Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Adriano Correia - comentários
De Adriano Correia da família "Manda Fama"recebemos os seguintes comentários aos textos assinalados:
 
 
De adriba a 10 de Janeiro de 2012 às 07:55
 
Carissimos,

Eu sou um dos "Manda Fama", que devido à guerra de 1961, fui nascer a Luanda em Outubro e "ainda" nunca estive em Quitexe, o que espero conseguir este ano.
Vivo em Angola desde 2009 e gostava de ver mais comentários sobre QUITEXE.
Relativamente aos MandaFamas já faleceram todos excepto a catequista "Efigénia".
Dos mais novos o meu primo Daniel o "Profeta" vive no Seixal - Setúbal - Portugal, e poderei fornecer o contacto, por email.
Os outros meus primos e irmãos estão todos em Portugal.

 

Recordo agora esse post do nosso saudoso amigo António Guerra.

 

 



Daniel, o profeta
 
Os “Kotas”, mais para a minha idade, certamente que se lembram que antigamente, fazíamos uma espécie de provas na 3ª classe. Estas provas eram feitas na escola do Quitexe, por uma equipe de dois professores que vinham de fora e a nossa professora (D. Lucília Barreiros) que apoiava. No ano seguinte, tínhamos o exame da 4ª classe e os exames de admissão ao liceu e às escolas (Industrial e Comercial). Era já uma grande aventura!
 Por volta de 1959, 1960 os exames da 4ª classe eram feitos no Uige. Acontece que por alturas da tal prova da 3ª classe, aguardávamos nós ansiosos e nervosos, mais nervosos que ansiosos, comentando entre nós no coberto da escola: “… e se eu reprovo? … será que eu passo?... e o exame será difícil?....
A inquietação era grande e própria da idade. No meio de tanto “aperto”, um dos nossos colegas, o Daniel da família Manda Fama, ergueu os braços, como se ameaçado por uma arma “ mãos ao ar”, e disse no ar mais solene que se possa imaginar: “Calma irmãos… que vamos passar todos”.
Devo esclarecer que nessa altura vivíamos uma religiosidade profunda, frequentando a catequese e demais actividades da Igreja como seja a Cruzada Eucarística. Como disse, o Daniel era da família Manda Fama a que pertencia também a menina Efigénia, a nossa catequista.
Chegaram os tais examinadores (um professor e uma professora), fizemos as provas e não é que passámos todos para a 4ª classe?! Dado o momento solene que tínhamos vivido, o nosso amigo ganhou, entre a miudagem, a alcunha de Daniel o Profeta.

 

Foto das comunhões no Quitexe.O 2º rapaz da fila da frente do lado esquerdo, é o Acácio Barreiros, segurando a bandeira da Cruzada Eucarística e aquelas faixas que os dois rapazes do lado esquerdo ostentam, não são dos cavaleiros Templários, mas da Cruzada Eucarística.A menina Efigénia está ao fundo atrás do Acácio.
Afinal éramos todos bons meninos.
Foto cedida por Maria Manuela Jardim Baptista
A escola do Quitexe.
Foi no alpendre que o Daniel, o profeta, ditou a sentença:
“Calma irmãos … que vamos passar todos."
E passámos…..
 
António Guerra
 
Também comentou um texto sobre as casas comerciais no Quitexe em http://terrasdoquitexe.blogs.sapo.pt/2295.html
 
Carissimo,

Sou um dos Manda Fama que nasceu em Luanda, Outubro, decorrente da fuga de Março.
Neste momento vivo e trabalho em Luanda e espero ir ao Quitexe ver a terra dos meus irmãos.
Gostava, se possível, indicação sobre o nº de casa em que viviam os meus pais Frederico/Sara quando se deu o 61.
Penso que terá de ser próximo da fabrica de descasque de café e da mercearia que pertenciam, à data, aos meus pais.
adriano_correia@sapo.pt
 
 

Olá Adriano

  

Em 2007 publiquei a planta do Quitexe feita de memória pelo meu tio Alfredo Garcia ( tem, agora 89 anos!). Se for a http://quitexe-historia.blogs.sapo.pt/2007/07/   carregue na planta para ampliar e encontrará a localização da casa dos seus pais - nº 78.

 

João Garcia

 
 



publicado por Quimbanze às 08:44
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Domingo, 15 de Janeiro de 2012
Empresário deplora exploração desenfreada de madeiras

O responsável da empresa de exploração de madeira Toritabua, Alexandre Alves Teixeira, lamentou no município do Quitexe, província do Uíge, a exploração desenfreada de madeira por lenhadores ilegais na região.
Alexandre Alves Teixeira, que falava à Angop, pediu a colaboração das autoridades no sentido de controlarem esse tipo de exploração de madeira que, na sua óptica, prejudica as empresas legalizadas,  porque os madeireiros ilegais não querem saber se a árvore está ou não em altura de ser cortada.
“Se a situação continuar assim será complicado, porque daqui a anos não vamos ter madeira”,  frisou o empresário, adiantando que “ os madeireiros ilegais estão a dar cabo das matas”.
Alexandre Alves Teixeira explicou que a Toritabua explora por dia madeira grossa de 25 a 30 metros cúbicos e madeira fina de 10 metros cúbicos.
O empresário disse igualmente que grande parte da produção é absorvida pelo mercado local e que, brevemente, a sua empresa vai montar mais uma máquina para aumentar a produção e construir um armazém para secagem de madeira, num perímetro de 800 metros quadrados. A empresa espera, dessa maneira, alagar a sua base de compradores com base no aumento da oferta, o que abre perspectivas de vender em mercados mais distantes e de procura mais elástica, como é o caso de Luanda



publicado por Quimbanze às 08:27
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Sábado, 5 de Novembro de 2011
Ambuíla - 4º parte - Em busca da batalha - Manuel Miguez Garcia

Publicamos, hoje, o testemunho de Manuel Miguez Garcia sobre as investigações que fez, nos anos 60, para tentar encontrar o local da batalha de Ambuíla:

 

Nos já longínquos anos de 1963/64 por várias vezes me lancei em busca de vestígios da batalha justamente nas terras do Luege, mas o serviço chamava-me para outras andanças e o capim era mais alto do que eu. Não encontrei nada.

 

Falava-se, nessa altura, em Nova Caipemba, do administrador encarregado de implantar o monumento aos mortos dos dois lados. O homem não se incumbiu decentemente da tarefa: ou não conhecia o local ou as condições etílicas não lho permitiram.

 

Ao longo destes anos só o então coronel Rebocho Vaz me deu umas dicas sobre a localização, que aliás transcreve num livro que por aí tenho: a uns quilómetros a norte do local onde veio a implantar-se a grande fazenda de Zalala. Zalala era um sítio que este governador do Uíge, depois governador em Luanda, conhecia como as suas mãos. Creio que cheguei a vasculhar no local exacto, a acreditar nas referências do coronel Rebocho Vaz, ou que andei lá muito por perto.

 

Mapa russo do vale do rio Luege entre as serras do Ambuíla e Pingano (cujo maciço se prolonga para norte na serra Cananga). No canto superior esquerdo está assinalada a fazenda Zalala e no canto inferior direito a vila do Quitexe. A linha lilás pretende demarcar os limites do antigo posto administrativo do Quitexe.

 

 

Sem êxito, perguntei pormenores para Luanda e consultei o Pelessier que me respondeu tratar-se de um período histórico que ele não dominava bem. Aproveitou para me recomendar os livros, alguns dos quais eu já tinha. Do que li dele, só encontrei uma referência à batalha e vagamente ao local. Cheguei a encontrar-me com ele no Bembe, mas nessa altura ambos estávamos a tentear a história daquele Mundo - ele conhecia a região bem pior do que eu.

 

 

 

Numa outra ocasião conversei com o Prof. Ilídio do Amaral, conhecedor da região, geógrafo e professor universitário em Lisboa, nascido em Angola.  Um irmão do Prof. Ilídio tinha, aliás, uma fazenda na zona, se bem me lembro, no Quijoão, perto do Encoje. Na altura foi elaborado, pelo professor, um estudo da zona calcária, incluindo a Mbanza Quina e o Dundo. A sua "Contribuição para o conhecimento do "karst" ou carso de Nova Caipemba, no Noroeste de Angola" foi publicada em 1973 na revista Garcia de Orta.

 

O autor e os colegas de outras áreas Jorge Dias, Orlando Ribeiro e Mariano Feio tinham subido à serra da Cananga, na ocasião ainda habitada por um mosaico de povos que meses depois a deixaram, dispersando-se pelas terras para lá da fronteira, a norte, fugidos aos ódios e ressentimentos e aos receios da repressão.

 

Em Setembro de 1960, o grupo de cientistas foi recebido em plena serra com honrarias e gentilezas. Contra todas as expectativas - até cerveja havia, fria, no ponto certo, que era uma delícia - confidenciou-me o Prof. Ilídio do Amaral que orientava a tese de doutoramento da minha Mulher, também geógrafa.

 

O terreno estava a jeito para os estudos do geógrafo. Na companhia do irmão, excelente conhecedor daquela zona, não lhe deve ter sido difícil chegar à vista dos lapiares, das caneluras, dos vales cegos e dos vales secos, avistar boqueirões e algares, dolinas e poljes, arcos e pontes de pedra, adivinhar onde havia chaminés e abismos subterrâneos, galerias e cavernas. A vegetação lançava raízes onde podia e dificultava a progressão, que em muitos lados era sempre precedida do desbaste a golpes de catana. Aqui a minha descrição anda mais para os lados da M'Banza Kina, que o Prof. Ilídio chegou a visitar nesse ano de 1960.

 

O Prof. Orlando Ribeiro, nos Destinos do Ultramar, formado por um conjunto de artigos, publicados em Setembro e Outubro de 1974 no Diário de Notícias, refere-se a uma povoação perto de Nova Caipemba, "distante e alcandorada, apenas acessível por veredas de pé posto, onde a maneira de viver africana se teria conservado no isolamento". Ao fim de três estiradas horas de marcha, os visitantes alcançaram o lugar, mas a expectativa foi desmentida, a começar por os homens falarem geralmente português, que não aprenderam na escola que não existia mas na prática da vida. A Prof. Margot Dias, que fazia parte do grupo, não se terá deliciado com a subida à Cananga.

 

Manuel Miguez Garcia

 

Mapa do Quitexe da autoria de João Nogueira Garcia. A Noroeste os locais onde se terão encontrado referências à batalha de Ambuíla - Fazendas Zalala e Alegria e sanzala Mongage



publicado por Quimbanze às 08:12
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011
A Batalha de Ambuíla / Mbwila - 3º parte

Todos estes despojos foram levados para Luanda, onde chegaram a 5 de Dezembro, incluindo a cabeça do Rei que para o efeito foi salgada e encerrada num cofre de veludo preto.

No dia seguinte realizou-se um solene funeral com “um honrado e ostentoso acompanhamento, com toda a irmandade da Santa Misericórdia de que era irmão o rei na cidade de São Salvador, clerezia e religiões, indo no acompanhamento o Governador, o Senado da Câmara, cidadãos e moradores, com todos os capitães e gentes de guerra (História General das Guerras Angolanas, O. de Cardonega). Chegando à praia, embarcaram a urna com a cabeça do rei, acompanhada por todos os religiosos, Governador e outros seculares, enquanto os populares e militares caminhavam por terra até à ermida de Nossa Senhora da Nazaré.

 

Dobravam funebremente os sinos da cidade.

Nesta Igreja ficou, finalmente, sepultada a cabeça de D. António Manimulaza, Rei do Congo.

 

Quanto às minas, depois de ocupadas, veio a confirmar-se que o minério era “verde, de cor do verdete e não mostrava em si coisa que luzisse”. Os antigos tinham razão quando negavam a existência de ouro no Congo e afirmavam apenas existir cobre.

As minas mais conhecidas eram as de Bembe. Na realidade só em 1856, depois do estabelecimento na região de um presídio, é que estas minas começaram a ser exploradas, mas sem grande êxito.

 

O principal documento iconográfico da batalha de Ambuíla consiste num belo painel de azulejos existente na capela-mor da Ermida da Nazaré, mandada construir pelo Governador André Vidal de Negreiros em 1664 em cumprimento de um voto à Virgem, feito possivelmente durante um temporal ocorrido na sua viagem para Luanda.

 

No painel da capela-mor está representado , ao centro o quadrado das forças portuguesas resistindo ao envolvimento do exército congolês. Na diagonal do quadrado duas peças de artilharia vomitam fogo. O rei, à frente do seu exército, de manto e coroa real conduz os seus ao assalto.

 

Esta ermida foi o primeiro edifício a ser classificado como Monumento Nacional em 1922.

 

 

 

 

Depois da batalha, São Salvador (Mbanza Congo) foi à ruína com as linhagens nobres fugindo das guerras sucessórias para outras províncias.

Cada chefe local cercou-se de um grupo de auxiliares, reproduzindo nas províncias a estrutura da corte real e escolhendo seu sucessor. As rivalidades entre as linhagens provocaram guerras permanentes que empobreceram a população em consequência de recrutamentos forçados, destruição de plantações e escravização dos derrotados, vendidos para os comerciantes de Luanda ou para a Loango dos mercadores.

Nsoyo, a mais forte província, cuja capital teve a população dobrada entre 1645 e 1700, quando contava com cerca de 30.000 habitantes, desenvolveu-se muito nesse período, beneficiando dos escravos trazidos de São Salvador, em ruínas.

No entanto, a crise política, qualificada por alguns como verdadeira "anarquia", tomou conta do reino congolês. Entre 1665 e 1694, houve nada menos do que 14 pretendentes à coroa do reino, alguns com sucesso, outros nem tanto, e muitos deles assassinados.

 

Continua



publicado por Quimbanze às 21:07
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Domingo, 30 de Outubro de 2011
A batalha de Ambuíla / Mbwila - 29 de outubro de 1665 -2ª parte

 

 

 

O exército português tinha ordem para ir ocupar as minas situadas no outeiro do Embo. Seguiria por Cazoangongo, em direcção às terras do Dembo D. Francisco Sebastião, e daí, atravessando o rio Dande, caminharia entre os Dembos de Mutemo-a-Quinguengo e Ambuíla, para depois prosseguir a sua marcha entre Coxi e Ambuela, onde se informaria da situação do Outeiro do Embo. Era comandado por Luis Lopes de Sequeira, cabo de guerra, natural de Luanda. Chegaram ao rio Zenza, com uma força de 200 homens armados de arcabuzes, levando consigo duas peças de artilharia. Ali se juntou a chamada “guerra preta”, constituída por quilambas, jagas e escravos dos portugueses e sobas fieis. Mas receoso que as suas forças fossem insuficientes pede reforços a Luanda recebendo mais 100 homens bem armados e municiados mas “os mais deles reformados e soldados velhos”.

O exército português seria assim de 360 mosqueteiros portugueses e de 6 a 7 mil negros. Estes últimos tinham sido escolhidos entre gente com prática de combate e especial aptidão para a guerra, como os Imbangalas.  

 

Entretanto do outeiro do Congo partira o rei com o grosso das suas forças, que iam aumentando à partida que se deslocavam. Ao seu lado encontravam-se o Duque de Bamba, capitão general das forças congolesas, o poderoso Conde de Sonho, os Duques de Bata e de Súndi, os Marqueses de Bumbi e de Pemba e outros vassalos fidalgos, ao todo uns cem mil homens, conforme o cálculo dos cronistas da época (História General das Guerras Angolanas, António Oliveira de Cardonega), que provavelmente pecam, largamente, por excesso. O exército do Rei do Congo teria, ainda, cerca de 300 mosqueteiros, 29 dos quais, portugueses, liderados por Pedro Dias Cabral.

 

Caminhava o exército do rei do Congo ao encontro das tropas portuguesas, quando a cerca de 80 léguas da sua corte, teve conhecimento da proximidade destas.

A vanguarda, constituída por cerca de vinte mil homens, directamente comandadas pelo Duque de Bamba, remete-se ao ataque. Eram nove horas da manhã do dia 29 de Outubro de 1665. O quadrado português, em fileiras dobradas, apoiava uma das faces num bosque, no lugar de Ulanga, junto das pedras de Ambuíla, no alto Loje. À aproximação das massas inimigas, precedida de densa poeirada que escurecia o horizonte, começou a manifestar-se na “guerra preta” portuguesa, que constituía as avançadas uma grande inquietação. Aos primeiros contactos cerca de 4000 negros puseram-se em fuga.

Quando a onda da vanguarda inimiga chegou ao alcance, o fogo do quadrado rompeu. Em face da segurança do tiro, a onda humana que avançava hesita, detêm-se e recua em confusa gritaria. A frente do quadrado estava juncada de centenas de mortos e feridos.

 

 

 

O rei do Congo ao saber da derrota investe com o grosso das suas tropas. Os portugueses, na folga que se sucede à luta,  restabelecem as sua fileiras e reabastecem-se de munições.

Agora a poderosa linha que avançava, envolta em nuvens de poeira, desenhava já de longe um movimento envolvente das tropas portuguesas, de larga envergadura. Guiando e impulsionando essa mole humana, vinha o próprio rei, cuja figura alta e forte, se destacava majestosamente acima dos guerreiros. O quadrado português consegue manter-se organizado e vai resistindo às sucessivas vagas “granizando balas e centilhando fogo”.

O próprio rei, embraçando uma adraga e armado de espada cortadeira e cercado da melhor nobreza do Congo atira-se à luta.

 

Em volta dele, na confusão da refrega, desenha-se um agitado remoinho de corpos em luta: mal ferido por uma bala perdida, o rei tombara por terra e tentava erguer-se. Para esse ponto, onde a juventude congolesa se batia heroicamente em defesa do rei, converge, por instinto, o fogo do quadrado. E de repente, um quilamba das tropas portuguesas, que conseguira aproximar-se do rei ensanguentado, vibra-lhe um golpe, degolando o monarca. A sua cabeça é espetada e erguida ao cimo duma lança alta. O desânimo e o pânico gerado arrasta na fuga o exército congolês.

 

Em sua perseguição, lançam-se os negros fieis aos portugueses e, pela noite fora – a batalha durara 6 horas – nos longes da planura a carnagem prolonga-se em cenas de sanguinária ferocidade.

 

Tinham tombado no campo da batalha e depois na perseguição para cima de cinco mil negros congoleses, dos quais 98 titulares e mais 400 fidalgos de outra nobreza; tinham caído nas mãos dos portugueses um filho bastardo do rei e mais dois do seu irmão Afonso, o seu camareiro e o seu confessor, Padre Manuel Rodrigues, e o seu capelão, Capuchinho Padre Manuel Reboredo, ficara morto no campo. Entre a considerável massa de despojos figurava uma grande carruagem com malas cheias de panos valiosos e dois contadores com jóias e outras peças em oiro. Mas a peça mais importante seria a coroa imperial de prata dourada oferecida ao rei Garcia II pelo papa Inocêncio X em 1648, que foi depois remetida para Lisboa.

 

 

Em Luanda ainda se mantem o largo com o nome do herói português da Batalha de Ambuíla

 

Luiz Lopes Sequeira, ilustre cabo de guerra, crioluo, natural de Luanda, filho de Domingos Lopes de Sequeira, que em 1643 fora a Portugal pedir socorro para os defensores de Massangano e que, regressando a Angola, com este socorro veio a morrer massacrado peloa jagas, em junho de 1645, quando à testa da guarda avançada dessa coluna, demandava o rio Cuanza. Depois de vencer o rei do Congo em Ambuíla, Luiz Lopes Sequeira dominou o rei de Dongo nas Pedras de Pungo-Andongo (29/11/1671) e, ainda o rei de Matamba, caíndo morto nesta última acção (4/09/1681)

 Continua

 

 



publicado por Quimbanze às 07:27
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Sábado, 29 de Outubro de 2011
A batalha de Ambuíla/Mbwila - 29 de outubro de 1665

 

Fazem hoje 346 anos desde que ocorreu a célebre batalha de Ambuíla que marcou o início do fim do Reino do Congo como estado independente.

O local da batalha do Ambuíla não está perfeitamente definido no terreno, admitindo-se que tenha tido lugar no Vale do Rio Luege, na zona onde existiu desde tempos muito remotos o povo e sanzalas do Dembo Ambuíla que se julga corresponder à actual serra Ambuíla, já na zona do Quitexe. Na periferia desta serra estava instalada a fazenda Alegria cujos trabalhadores encontraram, por várias vezes, armamento antigo.

 

Contava-se, no tempo colonial, a anedota do chefe do posto de Nova Caipemba. Quem então mandava, lembrou-se de fazer um monumento a comemorar a batalha e o chefe de posto foi encarregado de o colocar no local. Como a lucidez já não seria muita mandou os ajudantes largar a coisa onde melhor lhe pareceu. Assim ficou uma placa junto ao campo de aviação de Nova Caipemba dizendo que naquele local se travou a batalha. E ainda há pouco tempo a administradora do município de Ambuíla, Elisa Mafuta, reclamava a construção de um memorial no local da batalha, naquela localidade, "onde foram mortos milhares de angolanos em vários períodos, com destaque para a  Batalha de Ambuíla, em 29 de Outubro de 1665"...

 

 

Nos textos que se seguem vamos proceder à descrição da batalha com base e com transcrições do livro "A Batalha de Ambuíla", Gastão Sousa Dias - Lisboa, Museu de Angola, 1942 e com apontamentos dos livros " História do Congo Português", Hélio Esteves Felgas - Carmona, 1958, "História de Angola", Norberto Gonzaga - CITA, 1963, "História de Angola", Douglas Wheeler e René Pélissier.

