pão com goiabada que lhe provocava uma dor de dentes daquelas. Quando o lanche variava, algum de nós se incumbia de dar um doce ao senhor. Eu, tinha a tarefa facilitada, pois com relativa facilidade retirava da loja dos meus pais alguns rebuçados, que inocentemente deixava sobre a carteira.
Tivemos depois como professora (por pouco tempo) uma senhora que morava na rua de cima, que era esposa de um senhor chamado Pirão.
Entretanto, foi construída a escola do Quitexe e foi lá colocada a D. Lucília Barreiros, que é sem dúvida nenhuma a professora que mais recordações me deixou, quer pela amizade que unia as nossas famílias, quer como professora e as “galhetas” com que me presenteava.
 A escola do Quitexe
 
A D. Lucília usava um anel, um famoso “cachucho” cravejado de pequenas pedras coloridas. Para além de vistoso e talvez valioso, tinha uma função ligada à profissão. Onde ele assentasse era certo e sabido que se “abriam as mentes”. É que as chapadas eram sempre dadas com as costas das mãos.
 
Eu, pela minha parte, todos os dias levava… mas eram merecidas.
 
Como quando saía da escola, todo o tempo era pouco para brincar, o tempo era curto e o Sol punha-se cedo. Fazia, então e apenas aqueles TPC em que não tinha volta a dar, como por exemplo cópias e contas. Assim que os aprontava, corria para a brincadeira e deixava para fazer de manhã cedo os problemas de um famoso livro de problemas, o 1111, que me valia sempre o “lembrete” de que eu andava mal nos problemas.
Levantava-me com o nascer do sol, fechava-me na casa de banho, abria a janela e no parapeito, para aproveitar a luz do sol nascente (só havia electricidade até às 23 horas) preparava-me para resolver os problemas segundo um método bastante rápido que eu tinha desenvolvido e que me deixava bastante tempo livre para brincar e pensar noutras aventuras.
Começava por ler “atentamente” o problema, quero dizer, a pergunta do problema. Por exemplo: “quantos quilos de arroz”… já não lia mais nada e respondia: 3 quilos de arroz. Problema resolvido, passemos ao seguinte.
“Quantas laranjas”… 12 laranjas. Venha o terceiro.
É claro que ninguém sabia do estranho método por mim desenvolvido e como os problemas estavam todos errados, lá era brindado com um bom par de galhetas, com umas chamadas de atenção para treinar mais os problemas, mas no fundo era um rapaz muito aplicado porque os trabalhos iam todos feitos.
Mais tarde abriu um colégio no Quitexe, propriedade do padre Antunes (se a memória não me atraiçoa) e que também tinha um colégio no Uige. Na 4ª classe, eu fui para o colégio, mas a D. Lucília comparada com o dito padre era a santidade em pessoa. O padre quando começava a “tocar o bailinho mandado” corria a sala toda à pancada. Era tanta a porrada, que até chegava a ter saudades das galhetas da D. Lucília.
Os intervalos eram bem mais agradáveis. O pessoal da escola tinha, à mão de semear, as mangueiras e pitangueiras da administração para se banquetearem. Os do colégio não tinham nada, pois este funcionava numa casa alugada próximo da casa do sr. José Guerreiro. Mas a solução do problema foi fácil (mais fácil do que os do 1111). Os do colégio iam roubar as mangas da escola. A partir daí e com fartura de “munições” de parte a parte, começava a batalha campal de caroços de mangas entre escola e colégio. As famosas batas brancas haviam de ficar bonitas! Isso era problema para as mães resolverem. Não me lembro de ser castigado por isso. Mas qual boullying, qual drogas, nós éramos saudavelmente activos e ar puro era o que não nos faltava.
Agora, pensando melhor, só não fui médico (como o meu pai tanto sonhava) por causa desta pedagogia activa com que fui brindado logo no início da escolaridade.

 



publicado por Quimbanze às 22:27
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 21 de Junho de 2009
António Guerra - Recordações – II parte

 

Nesta II parte, proponho-me reviver a infância que vivi no Quitexe, até aos meus 10 anos. Se não toda a infância, alguns dos episódios que mostram como era diferente a vivência de um menino do mato, criado à solta entre a natureza e as gentes.
Estava longe de ser um menino modelo, mas fui muito feliz, muito livre…
 
Apelo a que todos os que visitam este blog e que passaram pelo Quitexe que escrevam as suas vivências ou o seu sentir de adultos. Será uma mais valia, não para a história da humanidade, mas para os que nos são próximos e para que se entenda melhor do que falamos quando falamos de África.
 
 
CAÇADA AO PORCO
 
Desde sempre me recordo de me levantar bastante cedo para as brincadeiras num Quitexe em crescimento. Com sete anos o meu pai deu-me uma espingarda de pressão de ar com que eu andava sempre aos tiros à passarada. Era mais o chumbo que eu espalhava do que os pássaros caçados.
 
 
Com 8 ou 9 anos, o António Figueiredo Antunes (filho da D. Alice e do Sr. Antunes do talho), era o meu companheiro de brincadeiras e aventuras, quer pela proximidade de idades, quer porque durante algum tempo eles viveram nos anexos de casa dos meus pais, onde também funcionou o talho.
E foi quando eles ainda viviam nos nossos anexos que empreendemos outra das nossas aventuras.
Como víamos que os adultos volta e meia saíam para a caça, resolvemos armar-nos em grandes caçadores e combinámos uma caçada.
O Antunes iria “roubar” uma espingarda do pai (uma flauber de catuchos de 12 ou 14 milímetros, não me lembro bem) e eu iria “roubar “ a pistola 6,35 mm do meu pai.
À noite, antes dos meus pais se irem deitar, fui ao quarto deles, tirei a pistola e escondi-a numa caixa de sapatos. Levei-a para o meu quarto sem que ninguém desse conta do sucedido.
Era ainda de madrugada (como de costume, eu levantava-me de madrugada, ou para “aprontar” ou para fazer os famosos TPC) e lá nos encontrámos os dois ao portão da minha casa. Lá vamos nós confiantes que a caçada seria boa, como sempre era nas terras fartas de Angola.
Saímos pelas traseiras de minha casa em direcção a um bananal que havia ao fundo dos anexos, entre a casa dos meus pais e o morro da igreja. Foi aí que encontrámos uns pastores do gado do Sr. Antunes (que se aqueciam junto de uma fogueira) e ficámos com eles à conversa. É claro que não se sentiam nada à vontade de ver dois miúdos armados ali àquela hora (ainda era escuro).
Nisto surge por ali um leitão e o amigo Antunes nem pensou duas vezes e vai de chumbo em cima do bicho que fugiu a grunhir por ali fora. Eu nem sequer tive tempo de disparar, que frustração!
Sem que nós déssemos conta, o pastor mandou avisar os nossos pais. Passados uns instantes aparece de novo o tal leitão e o Antunes fez novo tiro para o bicho que uma vez mais se recusou a morrer ali e fugiu a bom fugir.
Como começava a clarear resolvemos regressar a casa, pois o pessoal levantava-se com o nascer do sol e nós não queríamos ser agarrados. Pensávamos continuar as nossas caçadas noutros dias, se aquele nos corresse bem.
Quando nos aproximávamos de minha casa, ….. Oh desgraça! Tínhamos uma comissão de recepção à nossa espera. Os meus pais, os pais do Antunes e a dona do leitão que era uma vizinha nossa, não me recordo o nome, mas vivia na casa do sr. Ricardo Gaspar, próximo da casa do tio Celestino.
É que entretanto o dito leitão que se tinha recusado a morrer no mato, foi morrer ao curral que lhe pertencia.
É claro que fomos imediatamente desarmados e brindados com uma surra tremenda.
Eu da minha parte fiquei bastante aborrecido, pois além de desarmado e humilhado, não dei nenhum tiro, mas serviu-me de emenda. Pelo menos nunca mais tirei a pistola do meu pai… até chegarmos a Luanda. Mas essa foi outra história ……


publicado por Quimbanze às 23:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 13 de Junho de 2009
Eclipse total do Sol - Correios do Sumbe

Para comemorar o Eclipse Total do Sol foi emitido este belíssimo envelope com o respecivo selo em 21\06\2001

 

 



publicado por Quimbanze às 10:37
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Uíge -Oitenta mil crianças beneficiam de merenda escolar


Uíge - Oitenta mil crianças das escolas do ensino primário de oito dos 16 municípios da província do Uíge beneficiam desde hoje, quarta-feira, de merenda escolar, relançado pelo governador da província, Mawete João Baptista.

Segundo o director provincial do Uíge da Educação, Maculu Valentim Afonso, o programa abrange na primeira fase crianças do ensino primário dos municípios do Uíge, Negage, Songo, Quitexe, Bungo, Púri, Sanza Pombo e Damba.

Ler mais em QUITEXE - NOTÍCIAS



publicado por Quimbanze às 10:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Reservas Fundiárias

Uíge - O ministro do Urbanismo e Habitação, José Ferreira, está desde hoje, quinta-feira, na província do Uíge, com o objectivo de capacitar e transmitir a todos administradores municipais e membros do governo local conhecimentos com vista a permitir o acompanhamento das reservas fundiárias.

 

 

 José Ferreira faz-se acompanhar de uma equipa técnica do pelouro, que está orientar o seminário sob o lema "programa de integração de reservas fundiárias e de promoção de habitação de interesse social" , com a duração de dois dias.

 

 A vice-governadora do Uíge para a esfera social, Piedade Samuel Hebo, que abriu o seminário em representação do governador provincial, Mawete João Baptista, informou que na província existem reservas fundiárias nos municípios do Negage, Quitexe e Uíge.

 

Ler mais em QUITEXE - NOTÍCIAS



publicado por Quimbanze às 19:56
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sector de comércio quer reorganizar actividade em todos municípios


Uíge – A direcção provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo no Uíge leva a cabo, desde Janeiro último, um trabalho metodológico junto dos agentes económicos do sector, na província, com vista à mudança de comportamento sobre as actividade comercial na região.

O director provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo do Uíge, Abraão Laurindo da Silva, disse hoje (terça-feira), em declarações à Angop, que o sector traçou um programa com o objectivo de trabalhar com os agentes económicos locais, no sentido de incrementar a sua actividade, em prol do desenvolvimento da província.

“Nós saímos de uma guerra e o comércio esteve paralisado. Agora com a paz, novos desafios se despontam e pensamos que chegou o momento de começarmos a definir as formas de exercer o trabalho de comércio”, frisou.

Revelou ainda que especialistas do sector vão passar em todos municípios da província, tendo já trabalhado nas circunscrições de Negage, Quitexe, Púri e Sanza Pombo.

Ler mais em QUITEXE - NOTÍCIAS



publicado por Quimbanze às 19:54
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Dia de África - selos

 



publicado por Quimbanze às 19:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Selos-União Postal Panafricana

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 19:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 31 de Maio de 2009
Banco de Desenvolvimento de Angola aprova projecto de investimento no Quitexe

Luanda – O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) aprovou, no decurso do primeiro trimestre deste ano, créditos no valor global de 4,5 mil milhões de kwanzas, correspondente a cerca de 57 milhões de dólares americanos, soube hoje a Angop.

O valor aprovado representa um aumento de cerca 130 porcento em relação ao mesmo período de 2008, segundo uma nota de imprensa da instituição financeira do Estado a que a Angop teve hoje acesso.

De acordo com o documento, foram aprovados para financiamento diferentes projectos, inseridos nos sectores da agricultura, indústria de materiais de construção, comércio e prestação de serviços, os quais se estima que irão gerar mais de mil e 220 postos de trabalho directos.

No âmbito do relançamento do sector da indústria de materiais de construção civil, o banco financiou um projecto localizado no município de Quitexe, província do Uíge, no valor de Akz 172 milhões, visando a aquisição de maquinaria e equipamentos para a exploração, serração e tratamento da madeira, bem como outros equipamentos para transporte e carga do produto final.



publicado por Quimbanze às 07:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 30 de Maio de 2009
Pequenos vídeos do Quitexe

Publicamos hoje uns pequenos vídeos realizados por Franklin em Abril de 2009

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 09:17
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Fotografias do Quitexe no Google Earth

Quem consulta o Google Earth já pode encontrar três fotografias do Quitexe.

 

Bastará "voar" para o Quitexe (infelizmente a fotografia de satélite desta zona tem muito fraca resolução) e observar as fotos. Atenção, as coordenadas do nome Quitexe (também aparece Dange) não indicam a povoação que está mais para noroeste.