 

 

 

 

As dificuldades provenientes da guerra entre Portugal e Espanha, exigindo o aproveitamento de todos os recursos metalúrgicos, levaram D. Afonso VI a escrever, em 22 de Dezembro de 1663, uma carta ao governador-geral de Angola Vidal de Negreiros, ordenando-lhe que tomasse posse das minhas de cobre que, pelo tratado de paz de 1649, o rei do Congo era obrigado a ceder a Portugal.  

 

 Vidal de Negreiros

 

 

 

 

No início de 1661, tinha falecido o velho rei Garcia II. Sucedeu-lhe seu filho D. António I, Nvita-a-Nkanga, marquês de Kiva. O Rei do Congo D. António respondeu negando a existência das minas e dizendo “posto que as houvera, não as devo a nenhum”. Seguem-se diligências de parte a parte com intervenção dos representantes do Cabido e Clero do Congo, mas ambos os lados se aprontam para a guerra.

 

 Recepção do rei do Congo aos capuchinhos

  

 

 Vidal de Negreiros prepara o seu exército para o combate e D. António responde apelando à mobilização geral dos seus súbditos com uma inflamada proclamação: “… que toda a pessoa de qualquer qualidade que seja (…) capaz de poder menear armas ofensivas (…) se vão alistar para saírem a defender as nossas terras, fazendas, filhos e mulheres, e nossas próprias vidas e liberdades, de que a nação portuguesa se quer empossar e senhorear”.

 

Continua



publicado por Quimbanze às 08:12
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
Edifício da Administração Municipal do Quitexe reabilitado

Finalmente temos a fotografia  do renovado edifício da administração municipal. Embora já reconstruído desde 4 de abril de 2010 ainda não tinhamos tido acesso à sua fotografia. Fomos "roubar" esta ao blogue Cavaleiros do Quitexe, a quem agradecemos. Depois das instalaçõoes terem sido destruídas pela guerra em 1991 mantiveram-se ao abandono durante 20 anos até que a paz veio trazer novamente a esperança e o desenvolvimento.


Foto de Arlindo de Sousa - 1962

Foto de Ivo Bije-  2004

 

 

 2011



publicado por Quimbanze às 22:32
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
Camabatela e Uíge filmados em 1929

 

A Cinamateca Portuguesa apresenta o filme Estradas e Paisagens de Angola onde se incluem imagens da Camabatela e Uíge. Esta parte do filme foi feita a bordo de um automóvel, portanto em movimento, mas não deixa de ser um documento impressionante do princípio do século passado.
Quem sabe se algumas das imagens não terão sido filmadas nas terras do Quitexe já que o cineasta fez  o percurso Cambatela / Uíge.
 

 

 

António Antunes da Mata - Realizador
Portugal, 1929
Género: documentário
Duração: 00:12:08, 16 fps
Formato: 35 mm, PB, sem som
AR: 1:1,33
ID CP-MC: 2003924-004-00.51.08.03
 
Ver em:
 


http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=2284&type=Video

 

 



publicado por Quimbanze às 07:42
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
Ministro dos Antigos Combatentes no Quitexe

 

Uíge - Com vista a avaliar o estado actual do sector, é aguardado nesta quinta-feira, na cidade do Uíge, para uma visita de trabalho de 48 horas, o ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Kundi Paihama.
 
Segundo o programa da visita chegado hoje à Angop, logo após a sua chegada, o governante manterá um encontro de cortesia com o governador em exercício da província, Afonso Luviluco, seguido de uma reunião com o Conselho de Direcção Alargado do seu pelouro.
 
Kundi Paihama deslocar-se-á, sexta-feira, ao município do Quitexe onde vai visitar o futuro campo agro-pecuário da cooperativa e tomará contacto com o projecto “Kussanguluka”, que consiste na construção de residências sociais para os antigos combatentes.
 
A nota acrescenta que durante a sua permanência na província, o titular dos Antigos Combatentes visitará ainda a cooperativa da Associação dos Deficientes Físicos da Angola (ANDA).


publicado por Quimbanze às 21:17
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Sábado, 20 de Agosto de 2011
O Quitexe no Google Earth

 Finalmente o Google Earth apresenta-nos um fotografia do Quitexe em média resolução. Não sendo ainda brilhante, já dá para perceber os arruamentos, a mancha das construções e as povoações vizinhas. Aprovei-te e vá dar uma voltinha aérea pelas terras do Quitexe.



publicado por Quimbanze às 08:13
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011
David Mendes preso no Quitexe

 

David Mendes preso no Uíge por suposta ordem do MPLA
- 14-Aug-2011 - 20:41

As autoridades policias angolanas prenderam na tarde deste domingo, no município do Quitexe, província do Uíge, o político e advogado David Mendes por distribuir panfletos do Partido Popular (PP), a formação política de que é líder. david mendes g

O político foi detido na companhia de 25 correligionários. Informações preliminares apontam que a ordem da detenção terá partido da sede local do MPLA.

 

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

 

O Advogado David Mendes informou a instante que já está solto das mãos dos elementos ligados a Polícia Nacional.

 O Jurista e Advogado David Mendes, foi detido início desta tarde na comuna de Kitexe Província do Uige, por elementos afectos a polícia Nacional.

Segundo o próprio David Mendes, à detenção ocorreu na tarde de hoje, por  ele e mais 25 companheiros de causa estarem a fazer  distribuição de panfletos do partido Popular que de é dirigente.

 

David Mendes é também conhecido como o Advogado dos pobres, é igualmente dirigente  da Associação Mãos livres, que se bate pela defesa dos Direitos Humanos e um escritório de Advogados    

 

 



publicado por Quimbanze às 09:32
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
Novo Administrador do Quitexe - Mendes Domingos

Na última intervenção coloquei o nome dos administradores do Quitexe até à actualidade, mas a lista já estava desactualizada:

 

No dia 27 de Julho tomaram posse novos administradores tendo Maria Fernando Cavungo transitado para a Damba e Mendes Domingos ficado à frente da máquina administrativa do Quitexe. Não sabemos o que motivou estas mudanças de cadeiras mas endereçamos votos de sucesso ao novo administrador do município de Quitexe.

 

 

 
 
Uíge - Quatro novos administradores municipais, nomeados recentemente, em despachos exarados pelo governador provincial do Uíge, foram empossados hoje, em acto presidido pelo chefe do executivo local, Paulo Pombolo.
 
Tomaram posse os administradores municipais de Quitexe, Songo, Damba e Milunga, designadamente Mendes Domingos, Maria Manuela Cardoso, Maria Cavunda e Delfina António Henriques.
 
Foram ainda empossados os directores da Educação e do Gabinete de Estudo Planeamento do governo provincial, respectivamente Ermelinda Samuel e Francisco Manteiga.
 
De igual modo tomaram posse os administradores municipais adjuntos do Uíge, Sónia Arlete Fernandes Domingos, e do Songo, Geraldo Domingos Dendo.
 
Paulo Pombolo empossou também o assessor do vice-governador para o sector económico, chefes de departamento e secção das direcções provinciais da juventude e desporto e do governo provincial.
 
Ao intervir, o governador pediu rigor aos novos responsáveis, visando satisfazer as necessidades de vida da população.
 

27-07-2011 Angop



publicado por Quimbanze às 10:22
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Domingo, 31 de Julho de 2011
Os Administradores do Quitexe

Apresentamos, hoje, a lista dos chefes de posto do Quitexe e administradores do Concelho de Dange/Quitexe desde os anos 40 do século passado.

Esta lista foi elaborada graças às informações de Alfredo Baeta Garcia e Arlindo Sousa (período colonial) e Francisco Gonçalves (período pós independência) a quem muito agradecemos.

 

Chefes de Posto:

 

António Lopes Soares (década de 40)

 

Mário da Silva Carranca

 

Alferes Carvalho

 

Manuel da Silva Barreiros

 

Carlos Mendes

 

Genro do Dr. Almeida Santos (não temos o nome - quem nos ajuda?)

 

Nascimento Rodrigues

 

Administradores do Concelho do Dange - Distrito de Uíge (Após 1961)

.

 

Em 1961 foi criado o novo Concelho do Dange com sede na Vila do Quitexe, sendo os seguintes os seus administradores:

 

Rodrigo José Baião (Anterior Chefe do Posto de 31 de Janeiro)

 

Meneses e Pereira

 

João Nunes de Matos, casado com Palmira Barreiros

 

Raul Teixeira, interino, casado com Leopoldina

 

Octávio Pimental Teixeira, filho do farmacêutico Pimentel Teixeira de Moçamedes

 

Galina, interino

 

Após a independência, desde 1975, os administradores foram:

 

1º Marcelo Caetano

 

2º Fortunato Rodrigues Caboko

 

3º Miguel Kilula

 

4º Nguiegi Manuel Madingano

 

5º Filipe Luvuango

 

6º Joaquim Nunes

 

7º Jorge Kapololo

 

8º Jonas João

 

9º Domingos Panda Ngunga e

 

10º a actual Maria Fernando Kavungo, a primeira mulher a assumir o cargo



publicado por Quimbanze às 07:59
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
Estrada Quitexe - Ambuíla

Quitexe

 

Sábado, nove horas da manhã, Tubias Fernando lava a sua velha viatura. O jovem automobilista não está preocupado com a distância que separa a cidade do Uíge e Ambuíla. Por isso, não tem pressa de viajar para aquela localidade municipal, onde pretende visitar a família e amigos.

 

A estrada oferece actualmente boas condições de circulação, diferente dos outros anos em que se gastavam mais de quatro horas, por causa dos muitos buracos que existiam. Hoje, o tempo de viagem depende somente da velocidade que cada automobilista emprega, como reconheceu.

 

Tubias Fernando tem viajado muitas vezes para Ambuíla, passando pelo município do Quitexe. Por esta via, a uma velocidade máxima de 80 quilómetros/hora, faz normalmente o trajecto em cerca de hora e meia.

"A estrada está muito boa, mas é necessário que se tenha muito cuidado, porque ela está convidativa a grandes velocidades, por isso todo o cuidado é pouco", aconselhou.

 

O troço da cidade do Uíge ao desvio do Quitexe tem 36 quilómetros asfaltados. Até Ambuíla são mais 76 quilómetros com algumas dificuldades, uma vez que as obras de reabilitação desta via, iniciadas em 2008, paralisaram, há quase dois anos, devido à crise económica e financeira mundial, que afectou também o país.

A administradora municipal de Ambuíla, Elisa Mafuta, disse que a estrada Quitexe-Ambuíla já garante boas condições de circulação e encurtou a distância que separava a localidade e a sede capital da província do Uíge.

A responsável municipal manifestou preocupação pelo estado de algumas pontes ao longo da via. Segundo Elisa Mafuta, esta questão não fazia parte do contrato efectuado com a empreiteira que realizou as obras.

Mas, neste momento, há negociações para a reabilitação das pontes que ainda carecem de intervenção.

Estrada Ambuíla QuitexeEstrada Ambuíla Quitexe 1

Estrada antes e depois das obras com revestimento superficial sem betuminoso


O director provincial das Obras Públicas, Hélio Vicente, afirmou que a estrada Quitexe-Ambuíla foi executada dentro dos padrões e das normas vigentes no país.

A construtora fez a limpeza do terreno, o alargamento das faixas de rodagem, o reperfilamento da via em toda a sua extensão e a aplicação de solos melhorados de carácter latrítico.

 

Dadas as boas condições da via, o director da empreiteira Kissari, no Uíge, Abel Sebastião, aconselhou os automobilistas a terem cautela porque, na estação seca, a poeira e reduz a visibilidade.

 

José Bule



publicado por Quimbanze às 21:39
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Sábado, 16 de Julho de 2011
Apresentado projecto de telemedicina no Uíge e Quitexe

Uíge - Um projecto de telemedicina  da Universidade Lusíada e da fundação Jhai  foi apresentado sexta-feira na cidade do Uíge pelo representante da instituição universitária, Eliado Gudza.

 

O projecto, que virá ajudar com as tecnologias avançadas as áreas da saúde e educação na região, tem como consultores zimbabweanos e indianos e como aspectos principais educação, modo de vida. É direccionado a trabalhar com as comunidades locais em busca de informações.

 

Segundo Eliado Gudza, numa primeira fase se vai trabalhar com projecto telemedicina no hospital provincial e no município do Quitexe, posteriormente em outras comunidades.

 

 Hospital do Quitexe

 

Falando no acto de apresentação do projecto, a vice-governadora para área política e social do Uíge, Maria Fernandes da Silva e Silva, disse que aplicação das novas tecnologias de informação no mundo global tem facilitado o custo na medicina e ensino, bem como em outros ramos de saber.

 

"Na província do Uíge temos hoje uma nova realidade. Estamos na presença dos especialistas que nos vão apresentar um projecto de informação e desenvolvimento sobre a telemedicina, através da cooperação com a Universidade Kimpa Vita", frisou, reforçando que contribuirá para o crescimento de engenharias, ciências da saúde e educação e na manutenção das vidas humanas.

 

De acordo com a responsável, está prática não só servirá de intercâmbio para o diagnostico,  prevenção e tratamento das doenças, mas também servirá para fins de pesquisas que poderão ser escalados em clínicas,  hospitais ou ciências da saúde.

 

A vice - governadora apelou igualmente a aplicação desta nova tecnologia de telemedicia visando o desenvolvimento da província do Uíge.

 

Além da vice-governadora Maria Fernandes da Silva e Silva, participaram do evento os directores provinciais da Educação e Saúde, Maculo Valentim Afonso e Henrique Benge Moço, respectivamente, e técnicos das referidas áreas.



publicado por Quimbanze às 07:33
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
15 de Março 1961 - Quitexe

Verificamos, com regozijo, que o texto que elaboramos sobre o 15 de Março de 1961 no Quitexe, com base nos depoimentos de João Nogueira Garcia e António Manuel Guerra foram amplamente divulgados pelos sites Pensar e Falar Angola e Macua - Moçambique para Todos e publicados aqui e aqui



publicado por Quimbanze às 08:17
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Sábado, 25 de Junho de 2011
Casa do Cantoneiro - Quitexe
 
 
Encontramos no YouTube esta magnífica reconstituição da Casa do Cantoneiro no Quitexe, depois transformada em casa de transmissões, feita por Inocêncio Costa a quem damos os parabens pelo magnifíco trabalho.

 

 
 
 

 

     Casa do cantoneiro em 1961 (desconheço o autor destas fotos)

 

Casa do cantoneiro em 1967/Transmissões/CCS 27/07/1967 (Fotos José Oliveira - César)



publicado por Quimbanze às 07:47
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Dambi N'Gola à procura do progresso

 

 

Jusé Bule - Jornal de Angola

 

 

Depois da mandioca já descascada ter ficado num recipiente com água e fechado, dona Teresa Augusto acredita que o tubérculo está pronto para ser transformado em bombó. Com as mãos, esmaga o produto e espalha-o por cima de um tapete feito de sacos de serapilheira.
Depois de secas, trabalha as migalhas para serem transformadas em fuba de bombó. Este trabalho manual, que se repete um pouco por toda a região, tem sido difícil para os produtores locais, que defendem a instalação de moagens eléctricas na aldeia do Dambi-à-Ngola, município do Quitexe.
Teresa Augusto disse, ao Jornal de Angola, que a situação não é assim tão grave porque na despensa da sua casa tinha o velho pilão, que sempre utilizou na transformação do bombó em fuba.
Mas, sublinhou, as moagens eram meios que relançavam a produção industrial da fuba de bombó, parte importante da dieta alimentar da região e da maioria do país.
 “A população do Dambi está a produzir muita mandioca, banana, batata-doce e junguba”, revelou, acrescentando que é tempo de se criarem pequenas unidades industriais para a sua comercialização em condições melhores. Dambi tem uma associação de 178 camponeses, que aguardam financiamento para criar pequenas unidades industriais.
 “Já entregamos os processos ao BPC e aguardamos ansiosos que a situação seja resolvida”, disse, ao Jornal de Angola, o soba do Dambi.
Pensamento Joaquim lembrou que a população local vive momentos de paz absoluta, mas que ainda enfrenta algumas dificuldades porque na aldeia não há energia eléctrica, nem água potável.
A única escola do ensino primário que funciona nesta localidade da comuna da Aldeia Viçosa não tem capacidade para acolher todas as crianças em idade escolar. Mais de 200 estudam em salas de aulas no Dambi, mas há outras centenas que o fazem ao ar livre, debaixo de árvores.

 

 Aldeia Viçosa - 1969

 

Pensamento Joaquim disse, ao Jornal de Angola, que há um grupo de crianças e jovens que concluiu o ensino primário e é obrigado a percorrer, a pé, 15 quilómetros, todos os dias, para poder estudar na escola secundária na sede municipal do Quitexe.
 “Por falta de transportes públicos ou de táxis, as crianças que terminam o ensino primário são obrigadas a andar a pé até à vila do Quitexe para darem continuidade aos estudos”, lamentou.

 Dambi N'Gola

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 07:18
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
Construção da central hidroeléctrica do Luquixe recomeça em Julho

Uíge - A construção da central hidroeléctrica do Luquixe Dois, localizada a 15 quilómetros a leste da cidade do Uíge, paralisada desde 2009, reinicia em Julho deste ano, avançou hoje (quarta-feira) o engenheiro da empresa responsável pela empreitada António Bibe.

 
Em declarações à imprensa, António Bibe fez saber que a central hidroeléctrica do Luquixe 2, cujas obras tiveram início em Maio de 2008, terá capacidade de mil e 250 kvs.
 
Neste momento, frisou, a empresa vai receber um reforço de trabalhadores e equipamentos a partir de Julho, para fazer face ao programa de continuidade até ao mês de Março de 2012, data prevista para entrega da mesma.
 
O responsável deu a conhecer que o atraso verificado se deve à insuficiência de trabalhadores, material de construção e revisão do projecto.





publicado por Quimbanze às 19:45
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011
Lagoa do Feitiço - Grande nuvem levou a aldeia

Por José Bule

 

 

A Lagoa do Feitiço tem uma história que faz arrepiar os mais ousados. Ngungo Indua era o nome de uma aldeia que ficou submersa devido a uma “chuva miúda”, muito branda. Hoje só é visível um grande lençol de água parada. Ninguém vê vestígios de casas mas elas estão lá e guardam fantasmas que aparecem nas manhãs de cacimbo e nas noites em que chora a hiena. 


Os mais velhos dizem que a aldeia ficou submersa pela “chuva miúda” e muito branda, há muitos séculos, antes mesmo da chegada dos portugueses ao Reino do Congo.  O silêncio na Lagoa do Feitiço é absoluto. A paisagem parece uma obra de arte pintada por um génio desconhecido. Quem quiser conhecer esta maravilha da natureza tem de ir ao Dambi a Ngola, na Aldeia Viçosa, município do Dange-Quitexe. 


Isaac João Capita, o sekulo da aldeia Dambi a Ngola, despejou vinho, maruvo e gasosa na lagoa para alegrar o casal de sereias que lá habita. E fez uma prece: “eu vim informar que trouxemos aqui os nossos visitantes. Eles querem conhecer e descobrir a tua história, por isso trouxemos o maruvo, o vinho e a gasosa, para vos alegrar e para que permitam a estes viajantes realizar o seu trabalho sem problema”. 
 O sekulo conta à reportagem do Jornal de Angola a história da Lagoa do Feitiço: “tudo aconteceu quando uma manhã, na aldeia do Ngungo Indua, onde viviam centenas de pessoas, apareceu um homem defeituoso. 


Do seu corpo escorria água e pus. Ele cheirava muito mal e estava com sede. Mas como todos sentiam nojo dele, fecharam-lhe a porta na cara, ninguém lhe deu água”.


Os adultos fecharam a porta ao viajante doente. Mas duas crianças, um rapaz e uma menina, que estavam sozinhos em casa, prontificaram-se a atendê-lo como devem ser atendidos todos os viajantes: com amizade. Os meninos serviram-lhe água num copo limpo.


Depois de beber a água ele disse que estava satisfeito mas deixou a seguinte recomendação: “quando o papá e a mamã chegarem, avisem-nos para recolherem todas as vossas coisas e irem para a montanha do Kituto”. Assim aconteceu. E quando veio a “chuva miúda e muito branda, a aldeia desapareceu. A montanha do Kituto fica a cinco quilómetros desta lagoa. Isto aconteceu mesmo, não é mentira”, disse Isaac João Capita.


A grande nuvem

 

Os pais das crianças chegaram e ouviram a mensagem. Embora com relutância, transportaram toda a mobília, porcos, galinhas e cabras para a montanha do Kituto. O viajante recomendou para que não dissessem nada a ninguém, e assim fizeram. “Quando chegaram à montanha viram formar-se uma grande nuvem e a chuva começou. Era uma chuva miúda que caiu apenas em cima da aldeia. Casas, pessoas e animais desapareceram para sempre na lagoa que se formou. As pessoas que viviam na aldeia, mas que no momento em que a chuva caía estavam distantes, regressaram a correr como se tivessem sido chamados de emergência e também morreram afogados”, disse o sekulo.
Kipita kya Nzambi, pai das crianças, nem queria acreditar no que estava a ver.