 

 



publicado por Quimbanze às 08:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Fotografias do Quitexe- 2- Franklim - Abril 2009

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 22:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 16 de Maio de 2009
Fotografias do Quitexe- Franklim - Abril 2009

 Estrada Quitexe - Carmona

 

 Entrada do Quitexe

 

 Rua principal do Quitexe

 

 Rua principal junto à casa do Rocha

  Rua perpendicular junto à casa do Rocha - Repare-se nos novos postes de iluminação pública dotados de paineis solares



publicado por Quimbanze às 08:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Hospital do Quitexe

Recebemos do amigo Zeca Silva uma série de fotografias tiradas pelo Franklim (filho do Sr. Nelson) em Abril deste ano.

Denotamos mais alguns progressos, nomeadamente a via principal já asfaltada e a colocação de postes de iluminação pública com energia solar !!!

O que também nos chamou a atenção foi a nova intervenção no hospital. Em pouco tempo já houve duas intervenções o que é de louvar pois demonstra uma aposta na melhoria dos cuidados de saúde da população.

 

  2009 - Foi retirada a platibanda (para melhorar o escoamento das águas do telhado, mas que lhe retirou  a imagem de edifício público), colocadas novas caixilharias nas janelas e nova vedação. Do interior não temos notícias mas a intervenção deve ter sido profunda, pois não me parece que  tenham sido só obras de fachada.

 

   2008 - A primeira intervenção depois do fim da guerra.

 

  2007 -O Hospital ainda se encontrava destruído desde o ataque da Unita em 91

 

 1972

 

 



publicado por Quimbanze às 23:32
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Cavaleiros do Quitexe * BCAV 8423

"Um espaço para informalmente falar de pessoas e estórias de um tempo em que se fez história. Aqui contando, de forma avulsa, algumas histórias de grupo de militares que foi a Angola fazer Abril e semear solidariedade e companheirismo! A partir do Quitexe, por Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel!"

 

 

Mais um interessante blogue sobre o Quitexe, mais precisamente sobre o último Batalhão do Exército Português naquelas terras. Publicado por Viegas ( ex - furriel miliciano), com muitas histórias passadas no Quitexe que nos vão dando conta do ambiente pós 25 de Abril, dos passos dados para o fim da guerra colonial e o posterior recomeço das recontros bélicos, agora entre os movimentos de libertação.

 

 

Cavaleiros do Quitexe * BCAV 8423

 



publicado por Quimbanze às 21:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 10 de Maio de 2009
Futebol - Girabairro no Uíge arranca com 100 equipas

Uíje – Cem equipas, distribuídas em nove municípios, vão disputar o torneio de futebol amador (girabairro - a taça do presidente) na província do Uíge, cujo início está marcado para 17 deste mês, soube-se de fonte oficial.

De acordo com o coordenador provincial do girabairro, António Rodrigues Papusseco, as inscrições encerram segunda-feira e o sorteio realiza-se no dia 11 de Maio.

Referiu que as 100 equipas inscritas são dos municípios de Songo, Damba, Quitexe, Negage, Kimbele, Púri, Maquela do Zombo e Uíge, realçando que foram igualmente inscritos 831 árbitros.

António Papusseco sublinhou que os jogos serão realizados em quatro fases e em sistema de todos contra todos. A primeira fase será entre bairros, a segunda entre as regedorias, terceira vai ser inter-municipal e a final.

 

 

 

 


 

 



publicado por Quimbanze às 17:16
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

VIH / SIDA


 

Uíge – Quatro mil e 752 pessoas foram aconselhadas contra o VIH/Sida, na província do Uíge, nos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntários (CATV), de Janeiro a Abril do ano em curso, dos quais 104 são seropositivos, informou hoje, terça-feira, à Angop, o coordenador provincial de Luta Contra Sida, José Alberto da Cunha Mayelano.

O responsável disse que do número de cidadãos aconselhados, foram testadas três mil e 915 grávidas, das quais 41 registadas seropositivas.

No mesmo período, testou-se 791 outras pessoas adultas, tendo-se registado desta cifra, 58 seropositivos. Acrescentou ainda que 46 crianças foram igualmente testadas e cinco destas diagnosticadas seropositivas, perfazendo assim 104 pessoas afectadas com Sida.

O responsável disse que as autoridades sanitárias estão muito preocupadas com o elevado índice de casos e augurou que os activistas de combate a doença, vão continuar a sensibilizar a população sobre as medidas de prevenção.

Como disse, para acudir a proliferação da epidemia, foram abertas seis novas unidades de aconselhamentos e testagem voluntários (UATV) nos municípios de Quitexe, Songo, Damba, Sanza Pombo e duas outras no município do Uíge, nos bairros de Candombe velho e novo respectivamente.

Deu ainda a conhecer que os hospitais municipais onde funcionam as Unidades de Aconselhamento e Testagem Voluntário (UATV) de Sanza Pombo, Songo e Damba, serão elevados a categoria Centros de Aconselhamento e testagem voluntários (CATV).

Além de CATV e UATV montados nos municípios, a província do Uíge possui um Centro de Testagem Móvel, que permite a mobilização da comunidade, para melhor controlar a epidemia na província.

Angop

 



publicado por Quimbanze às 17:09
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
Correios de Angola - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa- 1993

 

 



publicado por Quimbanze às 22:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Comboio chega a Malanje até ao fim do ano

 

Li hoje a notícia, transcrita abaixo, que o comboio vai voltar a apitar até Malanje, se tudo correr como planeado, até ao fim do ano. É uma óptima notícia para o desenvolvimento económico daquela região.

 

Recordo-me de o meu Pai contar as diversas viagens que fez, naquela linha, de Luanda até Lucala e, a partir daí, por estrada até ao Quitexe via Samba Cajú e Camabatela.

Dizia ele que numa subida muito íngreme o comboio ganhava balanço, mas quando vinha muito carregado, não conseguia transpor o cume. Para aliviar a carga o maquinista mandava sair todos os da terceira classe (os negros). Recuava o comboio, ganhava novamente balanço, a locomotiva no máximo, mas as rodas rodando cada vez mais lentamente e ainda faltavam uns metros para atingir o cimo. Nada feito, o comboio recusava-se a avançar. O maquinista gritava, então:

 

 - Os da 2ª classe saem e vão a pé e os da 3ª empurram!

 

Ramal ferroviário da linha de Ambaca até Colungo Alto. Este ramal foi construído de 1907 a 1909 no governo de Paiva Couceiro, mas não evitou o declínio da importância da Vila de Colungo Alto que, como centro administrativo, tinha sido elevada, em 1854, a capital do distrito com o mesmo nome. A construção do caminho de ferro de Ambaca desviou para essa via quase todo o tráfego que anteriormente passava através de Colungo Alto, pela estrada real que ligava os sertões do Leste com a capital de Angola.  A importância como centro de convergência económica foi-se transladando para N'Dalatando, então uma pequena povoação.

 

 Ramal da linha de Ambaca até Colungo Alto

 

 Linha férrea de Ambaca (depois prolongada até Malanje)

 

 

Comboio chega a Malanje até ao fim do ano


Luanda – A circulação dos comboios de passageiros e mercadorias entre Luanda e Malanje será reatado até ao final deste ano - reafirmou o director-geral dos Caminhos-de-ferro de Luanda (CFL), Manuel Gougel Rodrigues.

Em declarações à Angop, Manuel Gourgel Rodrigues adiantou que se se cumprir o programado o comboio deve "apitar" em Malanje até ao final deste ano.

Explicou que, no âmbito do programa de reabilitação e modernização dos Caminhos-de-ferro de Luanda, a linha já se encontra assente até Malanje e as estações reparadas.

Manuel Gourgel adiantou que decorre o processo de consolidação do trabalho de reabilitação, nomeadamente o levantamento da linha para colocação de balastro (Pedra britada, areia, com que se cobrem as travessas do caminho-de-ferro) e torná-la mais segura, e a fazer as correcções necessária para evitar percalços.

Disse que se pretende criar condições técnicas para que os comboios possam circular a uma velocidade comercial de até 80 quilómetros por hora, e aumentar a sua rentabilidade.

O director dos CFL sublinhou que, uma vez concluído o processo de reabilitação e modernização dos caminhos-de-ferro, em particular o de Luanda, o transporte ferroviário vai reconquistar o seu papel nos programas de desenvolvimento agrário e de industrialização de Angola.

Por ser o que mais pessoas e meios pode transportar, a reposição da circulação dos comboios vai permitir o escoamento dos produtos para os centros urbanos e o envio de materiais para o locais de produção.

O Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) foi inaugurado em 1909 com uma extensão total de 479 quilómetros, incluindo pequenos ramais.

Após a independência, o CFL entrou num longo período de declínio, dada a redução do volume de carga transportado (de 301 mil toneladas em 1973 para 54 em 1990), perda de pessoal qualificado, dificuldades financeiras e falta de investimentos resultantes na deterioração da linha.

Outro factor causador da paralisação consistiu no conflito armado, pois o tráfico ferroviário foi frequentemente interrompido, a partir de 1984. Após dois anos de paragem total, o CFL retomou um serviço limitado entre Malanje e Luanda em Agosto de 1991, impulsionado pelos Acordos de Paz de Bicesse.

O retorno do conflito armado em Novembro 1992 originou a morte ou desaparecimento de parte importante do pessoal efectivo do CFL, assim como a destruição total ou parcial de várias pontes, locomotivas e estações.

A reabilitação do CFL faz parte dos projectos para o relançamento da economia e desenvolvimento de Angola.



publicado por Quimbanze às 08:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Ano Mundial das Comunicações - Selos - 1983

 

 

 



publicado por Quimbanze às 09:37
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Mais de três mil animais vacinados contra a raiva

Uíge – Três mil e 501 animais de estimação, entre cães, gatos e macacos, foram vacinados contra raiva este mês no município do Uíge, capital da província com o mesmo nome, informou hoje (terça – feira) à Angop o responsável do departamento dos serviços de veterinária, Clemente Xavier.

O responsável disse que, dos três mil e 501 animais vacinados contra raiva, constam 3.381 cães, 97 gatos e 23 macacos.

Clemente Xavier informou que no primeiro trimestre do ano em curso foram vacinados outros três mil e 308 animais de estimação nos municípios do Negage, Uíge, Sanza Pombo, Songo e Quitexe.

O responsável realçou que os possuidores de animais de estimação procuram com frequência o posto fixo dos serviços de veterinária, na sede da província, devido as várias campanhas de sensibilização de luta contra raiva que se leva a cabo em distintas localidades.

Informou que 14 técnicos de serviços de veterinária estão envolvidos nesta campanha de vacina contra raiva na região.

 

 

 

 

 

 

 

 

Angop



publicado por Quimbanze às 08:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 25 de Abril de 2009
Foi há 35 anos

 

 

Dia 25

Logo de manhã, no Liceu D. João III, em Coimbra já corre a notícia: houve um golpe das forças armadas!

O resto do dia é passado junto dos rádios.
A ansiedade é grande. O golpe das Caldas tinha falhado há pouco tempo.
8 horas, batem à porta.
O meu tio Adriano com uma garrafa de champanhe.
Há abraços e choros.
Vitória! Vitória! Já não volta para trás!
Era o dia pelo qual sempre se esperou e lutou naquela casa.

Dia 26

Assembleia nos Jardins da AAC

Manifestação na Praça da República, descendo a Avenida:

- O Povo Unido Jamais será Vencido!

- MFA! MFA!

-Morte à PIDE! Morte à PIDE!

Em frente da PSP as gargantas gritam mais alto :
É a emoção! Na véspera seríamos dispersos à cacetada, mas hoje, o povo é quem mais ordena!

A manifestação engrossa. Rua da Sofia, Fernão de Magalhães.
Na Portagem é já um mar de gente.

Canta-se o Hino.
E a Portuguesa ganha os acordes da liberdade!


Marchar, marchar, contra os canhões e contra a pide.
Cerca-se a sede da polícia criminosa.
Vão-se descobrindo os carros dos pides.
Alguns, com as listas dos que estavam para serem presos antes do 1º de Maio.

Só no dia seguinte sairão entre alas de soldados.

Era a Revolução.

Primeiro 1º de Maio em liberdade.

 

Na procissão da Rainha Santa rezava-se pelo regresso dos soldados.