Lagoa do Feitiço

 

José Dinis, um fazendeiro português, levou a família e os seus capatazes à lagoa. Ali ficaram fazendo um piquenique. Comeram e beberam alegremente até ao momento em que apareceu um velho que vivia numa aldeia vizinha da lagoa. O ancião alertou o fazendeiro para o perigo que corriam.

 


“O fazendeiro não acreditou. Pegou numa moeda e atirou-a para a lagoa dizendo em voz alta que queria ver um milagre. Não passaram muitos minutos e apareceu, de repente, uma menina morta. Estava dentro de um caixão que flutuava sobre a água. O fazendeiro ficou assustado e fugiu para casa”, conta o sekulo.
Mas à noite a desgraça bateu-lhe à porta. A filha morreu sem mais nem menos. Foi a partir daí que o fazendeiro atribuiu o nome de “Lagoa do Feitiço” à aldeia submersa. “Antigamente nós chamávamos esta lagoa Ujia ya Mbuila. Já engoliu muita gente”, disse. Um dia os mais velhos da aldeia que está na montanha Kituto reuniram-se para resolver o assunto e foram ao local: “os velhos levaram muita comida e bebida para pedir perdão às sereias por todo o mal que os nossos antepassados fizeram, para que nada mais aconteça”, contou.



O casal de sereias

 

A aldeia tem uma associação constituída por 178 agricultores que aguardam financiamento. A única escola do ensino primário não tem capacidade para acolher todas as crianças em idade escolar. 

 


Por falta de transportes públicos, quando as crianças terminam o ensino primário, são obrigadas a andar a pé, até ao Quitexe, onde dão continuidade aos estudos. Deve ser efeito da Lagoa do Feitiço. Mas a reconstrução nacional vai chegar e Dambi a Ngola e então até as sereias ficam contentes.



publicado por Quimbanze às 22:35
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Sábado, 4 de Junho de 2011
HÁ 50 ANOS – QUITEXE, A VILA MÁRTIR

 

Passam, agora, 50 anos sobre a revolta da UPA no norte de Angola. Centenas de portugueses e milhares de angolanos mortos. Uma guerra que se prolongaria 13 anos e continuaria, de outra forma, até ao novo milénio. A zona do Quitexe foi das primeiras a ser confrontada com este cortejo de desgraças. No texto anexo os autores descrevem as situações dramáticas que viveram e episódios que ajudam a compreender os caminhos que levaram àquela tragédia imensa. Textos fundamentais para a compreensão do conflito, escritos de forma tão impressiva a que não ficamos indiferentes devido à magnitude do drama humano e social então vivido, à sinceridade que se pressente no que os autores nos dizem e à forma simples, viva e directa como estão escritos.

 

  

 

João Nogueira Garcia

                António Manuel Pereira Guerra

 

O dia-a-dia numa fazenda do Quitexe


Estamos ainda na época das chuvas que, quanto mais intensas, mais beneficiam uma boa floração do café. Os dias são todos iguais nesta época: é preciso capinar todo o cafezal dado que as ervas crescem rapidamente pois o calor intenso e a farta humidade no solo não dão tréguas ao pessoal. Cada contratado capina diariamente120 pésde café.

Junto às casas, os armazéns do café e a casa das máquinas de descasque constituem o sector laboral. No acampamento, situado no morro em frente, à beira da mata, vivem os contratados do Sul, em número variado conforme a época do ano: entre 60, no tempo das chuvas e 100, na época do cacimbo, altura da colheita do café. Entretanto tinha sido inaugurada no Quitexe uma escola primária tornando possível, aos colonos, terem junto de si os filhos em idade escolar.

Este é o cenário que dia a dia se vive na Roça Quimbanze de João Nogueira Garcia, a 3 Km da povoação do Quitexe, semelhante a todas as fazendas de café da região.

 

Relata-nos João Garcia:

É neste correr do dia-a-dia que numa das minhas idas ao Quitexe encontro o Chefe do Posto Nascimento Rodrigues que diz precisar de falar comigo, confidencialmente:

Ele, Chefe do Posto, tinha sido alertado pela PIDE que estavam a ser distribuídos panfletos subversivos nas sanzalas para os lados do Zalala e que esses panfletos eram de uma organização política designada por U.P.A. que significava União dos Povos de Angola. O Chefe esclareceu que estava a contactar todos os fazendeiros para colaborarem com a PIDE dando-lhe todas as informações que fossem colhendo. Respondi-lhe que de tudo que eu viesse a saber lhe daria conhecimento a ele e não à PIDE, visto ser organização que sempre repudiei. Esta conversa teve lugar no dia 5 de Março de 61.

Entretanto as férias escolares haviam começado e, por isso, não era necessário levar os miúdos ao Quitexe.

No dia 10, escrevo uma carta à minha Tia Marquinhas, carta essa que mais tarde recuperei e que agora transcrevo: 

 

Dia de Comunhão no Quitexe. À esquerda o Tó Guerra entre os irmãos Baptista (Manuela e João) e à direita os irmãos Barreiros (Graça e Acácio, futuro deputado da UDP e PS)

 

(...) Desculpe a Tia o só hoje dar notícias mas como deve calcular estas vidas, primeiro a baixa do café que atingiu um preço que pôs toda esta região à falência e agora surge o inevitável problema político, para o qual os governantes resolveram solucioná-lo pela força. Seremos nós, os do interior, homens, mulheres e crianças as principais vítimas, pois além de nos encontrarmos indefesos, por mil e uma razões não podemos abandonar esta boa mas também maldita terra. Em Luanda parece que os encontros têm sido renhidos e que já houve centenas de mortes, mas mesmo lá, por enquanto, parece que os ataques são só dirigidos contra a polícia e o exército e que das forças revoltadas fazem parte brancos. Seria uma sorte pois, se vamos para a questão racial será uma desgraça, pois será o caso de mata que é branco e mata que é preto. Mas parece-me que não teremos sorte pois esses cavalheiros daí para salvarem a pele não hesitarão em nos sacrificarem. (...)

 

Relendo agora a carta, quase me surpreendo com a clarividência com que expus a situação política vivida em Angola, bem como o alerta premonitório para o que se passaria cinco dias depois.

 


Ao fim de semana as famílias iam passear à Lagoa do Feitiço, a escassos 5 Km do Quitexe. Na foto da direita, ao centro, com a armadilha de peixes na mão, está o Zézito Guerreiro que viria a ser morto no 15 de Março.

 

 

Dia 15


À semelhança de todos os dias, mal despontam os primeiros alvores da madrugada, o capataz acorda o pessoal, batendo com o bocado de mola da carrinha num semi-eixo partido pendurado num galho duma messumba. Ao som das pancadas o pessoal do acampamento começa a formar a fim de serem distribuídas as tarefas para o dia de trabalho.

Quando saio de casa já só o vejo ir com o pessoal a caminho da plantação.

Da casa avistamos a estrada que, vinda do Uíge ou do Quitexe, dá acesso à fazenda continuando depois para S. José do Encoje e Ambuíla. Vimos, então, um jipe com o Chefe do Posto Nascimento Rodrigues ao volante. No banco traseiro o Abílio Guerra e o Jaime Rei. Eram afinal os três membros da Junta Local. Muito preocupados, o Chefe do Posto chamou-me de lado e disse-me que de noite tinha havido sarilho na fazenda do Zalala e que o gerente tinha conseguido fugir e ir para o Uíge chamar a tropa e que constava que muitos pretos haviam fugido da fazenda. Iam ver o que se estava a passar nas fazendas e que depois voltavam a passar por cá.

 

Não vá para o Quitexe. Há lá muitos mortos!

 

Lá partiram e eu desloquei-me para o Quitexe passando pela sanzala Talambanza onde iria buscar o carpinteiro Jorge Panzo. A sanzala, que ficava no cruzamento da estrada para o Uíge com a da fazenda, estava deserta. Nem Jorge, nem meio Jorge! Mas um capita vem apressado dizer-me:

Não vá para o Quitexe pois há por lá muitos mortos! O Dr. “Talambaza” (Almeida Santos) acaba de passar para tentar chegar ao Uíge e trazer a polícia!

De imediato dou meia volta ao jipe e corro a grande velocidade para casa passando pela fazenda do Armindo Lenita onde ele, a mulher e os dois filhos podem correr perigo. Chegado à fazenda chamo a Aline e digo-lhe para preparar cobertores pois podemos ter necessidade de fugir para a mata.

Mando, também, chamar o Alcindo e o Tavares, os empregados brancos da fazenda.

De volta o Chefe do Posto, o Abílio Guerra e o Jaime Rei vêm horrorizados dizendo que há mortos nas fazendas. Eu tenho que lhes dizer que no Quitexe também há mortos; os três tinham lá deixado as mulheres e os filhos e lá partiram, como loucos, sem saberem o que iriam encontrar.

 

Entretanto, no Quitexe


O António Manuel Guerra, então com dez anos, quando se levantou já não viu o pai Abílio Guerra. Tinha saído cedo com o chefe de posto, o Sr. Jaime Rei e dois cipaios do posto. Na véspera o chefe tinha-lhes pedido que os acompanhassem para os lados do Zalala, pois tinham fazenda para aqueles lados e iriam efectuar contactos com os trabalhadores das diversas roças dessa região pedindo-lhes que, caso aparecessem elementos estranhos ou suspeitos, os prendessem e mandassem recado ao posto do Quitexe.

- A minha mãe bem pediu ao meu pai que não fosse, mas de nada lhe valeu (pressentimentos de mulheres).

Recorda agora:

 

No final de 1960, tinha eu 10 anos, já qualquer coisa de anormal se fazia sentir, pois as festas familiares (Natal e passagem de ano) não foram como nos anos anteriores. As reuniões de família decorriam sempre com as armas em presença.

No Quitexe estavam a passar férias a minha irmã (que estudava em Luanda no Colégio das Freiras), e em casa do meu tio Augusto, onde também viviam os meus avós (António Inocêncio Pereira e Joaquina Pereira), estavam as minhas primas Milu e Juju, filhas do meu tio Celestino e tia Maria (que na altura estavam em Luanda).

Eu levantei-me cedo, como era hábito, e fui a casa do tio Augusto encontrar-me com a Milu e Juju, para as desafiar para irmos brincar. Como elas ainda estavam a matabichar, esperei por lá um pouco.

A minha mãe encontrava-se em frente da nossa casa, a curta distância da casa do tio Augusto, a podar umas roseiras de um canteiro de flores. A minha irmã ainda dormia.

Contou depois a minha mãe, que quando soaram as badaladas das oito horas, no sino da administração, que era o sinal para os comerciantes abrirem as portas das lojas, se gerou um certo burburinho na rua de cima. Era, afinal, também o sinal para começar o ataque ao Quitexe. Uns dias antes tinham fugido uns presos da prisão do posto e na perseguição que se seguiu, houve bastante algazarra, pelo que a minha mãe não deu importância ao barulho que ouviu, pensando tratar-se outra vez de uma fuga da prisão. Foi nesse instante que um elemento que estava na esquina da nossa casa, empunhou uma catana dirigindo-se a ela de arma no ar com a intenção de a matar. Ela começou a fugir em direcção a casa do seu irmão Augusto, aos gritos de socorro.

 

A minha mãe levou 11 catanadas e o Zézito Guerreiro ficou degolado à entrada da loja

 

Foi nesse instante que nós ouvimos os gritos da minha mãe e nos apercebemos da gravidade da situação. De imediato o tio Augusto agarrou a espingarda 22 long, ordenou-nos que nos escondêssemos e que só poderíamos sair quando ele nos fosse buscar. Desatou a correr em direcção à irmã que, entretanto, já tinha tombado junto ao cruzamento para a rua da Igreja (esta cena marcante, foi vista por nós, da porta de casa do tio Augusto). Os meus avós que também tinham saído em socorro da minha mãe, tombaram também. A minha avó sucumbiu na varanda da casa dos meus pais e já a vi morta quando acabou o ataque. O meu avô foi ferido com uma catanada na nuca, foi connosco para o Uíge, e veio a falecer 5 dias depois no hospital de Luanda.

 

 

Fotografia de Maria Helena Guerra, sendo visível a cicatriz que lhe atravessava o rosto, fruto da catanada que lhe fragilizou o osso do maxilar.

 

Algum tempo depois chegou o tio Augusto que nos veio buscar, já com outra arma, uma caçadeira, que ele tinha ido buscar à arrecadação do posto, onde estavam algumas armas apreendidas, pois a 22 long tinha encravado ao primeiro disparo (salvou-se graças a uma pequena pistola 6,35 que andava sempre com ele no bolso das calças).

Em frente da minha casa, estavam o Sr. José Coelho Guerreiro e a esposa (D. Felismina), com a filha bebé a Maria Helena, a minha mãe com 11 catanadas (8 nas costas, 2 nos braços e uma no rosto, tendo o nariz ficado preso pelo lábio superior), a minha irmã e o meu avô que foi colocado num colchão na carroçaria da carrinha do Sr. José Guerreiro. Com o tio Augusto de pé na carroçaria a fazer protecção, seguimos para o Uíge. O filho mais velho do sr. José Guerreiro (José Cebola Guerreiro de sete anos), tinha ficado degolado à entrada da loja dos pais na rua de cima. Na cabine da carrinha de apenas 3 lugares, seguia o Sr. José a conduzir (ferido), a esposa (ferida) e filha, a minha mãe, a minha irmã, as minhas duas primas e eu. A minha mãe segurava o nariz com um roupão turco que ficou ensopado em sangue, bem assim como todos nós, pois das oito pessoas que iam na cabine três estavam feridas.

A viagem até ao Uíge decorreu sem incidentes e ao chegarmos ao Hospital, já lá estava o Dr. Almeida Santos (Dr. Talambanza como era conhecido) à espera, tendo sido a primeira pessoa a socorrer a minha mãe, aplicando-lhe logo uma injecção à entrada do Hospital.

 

Quando o meu pai chegou ao Quitexe, já se tinha dado o ataque e já nós tínhamos seguido para o Uíge. Como houve mobilização geral, nenhum homem mais foi autorizado a abandonar o Quitexe. Ficou 15 dias sem saber de nós, e nós sem sabermos dele.



publicado por Quimbanze às 16:50
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HÁ 50 ANOS – QUITEXE, A VILA MÁRTIR

 

 

De regresso à Fazenda Quimbanze


Na fazenda Quimbanze as mulheres e os miúdos estão reunidos na casa. Entretanto chegam mais uns vizinhos e era a altura de decidirmos o que fazer... Dentro de pouco tempo, vimos que dois carros circulavam no sentido do Quitexe que ficava a uns três quilómetros. Resolvemos avançar, também, e entrar na povoação onde alguns cadáveres estavam ainda na berma das ruas. Tento desviar o olhar dos miúdos da tragédia, mas não o consegui totalmente pois a minha Adrianita, com sete anos não mais esqueceu a visão dos mortos:

 “Uma guerra, a guerra via com os meus olhos, começou a andar à volta, entrou dentro de mim: a senhora gorda que tanto tremia, as pessoas mortas nos passeios do Quitexe, nós fechados num quarto do hotel do Uíge e a mãe com uma catana na mão; depois, escondidos num jeep, com armas a protegerem-nos, na ida para o aeroporto. Já em Portugal, durante a noite chorava, não era medo era terror, pânico!

-“Não tenhas medo filha, eles não chegam cá. O mar é tão grande!”

-“Mas há barcos, mãe. Eles podem vir de barco, mãe!”

 

Aquela madrugada tinha sido trágica no Quitexe, mas também em diversas fazendas em redor. Tempos depois, para recordar os seus mortos, os colonos colocariam na parede da igreja lápides com os nomes dos assassinados, mutilados e esventrados à catanada. Da leitura dos nomes dos que caíram nessa manhã o que mais impressiona são as crianças:

 

  • Laura de Jesus Soares da Ressureição - 4 anos
  • Luiz Osvaldo Fernandes Corrente - 5 anos
  • José Manuel Cebola Guerreiro - 6 anos
  • José Luiz dos Santos Albuquerque - 7 anos
  • Humberto Romano de Freitas Silva  - 8 anos
  • Maria Emília dos Santos Albuquerque - 9 anos
  • Ilda dos Prazeres Soares -32 anos
  • Adelina (?) da Conceição das Dores Teixeira Fernandes
  • Umbelina dos Santos Carmo – 30 anos
  • Joaquina de Jesus Guerra Borges – 73 anos
  • António Inocêncio Pereira – 76 anos
  • Maria Coelho Guerreiro – 48 anos
  • Maria Cesaltina Pires Ferreira – 32 anos
  • Esposa de António Mendes
  • Mário da Ressureição – 34 anos
  • Carlos Taylor Corrente
  • Manuel Maria Guerreiro Mendes – 26 anos
  • Henrique do Nascimento Pires – 30 anos
  • José Poço – 39 anos
  • António Mendes – 32 anos

 

Famílias inteiras destroçadas e, outras, que jamais recuperaram do trauma.

Até 1975 outras placas se seguiram preenchendo a fachada da igreja.

 

 


Foto de http://cesarbcav1917.blogs.sapo.pt/

 

A fachada da igreja foi ficando repleta de placas alusivas aos mortos portugueses no município do Quitexe


 

Entretanto, no Uíge


 

António Manuel continua o seu relato:

 

No Uíge, o tio Augusto levou-nos para uma sala no hospital e deixou-me de guarda às espingardas encostadas a um canto da sala, enquanto ele procurava saber dos feridos. Ao hospital chegavam cada vez mais pessoas, quer feridos, quer pessoas que iam saber de amigos e de notícias.

Uma senhora que morava próximo do hospital, levou a minha irmã e as minhas primas para casa dela, onde puderam trocar de roupa que entretanto lhes arranjaram, pois nós saímos do Quitexe só com a roupa que trazíamos vestida. Próximo do meio-dia, o tio Augusto levou-me a casa dessa senhora, onde troquei de roupa (as nossas estavam todas cheias de sangue) e almoçámos.

Logo a seguir ao almoço, o tio Augusto foi-nos buscar e levou-nos para o aeroporto do Uíge, onde aguardámos a chegada de um avião (Dakota) da DTA, vindo de Luanda para levar os feridos e ao qual foram retirados alguns bancos para receber as macas. Aguardámos a chegada do avião, sozinhos e sem qualquer protecção militar. Quando o avião aterrou, foram embarcados os feridos do Quitexe e lembro-me de ter visto a D. Felismina, Sr. José Guerreiro e filha, a minha mãe, o meu avô, a Geninha e a prima Beatriz, o Tio Augusto, a minha irmã, e as minhas primas. Mais pessoas embarcaram, pois o avião ia cheio, mas não me recordo quem eram.


Regressemos ao testemunho de João  Garcia:

 

Ao Quitexe começam a afluir as mulheres e crianças brancas de todas as fazendas. Ninguém sabe se será seguro permanecerem lá sozinhas ou, sequer, como vai evoluir a situação. Na parte da tarde vem uma camioneta do Uíge para evacuar as mulheres e crianças para o hotel do Uíge. Mas consta que esta cidade será atacada por milhares de pretos nessa noite (de 15 para 16). Decido que o meu dever acima de tudo é defender a família e deixo o Quitexe rumo ao Uíge.

No Uíge ficamos instalados no hotel, mas os rumores do ataque da UPA são cada vez mais persistentes. As ruas estão desertas e na rua principal apenas um civil, que deve ser da Pide, patrulha, rua abaixo, rua acima, com uma pistola-metralhadora e cartucheiras cheias de balas. No hotel a confusão e ansiedade pelo que pode acontecer é grande. Não há ninguém para defender o hotel. Um redactor do Jornal do Congo, lá hospedado, apercebe-se do drama e telefona para o quartel da tropa relatando a situação em que se encontravam dezenas e dezenas de mulheres e crianças, totalmente desamparadas e sem protecção. A resposta foi pronta:

 

-            Desenrasquem-se como puderem pois em caso de ataque nem tenho tropa suficiente para defender o paiol!

 

Eu tinha comigo uma pistola 365 com 10 balas; eu que na minha vida só tinha disparado ao alvo armas de pressão de ar! E se fosse preciso abrir fogo?...

 

As mulheres, nos quartos do hotel, apenas têm catanas para se defenderem!

 

A situação era aflitiva pois os homens tinham ficado no Quitexe. Esgotada a possibilidade de defesa, vou à loja do Ferreira Lima buscar uma dezena de catanas que distribuo pelos quartos. Com os poucos homens organiza-se uma defesa simbólica com duas pistolitas e duas catanas. Três pessoas ficam na porta principal. Eu fui para as traseiras defender a porta de acesso às instalações. A noite vai avançando. Atacarão, não atacarão? Agora chega a informação que o ataque vai começar à meia-noite. Cresce a ansiedade. Nada é dito para os quartos, agora fechados, onde as mulheres, em caso de ataque apenas têm as catanas para se defenderem. A meia-noite aproxima-se e então começo a ver e ouvir vultos que se aproximam, subindo a rua das traseiras do hotel.

–                MATA! MATA! UPA! UPA!

Do lugar onde estou vejo passar a turba, mas não há nenhum sinal de quererem atacar o hotel. Também já passaram junto ao quartel da Polícia e do Palácio do Governador e só se ouve o – MATA! MATA! UPA! UPA! Não há tiros. Só mais tarde para os lados do Bairro Montanha Pinto começa grande tiroteio que vai diminuindo conforme a noite avança. Corre a notícia de que, afinal, as grandes sanzalas em redor do Uíge não colaboraram no ataque. O grupo que avançou era o que havia passado nas traseiras do hotel e foi disperso.


Nesta altura já o avião com os primeiros feridos chegara a Luanda, conta-nos António Manuel:

 Ao chegarmos a Luanda, não fomos desembarcados para o terminal do aeroporto como seria normal. Fomos metidos todos em ambulâncias que nos levaram para o hospital Maria Pia, onde ficaram internados os feridos. O tio Augusto, as minhas primas, a minha irmã e eu, podemos juntar-nos ao tio Celestino, que estava em Luanda e tinha seguido as ambulâncias desde o aeroporto e aguardava por nós.

O tio Celestino levou-nos para o hotel Europa, onde ele se encontrava hospedado e fomos mandados subir imediatamente para os quartos, não tendo sido permitido a ninguém falar fosse com quem fosse. À porta do hotel encontravam-se bastantes pessoas, mas só o meu tio Celestino ficou para trás, e creio ter sido nessa altura que ele falou com o autor do livro Sangue no Capim (Horácio Caio), que faz uma alusão muito rápida sobre as pessoas com que o meu tio estaria preocupado (Tio Jaime e família, família Rocha, etc.).

 

Houve manipulação por parte do poder para encobrir os ataques

 

Ao tio Augusto, que infelizmente viveu na primeira pessoa o ataque ao Quitexe, e que para mim foi o nosso salvador, não foi permitido que falasse com ninguém (não entendemos porquê). Mais tarde, e à medida que se ia falando mais sobre estes acontecimentos, começámos a perceber uma certa manipulação por parte do poder que tentara encobrir os ataques.

Entretanto, uma senhora amiga, esposa de um caixeiro-viajante, que aparecia pelo Quitexe e por vezes ficava em nossa casa, viu o nome da minha mãe, num jornal diário na lista dos feridos, foi visitá-la ao hospital e mandou um telegrama para o meu pai, dando-lhe conta que a família se encontrava viva em Luanda.

Na primeira oportunidade que o meu pai teve de pedir uma licença ao exército para ir a Luanda ver a família, fê-lo e nunca mais regressou ao Quitexe.

As nossas casas foram entretanto alugadas ao exército, tendo permanecido assim até 1975.

 

Dia 16


Continuamos, agora, com o relato de João Garcia

 

Começa a caça ao preto, enquanto vão chegando notícias de mortes por todo o norte de Angola.

Eu, o Ramos e o Armindo concluímos que, dada a impossibilidade de as famílias voltarem para o Quitexe e para as fazendas, o melhor seria requisitar um avião e evacuá-las para Luanda, onde estava tudo calmo. Feitas as diligências junto da DTA o avião só viria ao Uíge se nós nos responsabilizássemos pelo pagamento. Perante uma tragédia desta dimensão era ignóbil que fossem os particulares a assumir as despesas, mas não hesitámos. Eu e o Ramos assumimos a responsabilidade, com a garantia de que o avião chegaria ao Uíge por volta das três da tarde. Não havia sacos nem malas pois as mulheres e crianças embarcavam com a roupa que traziam no corpo.

Já no aeroporto e com o avião na pista os pilotos tomam conhecimento do que se está a passar e ficam muito surpreendidos pois em Luanda não há conhecimento de nada. E prometem que, se houver condições, voltarão antes de anoitecer. Mas as condições atmosféricas não o permitiram.

No dia seguinte o Governo ordena uma ponte aérea e começa a evacuação das mulheres e crianças do norte de Angola. E eu regresso ao Quitexe preocupado com o que se terá passado na fazenda.

                No percurso, perto da fazenda do Matos Vaz um casal de nativos, ela com um bebé atado às costas, caminha pela berma da estrada. De uma carrinha alguém dispara e mata o casal. Eu, que vou noutra carrinha, mais atrás, vejo horrorizado o bebé rastejando por cima do corpo da mãe já morta. O motorista não para e ninguém grita... A morte sobrepõe-se à vida!

O Quitexe está cheio de gente que, vinda dos Dembos, das povoações e das fazendas ali procurava abrigo.

A noite de 17 para 18 é passada na casa do Chefe do Posto entretanto transformada na fortificação principal. Um grupo de 9 soldados africanos, 2 cabos e um tenente brancos das forças territoriais vêm em nossa defesa. Os soldados e os civis, deitados no chão, embrulhados num cobertor, esperam, dormindo acordados, que a manhã afaste o medo da noite. Os soldados africanos revezam-se dia e noite agarrados às metralhadoras. Parecem nunca terem sono, disciplinados. São homens do Sul, talvez Cuanhamas, soldados de confiança.

 

Bilhete do contratado José Zeferino relatando o assalto à fazenda no dia 24 de Março:

Atenção no dia 24 de Março de 1961 apareceu com muita gente de Ambuíla com espingardas. Começou a partir as portas. Queria nos levar no povo deles. Nós com pessoal do Sr. Gracia ninguém acedeu na conversa deles. Os gajos mataram as cabras e galinhas do Snr. Gracia, (...) entrou nos quartos a bebida toda que havia lá e chouriço e atum comeram tudo. Fez muito estrago (...)

 Vosso servo

José Zeferino

 

 

O Quitexe, onde nos primeiros dias se juntou muita gente, vai ficando cada vez menos ocupado. Com diversos argumentos, entre os quais irem ver as mulheres e os filhos a Luanda os homens também vão saindo. Mas a vigilância aumenta, temendo-se novo ataque.


A repressão

 

Após o ataque ao Quitexe as populações das grandes sanzalas permaneceram nelas, pacificamente. Os carros circulavam no seu interior, sem qualquer hostilidade. Há como que uma pausa para avaliar a situação pois creio que, embora todos os negros estejam ao corrente do que se passa, inicialmente, só uma pequena parte terá aderido à UPA e ao ataque ao Quitexe e às fazendas. A UPA só conseguiu alguns êxitos no primeiro dia dada a surpresa, pois se estivessem as fazendas alertadas, tudo tinha sido diferente. As autoridades estavam, afinal, a par do que iria acontecer, dia e hora, como posteriormente se veio a saber. Porque não alertaram as fazendas e as povoações da iminência do ataque? Porque deixaram morrer tantos brancos, mulheres e crianças sem saberem por que estavam a ser esquartejados à catanada?

A UPA, à semelhança do que se passou no Congo Belga, confiou que os brancos, cheios de medo, abandonassem em fuga as suas terras, o que, por pouco não conseguiu. Só, talvez a presença de largos milhares de contratados do Sul, agora todos classificados de Bailundos o terá evitado. Só na área do Posto do Quitexe haverá quatro ou cinco vezes mais Bailundos que toda a população local africana. Por variadas razões estão totalmente ao nosso lado e, assim evitam que a actividade cafeícula paralise.

 A repressão que se segue é brutal. Não se procura uma alternativa. Entretanto, eu e o Martins Gonçalves propomos tentar entrar em contacto com as sanzalas, mas a nossa sugestão é liminarmente excluída: não havia ordem para isso.

As sanzalas são metralhadas e incendiadas. Homens, mulheres, velhos e crianças iniciam a debandada; levam consigo os poucos haveres que conseguem reunir. O seu destino é as matas impenetráveis da Serra do Quimbinde, da Serra do Quitoque, do maciço da Serra do Cananga. Vão, quem sabe, à procura dos lugares dos seus antepassados, de onde, um dia, foram obrigados a sair, pela força, para se fixarem junto às estradas que correm no sopé das serras e dão acesso aos Postos Administrativos e, agora, às povoações da população branca e às sanzalas africanas.

A morte de todos os pretos da região, sentenciada pela Pide, braço da repressão do governo, secundada pelos agentes das autoridades administrativas e outros mais sedentos de vingança, conseguiu, em poucos dias destruir o equilíbrio simbólico que existia entre o poder das autoridades portuguesas e o poder africano dos sobas.

 

                O bom relacionamento dos comerciantes com os povos das sanzalas era fruto de uma actividade onde os interesses mútuos se cruzavam. Para o comerciante do mato é do bom relacionamento com os nativos que depende a sua própria sobrevivência e foi este equilíbrio estável que foi irremediavelmente perdido. E, assim, de maneira pouco política e irresponsável, as autoridades portuguesas entregaram à guarda da UPA, os povos com quem convivemos durante centenas de anos. Este convívio nem sempre foi feito da melhor maneira, mas mais por culpa das autoridades que preferiam, em vez do respeito mútuo, incutir em terra alheia a submissão e o medo, esquecendo os valores do humanismo cristão que tanto apregoavam.

                Só mais tarde adoptaram a política da “psico”, tentando atrair as populações africanas a aldeamentos -modelo guardados pelos “flechas” e visitados pelos altos governantes, como exemplo da convivência com os povos nativos.

 

 

 “Ao Povo do Quitoque que está nas mata. Eu Raul Manuel chamo meu pai Manuel, venha apresentar no Quitexe e outra gente quer vir, venha também. Não deixa perder seu tempo. Francisco Domingues chama a mulher Donana Almendo, o Tiago Malungo chama a sua mulher, o soba Simão Domingues chama sua filha Luísa Simão e os seus netos

 O comandante deixa vir quem quiser vir apresentar. Todo está apresentado vive bem, a tropa trata bem de nós. Todo que vinha doente foi tratado no hospital, agora está muito bem; olha se não deixar gente para vir apresentado vão entrar patrulha vão fazer 3(?)  mez (?) na mata e lagar (?) mandioca  Se onde vão esconder

espero

dia 21-11-65

O Soba Simão Domingues”

 

Carta do Soba do Quitoque pedindo aos familiares para saírem da mata e se apresentarem à tropa portuguesa. Este panfleto era lançado no mato com meios aéreos e fazia parte da "guerra psicológica", lançada mais tarde, para retirar as populações da influência dos movimentos de libertação.

 Documento - José Lapa


 


Em 62 os que regressavam ao Quitexe eram treinados e preparados como um grupo especial da defesa civil

(foto – António Rei)


 

 O ataque à sanzala do Ambuíla

O homem da Pide, pessoa por sinal asquerosa, era quem mandava no Quitexe. Tinha efectivamente um poder que se sobrepunha a todos os outros, incluindo o militar e era ele que comandava toda a repressão. Assim, resolve um dia, com autorização superior, incendiar a sanzala do Ambuíla que confrontava com a minha fazenda.

 

 Fiquei preocupadíssimo, pois a roça limitava com a sanzala e com todas as lavras de café, mandioca e feijão que eram a base de toda a sobrevivência daqueles povos. Quando fui autorizado a demarcar a fazenda tive o cuidado de falar com o velho Cussecala, deixando livre a mata entre a fazenda e as lavras e sempre mantive relações de cordialidade com os nativos da Sanzala.

 

 Sigo para lá e constato que são os meus contratados que, à ordem da Pide, estão a colaborar no ataque.

Quando entro na sanzala os contratados vêm carregados de cobertores, panelas, bicicletas e tudo o mais que podem carregar. Entretanto o fogo vai consumindo as cubatas, restando apenas paus fumegantes.

Quando parece acabada a operação eis que surge uma figura envolvida em panos, de carapinha toda branca, um velho (macolundo) descendo do ponto mais alto da sanzala. Era o velho Cussecala, pai do Pedro, meu antigo ajudante nas carrinhas, que enlouqueceu, depois de ter sido soba.

 Nesse fim do dia, ele descia livre, pela última vez a avenida da sua velha sanzala. Ainda grito para um soldado:

- Não o matem! Não o matem! Ele é um doido que há muito enlouqueceu!

Do cano da espingarda uma bala parte direitinha ao crânio do Velho Cussecala que cai com a cabeça despedaçada.

 

Agora é o regresso dos heróis e eu vou para a fazenda onde começam a chegar os contratados com os despojos do saque. Ordeno, então, para que todos os haveres que tinham sido roubados na sanzala sejam transportados para fora da fazenda pois não permito que nada roubado aqui permaneça. Têm o prazo até amanhã de manhã para o fazerem.

 

Parti com a sensação de que, no dia seguinte, só encontraria destroços fumegantes das casas, dos armazéns, dos acampamentos, dos tractores, enfim de tudo o que representa uma vida de trabalho e sofrimento.

A morte é a sina para todos os negros que não sejam bailundos

 

Vivendo ainda o sucedido no dia anterior, vou para a fazenda saber a reacção dos contratados Bailundos aos acontecimentos. Sou informado de que está tudo calmo e que a minha ordem, para que todos os utensílios roubados no Ambuíla fossem postos fora da fazenda foi cumprida. O Augusto segredou-me que eles tinham reunido todos os bens roubados e os tinham ido pôr junto à minha casa; de noite alguém os havia levado.

Não fiz mais perguntas, mas calculo que os seus donos os vieram reaver, levando-os para as matas, onde agora se escondiam.


O Augusto e o Quintas

 

Recordar o Augusto e o Quintas é, para mim, um acto doloroso. Eram dois empregados da fazenda que não eram Bailundos. Trabalhadores exemplares de quem eu gostava muito. Depois do 15 de Março tomo consciência do perigo que eles correm. Eu não vou permitir que os brancos os matem, pois é a sina que está reservada para todos os negros que não sejam bailundos. Como sabia que eles nada tinham a ver com o que se estava a passar, chamei-os e fiz-lhes ver a situação. Pelos tempos mais próximos eu dava-lhes guarida na fazenda, comida e dormida, mas não podiam aparecer a qualquer branco. Certo dia, em que eu tinha ido ao Uíge, houve alguém, que sabendo do seu paradeiro e, aproveitando a minha ausência, resolveu ir buscá-los. Essa pessoa, manda-os chamar dizendo que eu precisava deles no Quitexe. Os dois dirigem-se para a carrinha. O Quintas sobe mas o Augusto diz que tem que voltar ao acampamento buscar um cobertor. Vai a correr para demorar pouco. No momento em que o tinham mandado subir lembrou-se das minhas palavras e já não voltou. O pobre do Quintas é entregue à Pide que o faz desaparecer.

                O Augusto viveu sempre na fazenda e, em 1973 quando regresso ao Quitexe, passados 12 anos, lá o vou encontrar já casado e com três filhos.


À procura da cidadania


Neste tempo de certezas absolutas ninguém queria encarar a raiz do conflito. No entanto era notório que algo novo estava na forja e que excluía a comunidade branca. Os indígenas, que tantos anos esperaram pelo direito à cidadania na sua própria terra, impedidos de serem cidadãos portugueses, fartos das prepotências das autoridades administrativas, da palmatória e do chicote foram terreno fértil para a sementeira de ódios recalcados.

João Garcia recua no tempo e relata-nos alguns acontecimentos do quotidiano que ajudam a compreender a raiva e o descontentamento acumulados que, bem explorados pela UPA, explodiram numa onda cega de ódio e sangue.

Por volta dos anos 55/56 o preço do café atinge preços elevados; a economia floresce e os indígenas, ao vender o seu café nas povoações comerciais regressam a casa com bens de consumo que nunca pensaram adquirir. Os quimonos e as tangas dão lugar aos vestidos, os panos que envolvem os mais velhos são, em parte, substituídos por calções. Até a língua portuguesa começa a sobrepor-se ao Quimbundo; já não há miúdo nenhum que não fale a nossa língua, ou porque nas missões o seu ensino é agora mais intenso, ou porque o relacionamento com os comerciantes é cada vez mais forte. Alguns indígenas, já produtores de grandes quantidades de café, começam a manifestar o desejo de adquirir o direito à cidadania portuguesa e fugir ao estatuto do indigenato que era, ainda, uma reminiscência da velha escravatura.

                A aquisição da cidadania era formalizada com a posse do Alvará de Assimilação. Enquanto os brancos, para obterem o Bilhete de Identidade, apenas precisavam duma certidão de nascimento, duas fotografias e uns dias de espera, para os negros era um nunca mais acabar de exigências:

-            Tinham que ser católicos (quando nesta região os povos eram quase todos protestantes);

-            Só podiam ter uma mulher;

-            Deviam possuir uma casa com cobertura de zinco ou alumínio.

-            Tinham que falar português.

                Eram as condições que as autoridades administrativas do Quitexe impunham e que podiam ser certificadas por comerciantes. Ainda certifiquei uma meia dúzia de casos, pelo conhecimento pessoal que tinha das pessoas, pois, tirando a questão religiosa, tudo o resto era verdadeiro.

                Mas, como no passado, desde o reino à república, as leis são aprovadas em Lisboa, mas os governos coloniais das províncias não só não as cumprem como não as mandam cumprir, perpetuando uma escravatura, onde os direitos são só aqueles que cada autoridade administrativa, segundo a sua bondade, permite. O abuso é tal que qualquer branco se julga no direito de fazer justiça por conta própria.

 

Nenhum filho da puta de preto queira ser português como eu!

 

Vem tudo isto a propósito do Alvará de Assimilação. Certificada a pretensão era entregue na Administração ou no Posto Administrativo; Em qualquer dos dois lados o destino era o mesmo – o cesto dos papeis. Fartos de esperar acabam por desistir, pois a resposta era sempre a mesma:

-            Ainda não há nada!

                Alguns, entretanto, vão tentar a sorte a Luanda e, possivelmente a troco de uns angolares, lá arranjam o tão desejado alvará. Quando voltam às suas terras, orgulhosos porque finalmente são homens com direitos, vão, como tal, apresentarem-se se às autoridades exibindo o símbolo do sonho agora realizado. O Chefe do Posto analisa o alvará e vê que foi tirado em Luanda. Sendo ele natural deste posto não podia ser emitido sem prévia informação da autoridade local. O Chefe do Posto chama o cipaio e manda dar uma carga de porrada e vinte palmatoadas em cada mão, dizendo:

-            Aqui quem manda sou eu e, enquanto for autoridade, nenhum filho da puta de preto queira ser português como eu!


 

O Velho Canzenza


 

O velho Canzenza simbolizava a alma da velha cultura e do poder africano, exercido em paralelo com o da administração portuguesa. A solução dos grandes problemas surgidos no seio das comunidades e no interior das sanzalas estava a cargo de Os Mais Velhos que eram pessoas de muito respeito, não só por serem velhos, mas pelo saber e experiência que tinham da vida africana. São, os mais velhos, homens como o Canzenza, perante os quais os mais novos se curvam e batem palmas em sinal de muito respeito. Foi na pequena sanzala, logo à saída do Quitexe, na estrada que vai para Camabatela, que o velho Canzenza foi obrigado a fixar-se desde 1947/48 vindo de longe, da serra do Cananga. Lá vivia rodeado de uma numerosa família e era possuidor de grandes lavras de café.

A ordem do Muniputo (Administração Portuguesa) viera. Tinha que abandonar a sua serra e fixar-se junto à estrada, perto do Posto Administrativo do Quitexe, a uns 40 ou 50 Km.

A partir de 1949 o café começa a subir nas cotações internacionais, o seu preço aumenta. Em Luanda há uma corrida em direcção ao Norte. Todos querem ser fazendeiros: médicos, engenheiros, advogados, comerciantes, juízes, reformados do exército e também muitos aventureiros; vêm todos à procura do ouro negro.

 As matas do Quitexe são as mais apetecidas e, assim, munidos de licenças de demarcação de milhares de hectares, vão espalhando tabuletas a assinalar a posse e ocupação dessas extensas áreas. O Quitexe está transformado num verdadeiro “Farwije”. 

Estamos no ano de 1951. O velho Canzenza é chamado ao posto onde o Chefe lhe diz que as suas antigas lavras de café na serra do Cananga e as matas em redor foram demarcadas por um senhor médico, reformado do exército. O Chefe do Posto intimou o Velho Canzenza para, no outro dia, lhes ir mostrar todas as lavras lá existentes. Ele, que três anos antes fora obrigado a abandoná-las, regressa, agora, para as entregar ao branco vindo de Luanda. Podia ser que o branco, em troca, lhe desse uma boa retribuição...

 

Há uma corrida em direcção ao Norte. Todos querem ser fazendeiros

 

Mas o oficial médico, vestindo a sua farda  militar, arroga-se em representante do estado português e, portanto nada tinha a pagar.

E, assim regressaram ao Quitexe, o Velho mais pobre e o branco, mais rico, talvez já colha, nesse ano, umas toneladas de café nas lavras abandonadas.

No dia 15 de Março o Canzenza ficara na sua sanzala que ficava a menos de 1 Km do Quitexe. Por certo saberia o que se tinha passado nessa manhã. Ao cair da noite, uma carrinha vinda dos lados de Camabatela aproxima-se da sanzala. O velho lá está vestido com os tradicionais panos. Da carrinha são disparados tiros e o Canzenza cai ao chão. A viatura não para, segue para o Quitexe e o R...... anuncia que acabava de matar o Canzenza. No dia 18 de Março o Quitexe está em pé de guerra, cheio de gente. Por altura do meio-dia é dado o sinal de alerta, todos correm a pegar em armas. Um preto, possivelmente um “turra” aparece de mãos no ar dirigindo-se para o Posto Administrativo. Aproxima-se e passa entre alguns brancos de armas apontadas. Vou ver de quem se trata e, meu Deus, que vejo eu! A figura imponente do velho Canzenza. Tal como Jesus Cristo, que ao terceiro dia ressuscitou, também o velho Canzenza faz de novo a sua aparição no reino dos vivos. Afastei-me cobardemente, para que ele não me visse. Eu não estava em condições de lhe poder valer, pois, dias antes, eu também havia sido ameaçado de morte pelos brancos. Horas mais tarde, soube que havia sido entregue à Pide e tinha sido levado para o Uíge para interrogatório. Pobre Canzenza, por certo nunca mais voltaria e as autoridades portuguesas teriam perdido um dos elos mais fortes do convívio pacífico entre os Portugueses e os Africanos: apesar de tudo, Os Mais Velhos gostavam dos Portugueses!