 

 

 

João Garcia

 

Fotos de João Gordo (Jardim da AAC) e Fernando Marques (as restantes) publicadas no livro "Em Abril Um Quartel Depois" Edição da Câmara Municipal de Coimbra - 1999



publicado por Quimbanze às 16:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 19 de Abril de 2009
11 de Novembro de 1975 - Selos de Angola

Data do carimbo: 11/11/1975

 

      Nós somos um movimento progressista.

      Que este processo histórico não seja apenas para uma elite de políticos. Para uma elite de diplomatas. Mas seja um acto em que todo o povo participe.

      É preciso que nas comissões de bairro, nas comissões do povo se estabeleçam as bases duma verdadeira democracia para todos.

      Sem separação de raças, sem separação de classes sociais, sem determinarmos as condições religiosas ou políticas de cada um. Este é o nosso progressivismo!

 

Agostinho Neto

 



publicado por Quimbanze às 20:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 14 de Abril de 2009
10º Aniversário da Universidade Agostinho Neto - Correios 1986



publicado por Quimbanze às 23:06
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 12 de Abril de 2009
Arte Quioca - Correios 1992



publicado por Quimbanze às 09:33
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 11 de Abril de 2009
O QUITEXE - Apresentação aos soldados

Publicamos hoje um texto (cedido por José Oliveira) de apresentação  do Quitexe aos soldados do Batalhão de Cavalaria 1917. É um texto muito interessante, porque, retirando a retórica do "Angola é nossa" (outro discurso não seria de esperar), são apresentados dados muito exactos da história do Quitexe e outros, estatísticos, à revelia do discurso oficial. Embora desconhecendo a origem dos dados é curioso como se assume que metade da população indígina ainda se encontrava escondida nas matas ou emigrara para o Congo (esta percentagem será, concerteza, bem maior). Outro dado, já conhecido, é que o número de trabalhadores do Sul, conhecidos por Bailundos, suplantava a população local e o terceiro grupo, brancos e mestiços, não ultrapassava as seis centenas. Por outro lado reconhece-se que os povos desta região tinham atrás de si uma história de sublevação contra a autoridade portuguesa.

 

 

O QUITEXE

 

 

O Quitexe e a sua região será por algum tempo como que a nossa casa, aquela que, de armas na mão, teremos de defender como parte integrante da Pátria. Conhecer a nossa terra é arreigar em nós, ainda mais, a firme disposição de a conservar nossa.
Esta razão de ser, dos apontamentos, que a seguir, podereis ler sobre o Quitexe.
BREVE RESUMO HISTÓRICO                    
O Dange era primitivamente um posto administrativo dos Dembos, mas de 1912 a 1932 pertenceu à Circunscrição do Encoge, passando nesta data a pertencer de novo aos Dembos, como parte do Concelho de Ambaca
O limite do Quitexe foi pela primeira vez fixados em 1918,tendo esta povoação sido a sede da Circunscrição do Encoge até à extinção desta 1932.
Em 1961 por portaria nº11740 de 26JUL61 foi criado o concelho do Dange com sede em Quitexe.
Trata-se portanto dum concelho de fresca data onde rareiam os elementos históricos e os que existem estão estreitamente ligados à história dos Dembos, donde se desmembrou em parte, por razões as mais variadas, mas em que avulta a diminuta população de Portugal Metropolitano, mormente em relação aos imensos territórios Ultramarinos, que possui, o certo é que a região dos Dembos, habitada por povos notavelmente aguerridos sempre criou dificuldades à ocupação Portuguesa.
Os nossos avós, inconformados com esse estado de coisas, redobraram de esforços e as revoltas dos nativos foram sendo sucessivamente dominadas e estabelecidos postos militares que asseguraram a soberania portuguesa, que, à medida que se
Consolidava, foram transformados em postos de administração civil.
É de inteira justiça, referir neste breve resumo histórico, as figuras de dois grandes militares que pela acção e pelo valor, conduziram á completa dominação da região dos Dembos.
Capitão João de Almeida (1906) e Capitão. Ribeiro de Almeida (1919)
Mais recentemente, em 15 de Março de 1961,de novo estala a subversão nesta região, com requintes de ferocidade e malvadez num grau extraordinariamente alto de que são testemunho as lápides afixadas na igreja do QUITEXE, que apenas representam uma pequena fracção das vitimas inocentes atingidas por criminosos de coração e mentalidade endurecidos, depois foi a resposta adequada dos portugueses de hoje, não menos valorosos que os de antanho, valentia, espírito de sacrifício e profundo amor á pátria, têm vindo a reconquistar o terreno e a destruir a subversão.
Nota: - Ao b/cav1917 no sector de QUITEXE cabe a enorme responsabilidade de continuar a obra dos seus antecessores até á completa exterminação da subversão, ninguém regateará a responsabilidade e todos saberão cumprir, disso estou certo.
1.      Alguns apontamentos sobre o concelho do Dange (sede em Quitexe)
O concelho do Dange pertencente ao distrito de Uige, tem além do posto sede, os P.A. de Aldeia Viçosa, de Vista Alegre, e de Cambambe, sendo que só os dois primeiros pertencem ao nosso subsector.
O Quitexe, como Aldeia Viçosa, são povoações em que cada casa é uma loja comercial, nas quais se transaccionam os mais variados artigos com a população branca e de cor, e se asseguram o abastecimento necessário à vida dos povos. Rodeadas por todos os lados de fazendas de café, umas largas dezenas onde trabalham uns 12.000 homens naturais do sul de Angola, grandes e pequenas, de brancos e nativos, vive-se e respira-se café todo o ano, na medida em que toda a actividade é quase exclusivamente relacionada com este produto.
No entanto desenha-se actualmente um certo interesse pela exploração de madeiras nas suas matas quase virgens.
A população de cor pertence na sua grande maioria aos grupos étnicos dos Macambas e Mahungas e agrupa-se em sanzalas sempre que possível nas imediações das suas lavras (café, milho, mandioca, ginguba, batata doce, feijão, etc.) pois com raras excepções dedicam-se quase exclusivamente às actividades agrícolas. Trata-se de regressados das matas, para onde fugiram em 1961.
Os Macambas, mais valentes e mais ferozes, durante muito tempo escravizaram os Mahungas e não consentiam sequer os casamentos entre ambos.
Após o terrorismo as condições modificaram – se sendo que o maior número de regressados das matas são Mahungas, tradicionalmente mais submissos e trabalhadores. Entre eles não se registam grandes rivalidades, excepto entre os Cungas, cuja animosidade já vem de longe. Antes do terrorismo a população de cor do concelho rondava os 18.000 indivíduos e na actualidade não ultrapassa os 9.000. Um pouco menos de metade ainda está nas matas, onde levam uma vida mais que miserável, ou imigraram para o Congo ex Belga.
O baixo nível exibido pelas pobres sanzalas em que vivem os apresentados contrasta significativamente com dinheiro que auferem com a venda do café das suas lavras.
No ano findo, só em mercados de café, os povos do concelho receberam cerca de 6.500 contos.
A população branca e mestiça do concelho, dia a dia vem aumentando, atinge actualmente as 6 centenas de almas, entre fazendeiros, e trabalhadores das fazendas e comerciantes. Com uma altitude média de 800 metros em que são numerosas as terras densamente arborizadas e os rios, torcicolados, fartos de água, tem um clima regular e agradável.
O concelho é atravessado pela estrada asfaltada Luanda – Carmona, e sobre esta se situam o Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre, outras estradas «picadas», servem o concelho, permitindo o escoamento dos seus produtos, sendo de realçar a que conduz a Camabatela e Salazar do distrito de Cuanza-Norte.
O QUITEXE, a 40 km. de Carmona, que em 1961 viu gravemente afectada a sua sobrevivência, mas que nunca foi totalmente abandonada pela população branca, está presentemente em franco desenvolvimento e oferece aos numerosos visitantes um clima de tranquilidade assinalável. Uma estação telégrafo-postal, uma escola primária e um posto sanitário, conferem-lhe a possibilidade de comunicar com o mundo exterior de divulgar e expandir a língua-pátria e de apoiar as populações nas suas necessidades mais instantes.
O COMANDANTE
António Manuel Pinto de Amaral
Ten. Coronel de Cavalaria
 
Este artigo foi extraído do jornal «O DINOSSÁURIO» órgão do B./ CAV. 1917
Quitexe, Setembro de 1967
ANGOLA
 NOTA: O  Comandante António Manuel Pinto de Amaral faleceu no ano de 2007 com posto de Major-General.


publicado por Quimbanze às 11:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
Correios - Pintura de Angola



publicado por Quimbanze às 22:31
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
Penteados Tradicionais de Angola - Correios 1987

 



publicado por Quimbanze às 19:50
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009
Acácio Barreiros

As fotografias que o António Guerra nos trouxe fizeram-nos recordar o Acácio Barreiros, esse miúdo franzino que aparece em muitas delas. Quem diria que este natural de Cabinda, que passou alguns dos anos da sua infância no Quitexe (enquanto o seu pai ali exerceu as funções de chefe de posto), viria a ser um intrépido e acutilante deputado da esquerda revolucionária (UDP)na Assembleia da República. Mais tarde, esfriados os ímpetos da juventude, foi novamente deputado, agora pelo PS, e membro do governo.

 

URL http://sinbad.ua.pt/cartazes/CT-ML-I-2107

 

Em jeito de homenagem aqui deixo um texto, adaptado do voto de pesar pela sua morte, em 2004, pela Assembleia da República e algumas fotos retiradas das do António Guerra e não só.

 

  

 

No dia 17 de Fevereiro de 2004 faleceu o Deputado Acácio Manuel de Frias Barreiros. Nasceu em Cabinda  em 24 de Março de 1948, filho de Manuel da Silva e Lucília Barreiros
Acácio Barreiros, com 55 anos de idade, distinguiu-se, ao longo de toda a sua vida, por um empenhamento cívico e político, constante e apaixonado. Começou nos combates da juventude contra o regime ditatorial, que imperou na nossa pátria até 25 de Abril de 1974.
Acácio Barreiros foi, enquanto estudante universitário, aluno do Instituto Superior Técnico, dirigente associativo, participante activo e militante nas lutas da juventude estudantil contra o regime do Estado Novo. Tendo sido mesmo obrigado, num curto período que antecedeu a revolução democrática de Abril, a viver na clandestinidade.
Já em liberdade, Acácio Barreiros foi um destacado dirigente da UDP, sendo, durante alguns anos (76-78), o seu único representante eleito na Assembleia da República. Granjeou desde essa época uma popularidade assinalável pela sua combatividade e pelas suas qualidades, reconhecidas por amigos e adversários políticos, de tribuno e parlamentar. Posteriormente, já no Partido Socialista, voltou a ser eleito para o Parlamento (1983) onde, com alguns interregnos, se manteve até ao final da sua vida.

 


Foi também autarca, membro da Assembleia Municipal de Lisboa, candidato do PS à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e vereador eleito durante um mandato. Depois autarca por Sintra, onde residia e onde faleceu, tendo sido presidente da respectiva Assembleia Municipal.
Membro do Governo, com o cargo de Secretario de Estado da Defesa do Consumidor no XIV Governo Constitucional.
Acácio Barreiros era um homem bom, fiel aos valores de esquerda, que eram os seus e em que acreditava, de carácter firme mas profundamente tolerante.
Travou ao longo dos últimos meses da sua vida um combate de grande coragem contra a doença que o afectava, mantendo até ao fim a sua combatividade politica, o seu bom humor, o seu sentido da tolerância.  Merece, também por isso,  o preito da nossa admiração, estima e respeito.

 

 

 

www.youtube.com/watch



publicado por Quimbanze às 19:25
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
António Guerra - As fotografias da minha infância no Quitexe - Parte III

Despedida do chefe de posto, Manuel da Silva Barreiros.
A senhora que se encontra do lado esquerdo é a menina Efigénia (da família Manda Fama) e era a nossa catequista. A minha mãe Maria Helena, está a “empurrar a menina que ia entregar as flores (filha da D. Céu Carneiro) que se encontra junto ao ombro esquerdo da minha mãe e junto do ombro esquerdo da D. Céu Carneiro ainda se vê um pouco a D. Felismina Carrusca Cebola, esposa do Sr. José Coelho Guerreiro. Em frente da minha mãe vê-se um rapazito que é o José Manuel Cebola Guerreiro, morto no 15 de Março de 1961.
 