 

 

O segundo ataque ao Quitexe

 

 Em 10 de Abril organiza-se uma grande coluna com todos os brancos que ainda resistem, tropas e Bailundos das diversas fazendas para ir ocupar Aldeia Viçosa. Mas a povoação estava completamente destruída e é feito o regresso ainda nesse dia. A deslocação a Aldeia Viçosa deixou-me muito cansado e, como tudo parece calmo, vou dormir a minha casa, no meu colchão. De noite, pouco antes de amanhecer, acordo com um falatório em surdina entre os Bailundos que estavam a dormir nas varandas da casa. Levanto-me, calço os sapatos e em cuecas venho à porta saber o que se está a passar.

Mal abro a porta, rompe um tiroteio infernal. Vou buscar a espingarda e o saco bordado da ilha da Madeira, onde trago as 100 balas que me haviam sido distribuídas e vou para o Bar do Pacheco, mesmo em frente, onde todos os dias dormíamos. Mas eles, logo que começou o tiroteio, fecharam as portas. Entretanto os Bailundos vão-se juntando à minha volta; eles e eu, estamos agora em campo aberto. Olho da esquina do Bar do Pacheco para as ruas em frente e só vejo pretos com uma fita branca à roda da cabeça. É o distintivo dos “upas” para não se confundirem com os Bailundos. Tudo quanto é arma faz fogo cerrado desde as metralhadoras pesadas, às mausers e caçadeiras e eu, ali em cuecas, no meio da rua, sem saber o que fazer. Resolvo arriscar e começo a subir em direcção ao Posto, com todos os Bailundos atrás de mim. É uma decisão arriscada, para mim e para os contratados, pois há o risco dos defensores da casa do Posto confundirem os Bailundos com os terroristas e, então, ocorrer uma chacina de consequências imprevisíveis, pois nenhum dos comandantes se lembrou da protecção a estes homens em caso de ataque.

 

Tudo quanto é arma faz fogo cerrado e eu ali, em cuecas, no meio da rua sem saber o que fazer.

 As balas assobiam por todo o lado, um bailundo, perto de mim, leva uma catanada na cabeça. No lusco-fusco ainda há muitas sombras, mas o ataque é forte. Eu, na vida, nunca tinha tido medo, mas naquela altura, e, por segundos, as pernas tremeram-me; felizmente reagi e não caí. Continuo a subir a rampa trazendo, atrás de mim os contratados. Já a uns 50 metros da casa do Chefe do Posto, onde estava concentrado o maior poder de fogo da nossa defesa, mas felizmente, agora, virado para o lado oposto de onde eu vinha, alguém grita:

-            Não façam fogo! Vem ali o Garcia! Não façam fogo!

E assim conseguimos chegar ao Posto, eu e os Bailundos, que foram colocados à volta da casa. Mas dois “turras” haviam-se misturado com os contratados que, prontamente, os denunciaram. Foram de imediato executados. Entrei para dentro do Posto e fui colocado numa janela para proteger o motor e o gerador da electricidade. De arma carregada fiquei vigilante. De repente um estrondo enorme faz tremer a casa. Digo para mim:

-            Estamos perdidos, já cá estão dentro.

A coisa é grave, vou ver o que se está a passar e vejo, no canto da sala ao lado, um soldado morto, completamente despedaçado. Aconteceu, que o soldado, prevendo o aproximar dos atacantes, agarra numa granada de mão, tira a cavilha e, quando se prepara para a arremessar é atingido por um tiro na barriga. Recua para a sala, sempre com o manípulo premido, com a mão fechada. Já no canto da sala começa a desfalecer, abre a mão e deixa cair a granada que rebenta estrondosamente, estilhaçando tudo à volta.

Agora, que as armas se calaram e o dia começa a despontar há que tratar dos feridos e contar os mortos. Dos feridos, o caso mais grave é o cabo Alfredo, que foi atingido e tem uma bala alojada um pouco acima do coração, junto ao ombro. O Dr. Assoreira e o enfermeiro Alves conseguiram estancar a hemorragia. Há mais três ou quatro feridos mas sem gravidade. Mortos, temos o soldado esfacelado pela granada e uma família, pai (Bessa), mãe (negra) e dois filhos, que viviam em casa do Laurindo Ribeiro, mesmo à entrada da povoação e, por isso mesmo, foram as primeiras vítimas do ataque, barba-ramente assassinados.

Os mortos visíveis da UPA são poucos, uns seis ou sete à roda do posto. É uma surpresa, terão eles carregado os mortos? Como é possível, com tantos tiros e avançando eles a descoberto?

Ora, dentro da povoação, a única saída que tinham, dado o fogo intenso a que estavam expostos, era refugiarem-se no capinzal, que do lado poente tinha uma altura que os escondia completamente.

As autoridades dão ordens para que os contratados das fazendas capinem toda aquela área do lado poente. E, então, as suspeitas confirmam-se: à medida que o terreno vai ficando limpo começam a aparecer os cadáveres crivados de balas. Na fuga os “upas” tinham que atravessar um terreno inclinado, onde eram apanhados pelas balas das metralhadoras, não lhes valendo de nada o facto de estarem escondidos no capim.

Ouvi dizer que os alinharam no chão, à medida que iam aparecendo, mas eu não fui ver. O espectáculo da morte nunca me atraiu. Para mim representa sempre uma tragédia macabra, mesmo quando feita em legítima defesa. Infelizmente, neste mundo cristão, o mandamento – Não matarás, não é escutado, prevalecendo sempre o grito odiondo de – Viva a morte! De um lado porque é preto, do outro porque é branco

 

O Adeus ao Quitexe

 

Corre o mês de Abril de 61 no Quitexe. O tractor, que eu havia emprestado para os trabalhos de abertura da pista para as avionetas, continua ao serviço da Administração. Mas, entretanto, alguém me vem informar que o pretendem utilizar na abertura de valas para enterrarem os pretos que vão sendo mortos na repressão cega, desenfreada e absurda da revolta. Faço-me ouvir:

- Quem os mata que lhes abra a cova! Com o meu tractor, não!

 

Retiro a máquina e guardo a chave. Ninguém se atreveu a questionar-me.

 

A vida humana tem apenas o valor do custo de uma bala, 7$50

 

Os corpos dos negros são atirados da ponte ao rio Luquixe. Às vezes ainda moribundos, agarram-se aos ramos das árvores que bordejam o rio e assim se vão esvaindo até que a morte e a corrente os transportem rio abaixo.

A indisciplina, que entretanto reina entre os brancos, causa alguma apreensão às autoridades.

Neste ambiente, sem calor humano, os sentimentos são confusos. Não há mulheres, nem o sorriso ou o choro de uma criança. À noite matilhas de cães famintos, abandonados pelos seus donos cercam o Quitexe, uivando sem parar, pressagiando a desgraça e a morte. Os nervos sempre à flor da pele, o vinho, a cerveja e os instintos mais primários de cada um vão tomando conta do dia-a-dia do Quitexe. A vida humana, para alguns, tem apenas o valor do custo de uma bala, 7$50. Triste imagem de gente “civilizada”. Estes são, afinal, os valores morais emergentes da filosofia da guerra que só viriam a ser contrariados por oficiais militares que reconheceram o mérito e a bondade das minhas atitudes nesta guerra diabólica.

 

Também se acabaram as cucas (cervejas), o vinho e até os cigarros escasseiam. As pessoas começam a reagir pelo desprezo a que estão a ser votadas pelas autoridades, que nada fazem para abastecer o Quitexe. Só os de Mucaba são heróis. Aproxima-se o mês de Julho e eu começo a pensar seriamente em vir a Portugal. Entretanto, a chegada de uma companhia de soldados, para se fixar no Quitexe, já tem data anunciada. O meu irmão Alfredo, que já regressou de Luanda, vai tentar, com o Alcindo, fazer a colheita do café. As circunstâncias são difíceis, pois os contratados do sul são poucos e também ficaram afectados por quatro meses de terríveis sobressaltos.

Com a anunciada vinda da tropa muitos comerciantes regressam na esperança de que a actividade possa ser retomada. Mas, ao contrário dos agricultores, que, se tiverem um pouco de segurança, podem fazer a colheita, os comerciantes não têm a quem vender e a quem comprar, pois só com o regresso dos nativos das matas aos lugares das antigas sanzalas isso seria possível. Hoje sabemos que isso só veio a acontecer 14 anos depois, quando já nada podia voltar a ser como era dantes. Entretanto alguns, poucos, abriram as lojas e começaram, com restaurantes e bares, a fazer negócio com os militares e, mais tarde com os voluntários.

                Nos primeiros dias de Julho vou a Camabatela. No caminho encontro muitos camiões carregados de tropa, atolados num mar de lama. Era a companhia que seguia para o Quitexe.

                Chegado ao Quitexe, anuncio que, finalmente, as tropas já estão às portas de Camabatela e que dentro de três ou quatro dias chegarão à povoação.

                No dia 4 de Julho combino com o Armindo Lenita a ida para Luanda, pois ele também vai a Portugal ver a família. Combinamos fazer a viagem de carrinha, via Lucala onde dormimos. No dia 5 vou ter com o Alferes Santiago, uma jóia de pessoa, pedir autorização para ir a Luanda e a Portugal.

 

-            Vá, vá, Garcia. Vá ver a família e trate da saúde que deve estar abalada.

 

                Desejei-lhe felicidades e, com um aperto de mão, despedi-me do nono comandante do Posto Militar do Quitexe, quantos os que foram rendidos durante a minha permanência de 4 meses na guerra.

                Do Quitexe levei comigo a imagem de um sepulcro, onde só regressaria se um dia voltasse a haver paz.


 

 

 


João Nogueira Garcia rumou a Angola, em 1947, com uma carta de chamada do seu irmão Alfredo que se instalara em Porto Alexandre uns anos antes. Natural da Várzea Grande (Vila Nova do Ceira) chegou a Angola com 21 anos, com uma mala cheia de esperança. Rapidamente a sua experiência no comércio lhe permitiu construir a sua própria casa comercial no posto administrativo do Quitexe, na zona do Uíge, a terceira a ser edificada no local.

 

O bom relacionamento e o respeito que nutria pelos povos desta região angolana foram fundamentais na expansão das suas actividades.

 

Já em colaboração com o seu irmão Alfredo foi também agricultor de café e industrial. No Quitexe, que rapidamente cresceu e se tornou vila, nasceram os seus filhos. Envolvido na barbárie que toldou os espíritos de angolanos e portugueses em Março de 61, soube afirmar o seu carácter no respeito pela dignidade humana, contra a violência, a vingança e o terror. Veio a falecer em2006, com 79 anos, deixando-nos o relato desses dias negros no repositório de memórias que é o livro “Quitexe 61– Uma Tragédia Anunciada”.   

 

 

 

 

 

1948 – A casa de João Garcia em construção

 

 

 

 

 

António Manuel Pereira Guerra, nasceu no Quitexe em Junho de 1950, sendo o primeiro filho de europeus a nascer naquela povoação. Filho de Abílio Augusto Guerra e Maria Helena Borges Pereira Guerra. Os seus pais oriundos de Trás-os-Montes tinham chegado a Angola, depois de uma breve passagem pela Guiné. Estabeleceram-se no Quitexe em 1949. Depois de estar à frente da casa comercial do seu cunhado Celestino, o seu pai construiu a sua própria casa e demarcou uma fazenda para os lados do Zalala.

 

 - “Eu tive o privilégio de nascer em Angola e crescer livre (qual bicho do mato) pelas terras do Quitexe e viver a odisseia da época das chuvas e das viagens a Luanda sem estradas asfaltadas”.

 

 Tinha 10 anos quando assistiu, incrédulo, à morte dos avós e à tentativa de assassínio da sua mãe, acontecimentos que o marcaram profundamente.

 

 

 

Veio para Portugal em 1975 tendo falecido, prematuramente, o ano passado, com 60 anos. Partilhou, no entanto, connosco as memórias da sua vivência de menino no Quitexe. Assumiu a descrição da tragédia do 15 de Março com o distanciamento que só um espírito livre consegue, sem ódios, sem rancores ou ideias de vingança recalcada. O horror visto pela criança de 10 anos, com os mesmos olhos, com a mesma simplicidade e incredulidade.

 

 

  



publicado por Quimbanze às 16:47
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Domingo, 8 de Maio de 2011
Município do Quitexe está a crescer


Há dois anos, Quitexe era das localidades consideradas mais atrasadas entre os municípios da província, em termos de desenvolvimento. Mas hoje o quadro é completamente diferente. Quitexe caminha a passos largos rumo ao desenvolvimento.
A melhoria do programa de distribuição de merenda escolar, extensão da rede de alfabetização, colocação de placas solares para a iluminação pública, construção de fossas sépticas, recolha de lixo e a realização de acções de formação das parteiras tradicionais, para melhorarem a qualidade dos serviços que prestam nas comunidades, fazem parte do Programa de Desenvolvimento Comunitário traçado pela administração municipal para o presente ano.
A vila municipal do Quitexe tem agora uma nova imagem, com a reabilitação e pintura das principais infra-estruturas existentes.
 Os passeios e lancis também beneficiam de obras de reabilitação. A nova imagem da rua que liga o comando da Polícia Nacional e a aldeia da Missão é um exemplo vivo do trabalho que está a ser feito na localidade. 
 
Educação em alta

O sector da educação é o que mais cresceu nos últimos anos, segundo a administradora municipal. “O sector está a trabalhar com muita força, tem muitos alunos matriculados e recebemos um número considerável de professores que estão a leccionar aqui na sede, nas comunas, nas regedorias e aldeias, onde existem escolas.
Por isso, podemos dizer que a educação, no Quitexe, está presente em todas as localidades e é, por isso, o sector no qual mais se nota o crescimento”, referiu.
Cavungo deplorou o facto de alguns professores colocados no município agirem de má fé, porque trabalham a meio gás, prejudicando assim os alunos.
A administradora referiu que existe um grupo de docentes que se ausentam injustificadamente.
“Mas há um outro grupo que alega motivos escolares. São estudantes do ensino superior, estudam na cidade do Uíge, onde permanecem muitos dias, em vez de voltarem com mais frequência, para cumprirem com mais responsabilidade o seu dever de ensinar”, deplorou.
Paulo Francisco, chefe da repartição municipal da educação, disse que o município possui 390 professores, distribuídos por 68 escolas do ensino primário, primeiro ciclo de ensino e do segundo ciclo do ensino secundário.
Mas, segundo o responsável, o número de professores ainda não é suficiente para responder à procura de alunos, e, para contrariar a situação, necessitamos de mais 90 professores para os diversos níveis de ensino.  Mais de sete mil alunos estão matriculados no presente ano lectivo no município de Dange- Quitexe, segundo Paulo Francisco.



publicado por Quimbanze às 16:48
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
Agricultura em vias de desenvolvimento

Dange-Quitexe localiza-se a cerca de 41 quilómetros da cidade do Uíge. Possui uma população estimada em mais de 48.500 habitantes, maioritariamente camponeses, distribuídos por três comunas – Aldeia-Viçosa, Vista-Alegre e Cambamba – que se dedicam essencialmente ao cultivo da mandioca, banana, milho, feijão, amendoim, batata-doce e rena e arroz, entre outros produtos.
As 32 associações agrícolas controladas pelo sector da tutela beneficiaram de apoios do governo, para melhorarem a actividade agrícola. O executivo local distribuiu tractores às referidas associações e os meios estão a permitir o desenvolvimento da agricultura na região, tendo em conta que esta actividade, em muitos campos agrícolas, já não é realizada manualmente. Agora, as terras são lavradas mecanicamente.
“Felizmente não temos problemas de escoamento dos produtos cultivados pelos camponeses locais”, disse Cavungo. A estrada nacional Luanda – Caxito – Uíge, completamente asfaltada, atravessa as sedes comunais de Vista-Alegre e de Aldeia Viçosa, além da sede municipal do Quitexe, facto que assegura a livre circulação de pessoas e bens na região.
Só a via que liga a comuna de Cambamba necessita de reabilitação urgente mas, em contrapartida, os acessos às localidades mais recônditas do município, como aldeias e regedorias, embora degradados, não constituem grande obstáculo ao processo de escoamento dos produtos ali cultivados.
“Os nossos camponeses escoam os produtos a tempo e horas devido à grande movimentação de automóveis ligeiros e pesados ao longo da estrada que liga estas duas comunas à sede municipal”, explicou.
 
Combate à fome e à pobreza

No âmbito do Programa de Combate à Fome e à Pobreza, Maria Fernando Cavungo adiantou que os sectores sociais, como a educação, saúde, estradas e energia e águas, estão entre as prioridades definidas. De acordo com a administradora municipal, as acções vão incidir em obras de construção, reabilitação e apetrechamento de mais escolas, centros e postos de saúde, sistemas de captação e abastecimento de água e de melhoria no fornecimento de energia eléctrica.
Maria Cavungo acredita que o sector agrícola é o ponto de partida para o crescimento económico e social do município.
 “No Programa de Combate à fome e à Pobreza temos algumas acções que, naturalmente, pretendemos implementar no sector da agricultura, para ajudarmos as associações e as cooperativas locais a desenvolverem-se.
 Por isso, a administração municipal aposta na compra de mais dois tractores com as respectivas alfaias agrícolas, que vão contribuir ainda mais para o aumento da produção agrícola”, disse.



publicado por Quimbanze às 22:12
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Domingo, 1 de Maio de 2011
Município do Quitexe sem médico

 

Fotografia: Manuel Distinto

 

Maria Fernando Cavungo, administradora municipal do Dange-Quitexe, está preocupada com o actual quadro sanitário que o município apresenta. A falta de um médico que possa orientar as consultas médicas aos pacientes que procuram os serviços de saúde na localidade é um dos principais problemas que afectam o funcionamento normal do sector da saúde, em Dange-Quitexe.

 


Por isso, pede a intervenção urgente das estruturas de direito na solução do problema. Maria Cavungo afirma que o sector da saúde não pode funcionar como está, sem que haja pelo menos um médico que possa examinar os pacientes, antes de serem submetidos a um determinado tratamento. “Estamos preocupados com o funcionamento do sector da saúde, porque este universo populacional não tem um médico sequer, para os consultar, sujeitando-se apenas à intervenção dos poucos enfermeiros que temos”, afirmou.
Mas, ainda assim, continuou, “não baixamos os braços”. A administração tem implementado alguns projectos, no âmbito do Programa de Intervenção Municipal, que visa melhorar as condições de assistência nas unidades sanitárias localizadas nas sedes municipais e comunais. “Estamos a fazer algumas obras de canalização de água nas unidades sanitárias”, esclareceu.


O chefe da repartição municipal da saúde também lamenta a ausência de médicos no município de Dange-Quitexe. Kuavita Bamba referiu que, com a ausência de indivíduos com esta categoria profissional e académica a trabalharem no município, “não é possível haver atendimento personalizado, tendo em conta que há também um grande défice de enfermeiros capazes de responder à procura dos pacientes que acorrem diariamente às unidades sanitárias locais.

Milton Eduardo - Jornal de Angola



publicado por Quimbanze às 21:51
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
Data da fundação do Quitexe

O amigo Francisco Gonçalves escreve-nos de Angola: "Neste momento o Quitexe carece de uma data certa ou aproximada da sua fundação, para constar na mente dos filhos do Quitexe e que passaria a comemorar-se . Investigações estão em curso, mas sem sucesso plausível."

 

Infelizmente ainda não consigo responder a esta pergunta sobre a data da fundação do Quitexe,  como posto militar, mas irei continuar as pesquisas. Sabemos que foi em 1917 (portanto mais antigo que o Uíge), talvez em Abril, mas não temos o dia certo.

 

Tenho  à minha frente o livro “Pedro Francisco Massano de Amorim” que nos diz:

“No Cuanza o Governador Djalme de Azevedo, com uma persistência grande, apenas comparável à sua serenidade, consegue em trabalhos sucessivos de duas colunas, que organizou no grande e pequeno Cacimbo e acompanhou, romper primeiramente o território que lhe ficava entre o Lucala e o Ambuíla chegando até Encoge, deixando à retaguarda o posto de Quissaque (17 de Março de 1917) e depois, numa segunda fase das operações militares, montar o posto de Quiteche e internar-se já a Norte e a Sul em território dos Dembos.”

 

Um dos comandantes de uma destas colunas  era fotógrafo amador e registou em fotografia estes momentos. Estas fotografias, verdadeiramente históricas, foram publicadas na revista –“ Ilustração Portugueza, No. 612, Novembro  1917”

 

Temos, assim uma fotografia do Dembo do Quitexe na data da fundação do posto militar com o seu nome, mas não temos a data exacta deste acontecimento.

Temos que continuar a pesquisar!!!!

 

 

Ilustração Portugueza, No. 612, Novembro 12 1917 - 19, originally uploaded by Gatochy



publicado por Quimbanze às 23:13
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
Realizada consulta pública sobre o projecto de exploração de madeira no Quitexe

 

Uma consulta pública sobre o impacto do projecto ambiental “Valana” que visa a exploração e transformação de madeira no município do Quitexe, 40 quilómetros da cidade do Uíge, decorre hoje (quinta-feira), nesta cidade, numa promoção da direcção provincial do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente.

 

 

O projecto, apresentado à  representantes do governo local, da sociedade civil, ambientalistas e técnicos do Ministério do Ambiente, tem como objectivo a exploração e transformação de madeira em produtos derivados, o corte de toros para processamento de madeira, assim como na recuperação de áreas degradadas pela exploração da mesma. 

 

 

O projecto contempla uma fábrica com uma área de serração e uma de exploração. E três naves, uma para serração e outra para carpintaria, assim como uma outra para a secagem.

 

 O chefe de departamento da direcção provincial do Uíge do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente, David Mendes, que procedeu abertura do encontro, salientou que a integração do projecto servirá para a criação de mais empregos, e proporcionará o desenvolvimento sustentável, garantindo a melhoria das condições de vida da população.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 20:20
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
ANGOLA 61

     Publicamos, hoje, os comentários de Fernando Pereira, inseridos no semanário angolano "Novo Jornal" ao livro "Angola 61" de Dalila e Álvaro Mateus. Em primeiro lugar porque é uma análise muito lúcida a um livro que, no seguimento do que já nos habituaram os autores (Memórias do Colonialismo e da Guerra, A PIDE/DGS na Guerra Colonial, Purga em Angola) é fundamental para a percepção deste período da história de Angola e Portugal. Em segundo lugar porque é feita uma referência ao livro "Quitexe 61- Uma Tragédia Anunciada" de João Nogueira Garcia, meu pai, que agradeço ao Fernando.

  

João Garcia

  

 

 

ANGOLA 61

  

Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus

 

Quando comemoramos os cinquenta anos dos acontecimentos do 4 de Fevereiro de 1961,  chega-nos à mão um livro de dois autores portugueses que tentam fazer um trabalho sério sobre as circunstâncias que levaram à eclosão do quatro de Fevereiro e as razões próximas da mobilização dos participantes e organizadores do movimento que muitos já apelidaram de “princípio do fim do colonialismo português”. (…)

Os seus livros são importantes, podendo eventualmente eu ou outros acharmos que há incorrecções a exigirem ser reparadas, mas a realidade é que nos confrontamos com trabalhos académicos sérios, coerentes e fruto de muito trabalho de investigação e pesquisa. Posso por vezes não gostar que a história fosse como ela é descrita, posso colocar dúvidas em relação a alguns relatos e posicionamentos marcados pela ainda proximidade dos acontecimentos, mas o que não devo é questionar com afirmações avulsas um trabalho científico.

À data de 4 de Fevereiro de 1961, o governador-geral era Silva Tavares um juiz de carreira politicamente cinzento como convinha a Salazar é substituído por Venâncio Deslandes, provavelmente o mais prestigiado militar das forças armadas portuguesas. Do que leio no livro partilho a opinião dos autores em relação à figura camaleónica de Adriano Moreira, que substitui Lopes Alves no ministério das colónias, e que entra em rota de colisão com Deslandes. Este general da força aérea, figura prestigiada do regime, não se coíbe de dar as opiniões a Salazar, que “manholas” como sempre foi, vai-se aquecendo na fogueira ateada pelas faíscas das opções e dos egos dos dois governantes. As vicissitudes de muito do que aconteceu nesse longínquo 61, acabaram por permitir que Salazar, numa atitude de feitor de quintal, se visse livre dos dois quando as circunstâncias militares começaram a ter outro rumo. Deslandes, quando disse que tinha sobre a sua “direcção o maior efectivo de sempre das forças armadas portuguesas na sua história”, e que “essa teoria do Portugal de Minho a Timor era uma figura de retórica”, para além de pedir uma Universidade para Angola, e dizer que Angola e o Minho não tinham nada a ver uma coisa com outra foi cavando a sua sepultura política, perante o olhar embevecido de Adriano Moreira que acabou por ser pontapeado também por Salazar, quase na mesma oportunidade; De delfim do “Botas” à cova foi um ápice! O livro tem muita documentação e fundamenta com verosimilhança um conjunto de relatos sustentando alguma opinião que, apesar de tudo, contraria algo oficial em Angola sobre o 4 de Fevereiro de 1961. Percebo a coerência política das autoridades angolanas em relação ao que foi o 4 de Fevereiro de 1961, mas também é de enorme utilidade que comecem a aparecer trabalhos como este que possam de certa forma incentivar ao estudo dos acontecimentos determinantes na história do nosso País. (…)Acho que os historiadores angolanos devem ser estimulados a fazerem trabalhos destes, para depois não ficarmos na situação algo embaraçante de termos que dizer “nós é que cá estivemos” ou “nós é que sabemos”.(…) Não sou historiador e por conseguinte posso estar a especular sobre alguns detalhes que não terão relevância histórica nenhuma, mas na leitura que fiz do livro Angola 61 e recordado algumas conversas que tive com Rebocho Vaz, vizinho e amigo de meus pais em Coimbra e baseando-me no que escreveu num livro publicado em 1993 –“ Norte de Angola/1961 A Verdade e os Mitos”, há algo que como se diz em bom português não bate a “bota com a perdigota”, no que concerne à Baixa de Cassange. Penso que devia ter sido dado um maior enfoque ao trabalho de Eduardo dos Santos, nomeadamente o seu livro “Maza”, editado pela AGU. (…) Ainda sobre isto e não querendo andar com os panegíricos do regime tipo Amândio César, Horácio Caio, Falcato, Alves Pinheiro, Amadeu Ferreira, Barão da Cunha, Diamantino Faria, João Simões, Artur Maciel, Pedro Pires, Hélio Felgas, Carlos Alves, Borja Santos, e quejandos, acho que se deveria aprofundar o factor insurreccional iniciado em 1961 com a leitura de muito depoimento de gente que foi para Angola por perseguição política, e aqui lembro entre muitos os exemplos de Antero Gonçalves, com um livro de 1965 “O Norte de Angola” e de João Garcia sobre o “ Quitexe” de 2000,  que deixaram depoimentos interessantíssimos sobre o que politicamente se passava nas suas “bualas” e à volta, fora do contexto urbano da cidade capital. Acho que a professora Dra. Dalila Cabrita Mateus tem cumprido cabalmente o seu propósito de investigar e simultaneamente oferecer trabalhos de grande qualidade científica, mesmo quando pontualmente estou em desacordo. O que não devemos, e aqui repito-o, é vilipendiar a autora porque tem opiniões cientificamente alicerçadas em documentos e depoimentos que contrariam convicções suportadas por opções ideológicas fabricadas em tempos que era necessário fazer-se força com base em verdades, que nalguns casos se revelaram falácias. Acho o Angola 61 um livro interessante, a que voltarei quando o puder ler com calma, e só me cumpre agradecer aos autores, pelo menos a possibilidade de discordar com algumas opiniões que por lá andam, mas isso já justifica eu ter que ler e documentar-me bem para ripostar. Pelo que ouvi dos autores era possível que este livro fosse polémico em Angola, mas julgo que não o será porque infelizmente quem se interessaria por levantar essa polémica está no seu cantinho a tratar da vidinha. Se o contrário acontecer, é muito bom, porque só se desenvolvem ideias com polémica assente em pressupostos de seriedade, respeito e tolerância pela diversidade. Já agora, talvez a despropósito, há um outro Angola 61, já com uns aninhos de Rocha de Sousa, da Contexto que é um quase romance excelente, sobre a guerra colonial.

 

Fernando Pereira

 

 



publicado por Quimbanze às 09:56
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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
4 de Fevereiro em selos

 

 



publicado por Quimbanze às 08:11
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Sábado, 5 de Fevereiro de 2011
4 de fevereiro 1961 - Páginas escritas

Os heróis sobreviventes do 4 de Fevereiro em 1975

 

 

Publicamos hoje um artigo retirado do semanário angolano "NOVO JORNAL", Nº 159 :

 

As fontes da História são diversas e muitas vezes até contraditórias. Para que os investigadores as possam

consultar e comparar é fundamental que elas sejam divulgadas. Existem já alguns livros publicados com memórias e documentos dos quais reproduzimos alguns extractos directamente relacionados com o 4 de Fevereiro.

 

CRONOLOGIA SEGUNDO MANUEL PEDRO PACAVIRA:

 

1- “Em Dezembro de 1960, com a presença de um curandeiro mais jovem, Augusto Bengue, ligado ao movimento da Igreja Tocoista (…) decidiu mudar-se (... para) a Pedreira. (…). Foi na Pedreira que se começou a conferir com todo rigor os aderentes mobilizados, tendo-se estimado em cerca de 3.123  efectivos, devidamente preparados para o ataque.

 

2- (…) “No dia 2 de Fevereiro de 1961, a Direcção do Movimento Clandestino recebeu ordem superior para atacar as cadeias e outros locais da cidade de Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1961. O Cónego Manuel das Neves (…) foi que, através do camarada Salvador Sebastião, transmitiu à direcção central do Movimento Clandestino a ordem para atacar (…).

 

3- “Eram cerca de 20h00. A direcção do Movimento Clandestino (…) encontrava-se reunida sob o Comando-Geral do camarada Paiva Domingos da Silva Massuika Malamba (… onde) foi traçado o esquema e constituídos os grupos de ataque (…).

 

4- (…) formou os grupos que se cifraram em dez (…):

 a. Casa de Reclusão, com 25 homens, chefe: Francisco Imperial Santana;

b. Emissora Oficial, 25 homens, chefe:  Virgílio Sotto Major;

 c. Cadeia de S. Paulo, 25 homens,

d. Quarta Esquadra, 25 homens, chefe: Domingos Manuel;

e. Companhia Indígena, Campo de Aviação e Palácio do Governo, com um número de homens  desconhecido (…), chefe: Paiva Domingos da Silva;

f. Grupo de Vigilância (…), chefe: Salvador Sebastião;

g. Grupo da rainha, (…) chefe: Engrácia Francisco Kabemba. (…)

 

(in PACAVIRA, Manuel Pedro, 2003,

O 4 de Fevereiro pelos próprios, Luanda,

Editorial Nzila:108-114; 124)

 

PROTAGONISTAS SEGUNDO HOLDEN ROBERTO:

 

“…Em 4 de Fevereiro de 1961, dá-se o assalto às prisões: à cadeia de S. Paulo em Luanda, ataque à Casa

de Reclusão e à esquadra da polícia móvel (os aracuaras) arquitectada pelo Cónego Manuel das Neves, “Makarius” e pelos operacionais Neves Bendinha, Herbert Inglês, Viegas Paulo, Francisco Miguel Zau, Luís Inglês, Zacarias António Amaro, César Correia “Mekuiza Mekuenda”, todos ligados à UPA e outros

nacionalistas como Paiva Domingos da Silva, Imperial Santana, Virgílio Sotto Maior, Francisco Pedro, e muitos outros”

 

(In N’GANGA, João Paulo, 2008, O Pai do Nacionalismo Angolano. As Memórias de Holden Roberto 1923- 1974. (1º Volume). Brasil, Parma: 105)

 

REFERÊNCIAS EM DOCUMENTOS DA PIDE:

 

“…Nesse grupo, sobressaiu a figura de Afonso Dias da Silva que por incumbência do Cónego Manuel das Neves elaborou relatórios que foram enviados para o exterior e, bem assim, indicou as personalidades que fariam parte do 1°. Governo de Angola.

 

A saber:

 

Presidente da República: Dr. Eduardo dos Santos; Chefe do governo: Mário Pinto de Andrade; Ministro dos Negócios Estrangeiros: Viriato Francisco Clemente da Cruz; Ministro da Saúde e Assistência: Dr. Américo Boavida; Ministro das Finanças: Dr. Amaral; Ministro da Economia: Dr. António de Almeida; Ministro da Educação Nacional: Dr. Agostinho Neto; Ministro dos Transportes e Comunicações: Eng.º Bessa Victor; Ministro da Agricultura, Florestas, Terras e Fomento Pecuário: Eng.º. Azancot de Menezes; Ministro da Justiça: Júlio de Castro Lopo; Ministro das Obras Públicas: Dr. Luís José de Almeida; Ministro da Informação e Propaganda: Aníbal de Melo; Ministro do Interior: Dr. Mário Afonso de Almeida; Ministro da Defesa: Lúcio Lara; Presidente do Parlamento: Reverendo Dr. Nascimento; Vice-Presidente: Dr. Vicente José; Procurador-Geral da  República: Dr. Diógenes Boavida; Cardeal arcebispo: Manuel das Neves; Bispo do Congo: Reverendo Martinho; Bispo de Luanda: Dr. Pinto de Andrade.

 

Cf. ANTT (PIDE/DGSAngola)

Bastos Vigário, Processo nº

469/61.”

(In CORREIA, Fernando, 2009, Américo

Boavida - Tempo e memória

 

1923-1968, Luanda, INALD:143)



publicado por Quimbanze às 09:18
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Domingo, 16 de Janeiro de 2011
Rui Rei - Comentário

Sr. Carlos Domingos

 

Fala do Sr. Francisco Cazenza, ok, sou fIlho do Rei Gonçalves do Quitexe e o Sr. Francisco Cazenza trabalhou com minha familia. Tem um filho dele que mora em Luanda e conversamos muitas vezes.

Por curiosidade também morei aí no Lubango, estudei no TCHIVINGUIRO.

Agora moro no Uíge.

 

Um abraço Rui Rei



publicado por Quimbanze às 22:17
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Quitexe - Mulher acusada de raptar bebé de dois meses

Uma jovem mulher, 20 anos de idade, está a ser acusada de raptar uma bebé de 2 meses, na localidade de Quitexe, a 40 Quilómetros da sede Municipal da Província do Uíge.

Segundo relatos, o facto decorreu no dia 05 de Janeiro, a mulher de nome Fernanda, aproveitou-se da ausência da mãe da criança e levou – a, alegando que era apenas para passear.

Fernanda disse a Polícia que levou a bebé com o consentimento da mãe, entretanto, a lesada afirmou que tal é mentira.

A acusada já e encontra a contas com a justiça.

 

12-01-2011 / 10:28 / TPA


publicado por Quimbanze às 22:01
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Carlos Domingos Cuta
Chamo-me Carlos Domingos Cuta , tenho 42 anos de idade, sou filho de Feliciano Cuta (ex-sanitário da tropa colonial na Aldeia-Viçosa e Nambuangongio ) e neto de Cuta Musseque soba da Sanzala Quindala (Aldeia-Viçosa ).
 
Tenho lido com bastante atenção os relatos aqui apresentados por naturais de Quitexe e de algumas pessoas que viveram ou cumpriram a vida militar naquela acolhedora e rica terra. Confesso que me emociona saber que os meus ancestrais tiveram uma convivência salutar com muitos portugueses oriundos de Portugal e outros nascidos em Angola. Sou sobrinho do Sr. Francisco Canzenza , do Sr. Jorge Domingos então funcionário da Fazenda Pumbassai e do Sr. Jozé Campos Cabalo (ex-funcionário da Fazenda Esmeralda).
 
Um abraço para todos
 
 
Comentário:


14jan11
Amigo e Sr. Carlos Domingos Cuta,
 Li com muito interesse a sua intervenção neste blogue sobretudo dedicado à área administrativa do Quitexe, que abrange como sabemos, para além do posto sede, Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Cambamba. António Augusto Ribeiro França e eu próprio, Arlindo de Sousa, fomos os dois primeiros funcionários do Posto de Aldeia Viçosa (1961). Depois também servi no Quitexe (1962-63). É pois com o maior afecto que o saúdo e encorajo a dar mais notícias suas e da nossa querida Angola e do seu povo que fraternalmente tanto estimamos; e cujo progresso e desempenho muitíssimo positivo no seio da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa acompanhamos a todo o instante com o maior interesse.
 Com a maior amizade, aceite um abraço de,
 Arlindo de Sousa

Comentário:

Caro Arlindo de Sousa
Saudações
Estou grato por poder interagir com alguém que viveu e se interessa pela terra dos meus ancestrais. Como dizia na minha primeira intervenção sou neto do Velho Cuta Muzeque e Quissanga Bunga (Senzala de Quindala/Aldeia-Viçosa) este casal é pai de: Jaime Cuta, Feliciano Cuta meu pai (ex-sanitário da tropa colonial), Francisco Cuta, Joaquim Cuta e Cardoso Mucano.
Da parte materna, sou neto de Domingos Condoca (descendentes de cabo-verdianos) e de Alticia Cabalo. Este casal residiam na senzala de Aldeia. Este casal teve a primogénita que é a minha mãe; Marquinha Domingos. Depois a minha avô materna juntou-se maritalmente ao velho Campos da qual teve os seguintes Filhos: Cecília Campos, José Campos, Julieta Campos e Angelina Campos. O velho Campos com uma segunda esposa “tudo isto na senzala de Aldeia”, teve uma segunda relação do qual nasceu: Estevão Campos, N’zumba Campos e Albertina Campos. Algumas individualidades de Quitexe ainda fazem parte da minha família como são os casos de: Jorge Afonso, Francisco Canzenza ( já falecido) , velho Dambi (já falecido), Jaime Dala, Lucas Dala (já falecido).
Quanto o desenvolvimento de Quitexe e comunas, não obstante estar a residir em Lubango, tenho acompanhado por intermediário de familiares e amigos que lá vivem o desenrolar dos acontecimentos, e estou em condições de informa-lo que o desenvolvimento está a decorrer com normalidade, mormente a reabilitação de estradas e infra-estruturas. È certo que muito mais deveria ser feito.
Estou aberto a satisfazer qualquer curiosidade e ansiedade relativo a noticias desta terra maravilhosa.
Um abraço.
Atentamente.
 Carlos D. Cuta







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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
Alunos pré-universitários em formação no Quitexe

Com a formação de professores mais alunos do primeiro e segundo ciclo vão ser inseridos no sistema do ensino

 

Fotografia: Kindala Manuel

No município de Dange-Quitexe, 73 alunos do ensino pré-universitário terminaram os s seus estudos nas especialidades de ciências físicas, biológicas, humanas e jurídicas.
O acto de consagração dos primeiros finalistas aconteceu, na terça-feira, na vila que dista 40 quilómetros da cidade do Uíge.
O director da escola, Morais Abel, referiu que pela primeira vez, desde a conquista da Independência em 1975, são formados, no município do Dange-Quitexe, técnicos pré-universitários.
Morais Abel informou que a escola arrancou com 147 alunos, mas apenas 73 terminaram o curso devido a vários constrangimentos devido à distância entre a sede municipal e as aldeias, regedorias e comunas, facto aliado à falta de condições financeiras para a compra de material didáctico.
O professor apelou ao Executivo para construir uma escola de raiz, para melhor acomodação dos professores e alunos. “As salas, nas quais funcionam o PUNIV não oferecem boas condições para o exercício da actividade docente. Precisamos de instalações, onde os professores e alunos se sintam bem e possam desenvolver o seu trabalho sem grandes constrangimentos”, pediu.
O director provincial da Educação, Maculo Valentim Afonso, encorajou os finalistas e apelou aos professores para continuarem a dar o seu melhor na formação das novas gerações.
Prometeu melhorar, no próximo ano lectivo, as condições de trabalho, para que os resultados possam superar os actuais. “Vamos mobilizar a administração local e o governo da província para melhorarmos a escola, o que vai permitir que mais jovens possam ingressar no sistema de ensino”, disse Maculo Valentim Afonso.
A escola do segundo ciclo secundário do Dange-Quitexe é a única no município, e tem 24 professores e sete colaboradores. A instituição de ensino teve, este ano, mais de 700 alunos, distribuídos nas especialidades de ciências físicas, biológicas, ciências humanas e jurídicas.

 

Nicodemos Paulo |Uíge - 02 de Janeiro, 2011


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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
Capanda dá energia ao Uíge

Governador Paulo Pombolo quando pressionava o interruptor para o arranque do fornecimento de energia ao Uíge a partir de Capanda

 

Fotografia: Filipe Botelho| Uíge

 

A cidade do Uíge está, finalmente, desde segunda-feira, a beneficiar da energia eléctrica produzida pela barragem de Capanda, situada na província de Malange. A alegria tomou conta dos citadinos e das autoridades, que vêm, assim, concretizado um projecto alimentado há anos. Em breve, a energia de Capanda abrange mais municípios da província.
Foi na residência de Segundo Laurindo, no bairro da Pedreira, que o governador da província do Uíge, Paulo Pombolo, pressionou um dos interruptores de electricidade, sinal que, a partir daquele momento, o bairro beneficiava, oficialmente, de corrente eléctrica proveniente da central hidroeléctrica de Capanda, na província de Malange.
Laurindo era um homem satisfeito, não cabia em si de contente, quando ligou, na presença do governador e do secretário de Estado para a Energia, João Baptisa Borges, o televisor e a arca frigorífica, que durante muitos anos eram abastecidos com a energia de pequenos, barulhentos e inseguros geradores.
"A chegada desta energia representa uma prenda de Natal para a população. Há muitos anos que não dispunha deste bem. Tinha de recorrer a candeeiros ou a pequenos geradores para iluminar as casas e meter a funcionar os electrodomésticos", disse, sorridente.
Segundo Laurindo aconselhou a população do Uíge a evitar fazer puxadas anárquicas porque, alertou, é um processo perigoso que pode provocar a morte de muitas pessoas. 
"O melhor é, todos nós, celebrarmos contratos com a ENE porque a luz, que agora estamos a beneficiar, é de média tensão, e um mínimo descuido pode levar a um choque eléctrico capaz de provocar a morte", lembrou.
Nos bairros Candombe e Pedreira a empresa que se encarregou da construção das linhas de transporte de corrente eléctrica e das subestações instalou redes de distribuição para consumo domiciliário e iluminação pública.
As ligações domiciliárias efectuadas nas cidades do Uíge e Negage, segundo fontes afectas à ENE local, beneficiam, neste momento, 4.541 famílias. A capacidade instalada na subestação do Uíge permite, nesta fase, iluminar mais de cinco mil casas.         
 