Despedida do chefe de posto, Manuel da Silva Barreiros
De braço no ar o Acácio Manuel de Frias Barreiros, filho do chefe Barreiros e da D. Lucília que foi professora no Quitexe. No lado direito da foto estou eu ao fundo. O chefe Barreiros está de lado no canto esquerdo da foto.


publicado por Quimbanze às 19:09
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 31 de Março de 2009
António Guerra - Histórias e recordações do Quitexe - II

 

Carrego ainda hoje na perna direita as marcas de uma aventura de criança com o António Figueiredo Antunes, filho do sr. Antunes do talho e da D. Alice.
 
Estava um tractorista da fazenda Pumbaloge com um tractor da fazenda (de rodas e com uma lâmina de nivelar na traseira) a fazer a avenida que ia para a igreja. Eu e o Antunes, sempre que o tractor baixava a lâmina, sem que o condutor nos visse, subíamos para a lâmina e descíamos toda a avenida empoleirados. Ao fundo da avenida, andava o meu pai junto da casa que andava a fazer. Numa das vezes que o tractorista se preparava para descer a avenida, o meu pai viu o Antunes subir para a lâmina e deu-lhe um grito para sair dali. A mim não me via porque eu estava do lado direito do tractor, já empoleirado na lâmina. O Antunes aborrecido por não poder fazer mais aquela descida, chegou-se ao pé de mim e deu-me um empurrão que me atirou da lâmina abaixo, no preciso momento em que o tractorista baixava a dita lâmina, que descarregou todo o seu peso sobre a minha perna direita, quase junto ao tornozelo. Como eu gritei, o homem levantou a lâmina e veio-me socorrer. Eu só lhe disse: “não digas nada ao meu pai” e desatei a correr por uma vereda lateral que ia da igreja para minha casa através de um bananal. É claro que o homem gritou pelo meu pai que veio também a correr mas só me conseguiu apanhar à entrada da nossa casa. Meteu-me de imediato na carrinha e levou-me para a zona. A minha mãe foi lá ter a pé, logo que soube. Fui imediatamente socorrido pelo enfermeiro da zona, que depois de me limpar a ferida, me aplicou 7 agrafos. Ainda hoje carrego essa cicatriz, como “medalha de bom comportamento”.
 
 
 
Os dias que se seguiram, foram terríveis, pois não deixei de ir à escola. Como não podia andar, o meu pai levava-me de carro até à escola e ao colo até à carteira onde eu me sentava. No intervalo os meus colegas iam para a brincadeira e eu ficava sozinho sentado na sala, até à hora da saída, quando o meu pai me ia buscar.
 
 

Numa das viagens a Luanda, regressávamos ao Quitexe de boleia com o Sr Silva (Fogueteiro) e esposa, eu e a minha mãe, no carro do Sr. Silva, um volvo “marreco”. Ao chegarmos aos morros do Piri, viam-se alguns camiões enterrados pelo morro acima. Aguardavam a chegada de uma máquina para os desenterrar. Como nós íamos num automóvel ligeiro, os camionistas e respectivos ajudantes, posicionaram-se ao longo da subida. Os passageiros do volvo, subiram o morro a pé (como eu adorava andar com os pés na lama). Gostava particularmente desta azáfama de atascanços, chuvas, matas, etc. O cheiro da mata, em especial depois de uma chuvada é das coisas agradáveis de sentir e que nunca se esquece. O Sr Silva, embalou o carro o mais que pode e quando este começou a patinar, os camionistas começaram a empurrá-lo até ao cimo do morro. As sandes que levávamos para o caminho, foram entregues aos camionistas, pois nós sabíamos que passando o Piri já chegávamos ao Quitexe.

 

António Manuel Guerra



publicado por Quimbanze às 23:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 30 de Março de 2009
António Guerra - Histórias e recordações do Quitexe

 

Diz-se que “quem bebeu a água do Bengo, nunca mais esquece”. É bem verdade, pois ainda não encontrei ninguém que passasse por Angola e não recorde aquela terra com saudade. Eu tive o privilégio de nascer em Angola e crescer livre (qual bicho do mato) pelas terras do Quitexe e viver a odisseia da época das chuvas e das viagens a Luanda sem estradas asfaltadas.
 
Do Quitexe, lembro-me com saudade dos tempos de menino, em que ia de madrugada para a fazenda do meu pai, na estrada do Zalala, com o meu tio Henrique que andava a abrir a estrada no interior da fazenda com um tractor de lagartas da fazenda Guerra & Companhia. Ainda tenho vagas recordações da casa do tio Celestino onde eu nasci e do Quitexe com uma dezena de casas e ruas de terra.
 
Lembro-me da construção da igreja e da tarde em que o padre capuchinho (Genipero) ficou soterrado no areal de onde extraíam a areia para a construção. Os trabalhadores, na aflição de o socorrerem rasgaram-lhe a batina toda, que a minha mãe depois cozeu. Enquanto isso, a minha mãe emprestou umas roupas do meu pai ao padre Genipero. Recordo ainda a aflição do padre, com receio que o chefe de posto (António da Silva Barreiros, meu padrinho de crisma) o visse naquele estado. O chefe Barreiros era uma pessoa muito bem disposta e sempre na brincadeira com o padre. Imagine-se vê-lo naquela figura. De calças e camisa, segurando as calças com as mãos, pois não quis colocar o cinto (quem habitualmente só usava aquela batina até aos pés de um tecido castanho muito grosso e de capuz). Era mesmo hilariante. Sorte do padre que o chefe Barreiros não apareceu nesse dia pela casa dos meus pais.
 


publicado por Quimbanze às 19:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 29 de Março de 2009
António Guerra - As fotografias da minha infância no Quitexe - Parte II

Passeio de barco na Lagoa do Feitiço

 

 

 Pic-nic na Lagoa do Feitiço

 

Da esquerda para a direita, de chapéu está um padre de quem não me lembro o nome, a seguir, o sr. José Coelho Guerreiro, eu, a D. Felismina, a minha irmã Odete e a minha mãe. Com a armadilha de peixes na mão está o Zézito (morto no Quitexe), filho do sr. José Guerreiro e D. Felismina.
O Quitexe nos anos 50
A minha irmã Odete em frente à casa do meu tio Celestino. Havia uma buganvília enorme em frente da casa do tio Celestino. Ao fundo a casa do sr. João Garcia e no terreno vago entre estas duas casas, foi construída a casa dos meus pais.
 
À esquerda, o meu tio Jaime Marcelino Pereira, ao centro o tio Henrique Borges Pereira, e ?????
Foto tirada em frente da casa do tio Celestino e ao fundo a casa do sr. João Garcia.
A minha irmã Odete no Quitexe. Ao fundo, na rua de cima, o edifício do Posto. Na rua de baixo existiriam ainda pouquíssimas casas
 
Eu e a minha irmã na rua de baixo no Quitexe. Comparando estas fotos dos anos 50 e as fotos dos anos 60, nota-se que o Quitexe cresceu bastante mesmo. Como disse o Sr. João Garcia no seu livro, eram umas terras muito cobiçadas.
 
António Manuel Guerra
 
 

 

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 19:33
link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 28 de Março de 2009
António Guerra - As fotografias da minha infância no Quitexe - Parte I

Carnaval no Quitexe.
Aqui só reconheço o Acácio Barreiros atrás com o braço por cima de outro garoto.
A irmã dele (Maria da Graça de Frias Barreiros) é a menina da frente lado esquerdo, ao lado do garoto de capuz alto. Pode ser que apareçam mais a identificarem-se. Peço desculpa pela falta de memória.
 
Dia de comunhão no Quitexe.
 
Creio que o Sr. Arcebispo se chamava “D. Moisés Alves de Pinho”
Da esquerda para a direita:
Maria Manuela Jardim Baptista (filha da D. Rosa Maria e do sr. Baptista da fazenda Pumbaloge)
Eu, o João José Jardim Batista irmão da Manuela, a Maria da Graça Barreiros e o Acácio Barreiros.
Esta foto foi tirada na varanda da residência do chefe de posto.
 
Comunhão no Quitexe:
Fazendo continência está o João Baptista. Eu de laço, atrás a minha irmã Maria Odete, ao lado a Dina Maria de Frias Barreiros, a Maria Manuela Baptista a Maria da Graça Barreiros.
A senhora de casaco xadrez é a D. Rosa Maria esposa do sr. Baptista. Do lado direito, atrás, encostada ao carro e de vestido florido, está a minha mãe e à frente a D. Lucília Barreiros (ainda me lembro das “galhetas que ela nos pregava na escola)
António Manuel Guerra
 

 



publicado por Quimbanze às 09:56
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 25 de Março de 2009
António Guerra - 15 de Março de 1961 - Conclusão

 

Chamo-me António Manuel Pereira Guerra, filho de Abílio Augusto Guerra e de Maria Helena Borges Pereira Guerra, nasci no Quitexe a 20 de Junho de 1950, em casa de Celestino Guerra, e estas são algumas das minhas memórias, na altura do ataque com 10 anos.
 
Neste pequeno relato, irei contar a minha vivência sobre o 15 de Março de 1961, sem juízo de valores ou ideologias políticas. Sobre isso já se escreveu demais e, com o passar do tempo, infelizmente foram-se perdendo muitas das pessoas que viveram na pele essa data, e poderiam testemunhar a sua vivência trágica.
 
 
Este pequeno contributo, não tem de forma nenhuma a pretensão de ser mais um relato dos acontecimentos de 15 de Março de 1961, mas deverá apenas ser entendido como uma pequena participação, para que este blog sobre a nossa terra não caia no esquecimento e possa assim crescer com o contributo de todos os que um dia passaram pelo Quitexe.
 
 
No final de 1960, tinha eu 10 anos, já qualquer coisa de anormal se fazia sentir, pois as festas familiares (Natal e passagem de ano) não foram como nos anos anteriores. As reuniões de família decorriam sempre com as armas em presença.
 
  Por relato dos meus pais, o chefe de posto do Quitexe, na altura (Nascimento Rodrigues), procurou no dia 14 de Março de 1961 o meu pai e o sr. Jaime Rei, pedindo-lhes que o acompanhassem no dia seguinte para os lados do Zalala, pois tinham fazenda para aqueles lados e iriam efectuar contactos com os trabalhadores das diversas fazendas dessa região pedindo-lhes que, caso aparecessem elementos estranhos ou suspeitos, os prendessem e mandassem recado ao posto do Quitexe. A minha mãe bem pediu ao meu pai que não fosse, mas de nada lhe valeu (pressentimentos de mulheres).
 
No dia 15 de Março, o meu pai tinha saído cedo com o administrador, o Sr. Jaime Rei e dois cipaios do posto. No Quitexe estavam a passar férias a minha irmã (que estudava em Luanda no Colégio das Freiras), e em casa do meu tio Augusto, onde também viviam os meus avós (António Inocêncio Pereira e Joaquina Pereira), estavam as minhas primas Milu e Juju, filhas do meu tio Celestino e tia Maria (que na altura estavam em Luanda).
Eu levantei-me cedo, como era hábito, e fui a casa do tio Augusto encontrar-me com a Milu e Juju, para as desafiar para irmos brincar. Como elas ainda estavam a matabichar, esperei por lá um pouco.
A minha mãe encontrava-se em frente da nossa casa, a curta distância da casa do tio Augusto, a podar umas roseiras de um canteiro de flores. A minha irmã ainda dormia.
 
Contou depois a minha mãe, que quando soaram as badaladas das oito horas, no sino da administração, que era o sinal para os comerciantes abrirem as portas das lojas, se gerou um certo burburinho na rua de cima. Era, afinal, também o sinal para começar o ataque ao Quitexe. Uns dias antes tinham fugido uns presos da prisão do posto e na perseguição que se seguiu, houve bastante algazarra, pelo que a minha mãe não deu importância ao barulho que ouviu, pensando tratar-se outra vez de uma fuga da prisão. Foi nesse instante que um elemento que estava na esquina da nossa casa, empunhou uma catana dirigindo-se a ela de arma no ar com a intenção de a matar. Ela começou a fugir em direcção a casa do seu irmão Augusto, aos gritos de socorro.
 
Foi nesse instante que nós ouvimos os gritos da minha mãe e nos apercebemos da gravidade da situação. De imediato o tio Augusto agarrou a espingarda .22 long, ordenou-nos que nos escondêssemos e que só poderíamos sair quando ele nos fosse buscar. Desatou a correr em direcção à irmã que, entretanto, já tinha tombado junto ao cruzamento para a rua da Igreja (esta cena marcante, foi vista por nós, da porta de casa do tio Augusto). Os meus avós que também tinham saído em socorro da minha mãe, tombaram também. A minha avó tombou na varanda da casa dos meus pais e já a vi morta quando acabou o ataque. O meu avô foi ferido com uma catanada na nuca, foi connosco para o Uíge, e veio a falecer 5 dias depois no hospital de Luanda.
 