Uíge "Cidade Luz"


O fornecimento de energia eléctrica à cidade do Uíge passou a ser assegurado, desde de segunda-feira, pela barragem hidroeléctrica de Capanda, na província de Malange. A linha de transporte da corrente eléctrica e as subestações localizadas na aldeia Quigima e na rua Industrial, no município sede, foram inauguradas pelo governador provincial, Paulo Pombolo, e pelo secretário de Estado para a Energia, João Baptista Borges.
Os dois governantes visitaram as duas subestações, a do Quigima, com capacidade instalada de 12 megawatts, e a da cidade do Uíge, de 5,6 megawatts, onde receberam informações dos técnicos sobre o seu funcionamento, ficando a saber que mais de duas mil casas estão já conectadas à nova rede eléctrica.
A cidade do Uíge deixa de depender do fornecimento de energia eléctrica da antiga central térmica, equipada com grupos geradores que não possuíam capacidade para fazer chegar a corrente eléctrica a todos os bairros.
Paulo Pombolo referiu o empenho do Ministério da Energia e Águas e do governo provincial para conclusão do projecto, que considera ser o de "maior ganho da província” depois de alcançada a paz.
“Este é um dia especial, que vai ficar marcado para sempre na memória da população uigense. Há muitos anos que a província vem tendo problemas relacionados com o fornecimento de energia eléctrica e esta inquietação foi hoje solucionada", disse.
O governador pediu à população civismo no consumo da electricidade e salientou a necessidade de se alargar a rede de distribuição aos bairros e aldeias, antigas e novas, para que o projecto seja mais abrangente.
"O governo provincial quer que os bairros periféricos, como o Mbemba Ngango, Papelão, e aldeias próximas da cidade, como o Tange e Quituma, também beneficiem desta energia, tendo em conta a aglomeração populacional e algumas infra-estruturas sociais ali existentes", referiu.
Paulo Pombolo sugeriu ao secretário de Estado a construção de pequenas subestações e linhas de transporte de corrente eléctrica para beneficiar as populações das vilas da Damba e Mucaba, pois a do município de Maquela do Zombo e da região mineira de Mavoio passa por elas.
O governador acrescentou que os municípios do Puri, Sanza Pombo, Milunga e Quimbele merecem também uma atenção especial, no que ao fornecimento de energia diz respeito. 
O secretário de Estado para a Energia afirmou que a sua área tem políticas específicas para a província do Uíge.
Em todos os municípios situados ao longo das linhas de transporte, afiançou, vão ser erguidas subestações para que beneficiem também da energia de Capanda.
Nas localidades que se encontram afastadas destas linhas, vão ser construídas pequenas centrais hídricas, anunciou.
"A chegada da energia eléctrica proveniente de Capanda à cidade do Uíge constitui uma conquista do Ministério da Energia e Águas e do governo da província. Venho acompanhado do presidente do Conselho de Administração da ENE e do director do GAMEK e garantimos que vamos encontrar soluções para os restantes municípios", disse.
 
Reabilitação da rede
 
João Baptista Borges defendeu a melhoria da qualidade da prestação de serviços à população, no domínio da electricidade.
O aumento da qualidade, frisou, passa pelo alargamento da rede de distribuição para permitir a sua valorização através do aumento do número de clientes e do pagamento mensal do consumo da energia eléctrica pela população beneficiada.
"Agora, que já está a ser consumida a energia proveniente da barragem hidroeléctrica de Capanda, é necessário melhorar a qualidade dos serviços de fornecimento", declarou, sublinhando:
"Esta qualidade deve ser valorizada com o pagamento do consumo de energia pela população, que só será possível com a reabilitação e alargamento da rede de distribuição".
A actual rede de distribuição, em toda a província do Uíge, foi instalada no período colonial e já há algum tempo vem demonstrando sinais de envelhecimento, o que tem dificultado o normal fornecimento da corrente eléctrica devido às constantes avarias, que originam cortes e restrições em algumas zonas.



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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
Na província do Uíge -Governo contra conflitos de terra

 

 

As autoridades da província do Uige querem acautelar possíveis conflitos de terra naquela região, onde já se nota um movimento medonho de pessoas com tendência para a expropriação de terras.

A tendência de incursão é já evidente nos municípios de Negage, Uige, Puri, Bungo, Sanza Pombo, Quitexe.

Uma fonte governamental, que prestou a informação ao Novo Jornal, referiu que as administrações municipais têm vindo a promover espaços de diálogo, junto das autoridades tradicionais, informando-os sobre os propósitos do Governo relativamente à problemática da terra.

“O Governo não pode prejudicar os camponeses, visto que a Lei é clara: são reconhecidas às comunidades locais o acesso e o uso das terras, nos termos da lei”, argumentou.

“A expropriação de terras a algumas populações provoca ira”, resumiu a fonte, reconhecendo que chegam

informações referindo que grandes fazendeiros com poder económico querem expropriar “abusivamente”

terras que pertencem à população.

“O executivo tem os seus objectivos no sentido de reconstruir o país, mas não deve lesar os camponeses,

obrigando-os a abandonar forçosamente as suas terras que lhes foram deixadas pelos seus antepassados”,

disse o soba Domingos Malungo, do município de Sanza Pombo.

Para o mesmo soba, as famílias ocupam e cultivam as suas terras há longos anos e ali constituíram as suas famílias, casas, roças.

“Mesmo produzindo e vivendo há tanto tempo naquelas terras, já aparecem vigaristas a aliciar as autoridades governamentais para penalizar o povo”, explicou.

O estudante de agronomia João Nkoxi entende que a invasão injusta das terras dos camponeses é um processo de dilaceramento da cidadania no campo.

“A actual Lei de Terras foi debatida por organizações da sociedade civil e partidos políticos. Ela não deve

ser cumprida em defesa de todos os angolanos”, acrescentou.

O comerciante Domingos da Silva diz que os desprovidos economicamente não podem ser despojados

das suas terras porque tornam-se assim cada vez mais pobres.

“A questão do conflito de terras em Angola é uma realidade, sendo urgente

a tomada de medidas para mudar este cenário. Felizmente para nós, aqui no Uige, a situação ainda não é dramática”, reconheceu o comerciante.

Na sua opinião, todos os uigenses têm direito à terra, visto que a região possui vasto espaço que ninguém

explora.

Segundo uma fonte ligada ao sector da Agricultura e Desenvolvimento mRural, nos últimos tempos, a utilização da terra em actividades agropecuárias regista, de momento, um acompanhamento actualizado susceptível de caracterizar o sector.

Para a mesma fonte, as características ecológicas e a abundância de água, além de proporcionar condições

ideais para a cultura de diversos produtos, conferem à província, por um lado, vastas possibilidades de atingir um nível de ampla diversificação agrícola em todo o seu território, desde que haja um apoio

substancial.

“A direcção da agricultura está aberta aos que queiram investir neste sector, sem, no entanto, prejudicarem os camponeses”, referiu, salientando existirem vários pedidos relativamente à actividade pecuária nos municípios de Negage, Bungo, Alto Cauale, Puri Kangola, Sanza Pombo, Songo, Damba e Maquela do Zombo.

 

DAVID FILIPE

Novo Jornal



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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
Restos mortais do primeiro secretário do MPLA no Quitexe foram a enterrar

  

 

Os restos mortais do primeiro secretário do MPLA no município do Quitexe, Unigénito Armando António, falecido a 26 de Novembro último, em Luanda, vitima de  prologada doença, foram a enterrar hoje, sábado, no Quitexe, sua terra natal.

 

 Nascido no dia 9 de Fevereiro de 1943, em Kimbindo, município de Quitexe, o malogrado que foi também membro do Comité Central do MPLA e coronel na reserva assumiu, em vida, várias funções de chefia no partido e no Governo.

 Unigénito Armando António foi responsável do grupo clandestino do MPLA entre os anos 1973/74, guerrilheiro do exército popular de libertação de Angola, no ex-Zaire, activista político do MPLA no município de Quitexe e comissário comunal do Nsosso e municipal do Bungo, Ambuila e Kimbele.

 No elogio fúnebre lido pelo segundo secretário da Jmpla, Augusto Gonga, o Comité provincial do MPLA ressaltou as qualidades do malogrado Unigénito Armando, como militante e responsável que deu sempre o melhor de si na defesa dos interesses da população.
 "Foi um militante consequente, destemido e exerceu com zelo, sagacidade, espírito patriótico as missões que lhe foram confiadas", leu-se na mensagem, acrescentando que a sua morte deixou um vazio no seio do MPLA.
 O primeiro secretario provincial do MPLA no Uíge, Paulo Pombolo, falando aos jornalistas, destacou igualmente as qualidades do militante Unigénito Armando, adiantando que saiu do seio partido uma figura que deu grande contribuição para a "emancipação dos naturais da região", assim como para o crescimento e fortalecimento do MPLA.
 "Para nós que ficamos, os militantes do partido, o único pedido que quero fazer e de darmos sequencia aos seus conselhos e as indicações que sempre nos deu, para que o partido na província continua forte e unido".
 

 

Durante as exéquias fúnebres que decorreram no clube do município do Quitexe, além da assinatura do livro de condolências por varias individualidades, foram lidas mensagens dos antigos combatentes e veteranos da pátria, e do comité municipal do Quitexe.

 

À esquerda o Clube do Quitexe onde decorreram as exéquias fúnebres

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 22:43
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
...
Há alturas em que nos sentimos recompensados pelo tempo gasto na manutenção do blogue. Ao receber o comentário de Victor Romano de Freitas Silva, senti que vale a pena o esforço, mas fiquei, também, incrédulo por pensar que durante quase 50 anos a família não soube do paradeiro do corpo deste ente querido. Só confirma a dimensão da tragédia e o sofrimento a que estiveram votados os que tiveram a desgraça de ser nela envolvidos.

 

Fotografia de lápide que existia no cemitério do Quitexe e que evocava os mortos no dia 15 de Março de 61  sepultados naquele cemitério. Esta fotografia foi retirada do site http://ultramar.terraweb.biz/

 

Humberto Romano de Freitas Silva  - 8 anos

Comentário
De Victor Romano de Freitas Silva a 23 de Outubro de 2010 às 19:31
Sou o irmão do Humberto Romano de Freitas Silva, chamo-me Victor Romano de Freitas Silva e fique muito feliz por ter descoberto esta foto, uma vez que na altura eu ainda não era nascido, (nasci 3 anos mais tarde), e os meus pais não sabiam o que tinha sido feito do corpo do meu irmão. Hoje fico feliz por saber, que no mínimo teve um funeral digno. Os meus agradecimentos




publicado por Quimbanze às 22:31
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Cinquenta e três jovens enquadrados em núcleos de empreendedores

Cinquenta e três jovens dos municípios dos Songo e Quitexe, província do Uíge, enquadraram-se de Agosto a Novembo do ano em curso, nos núcleos de empreendedores, como forma de garantir a sua participação em várias actividades do desenvolvimento nas comunidadesEsta informação foi adiantada à Angop pelo secretário provincial do comité dos jovens empreendedores no Uíge, Luís Abel Miango, acrescentando que dos 53 jovens, 25 enquadraram-se no núcleo do Songo e os restante no de Quitexe.

Disse que os referidos núcleos são controlados pelos comités municipais da JMPLA, com o objectivo de promover jovens carentes e apoiarem certas actividades da organização e do Partido MPLA.

Luís Abel Miango adiantou que os jovens inseridos nessas organizações estão consciencializados igualmente a realizar empreendimentos em vários ramos de actividades, como a agricultura, comércio e cultura.



publicado por Quimbanze às 22:21
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Domingo, 14 de Novembro de 2010
Organização dos naturais de Quitexe doa produtos diversos ao hospital local

 

Os amigos e naturais do município de Quitexe idos de Luanda, doaram, produtos diversos ao hospital municipal, à margem de uma excursão realizada no dia 11 de Novembro, para saudar a data, soube a Angop, de fonte oficial.

 
De acordo com o presidente da organização de âmbito cultural, com sede em Luanda, Pedro Francisco a entrega de bens materiais, foi feita em prol da confirmação patriótica da comemoração do 35º aniversário da Independência Nacional.
 
Pedro Francisco realçou sentir-se orgulhoso de ser patriota angolano, adiantando que a excursão serviu para testemunhar o acto que marcou a comemoração dos 35 anos de independência.
 
O donativo entregue simbolicamente a administradora municipal do Quitexe, Maria Fernando Cavungo, consubstanciou-se numa antena parabólica, um televisor, um kit de medicamentos, materiais didácticos e outros.
 
O presidente do grupo avançou que o donativo é para minimizar as necessidades dos munícipes em vários domínios.
 

Por sua vez, a administradora Maria Fernando Cavungo manifestou a sua satisfação pelo gesto do grupo e encorajou o mesmo a continuar a trabalhar em prol do desenvolvimento do município, apelando ainda as demais organizações a seguir o mesmo exemplo.

 

 

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 18:29
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010
Angola - 35 anos de independência

 

 

 

 

 

1975 /2010 - 35 ANOS DE INDEPENDÊNCIA



publicado por Quimbanze às 23:12
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010
Bicicletas rolam do Uíge para Luanda
 

A primeira etapa da pedalada “Com a paz, Angola é melhor”, que conta com a organização da Brigada 28 de Agosto e Federação Angolana Ciclismo, disputa-se hoje, a partir das 08h00, da cidade Uíge a Vista Alegre, com a participação de três dezenas de ciclistas.
Os pedais começam a rolar e a primeira etapa da maratona em bicicleta compreende 100 quilómetros. Os ciclistas vão pedalar a partir da sede da província do Uíge e repousam na localidade de Vista Alegre.

A mensagem sobre os benefícios que a paz trouxe ao povo angolano vai ser também transmitida pelos embaixadores das bicicletas aos amantes do desporto da vila de Kitexe que dista a 40 quilómetros do Uíge, primeira localidade a acolher a pedalada. A corrida vai ser coordenado no pelotão da frente pelo oficial reformado das ex-FAPLA e presidente do Conselho Fiscal e Jurídico da Brigada 28 de Agosto, Domingos de Sousa “Capitão Certeza” e o técnico da Escola de Ciclismo David Ricardo, David Ricardo. A coluna em bicicleta é composta 23 ciclistas, sendo 17 de Luanda e seis do Uíge.

A prova vai sofrer o seu primeiro interregno, amanhã, na vila Vista Alegre. Nesta região as autoridades locais vão ceder a sala de reuniões do Município de Vila Alegre para acolher uma palestra sobre o resgate dos valores morais e cívicos, que será preferida por membros da Brigada 28 de Agosto.

Na quarta-feira, a caravana vai cumprir a segunda etapa. Parte da vila Vista Alegre para a  região do Ukua. O Secretário Nacional da Brigada 28 de Agosto, Cláudio Teixeira de Araújo, tranquilizou a massa associativa que está a correr tudo bem. “Não temos queixas administrativas e técnicas. As coisas estão a seguir o seu percurso normal. As principais preocupações são as mais de 300 curvas que o percurso de 400 quilómetros apresenta e as fortes chuvas que estão a assolar a região. Mas vamos ultrapassar tudo isto”, tranquilizou o dirigente.

 

Simão Kibondo e Álvaro Alexandre - Jornal dos Desportos



publicado por Quimbanze às 22:28
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Sábado, 30 de Outubro de 2010
Quitexe em obras

As fotos tiradas pelo Luís Felizardo em Julho evidenciam as obras que decorriam no Quitexe: A Administração, as residências para a administradora municipal e seu adjunto e a escola.

 

 O edifício da Administração Municipal já concluído e as residências ainda em obras.

 

 

 

 

 A escola em obras

 

 



publicado por Quimbanze às 09:16
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Sábado, 23 de Outubro de 2010
António Manuel Guerra 20/06/1950 - 22/10/2010

 

O Tó Guerra deixou-nos. Aos 60 anos não resistiu à terrível doença que se manifestou há menos de um ano. Com uma vontade enorme de viver, nunca se deixou abater e acreditou, sempre, que iria superar a enfermidade. Não o conseguiu, mas fica connosco a memória de um homem excepcionalmente bom, querido e estimado, por todos.

 

Tive o prazer de o (re)encontrar há alguns anos e fiquei encantado com a sua afabilidade e simplicidade, o seu enorme coração, sem tempo para a mesquinhez ou a maledicência.

  

Foi o primeiro filho de europeus ou, sem eufemismos, o primeiro branco a nascer no Quitexe, filho de Abílio e Helena Guerra. Aí cresceu, numa infância feliz, até aos 10 anos, tendo deixado o Quitexe depois dos trágicos acontecimentos de 61.

 

 

“Eu tive o privilégio de nascer em Angola e crescer livre (qual bicho do mato) pelas terras do Quitexe e viver a odisseia da época das chuvas e das viagens a Luanda sem estradas asfaltadas. Aprendi a comer o funge com as mãos, com quem mais entendia do assunto e, acreditem, tem outro paladar.”

 

O seu amor pelos amplos espaços ainda se mantinha e concretizava-o com a sua auto-caravana que lhe permitia calcorrear as distâncias em liberdade.

 

Em boa hora o desafiei a escrever as suas memórias de infância, no Quitexe, e ele partilhou connosco uma série de histórias magníficas, desde o fatídico 15 de Março, até às hilariantes descrições das suas aventuras de criança rebelde.(http://antonioguerraquitexe.blogs.sapo.pt/)

 

       

Sei que lhe foi difícil reviver o 15 de Março e ter verificado que o trauma que julgava já arrumado numa gaveta da memória, afinal estivera sempre presente na sua vida, manifestando-se inconscientemente em momentos delicados. Assumiu a descrição da tragédia com o distanciamento que só um espírito livre consegue, sem ódios, sem rancores ou ideias de vingança recalcada. O horror visto pela criança de 10 anos, com os mesmos olhos, com a mesma simplicidade e incredulidade.

  

 

 

Não fosse a guerra civil, iniciada em 1975 e o Tó teria sido, sem dúvida, um cidadão angolano com as raízes bem fundas nessa terra que amava e a que pertencia de alma e coração – o Quitexe.

 

 

 

 

A toda a família, em especial à Nanda, ao Pedro e à Odete as mais sentidas condolências deste blogue.

 

João Garcia

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 15:56
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010
Quitexe - Escola entra em funcionamento em 11 de Novembro

 

Uíge  -  Catorze escolas do primeiro e segundo ciclos de ensino e três centros de saúde construídos pelo governo, no quadro do Programa de Investimentos Públicos (PIP), vão ser inauguradas na província do Uíge, no âmbito dos festejos do 35º aniversário da Independência Nacional, a assinalar-se a 11 de Novembro.

 

Segundo o programa do governo provincial, chegado hoje à Angop, as infra-estruturas escolares serão inauguradas nos municípios de Quitexe, Damba, Mucaba, Milunga e Bungo.

 

 

Estão igualmente agendadas inaugurações das instalações dos Serviços Integrados de Atendimento ao Cidadão (Siac), os sistemas de telefonia móvel da Unitel "Liga Liga", o sinais da Televisão Pública de Angola e da Unitel, no município de Quimbele.

 

 

Consta ainda do programa a inauguração de empreendimentos administrativos, nomeadamente residências para os administradores e seus adjuntos, assim como a realização de um concurso de gastronomia, literário "Havemos de Voltar", maratonas populares "11 de Novembro", "Caça Talentos", entre outras actividades.

 

 

Para saudar a data, estão agendadas igualmente actividades recreativas, culturais e desportivas, campanhas de limpeza e embelezamento, lançamento do concurso infantil de melhor reportagem radiofónico, além de visitas a localidades históricas



publicado por Quimbanze às 22:18
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Domingo, 17 de Outubro de 2010
António Rei - As minhas fotos do Quitexe I I

Abrindo o baú.

 

Não recordo os nomes ... Se alguém puder ajudar .

Acredito que essas fotos  são  de 67 a 69 .

Antônio Rei

António Rei e dois militares frente ao Hospital

 

A nossa casa principal

 

A casa  que se transformou em Hospital Militar

 

 

Em 1962   alguns ( sobreviventes ) retornam ao Quitexe .

Os poucos  que persistem   são treinados e preparados  como um grupo Especial da Defesa Civil .

Não recordo os nomes ....

 

Antônio Rei



publicado por Quimbanze às 15:36
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
António Rei -Recordações de Quitexe - Minha homenagem ao Alferes Cavaco

Alferes Moura Cavaco

 

 

Em 1962  fui para o Colégio Nun´Álvares de Tomar  onde  tive grandes amigos . Entre eles, o Cavaco   que  foi convocado  para o exército em  66/67.

Por ironia do  destino  foi  para o Quitexe  e, como não podia deixar de ser,  tornou-se  um grande amigo da familia .

 

Infelizmente  o Alferes Moura Cavaco morreu por acidente, ao desactivar uma mina Anti-Pessoal nas imediações da Fazenda Negrão, no dia 26/02/1968, uma terça-feira de carnaval. O pessoal técnico que foi levantar a mina foi o mesmo que a montou.