Algum tempo depois chegou o tio Augusto que nos veio buscar, já com outra arma uma caçadeira, que ele tinha ido buscar à arrecadação do posto, onde estavam algumas armas apreendidas, pois a .22 long tinha encravado ao primeiro disparo (salvou-se graças a uma pequena pistola 6,35 que andava sempre com ele no bolso das calças).
Em frente da minha casa, estavam o Sr. José Coelho Guerreiro e a esposa (D. Felismina), com a filha bebé a Maria Helena, a minha mãe com 11 catanadas (8 nas costas, 2 nos braços e uma no rosto, tendo o nariz ficado preso pelo lábio superior), a minha irmã e o meu avô que foi colocado num colchão na carroçaria da carrinha do Sr. José Guerreiro, e com o tio Augusto de pé na carroçaria a fazer protecção, seguimos para o Uíge. O filho mais velho do sr. José Guerreiro (José Cebola Guerreiro de sete anos), tinha ficado degolado à entrada da loja dos pais na rua de cima. Na cabine da carrinha de apenas 3 lugares, seguia o Sr. José a conduzir (ferido), a esposa (ferida) e filha, a minha mãe, a minha irmã, as minhas duas primas e eu.
Fotografia da minha Mãe Helena Guerra, sendo visível a cicratiz que lhe atravessava o rosto. A catanada fragilizou-lhe, também o osso do maxilar
 
A minha mãe segurava o nariz, que apenas estava preso pelo lábio superior, com um roupão turco que ficou ensopado em sangue, bem assim como todos nós, pois iam na cabine três pessoas feridas.
A viagem até ao Uíge decorreu sem incidentes e ao chegarmos ao Hospital, já lá estava o Dr. Almeida Santos (Dr. Talambanza como era conhecido) à espera, tendo sido a primeira pessoa a socorrer a minha mãe, aplicando-lhe logo uma injecção à entrada do Hospital.
 
Quando o meu pai chegou ao Quitexe, já se tinha dado o ataque e já nós tínhamos seguido para o Uíge. Como houve mobilização geral, nenhum homem mais foi autorizado a abandonar o Quitexe. Ficou 15 dias sem saber de nós, e nós sem sabermos dele.
 
Entretanto, no Uíge, o tio Augusto levou-nos para uma sala no hospital e deixou-me de guarda às espingardas encostadas a um canto da sala, enquanto ele procurava saber dos feridos. Ao hospital chegavam cada vez mais pessoas, quer feridos, quer pessoas que iam saber de amigos e de notícias.
Uma senhora que morava próximo do hospital, levou a minha irmã e as minhas primas para casa dela, onde puderam trocar de roupa que entretanto lhes arranjaram, pois nós saímos do Quitexe só com a roupa que trazíamos vestida. Próximo do meio dia, o tio Augusto levou-me a casa dessa senhora, onde troquei de roupa (as nossas estavam todas cheias de sangue) e almoçámos.
 
Logo a seguir ao almoço, o tio Augusto foi-nos buscar e levou-nos para o aeroporto do Uíge, onde aguardámos a chegada de um avião (Dakota) da DTA, vindo de Luanda para levar os feridos e ao qual foram retirados alguns bancos para receber as macas. Aguardámos a chegada do avião, sózinhos e sem qualquer protecção militar. Quando o avião aterrou, foram embarcados os feridos do Quitexe e lembro-me de ter visto a D. Felismina, Sr. José Guerreiro e filha, a minha mãe, o meu avô, a Geninha e a prima Beatriz, o Tio Augusto, a minha irmã, e as minhas primas. Mais pessoas embarcaram, pois o avião ia cheio, mas não me recordo de quem eram.
 
Ao chegarmos a Luanda, não fomos desembarcados para o terminal do aeroporto como seria normal, mas fomos metidos todos em ambulâncias que nos levaram para o hospital Maria Pia, onde ficaram internados os feridos. O tio Augusto, as minhas primas, a minha irmã e eu, podemos juntar-nos ao tio Celestino, que estava em Luanda e tinha seguido as ambulâncias desde o aeroporto e aguardava por nós.
O tio Celestino levou-nos para o hotel Europa, onde ele se encontrava hospedado e fomos mandados subir imediatamente para os quartos, não tendo sido permitido a ninguém falar fosse com quem fosse.
À porta do hotel encontravam-se bastantes pessoas, mas só o meu tio Celestino ficou para trás, e creio ter sido nessa altura que ele falou com o autor do livro Sangue no Capim (Horácio Caio), que faz uma alusão muito rápida sobre as pessoas com que o meu tio estaria preocupado (Tio Jaime e família, família Rocha, etc.). Ao tio Augusto que infelizmente viveu na primeira pessoa o ataque ao Quitexe e que para mim foi o nosso salvador, não foi permitido que falasse com ninguém (não entendemos porquê). Mais tarde, e à medida que se ia falando mais sobre estes acontecimentos, começámos a perceber uma certa manipulação por parte do poder que tentara encobrir os ataques.
 
Entretanto, uma senhora amiga, esposa de um caixeiro viajante, que aparecia pelo Quitexe e por vezes ficava em nossa casa, viu o nome da minha mãe, num jornal diário na lista dos feridos, foi visitá-la ao hospital e mandou um telegrama para o meu pai, dando-lhe conta que a família se encontrava viva em Luanda.
Na primeira oportunidade que o meu pai teve de pedir uma licença ao exército para ir a Luanda ver a família, fê-lo e nunca mais regressou ao Quitexe.
 
As nossas casas foram entretanto alugadas ao exército, tendo permanecido assim até ao 25 de Abril.
 
António Manuel Guerra
 
 
comentário:
 
De A. Jorge Santos a 26 de Março de 2009 às 20:10
 
Gostaria aqui de cumprimentar o amigo António Guerra, por nos trazer este testemunho por ele vivido, na 1ª pessoa, e que a mim particularmente, me emocionou. É-me dificil imaginar, o que se passará na cabeça de uma criança de 10 anos, perante os acontecimentos que aqui nos relata.
Um abraço tambem ao amigo João Garcia, por juntar neste blogue, todos estes valiosos testemunhos, de conterrâneos nossos.
A. Jorge Santos


publicado por Quimbanze às 22:59
link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 24 de Março de 2009
Dia de aniversário

Janeiro de 1953 -

1º aniversário do meu irmão Tozé na casa do Quitexe

 

Da esquerda para a direita: Odete, Dª. Helena Guerra(entre os filhos), António Manuel, minha mãe Aline com o Tozé ao colo, ?,?, meu pai João Garcia e Sr. Abílio Guerra.

 

João Garcia



publicado por Quimbanze às 22:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

António Guerra - 15 de Março de 1961 - Parte I

Começamos hoje a publicação do testemunho de António Guerra sobre a tragédia desse dia já distante do 15 de Março de 1961. É o relato do que viu e sentiu um miudo de 10 anos, envolto num turbilhão de trágicos acontecimentos:

 

 

Chamo-me António Manuel Pereira Guerra, filho de Abílio Augusto Guerra e de Maria Helena Borges Pereira Guerra, nasci no Quitexe a 20 de Junho de 1950, em casa de Celestino Guerra, e estas são algumas das minhas memórias, na altura do ataque com 10 anos.
 
Neste pequeno relato, irei contar a minha vivência sobre o 15 de Março de 1961, sem juízo de valores ou ideologias políticas. Sobre isso já se escreveu demais e, com o passar do tempo, infelizmente foram-se perdendo muitas das pessoas que viveram na pele essa data, e poderiam testemunhar a sua vivência trágica.
 
 
Este pequeno contributo, não tem de forma nenhuma a pretensão de ser mais um relato dos acontecimentos de 15 de Março de 1961, mas deverá apenas ser entendido como uma pequena participação, para que este blog sobre a nossa terra não caia no esquecimento e possa assim crescer com o contributo de todos os que um dia passaram pelo Quitexe.
 
 
No final de 1960, tinha eu 10 anos, já qualquer coisa de anormal se fazia sentir, pois as festas familiares (Natal e passagem de ano) não foram como nos anos anteriores. As reuniões de família decorriam sempre com as armas em presença.
 
  Por relato dos meus pais, o chefe de posto do Quitexe, na altura (Nascimento Rodrigues), procurou no dia 14 de Março de 1961 o meu pai e o sr. Jaime Rei, pedindo-lhes que o acompanhassem no dia seguinte para os lados do Zalala, pois tinham fazenda para aqueles lados e iriam efectuar contactos com os trabalhadores das diversas fazendas dessa região pedindo-lhes que, caso aparecessem elementos estranhos ou suspeitos, os prendessem e mandassem recado ao posto do Quitexe. A minha mãe bem pediu ao meu pai que não fosse, mas de nada lhe valeu (pressentimentos de mulheres).
 
No dia 15 de Março, o meu pai tinha saído cedo com o administrador, o Sr. Jaime Rei e dois cipaios do posto. No Quitexe estavam a passar férias a minha irmã (que estudava em Luanda no Colégio das Freiras), e em casa do meu tio Augusto, onde também viviam os meus avós (António Inocêncio Pereira e Joaquina Pereira), estavam as minhas primas Milu e Juju, filhas do meu tio Celestino e tia Maria (que na altura estavam em Luanda).
Eu levantei-me cedo, como era hábito, e fui a casa do tio Augusto encontrar-me com a Milu e Juju, para as desafiar para irmos brincar. Como elas ainda estavam a matabichar, esperei por lá um pouco.
A minha mãe encontrava-se em frente da nossa casa, a curta distância da casa do tio Augusto, a podar umas roseiras de um canteiro de flores. A minha irmã ainda dormia.
 
Contou depois a minha mãe, que quando soaram as badaladas das oito horas, no sino da administração, que era o sinal para os comerciantes abrirem as portas das lojas, se gerou um certo burburinho na rua de cima. Era, afinal, também o sinal para começar o ataque ao Quitexe. Uns dias antes tinham fugido uns presos da prisão do posto e na perseguição que se seguiu, houve bastante algazarra, pelo que a minha mãe não deu importância ao barulho que ouviu, pensando tratar-se outra vez de uma fuga da prisão. Foi nesse instante que um elemento que estava na esquina da nossa casa, empunhou uma catana dirigindo-se a ela de arma no ar com a intenção de a matar. Ela começou a fugir em direcção a casa do seu irmão Augusto, aos gritos de socorro.
 
(continua)

 

 


publicado por Quimbanze às 22:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 23 de Março de 2009
A Província de Angola - 30 de Março de1961

 

 

Voltamos hoje a publicar o recorte do jornal " A Província de Angola", agora com mais leitura.

 

António Guerra prestou-nos os seguintes esclarecimentos e correcções:

 

"No recorte  quando se referem ao José Manuel Cebola Guerreiro, filho de José Coelho Guerreiro
e de Feliciana Carrusca Cebola, não é Feliciana mas sim FELISMINA. A D. Felismina ainda é viva e mora em Loulé.  
A D. Umbelina dos Santos Carmo, era a irmã da minha tia Zaida (casada com o meu tio Henrique).
Ainda no recorte, creio que o Sr. José Joaquim Paço, se trata do Sr. POÇO, pai do Victor Poço."


publicado por Quimbanze às 22:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Ainda o 15 de Março

De João Cabral recebemos este recorte do "Província de Angola" de 30 de Março de 1961, com a identificação de algumas das vítimas do 15 de Março

 

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 19:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 15 de Março de 2009
DIA 15 de Março de1961

 

 Foi há 48 anos!
 
            O Tavares toca a sineta ( a mola contra o semi-eixo) e quando saio de casa já só o vejo ir com o pessoal a caminho da plantação. Sou então surpreendido com um espectáculo terrível. Junto à cozinha, subindo já pela parede da casa, milhões e milhões de formigas quissondo avançam continuamente pela parede. Formam um rolo ondulante que devora tudo à sua passagem. Tento destruí-las mas logo desisto, pois quantas mais mato mais aparecem. Digo ao Augusto para ir à cerâmica, na carrinha, buscar o maçarico para tentar queimá-las. Entretanto arranjo uns trapos velhos envolvidos em gasóleo a arder na ponta de um pau e lá as vou queimando. Com a chegada do Augusto conseguimos, com o fogo, dar cabo das formigas assassinas, que em pouco tempo devoram qualquer animal. A Alíne e os miúdos andam de volta das galinhas, dos pintos e dos pombos a catar as formigas que já tinham atacado o galinheiro.
 
            Da casa avistamos a estrada que, vinda do Uíge(2) ou do Quitexe, dá acesso à fazenda continuando depois para S. José do Encoje e Ambuíla, percorrendo dezenas e dezenas de quilómetros entre a serra do Cananga, de um lado, e as serras do Quimbinda e do Mongage do outro. Vimos, então, um jipe que parece vir apressado. Virá para aqui ou seguirá para as fazendas mais afastadas? Afinal vinha para aqui. Quem seria? Era o Chefe do Posto Nascimento Rodrigues ao volante. No banco traseiro o Abílio Guerra e o Jaime Rei. Eram afinal os três membros da Junta Local. Muito preocupados, o Chefe do Posto chamou-me de lado e disse-me que de noite tinha havido sarilho na fazenda do Zalala e que o gerente tinha conseguido fugir e ir para o Uíge chamar a tropa e que constava que muitos pretos haviam fugido da fazenda. Se entretanto aparecessem por aqui devia prendê-los. – “Chefe, eu prendê-los como?” A resposta foi dizerem-me que iam ver o que se estava a passar nas fazendas e que depois voltavam a passar por cá. Lá partiram e eu desloquei-me para o Quitexe passando pela sanzala Talambanza onde iria buscar o carpinteiro Jorge Panzo. A sanzala, que ficava no cruzamento da estrada para o Uíge com a da fazenda, estava deserta. Nem Jorge, nem meio Jorge! Mas um capita vem apressado dizer-me:
.
-         Não vá para o Quitexe pois há por lá muitos mortos! O Dr. “Talambaza” (Almeida Santos) acaba de passar para tentar chegar ao Uíge e trazer a polícia!
 
De imediato dou meia volta ao jipe e corro a grande velocidade para casa passando pela fazenda do Armindo Lenita onde ele, a mulher e os dois filhos podem correr perigo. Chegado à fazenda chamo a Aline e digo-lhe para preparar cobertores pois podemos ter necessidade de fugir para a mata.
 
Chamo o cozinheiro do pessoal e entrego-lhe um bilhete para levar rapidamente ao Tavares. Sem pormenores, escrevo-lhe a dizer para deixar o pessoal e vir imediatamente. Chamo também o Augusto para ir à Cerâmica e trazer o Alcindo:
 
        Que deixe tudo e venha já!
 
De volta o Chefe do Posto, o Abílio Guerra e o Jaime Rei vêm horrorizados dizendo que há mortos nas fazendas. Eu tenho que lhes dizer que no Quitexe também há mortos; os três tinham lá deixado as mulheres e os filhos e lá partiram, como loucos, sem saberem o que iriam encontrar.
 
As mulheres e os miúdos estão reunidos em minha casa. Entretanto chega uma carrinha com o guarda-fiscal mais um soldado, armados de metralhadoras. Vêm para nos buscar rapidamente. Disse-lhe que não abandonava a fazenda enquanto os meus empregados, o Alcindo e o Tavares não chegassem. Ele estava com pressa e partiu.
 
Agora é o Antunes, o homem do talho, que aparece com a Dona Alice e os dois filhos a abrigar-se na fazenda. Entretanto o Alcindo e o Tavares chegaram e era a altura de decidirmos o que fazer... O Tavares manda chamar os cozinheiros e damos-lhes ordens para que todo o pessoal regresse ao acampamento. Foi-lhes entregue a ração para três dias: fuba, peixe seco, óleo de palma e feijão. Ninguém ia trabalhar e ficavam de guarda à fazenda. Nós tínhamos resolvido aproximarmo-nos do Quitexe parando na fazenda do Armindo Lenita. De lá avistávamos a estrada que liga o Uíge ao Quitexe. Dentro de pouco tempo vimos que dois carros circulavam no sentido do Quitexe que ficava a uns três quilómetros. Resolvemos avançar, também, e entrar na povoação onde alguns cadáveres estavam ainda na berma das ruas. Tento desviar o olhar dos miúdos da tragédia, mas não o consegui totalmente pois na noite seguinte a minha Adrianita, com sete anos não conseguia dormir, recordando a visão dos mortos e, muito agarrada à Mãe, perguntando o que se estava a passar.
.
Ao Quitexe começam a afluir as mulheres e crianças brancas de todas as fazendas. Ninguém sabe se será seguro permanecerem lá sozinhas ou, sequer, como vai evoluir a situação. Na parte da tarde vem uma camioneta do Uíge para evacuar as mulheres e crianças para o hotel do Uíge. Mas consta que esta cidade será atacada por milhares de pretos nessa noite (de 15 para 16). Decido que o meu dever acima de tudo é defender a família e deixo o Quitexe rumo ao Uíge. Os rumores do ataque da UPA são cada vez mais persistentes. As ruas estão desertas e na rua principal apenas um civil, que deve ser da Pide, patrulha, rua abaixo, rua acima, com uma pistola-metralhadora e cartucheiras cheias de balas. No hotel a confusão e ansiedade pelo que pode acontecer é grande. Não há ninguém para defender o hotel. Um redactor do Jornal do Uíge, lá hospedado, apercebe-se do drama e telefona para o quartel da tropa relatando a situação em que se encontravam dezenas e dezenas de mulheres e crianças, totalmente desamparadas e sem protecção. A resposta foi pronta:
.
-       Desenrasquem-se como puderem pois em caso de ataque nem tenho tropa suficiente para defender o paiol!
 
Eu tinha comigo uma pistola 365 com 10 balas; eu que na minha vida só tinha disparado ao alvo armas de pressão de ar! E se fosse preciso abrir fogo?...
 
A situação era aflitiva pois os homens tinham ficado no Quitexe. Esgotada a possibilidade de defesa, vou à loja do Ferreira Lima buscar uma dezena de catanas que distribuo pelos quartos. Com os poucos homens organiza-se uma defesa simbólica com duas pistolitas e duas catanas. Três pessoas ficam na porta principal. Eu fui para as traseiras defender a porta de acesso às instalações. A noite vai avançando. Atacarão, não atacarão? O silêncio é aterrador. Vão chegando informações contraditórias: já estão a atacar! Já há mortos! Serão boatos? A avenida está silenciosa, apenas o pide continua a andar para cima e para baixo. Agora chega a informação que o ataque vai começar à meia-noite. Cresce a ansiedade. Nada é dito para os quartos, agora fechados, onde as mulheres, em caso de ataque apenas têm as catanas para se defenderem. A meia-noite aproxima-se e então começo a ver e ouvir vultos que se aproximam, subindo a rua das traseiras do hotel.
 
        MATA! MATA! UPA! UPA!
 
Do lugar onde estou vejo passar a turba, mas não há nenhum sinal de quererem atacar o hotel. Também já passaram junto ao quartel da Polícia e do Palácio do Governador e só se ouve o – MATA! MATA! UPA! UPA! Não há tiros. Só mais tarde para os lados do Bairro Montanha Pinto começa grande tiroteio que vai diminuindo conforme a noite avança. Corre a notícia de que, afinal, as grandes sanzalas em redor do Uíge não colaboraram no ataque. O grupo que avançou era o que havia passado nas traseiras do hotel e foi disperso.
.

 

 

João Nogueira Garcia  - "Quitexe-61 - Uma Tragédia Anunciada"
 
 
(2) – Em 1955 a vila do Uíge passou a designar-se, oficialmente, Vila Marechal Carmona. Após a independência readquiriu o seu nome original.

 

(2) – Em 1955 a vila do Uíge passou a designar-se, oficialmente, Vila Marechal Carmona. Após a independência readquiriu o seu nome original.
DIA 15
 
 
           


publicado por Quimbanze às 20:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Anúncios 4

 

 

 



publicado por Quimbanze às 19:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Anúncios 3

 

 

 



publicado por Quimbanze às 19:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 8 de Março de 2009
Anúncios 2

 

 

 



publicado por Quimbanze às 15:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 7 de Março de 2009
Anúncios 1
 José Oliveira "César " enviou-nos alguns anúncios publicitários de casas comerciais do Quitexe/Carmona.
Esta publicidade era impressa no jornal O DINOSSAURIO órgão do B/CAV 1917, sendo desta forma que o batalhão angariava as verbas com que conseguia publicar o referido jornal.
 
 
 
 
 


publicado por Quimbanze às 21:43
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 2 de Março de 2009
Histórias do início e do fim da Guerra (Colonial)

 

 
Nas últimas conversas com o meu Tio Alfredo Baeta Garcia ouvi estas histórias que deixo aqui registadas, salvaguardndo-as do esquecimento até que, como diz o meu tio, ninguém mais se interesse pelos factos que apenas marcaram a geração  que os viveu.
 
No início
 
Decorria longo o ano de 1961, e já  uma companhia do exército  estava instalada no Quitexe.
Eu dava-me muito bem com todos os oficiais da Companhia e, normalmente almoçava com os alferes numa messe improvisada para oficiais. Tinha com todos uma relação bastante cordial e um dia dizem-me que receberam ordens para fazer uma batida na zona por trás da minha fazenda.
Fiquei preocupadíssimo: Não tinha defesa civil na fazenda e, com certeza, as populações que tinham fugido para a mata iriam julgar que a iniciativa do ataque era minha e a fazenda seria objecto de represálias. Até ali e, tirando um assalto à procura de armas (que não havia) no inicio dos combates, a fazenda não tinha sido atacada. Expliquei as minhas preocupações aos oficiais, que as entenderam, mas nada podiam fazer. Eram ordens superiores do comandante do batalhão. Dirigi-me, então, ao Pumbassai onde estava sediado o comandante, um tenente-coronel. Recebeu-me muito afavelmente e expus os meus argumentos. Eis senão quando, se levanta um capitão e atira:  
 
- Sem me querer imiscuir na decisão do Sr. Comandante, este senhor devia ser imediatamente preso porque o que pretende é a protecção dos turras! Apresente imediatamente o seu bilhete de identidade!
 
Depois de algumas peripécias que passaram até pela acusação de falsificação do BI, lá me deixaram partir, mas com um aviso bem ameaçador: Se na batida não fosse encontrada resistência é porque teria havido um delator que, obviamente seria eu! Regressei ao Quitexe, mas seguido por um jipe da tropa. Transmiti aos oficiais do Quitexe o que se tinha passado. Como eram meus amigos logo me descansaram:
 
-Não te preocupes, quer encontremos ou não alguém, o relatório irá dizer que houve resistência.
 
Fiquei mais calmo. De facto nunca tive qualquer contacto com os sublevados. Uma vez, com conhecimento do Administrador, ainda deixei uns panfletos apelando ao seu regresso, com a garantia de que não seriam molestados. Mas não obtive qualquer resultado.
 
No fim, em 1974
 
Com o fim da guerra começaram a chegar as populações que tinham andado 13 anos escondidas na mata ou que tinham procurado refúgio no vizinho Congo (Zaire). A atitude dos primeiros veio a revelar-se muito mais afável que a dos emigrados à força, distantes e desconfiados. Um dia soube que tinham regressado os habitantes do Mongage, uma sansala na direcção de S. José do Encoge que eu conhecia muito bem, antes do 15 de Março de 61. Com autorização do Administrador levei-lhes uns bens alimentares: açúcar, sal, peixe seco, feijão e fuba. Ficaram todos muito gratos. Passados uns dias aparecem-me na fazenda os mais velhos do Mongage com uma oferta. Uma galinha magra e escanzelada que era um dos seus bens mais preciosos, criada na mata, entre fugas constantes. Fiquei verdadeiramente sensibilizado com este gesto. Apesar de toda a guerra passada era possível manter-se uma sã convivência alicerçada no respeito mútuo. Infelizmente outros interesses se levantaram e a guerra continuou tão ou mais cruel e com efeitos devastadores para esta gente que bem merecia a paz.


publicado por Quimbanze às 22:04
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
Histórias de militares - 1965

 

Do amigo José Lapa recebi estas duas histórias publicadas no jornal Facho do BART 786 no ano de 1965, que têm o Quitexe como pano de fundo. Na primeira glorifica-se a acção do exército português na pacificação da zona, esquecendo-se que só se ganha uma guerra subversiva impedindo que ela comece. A segunda é uma paródia, bem contada que nos faz lembrar as histórias dos grandes caçadores e outros mentirosos.

 

 

10 MESES DEPOIS
 
     A 11 de Junho de 1965, depois de longa e penosa viagem, o Batalhão chegou ao QUITEXE onde, hoje, completa 10 meses de estadia.
     Não estamos tão longe desse dia, que não possamos estabelecer um confronto, meditar um pouco e sentir a alegria de um trabalho duro, mas largamente compesador!Quando chegamos, o QUITEXE era uma terra triste que ensaiava finalmente, com base no esforço das Unidades que nos antecederam, o regresso à vida que conheceu antes dos dias fatídicos de 1961. A nossa presença trazia uma mensagem de fé, de confiança e boa vontade, que a "Vila do café" sentiu, aceitou e compreendeu. Tão evidentes era o nosso desejo de trabalhar, de levar o bom termo a missão que aqui nos trouxe, que houve entre a população civil uma não menos evidente vontade de colaborar. Assim, enquanto as Forças Armadas levaram, de dia e noite, a todos os recantos da sua ZA, uma presença firme mas isenta de ódio, na que foi "Vila Mártir" a população apagava, aqui e ali, os últimos vestígios de destruição, abria as portas que o terrorismo fechara e alindava a sua Vila! Essa conjugação de esforços, essa perfeita união entre militares e civis, tinha, forçosamente, de dar os seus frutos. A população nativa, refugiada nas matas sob a ameaça dos seus "libertadores",começa a acreditar nas Forças Armadas e, mais do que isso, sente que lhe oferecem incondicionalmente, a liberdade, o direito à vida que procurou, em vão, durante 5 anos de falsas promessas. Receoso, a princípio, apresenta-se um pequeno número que vai engrossando na medida em que, á mata, chegam notícias do acolhimento que lhe é dispensado.
     Voltam as Sanzalas a ladear a estrada para CARMONA, o capim é substituido pelas culturas indígenas e, ao domingo, já o QUITEXE nos oferece um ar de festa, nas cores garridas dos trajes e no barulhento e tradicional batuque que o nativo não dispensa.
      A Vila tem hoje, incontestávelmente, um aspecto mais limpo, mais cor, mais alegria, outra vida! Não levamos a nossa modestia ao ponto de não aceitarmos a parte importante que essa transformação se deve ao Batalhão de Artilharia 786. Antes, pelo contrário, a aceitamos, nos orgulhamos dela e sentimos que estes 10 meses de sacrifícios sem conta, hão-de constituir um dos periodos mais belos da nossa vida.
 
                                 J. Pedro
 
                                               (in Jornal Facho do BART 786 de Abril de 1966)
 
 
 
 
              A PACAÇA ERA BOI
 
 
        No passado dia 16, cerca das 22H30, sai para os lados de Aldeia Viçosa, em serviço de controle, um grupo de devotos de S. Humberto. ( Queriamos dizer secção de atiradores). A poucos metros do QUITEXE , a equipe de um Unimog que se atrasara, a fim de permitir uma melhor observação de certa zona, foi atacada por um vulto estranho. Estabeleceu-se a natural confusão, houve alarme geral! O "GMC", cozinheiro de profissão, garante tratar-se de um burro transportando dois sacos de couves para o mercado do dia seguinte! O cabo "Morteiraço" grita que é um elefante - aposta que lhe viu a tromba -!
        A 100 metros daquela aparição fantasmagórica, o Unimog pára. O seu condutor, um desempoeirado moço com 150 cm bem medidos, "descobre" que é afinal uma "feroz" pacaça que se aproxima, cautelosa, para os liquidar! E, sentido chegar o seu fim, encomendou a alma a Deus e pede a arma ao "GMC". O bicho avança, indiferente á confusão que reina a poucos passos. Avança mais uns metros, enquanto as suas "vítimas" sentem chegada a hora que marca o fim desta efémera passagem pela Terra! O Fernando empunha a G3, mas treme de tal modo que mal consegue segurá-la. A pacaça não interrompe a marcha. Porém, soa um tiro e o "Bolinhas" apercebe-se de que "aquilo" está carregado! A pacaça interrompe a marcha. Cai ! Estão salvos! Atiram mais uns "balásios", não vá o Diabo tecê-las, estes bichos são traiçoeiros! Agora sim, está morta! O medo desaparece, substituído agora por uma alegria enorme. Todos abraçam  o "Bolinhas", o seu salvador, e este sente que afinal não é só o nosso Major que mata pacaças! Enquanto  se fazem projectos para umas "Cucas" que hão-de regar as saborosas bifanas, aproximando-se da pacaça, abatida com tanta valentia. Mas o que isto? Ah! Ah! Que decepção! "Não é uma pacaça", diz o "Morteiraço". Pois não! Confirma o "GMC". É um boi do Pimenta desabafa o "Bolinhas". "Estou tramado"! E lá fica a tremer, amaldiçoando aquela hora do Diabo em que matou uma pacaça, que afinal era boi!
 
                              Zé João
 
 
                                           (in jornal Facho do BART 786 de Dezembro de 1966)
 
 



publicado por Quimbanze às 21:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Dinis David João - Comentário
De Dinis David Joao a 25 de Fevereiro de 2009 às 13:32
 
Fiquei bastante entusiasmado com as noticias, ou historias sobre o Quitexe, visto que também sou filho desta terra.É muito importante que os cotas transmitam na nova geração o que foi realmente o Quitexe.
 Eu nasci no bairro Terra Nova, e sou filho de Domingos David Joao, não sei se conhece ele trabalhou na Dange 3.


 


 

 
 
De Quimbanze a 26 de Fevereiro de 2009 às 21:41
 
Dinis David

Obrigado pela seu comentário. Ficamos a conhecer mais um conterrâneo do nosso Quitexe. Peço que intervenha mais vezes para que este blogue seja um ponto de encontro de todos os naturais e amigos do Quitexe.
Não conheci o seu pai, mas envio-lhe um abraço, e como diz, é importante recolher os  depoimentos dos mais velhos para que as pequenas histórias de que é feita a História não se percam com o suceder de gerações.

Pode-me enviar as suas intervenções para  j-garcia@netcabo.pt

Cumprimentos

João Garcia

 



publicado por Quimbanze às 21:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 21 de Fevereiro de 2009
Carta do Soba do Quitoque -65

 Carta do Soba do Quitoque pedindo aos familiares para saírem da mata e se apresentarem à tropa portuguesa. Esta panfleto era lançado no mato com meios aéreos e fazia parte da "guerra psicológica" para retirar as populações da influência dos movimentos de libertação.

 

O Povo do Quitoque que está nos mata

eu Raul Manuel chamo meu pai manuel

venha apresentar no Quitexe e outro gente quer vir venha também

não deixa perder seu tempo

francisco Domingues chama a mulher Donana Almendo (?)

o tiago malungo chama a sua mulher

O soba Simão Domingues chamo sua filha Luísa Simão e os meus netos

-----------------------------------------------------------------------

O comandante deixa vir quem quiser virapresentar

todo está apresentado vive bem a tropa trata bem de nós

todo que vinha doente foi tratado no espital agora esta muito bem

olha se não deixar gente para vir apresentado vão entrar patrulha

vão fazer 3(?)  mez (?) na mata e lagar (?) mandioca  se onde vão esconder

espero

dia 21-11-65

O Soba Simão Domingues

 

 Este documento foi gentilmente cedido por José Lapa



publicado por Quimbanze às 08:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Dembos e demos -Eurico Mendes - Portuguese Times

 

 
Descobri esta crónica datada de 2007 com passagens muito interessantes:
 
 
Eurico Mendes - Portuguese Times
 
Dembos e demos


Dembos são povos indígenas do Norte de Angola, demos são génios que tanto podem ser do bem como do mal e vêm a propósito de um dembo que foi demo: Holden Roberto, nascido a 12 de Janeiro de 1923 em Mbanza Kongo e falecido a 2 de
Agosto em Luanda, com 84 anos. Foi o homem que, nos anos 60, desencadeou a luta armada contra o poder colonial português em África e parecia destinado a tornar-se o primeiro presidente de Angola independente graças ao apoio dos Estados Unidos.
Os nossos destinos cruzaram-se em 1961 nas matas de Angola. Cruzaram-se é como quem diz. Eu era sargento da C.C. 319 e andava pelas matas dos Dembos, onde até os mosquitos e a chuva eram nossos inimigos, Holden circulava por Washington em carro americano de luxo.

Desembarquei em Luanda dias depois da maka dos paraquedistas, que resolveram lançar uma granada de mão da varanda da pastelaria Versalhes, mataram um polícia, cortaram a perna de um furriel e feriram outro.

Criados pelo general Kaulza de Arriaga, os paraquedistas estavam na moda, como mais tarde estiveram os fuzileiros e depois os comandos, mas no fundo eram todos a mesma tropa mal paga, só que com boinas diferentes.Por falar em boinas, recorde-se que o Congresso dos Estados Unidos proibiu o fornecimento de equipamento militar a Portugal, mas o uniforme de campanha dos paraquedistas era americano,denominado modelo PQ/9, assim como a  arma individual, o AR-10 Armalite de 7,62mm, em vez da G-3 distribuida no Exército. Em 22 de Novembo de 1963, quando John Kennedy foi assassinado, Kaulza teve este desabafo: “Devia ter sido quatro anos antes para se ter evitado o massacre de 15 de Março de 1961”.

Kennedy deu luz verde para a guerra em Angola, mas antes convém lembrar que Holden era bakongo, a tribo do legendário Reino do Congo, cuja capital era Mbanza Congo, rebaptizada São Salvador do Congo pelos portugueses, que ali chegaram em 1482.
Em 1878, começaram a aparecer missionários protestantes ingleses e americanos, que conquistaram os angolanos com quinino e ideais revolucionários. Uma das revoluções foi a do Tulante Bula, (1913-1915), apoiada pelo pastor J. Bowskill, da Sociedade Baptista Missionária e um dos conspiradores foi Miguel Nekaka, um dos primeiros evangelizadores angolanos, tradutor de passagens da Bíblia do inglês para bakongo e avô materno de Holden Roberto.

Um filho de Miguel, Manuel Sidney Barros Nekaka, foi enfermeiro na Missão Congregacional Americana do Dondi, no Huambo e, em 1942, fixou-se em Leopoldville e, com apoio do pastor James Russel, organizou a União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), surgida em 1954 e dois anos depois convertida na União dos Povos de Angola (UPA), para lhe retirar o carácter tribal, que nunca perdeu. A trajectória política do clã Nekaka foi sempre acompanhada pelos americanos.
Holden foi criado em Leopoldville, onde foi baptizado pela Igreja Baptista e, em homenagem ao missionário americano que o apadrinhou, adoptou o nome de Holden Carson Graham. Usou ainda outros nomes como Joy Gilmore em cartas que enviou a Salazar, o que, segundo o anedotário angolano, levou o ditador a comentar: “Eles usam vários nomes para parecerem muitos”.Durante oito anos, Holden foi funcionário na administração colonial belga, mais interessado em futebol do que em política, mas, não podendo ser Matateu, aderiu ao movimento do tio em 1956. A sede da UPA no porto de Matadi, Congo-Brazaville, era frequentada por marinheiros negros americanos que introduziam material de propaganda para Angola e um desses marítimos, George Barnett, fundou no Lobito a primeira célula do movimento em Angola.

Mais tarde, as missões protestantes americanas em Angola tornaram-se também células clandestinas da UPA e, graças aos missionários, Holden estabeleceu ligações com o American Committee on Africa, presidido por Eleanor Roosevelt, viúva do presidente Franklin Roosevelt e activistas dos direitos civicos como o bispo Homer Jack, da Igreja Unida América e Canadá, que o apresentou ao então senador John Kennedy em Setembro de 1959. “Estive duas horas a explicar a Kennedy o sentido da nossa luta em Angola. Ele disse-me que os Estados Unidos tinham uma tradição anticolonial e não podiam continuar a apoiar o regime de escravatura em Angola. Concordámos que era preciso fazer alguma coisa para evitar que os comunistas tomassem conta do movimento de libertação de Angola”, escreveu mais tarde Holden.

As chatices de Salazar começaram a 20 de Janeiro de 1961, quando Kennedy entrou na Casa Branca e dois dias depois o capitão Henrique Galvão se apoderou do paquete Santa Maria e ameaçou rumar a Luanda.

Kennedy estava convencido de que o nacionalismo era a melhor alternativa ao comunismo para os povos do Terceiro Mundo e, além do apoio técnico, incluindo envio de agentes americanos para as bases da UPA, Holden Roberto foi incluido na folha de pagamentos da CIA em 1961 recebendo $6.000 anuais, o que foi posteriormente aumentado para $10.000 e depois para $25.000/ano.

Marcello Mathias, ministro dos Negócios Estrangeiros, escreveu ao seu homólogo americano afirmando “ter razões para considerar os contactos da embaixada americana em Leopoldville com Holden Roberto como suspeitos e inamistosos para Portugal”. 
A 4 de Março de 1961, o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, C. Burke Elbrick, informou o ministro da Defesa, general Botelho Moniz, da decisão da UPA de desencadear ataques em Angola, o Governo português menosprezou a informação.
Na madrugada de 15 de Março, milhares de bakongos pegaram nas catanas e massacraram mais de 1.000 brancos e 8.000 trabalhadores no Norte de Angola. Os brancos improvisaram milícias, que responderam também com violências gratuitas e começou uma guerra que se prolongou por 13 anos, com responsabilidade moral de quem a decidiu ou provocou.
 
Holden Roberto, que no dia 15 de Março estava nas Nações Unidas, em New York, viu dias depois imagens da matança numa televisão local e escreveu: “Vi homens esquartejados, crianças retalhadas e mulheres violadas. Estava no meio de brancos e não tive coragem de reivindicar a acção.”

Em Luanda, os brancos atiraram o carro do cônsul americano à baia, enquanto em Lisboa, em 21 de Março, houve manifestações frente à embaixada. Apesar dos protestos, o secretário de Estado Dean Rusk visitou Lisboa em 27 de Março com uma proposta de Kennedy, a independência das colónias sob a forma de autodeterminação.
O livro “Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal’s Colonial Empire” (Envolvimento em África: Washington e a Queda do Império Colonial de Portugal), de Witney Schneider, vice-secretário de Estado adjunto para os Assuntos Africanos durante a administração Clinton, revela que Paul Sakwa, assistente do vice-director de planeamento dos serviços de espionagem CIA elaborou um plano, o “Commonwealth Plan”, que visava convencer Portugal a conceder a auto-determinação a Angola e Moçambique, após um período de transição de oito anos, durante o qual seria realizado um referendo nas duas colónias para se determinar que tipo de relacionamento seria mantido entre os dois territórios e Portugal após a independência. Durante esse período, Holden Roberto e Eduardo Mondlane, líder da Frelimo surgida em Moçambique, seriam preparados para serem os líderes dos novos países.
 
“Para ajudar Salazar a engolir a pílula amarga da descolonização, Sakwa propôs que a NATO oferecesse a Portugal 500 milhões de dólares para modernizar a sua economia”, escreve Schneider.

Um ano depois a proposta foi ampliada pelo diplomata Chester Bowles, mais 500 milhões de dólares de ajuda a Portugal durante um período de cinco anos, ou seja um total de mil milhões de dólares durante o período de transição.
O plano dos EUA, apresentado em Agosto de 1963 pelo vice-secretário de Estado George Ball, esbarrou na inflexibilidade da resposta de Salazar: “Portugal não está à venda”. 

Em 1962, a CIA previa a derrota militar portuguesa em África, mas enganou-se.
Em 1970, um estudo do National Security Council sobre a África Austral excluía peremptoriamente a “possibilidade de um colapso português em África”.
Com efeito, em 1974, o Exército português controlava todo o território, as operações tinham cessado em 1972, a livre circulação era um facto e os movimentos estavam minados por divisões internas. Agostinho Neto mandara fuzilar vários comandantes do MPLA e o movimento estava recuado na Zâmbia. Na FNLA, Holden também ordenara o fuzilamento de dezenas de oficiais e sucumbira à influência do cunhado, o (então) presidente do Zaire, ao ponto de Mobutu Sese Seko ter
proposto que permitisse a independência de Angola, aceitando que Portugal escolhesse o nome de quem desejasse colocar no lugar de Holden Roberto, como o embaixador Luiz Gonzaga Ferreira revelou no livro “Quadros de Viagem de um Diplomata: África-Congo/Zaire-Angola”.

Quanto à UNITA, de Jonas Savimbi, que nas administrações Reagan e Bush pai se tornara o principal aliado de Washington em Angola, encontrava-se abaixo da linha do caminho-de-ferro de Benguela sem actividade militar conhecida e mais ou menos feita com a tropa portuguesa.

Em Janeiro de 1975, Holden, Neto e Savimbi assinaram com o Estado português oAcordo do Alvor, que marcava a independência de Angola para 11 de Novembro desse ano. Na véspera, a bandeira portuguesa desceu pela última vez no palácio do Governo, 492 depois das naus portugueses ali terem largados ferros.
Proclamada a independência, Holden Roberto borrifou-se no Acordo do Alvor, reuniu um exército com o que restava da FNLA, mercenários portugueses e ingleses, tropas da África do Sul do apartheid e avançou sobre Luanda.
 
Foi travado pelo MPLA e, sobretudo, pelos cubanos às portas de Luanda. Ainda se juntou a Savimbi para proclamar a efémera República Democrática de Angola, com sede no Huambo, mas que se desfez com a retirada sul-africana e não obteve apoio de nenhum país. Nessa altura, a FNLA  e o seu líder eram já uma sombra do passado. Holden exilou-se em Paris e só voltou a Luanda em 1991. O apagamento progressivo do velho líder bakongo foi consumado em 1992, nas primeiras legislativas democráticas, a FNLA obteve apenas 2,4% dos votos e cinco assentos no Parlamento. Crises internas levaram ao afastamento de Holden da presidência do partido, passando a mero presidente honorário.

Em 1974, os americanos já previam a queda de Holden e passaram a apoiar Savimbi para tentar impedir uma vitória soviética e (ainda por cima) cubana em Angola. Mas garantida a posse de Luanda, o Governo do MPLA conseguiu o reconhecimento da OUA e de Portugal em Fevereiro de 1976 e seguiram-se outros países.Os EUA, embora a Gulf continuasse a exploração do petróleo de Cabinda, só em 1993, durante o governo Clinton e 18 anos após a independência, reconheceram a República Popular de Angola.

Que me perdoem os meus amigos bakongos, mas memória que guardo do Holden Roberto é a de um líder racista e tribalista e prende-se com o Cólua, uma das pequenas localidades dos Dembos cuja população branca foi massacrada.
No dia 2 de Abril de 1961, o capitão Castelo da Silva, comandante da 7a CCE, que estava em Aldeia Viçosa, mandou um pelotão para o Cólua, com uma viatura de reparação de pontes, a fim de recolher os 30 cadáveres de homens, mulheres e crianças chacinadas. Dois dias depois, o pelotão ainda não voltara e o próprio capitão foi num jipe à sua procura, acompanhado pelo tenente Jofre dos Prazeres, dois soldados e um cipaio. O capitão cruzou-se com o pelotão que  vinha de regresso, mas preferiu avançar até ao Cólua reforçado com alguns homens do pelotão. Mas no dia seguinte, o capitão ainda não tinha voltado e o pelotão foi à sua pocura e encontrou, nas proximidades do Cólua, os corpos esquartejados dos cinco militares. O jipe, as armas e os corpos de seis militares tinham
desaparecido. Mais tarde, um avião da Força Aérea avistou e socorreu dois dos desaparecidos, que tinham conseguido fugir e contaram que tinham caído numa emboscada. Um ano depois, a companhia de Aldeia Viçosa recebeu instruções para reabrir a picada do Cólua e o trabalho decorreu normalmente vários dias, mas uma manhã o pelotão foi emboscado.
 
O primeiro tiro furou a blindagem do unimog e o capacete de um soldado, que teve morte imediata. A tropa reagiu ao ataque, mas decidiu regressar a Aldeia Viçosa em busca de reforços abandonando o morto no capim. Quando voltaram, mais tarde, não encontraram o corpo do militar morto. Dias mais tarde, a C.C. 319 recebeu ordens para ocupar o que restava do Cólua.
 
O Cólua era num morro, onde meia dúzia de brancos tinham construído as suas lojas, que viviam  da compra do café aos pretos das sanzalas vizinhas do Quingenga e Cauanga e da venda das mercadorias que iam buscar a Carmona.
Das casas só restavam algumas paredes e a sanzala tinha desaparecido. A 319, nessa altura já cacimbada, tratou de instalar-se o melhor possível e ergueu uma cerca de arame farpado. Uma manhã, estávamos ocupados a carpinteirar, quando vimos sair da mata um grupo de 30 negros ou mais, com túnicas brancas e um pano branco num pau.

Pensámos que vinham em paz e ninguém foi buscar a arma. Paz uma gaita. Já dentro do acampamento, ouviu-se um apito, surgiram as catanas escondidas debaixo das túnicas e uma pistola metralhadora começou a matraquear.
Dos nossos, três sofreram catanadas nos braços e nas costas. Valeu-nos o capitão lançar uma granada de mão que neutralizou o tipo da metralhadora (que mesmo ferido fugiu sem largar a arma) e um sentinela que abateu dois a tiro.
Mas o grande herói foi médico, um tenente miliciano gay, que era de Viana do Castelo. No meio da confusão, dois bailundos que trabalhavam para a companhia como carregadores, procuraram refúgio no posto clínico, o tenente tomou-os por turras, empunhou a parabelum e matou os pobres.
 
Noutro país daria lugar a julgamento em tribunal militar, mas no Portugal de Salazar os bailundos foram convertidos em turras e deu direito a medalha entregue em solene cerimónia no dia 10 de Junho, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
Quanto às túnicas brancas, vim a saber mais tarde que eram tocoistas, seguidores da seita evangélica Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo em África, de Simão Gonçalves Toco e apoiada pela Watch Tower, seita fundada em 1872 na Pensilvania e cuja sede é em Brooklyn, New York.

Para os tocoistas, Simão Toco é o profeta nacionalismo angolano. Esteve preso no campo de S. Nicolau, espécie de Dachau portuguesa, mas foi exilado em 1963 para a ilha de S. Miguel, onde esteve 11 anos como faroleiro nos Ginetes.
Dias depois do inesperado assalto, um pelotão capturou nas matas o bailundo Severino José, que dizia ser obrigado a acompanhar os turras desde o 15 de Março e revelou com pormenores horrorosos a sorte dos desaparecidos homens do
capitão Castelo e Silva e do soldado da 321ª CC.

Segundo o Severino, o Bomboco e Simão Lucas, chefes da sanzala do Cólua fugida nas matas, tinham obrigado os bailundos a cozinhar os quatro soldados agarrados no Cólua, depois de lhes terem cortado os dedos e as “matubas” (testículos) pendurando-os nuns paus para secarem.
 
Um sargento que fugira do Cólua foi capturado pelo pessoal da sanzala Quinguenga e também cozinhado e comido num festim em que, segundo a testemunha, participaram bakongos e bailundos, “pois os que se negavam a isso eram mortos e igualmente comidos, tendo o declarante assistido à morte de pelo menos 25 bailundos e que o declarante teve igualmente de comparticipar.”
O nosso soldado morto na emboscada também acabou no espeto. O canibalismo existiu no passado em todo o continente africano e em certas tribos do mais recôndito da selva africana a prática arrepiante ainda parece perdurar. Há anos, um grupo de aviadores italianos enviados pela ONU  para a República Democrática do Congo caiu nas mãos de uma dessas etnias antropófagas e deles só sobraram os esqueletos. Mas os povos do Cólua não são propriamente primitivos, há mais de 400 anos que estão em contacto com os brancos, o que levanta o problema de saber em que consistiu afinal a missão civilizadora dos europeus em África, neste caso portugueses. Mas acontece que a antropofagia não existe apenas nas sociedades primitivas. Tal como hoje, nos Estados Unidos 2007 de George W. Bush e
a embrulhada do Iraque, também no Portugal 1961 de Salazar e Angola, havia muito político a tentar comer os outros. Por parvos.
 
http://www.portuguesetimes.com/Ed_1888/util/beat.htm
 
 
 
Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem
 

 



publicado por Quimbanze às 22:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

.OUTRAS PÁGINAS
.posts recentes

. Governante exorta para a ...

. Histórias da minha menini...

. Administração Municipal d...

. Histórias da minha menini...

. Histórias da minha menini...

. Histórias da minha menini...

. Histórias da minha menini...

. Governador do Uíje defend...

. Comando do B.Artª 786- 19...

. Comentário - São Morais

.FOTOS
.MAIS FOTOS
.arquivos

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

.mais sobre mim
.Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


.pesquisar neste blog
 
.VISITAS
.ONDE ESTÃO
.No Mundo
.subscrever feeds