O acidente deveu-se essencialmente ao facto do capim ter crescido muito com as chuvas, facto que modificou o aspecto do terreno no local.

 

 

Antônio Rei

 

 

 

Alferes Moura Cavaco

 

 



publicado por Quimbanze às 22:40
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
Delinquência em alta no Uíge

TPA

 

Na terra dos bagos vermelhos província do Uíge, a polícia nacional registou 77 crimes de diversas naturezas, com uma operatividade por parte das autoridades de 95%.

Em Setembro do corrente ano os municípios do Uíge, Kiteche e Songo tiveram o maior número de casos registados, com a detenção de 79 cidadãos.

Em Outubro foi registado 25 acidente de viação, causando quatro mortos, 26 feridos e danos materiais avaliados em mais de cento e vinte mil Kwanzas.

Em Setembro houve 240 operações ao código de estrada que resultaram em 14 atropelamentos, quatros atropelamentos, duas capotagens e aplicadas multas no valor de 283 mil Kwanzas.

As autoridades policiais vão redobrar as vigilâncias com novos métodos para reduzir o índice de criminalidade.

 

Nota: Nesta notícia da Televisão Pública de Angola não deixa de ser curiosa a forma que reveste o topónimo "Kiteche", que nunca tinha encontrado. Outras formas já encontradas: Quitexe (a oficial, em português), Quiteche (no pricípio do séc. XX), Kitexi e Kitexe (Kimbundo)



publicado por Quimbanze às 23:34
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António Rei - As minhas fotos do Quitexe I

António Rei andou a pesquizar no baú das fotografias e encontrou algumas preciosidades:

 

 

A primeira  foto (1969)  é da familia Rei ( Jaime , Glória , Antônio e Rui ) + ( José , Joaquina , José Carlos  e  a batizada Elizabete ) + Salustiano e Zarina Reis  do Songo , junto com o padre (esqueci o nome)  em frente à Igreja   no batizado da Beta .

 

 

A segunda  foto  é dos anos 60 . Primeira comunhão  de Antônio Guerra , Antônio Rei , Graça Barreiros e Manuela J. Batista 

 



publicado por Quimbanze às 23:12
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Sábado, 9 de Outubro de 2010
Município de Ambaca

O Município de Ambaca, vizinho do Quitexe e ao qual este já pertenceu, tem sofrido obras de construção e reabilitação de infraestruturas, mas enfrenta o problema da falta de quadros em todas as áreas, conforme testemunhado nesta reportagem da Angop:

 

 

Marcelo Manuel | Camabatela - 04 de Outubro, 2010

Fotografia: Marcelo Manuel

 

O município de Ambaca é dos que mais cresce social e economicamente na província do Kwanza-Norte, em função dos projectos desenvolvidos pelo Executivo, principalmente no abastecimento de água potável, energia eléctrica, construção de unidades sanitárias e escolares, a par da grande dinâmica que se regista no sector pecuário.

As comunas do Tango e o sector do Mussabo, no primeiro trimestre do ano começaram a ser dotadas de duas centrais de captação, tratamento e abastecimento de água potável, enquadradas no programa do Executivo “Água para Todos”.
Os dois projectos prevêem a canalização de água ao domicílio e a construção de chafarizes e lavandarias. As obras estão orçadas em 165 milhões de kwanzas.
As estações funcionam num sistema de electrobombas alimentadas por um grupo de três geradores cada um com capacidade de 30 KVA.

 


Segundo a administração de Camabatela, a construção do novo hospital municipal, com capacidade para internar 120 doentes, está em fase de conclusão. A estrutura foi erguida num terreno com 15 mil metros quadrados. Tem blocos operatórios, áreas de consultas externas para todas as especialidades, serviços de limpeza, cozinha, refeitório, farmácia, radiologia, e morgue. Vai também prestar cuidados intensivos. A sua projecção como Hospital Regional vai permitir receber pacientes das províncias do Bengo, Uíge e Malange. O director provincial da Saúde do Kwanza-Norte, Manuel Duarte Varela, informou que a inauguração do novo hospital está dependente do acabamento das casas dos funcionários e o recrutamento de 20 novos médicos, 100 enfermeiros e 30 técnicos de meios auxiliares de diagnóstico.

 


 Em Camabatela está a ser construída a linha de alta tensão entre Capanda e Maquela Zombo, que atravessa o Lucala, Samba Cajú e Ambaca. O projecto originou a construção de uma subestação eléctrica na localidade de Pambo de Sonhy, que nos próximos dias vai distribuir energia à região.
Em Camabatela, capital do município de Ambaca, já estão montados os aparelhos técnicos das linhas de média, baixa tensão e domiciliar em alguns bairros. 

 

 No âmbito da aprovação da construção do novo matadouro industrial, estão a decorrer estudos preliminares para o arranque do projecto. O mesmo sucede com as reservas fundiárias. A circulação de pessoas e bens entre a comuna do Bindo e a sede municipal regista melhoras com os trabalhos de terraplanagem efectuados na picada que liga as duas localidades.
 
Café e gado


O município de Ambaca tem excelentes condições para a agropecuária, com relevância para a criação de animais de grande e pequeno porte, produção de cereais, tubérculos, café, frutas e madeira. A principal actividade é a agricultura de subsistência, praticada pela maioria da população.
Um relatório do Governo Provincial revela ainda que existem no município 61 associações de camponeses, 13 cooperativas e cinco agricultores que na actual época agrícola prepararam 154 hectares mecanizados, já semeados.
Até finais de 2009, foram recuperadas 24 fazendas, mais 20 em relação aos últimos três anos, com um efectivo de 6.527 cabeças de gado bovino, mais duas mil em relação ao ano de 2008.
Existem igualmente 52 fazendas de café, das quais duas desenvolvem as suas actividades com regularidade. O número de cafeicultores é de 1.446. O município conta com oito técnicos especializados, ligados aos ramos da Estação Municipal de Desenvolvimento Agrário, Gabinete Regional de Desenvolvimento Agrário de Camabatela, Brigada Técnica do Café e Mecanagro.

Educação e saúde

 Está em curso a conclusão de uma escola com seis salas de aulas, na sede municipal. Durante o ano em curso foram matriculados 13.233 alunos, dos quais 2.217 no ensino pré-escolar, 9.934 no primário, 857 no secundário do primeiro ciclo e 225 no segundo. O número de professores é de 337.
As autoridades escolares receberam da Direcção Provincial de Educação 278 pacotes de material didáctico para professores, 3.500 fichas para a iniciação, dois armários e 1100 carteiras individuais. No que diz respeito à formação profissional, estão inscritos mais de 100 instruendos no Centro Municipal de Formação Profissional
O Centro de Saúde Municipal regista mensalmente uma média de 11 doentes internados, 798 consultas e 16 partos. O banco de urgência atende 411 pacientes por mês.
Durante o mês de Setembro, foram diagnosticados 521 casos de malária, 179 de diarreias agudas, 394 doenças respiratórias, 267 de febre tifóide, 37 gastrites, 11 casos de hipertensão arterial, 43 casos de sarna e 27 de reumatismo.
Em relação à saúde materna foram vacinadas, em Agosto e Setembro, 84 mães contra o tétano, realizadas 131 consultas e 16 partos, dos quais cinco bebés morreram.
As campanhas de imunização contra a tuberculose, poliomielite e sarampo tiveram a adesão de 47.099 crianças.
Quanto à actualização do registo eleitoral, até o dia 13 de Setembro tinham sido registados 489 cidadãos, dos quais 271 do sexo masculino e 218 do feminino.

Falta de quadros

O corpo da Polícia Nacional em Ambaca registou durante o mês de Setembro 13 casos, todos esclarecidos. Em relação ao trânsito automóvel ocorreram dois acidentes de viação, sendo um por despiste e outro por choque contra uma casa, tendo como consequência um morto e três feridos.
As principais dificuldades em Camabatela são a falta gritante de quadros, insuficiência de estruturas (escolas e postos médicos), o acentuado estado de degradação das vias e a falta de água em algumas localidades do município.
O município de Ambaca é limitado a Norte pelos municípios do Negage e Cangola, a Sul por Samba Cajú e a Oeste com o Dange-Quitexe. É constituído pelas comunas do Bindo, Luinga, Máua e Tango. Tem uma extensão territorial de 30.807 quilómetros quadrados, o seu clima é temperado, e tem uma população de 70.500 habitantes.



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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
Estrada Uíge / Luanda - Estrada da morte

                A reabilitação da estrada Uíge / Luanda tem, infelizmente, contribuído para a nova guerra em Angola: a guerra das estradas. O alargamento da via e a sua repavimentação induz um aumento de velocidade para o qual o traçado da estrada não está preparado. O mais grave, ainda, é os condutores profissionais não adaptarem a sua condução às características do arruamento.

 

O esforço gasto na reedificação das infraestruturas tem por vezes este lado perverso que, tanto em Angola como em Portugal, se paga com um número elevado de vítimas.

 

 

 

 Curvas sem visibilidade

 

 

 

 Lombas

 

 

 

 Tráfego de veículos pesados

 

 

 

                Os acidentes sucedem-se

 

 

 

 

23-09-2010 / 14:30 / TPA 

 

Acidente rodoviário mata 3 pessoas neste final de semana

 

 

Três pessoas perderam a vida, quando a viatura em que se faziam transportar capotou em consequência de uma manobra perigosa. O acidente que teve como único sobrevivente o motorista ocorreu próximo da aldeia de Bengue a 32 quilómetros do município de Kitexi, Província do Uíge.

Importa realçar que o referido veículo fazia transporte de grades de cerveja com destino a capital do país. 

 

10-09-2010
Uíge
Mais de 20 feridos em acidente na via Luanda/Uíge

 

 

Uíge - Vinte e quatro mulheres do grupo coral da IEBA, quatro das quais em estado grave, ficaram feridas quinta-feira, em consequência de um acidente de viação ocorrido nas imediações de Vista Alegre, município de Quitexe, aproximadamente 100 quilómetros a sul da província do Uíge.

 

O autocarro que as transportava para município do Bembe, para festejarem os 100 anos da fundação desta confissão religiosa, capotou e deixou quase todos os seus ocupantes feridos.

 

As vítimas estão a receber tratamento no hospital provincial, de onde as quatro coristas em estado grave vão ser evacuadas para a capital do país, devido a gravidade das lesões contraídas, apurou a Angop.

07-10-2010
Desastre rodoviário na via Luanda – Uíge matou dezanove pessoas
 

Um acidente de viação matou dezanove pessoas e fez trinta e três feridos ontem «Quarta-feira», na via Luanda – Uíge propriamente na região do Úcua província do Bengo.

Tudo começou quando um autocarro da empresa de transporte público J África tentava fazer uma ultrapassagem, numa curva perigosa sobre o Rio Ube. O automobilista perdeu o controlo do volante e despistou-se caindo no Rio.

No local do acidente apareceram bombeiros, agentes de investigação criminal e polícia de trânsito, para tentarem retirar algumas vítimas e averiguarem melhor o sucedido.

O porta-voz da polícia no Bengo «Lucas Miranda» disse que, a falta de prudência, excesso de velocidade, falta de acatamento dos conselhos passado pela polícia, foram as causas deste acidente.    

O motorista e mais 17 pessoas tiveram morte imediata, enquanto que os trinta e cincos feridos graves foram transportados com urgência para o hospital provincial do Bengo. Dois deles acabaram por morrer.

 

 

 

30-07-2010

 Cinco pessoas morreram de acidente hoje na via Luanda/Uíge

Uíge - Cinco pessoas morreram nesta manhã de sexta-feira, vitimas de acidente de viação na via Luanda/Uíge, informou hoje à Angop no local, o regulador em serviço na referida via, Santos de Oliveira

Segundo explicou, os únicos ocupantes do camião/cisterna que transportava combustível para o Uíge faleceram de imediato, após o despiste da viatura, deixando até a altura da informação, o motorista entalado no camião.

 

Santos de Oliveira que não revelou as causas do acidente deu a conhecer que o mesmo ocorreu nas imediações de Vista Alegre e Aldeia Viçosa (município do Quitexe), cerca de 60 quilómetros da cidade do Uíge.

Nota: A maioria das fotos são da autoria de  Luís Felizardo (Bembe) a quem agradecemos.



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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
Dicionário Corográfico-Comercial de Angola, 4ª Edição, 1959 -João Cabral

Dando por findo um tempo sem notícias, aqui vai alguma informação em que tropecei  numa ida ao Arquivo Histórico Ultramarino. Trata-se do Dicionário Corográfico-Comercial de Angola, 4ª Edição, 1959, e as respectivas páginas sobre o Quitexe.

Uma pequena nota de aviso: por definição, os dados constantes do dicionário são anteriores à data de publicação. Mais: naqueles dias, tanto o Quitexe como quase toda aquela zona estava em desenvolvimento acelerado. E se a 1ª edição é de 1947 e a 2ª de 1948, já a 3ª é de 1955. Assim, eu diria que muita da informação poderá ter passado de uma edição para a outra (55 para 59), pois seria pedir demasiado que toda ela fosse reavaliada. Seja como for, e podendo eu estar enganado, uma coisa é certa: a informação será (tendencialmente) a verdadeira para um dos seguintes anos: 1956, 57 ou 58.

 

João Cabral

 

  

 

 



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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
Mais de 70 toneladas de café mabuba comercializadas em Quitexe

 

Uíge - Setenta e seis toneladas de café mabuba, da última safra (2009), foram comercializadas no município do Dange Quitexe, e a colheita deste ano estima-se em 250 toneladas, informou hoje, à Angop, uma fonte do sector.

 

De acordo com o director do instituto nacional do café (INCA), no Quitexe, Joaquim Manuel Cunua, "o café foi comercializado pelas empresas Altaminho, Buba e SOICAFE e constitui um incentivo para os produtores, no fomento da produção" do bago vermelho na circunscrição.

Afirmou que o sector no município do Quitexe controla 76 fazendas e mil 99 cafeicultores, divididos em quatro escalões, dos quais 352 outros estão em plena actividade, além de empresas familiares localizadas nas três comunas (Vista Alegre, Aldeia Viçosa e Kambamba) e sede do município.

 

"O município do Quitexe foi grande produtor de café, no passado", recordou o responsável, adiantando que entre as empresas cafeícolas então existentes, mais de 10 fazendas estão já em funcionamento, citando as fazendas Mizecano, Camugingo, Zé Maria, Pumba Sai, Isabel Maria, São Pedro, Micons, São José de Carvalho, Maria Luísa e outros.

 

Joaquim Manuel Cunua frisou que, no quadro do fomento da produção cafeícola no município, o INCA tem no alfobre 10 mil 283 cafeeiros, entre espécies robusta e arábica.

 

O município do Quitexe, 41 quilómetros a sul da cidade do Uíge, além de produtor do café, é potencial em madeira e tem uma população estimada em 57.634 habitantes, maioritariamente camponeses, produz banana, amendoim, batata doce e rena, feijão, milho e outros.



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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010
O descasque do café na Fazenda Quimbanze - Alfredo Baeta Garcia

 

Nos anos 50 a produção indígena era ainda descascada segundo o método tradicional no pirão, pois os comerciantes só compravam café limpo, que era ensacado em  sacos de juta de 80 Kg. Em algumas sanzalas foram instalados, mais tarde, descascadores mecânicos accionados por motores de explosão que tornam a tarefa mil vezes mais rápida.

 

Nas fazendas dos europeus, as maiores áreas de cultivo, aliadas à maior capacidade financeira e empresarial, possibilitaram a introdução rápida dos métodos mecânicos.

 

Na Fazenda Quimbanze o equipamento para descasque e beneficiação do café começou com um simples descascador que funcionava movido por um tractor Volvo que tinha uma transmissão para esse efeito.

 

Uns anos depois, por volta de 1956/57, compramos ao  Ferreira Lima uma máquina que trabalhava no Pumbaloge, marca ANDREIA, fabricada em Limeira - Estado de S. Paulo - Brasil, composta, à entrada por uma tarara que fazia a limpeza dos objectos estranhos e mais volumosos e, seguidamente, por meio de elevadores, enviava a Mabuba (café seco por descascar) para o descascador que funcionava como um moinho de martelos e não por aperto num sem-fim, como os descascadores primitivos. Uma potente ventoinha expelia para o exterior toda a casca, sendo o produto do descasque levado para um peneiro que com vários movimentos separava o café completamente descascado dos bagos por descascar e os reconduzia ao descascador.

O café limpo, saído deste peneiro, era distribuído por dois classificadores para tamanhos, cada um com quatro seleccionadores com a sua bica que deitavam, cada um, para sua tulha. Era uma máquina muito interessante, quando em funcionamento, movida por um motor diesel que antes estava na cerâmica.

 

Um ano depois, como deixou de ter interesse a classificação que se fazia, esta ANDREIA foi substituída por uma máquina idêntica, mas sem classificador e de maior rendimento, fabricada em Angola pela SOTECMA, Sociedade Técnica Cardoso de Matos do Amboím.

 

 

No ano de 1970 a colheita foi de tal maneira atacada pela “broca”, que furava os bagos ainda verdes na árvore, que, depois de seco e descascado, rigorosamente classificado, o café não iria além de resíduos. Tentando minorar essa calamidade pela escolha, comprámos em Luanda à pressa, uma máquina brasileira marca MOREIRA que fazia essa selecção. Funcionava por meio de um motor eléctrico, pelo que tínhamos que por a trabalhar durante o dia o gerador da iluminação eléctrica. O resultado foi pouco animador, pois como sabíamos, a maior parte dos bagos estava furada reduzindo a colheita desse ano para um terço.

Depois do primeiro choque, de que os exportadores se aproveitaram para comprar aos produtores pelo preço que entendiam, a situação quase normalizou, deixando o bago furado de ser considerado defeito com a importância que vinha tendo.

 

 

Pouco tempo depois comprámos um secador que se destinava a retirar a humidade do café quer já descascado, quer, principalmente, em mabuba, que por qualquer acidente como uma chuvada no terreiro onde esta secava ou por motivos de espaço, de onde era retirada mal seca.

Esta máquina compunha-se de um enorme cilindro metálico que rolava sobre si e tinha umas saliências interiores para misturar o seu conteúdo, onde era injectado ar quente e seco proveniente de uma caldeira tubular. No interior dos tubos circulava ar, em vez de água, a temperaturas convenientes e saía, depois, com a humidade tirada ao café ou mabuba. Este secador foi comprado e construído em Luanda numa firma onde entrava o nome Antão.

 

Nessa altura começou um novo processo de descasque chamado de “via húmida” que apenas a Companhia do Pumbassai utilizava, não por ser mais caro, mas apenas diferente, que requeria um terreiro pavimentado, de preferência. O café, colhido em cereja e maduro, era facilmente despolpável numa espécie de descascador, parecido com os antigos, onde era prensado com bastante água, pelo que, assim lavado, secava no terreiro mais facilmente. Este processo implicava que a colheita tinha que ser feita com mais cuidado de maneira a não levar bagos verdes que, depois de secos, ficavam negros prejudicando a classificação do café.

 

Em 1975 a Fazenda Quimbanze era uma das mais bem equipadas não só no sector do descasque e beneficiação, mas também nas restantes estruturas.

 

A sua produção era a de uma fazenda média, podendo em 1975 e, a partir daí, chegar às 500 toneladas / ano.



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Sábado, 2 de Outubro de 2010
Quitexe - as placas de identificação da vila -II

Placa de identificação do Quitexe colocada pela JAEA

Fotografia de José Oliveira tirada em 1969

 

 

 Fotografia tirada em 2004 (?)

 

Após o alargamento e repavimentação da estrada foi colocada nova placa como comprova a fotografia tirada por Luís Felizardo na sua viagem até ao Bembe.

 



publicado por Quimbanze às 08:37
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Aldeia Viçosa - Jornal de Angola

A comuna de Aldeia Viçosa, no município do Quitexe, província do Uíge, ainda mostra as ruínas provocadas pela guerra. Desde que Angola vive em paz há muito projecto concretizado mas ainda está muito por fazer, sobretudo nos sectores da educação e da saúde.
São 14 horas e as ruas da comuna da Aldeia Viçosa estão desertas e silenciosas. A maioria dos habitantes dedica-se à produção agrícola. Vão às lavras muito cedo e só voltam no final do dia.
Os estabelecimentos comerciais têm poucos produtos nas prateleiras, mas já se nota algum movimento de clientes. É o renascer de uma localidade fustigada pela guerra durante três décadas.
Alguns jovens estão pendurados nos velhos muros do tempo colonial, falam e riem. Mas a maioria está nas aulas que funcionam nos escombros das antigas unidades militares e igrejas construídas no período colonial.
Neste momento estão em construção mais escolas, postos e centros de saúde, sistemas de abastecimento de água potável e de distribuição de energia eléctrica.
O administrador comunal, Mateus Pedro, disse à reportagem do Jornal de Angola que a população continua a praticar uma agricultura do tipo rudimentar. Mandioca, jinguba, feijão, pevide, batata, abóbora, banana e uma grande diversidade de hortícolas, são os produtos mais cultivados na região. Alguns cafeicultores estão a dar pequenos passos com vista à revitalização da produção do café.

Falta água e luz

Vila Viçosa está sem energia eléctrica e água potável. A comuna tem postes de iluminação alimentados por placas solares que funcionam à noite. “Temos projectos para construir sistemas de captação, tratamento e abastecimento de água e para a rede eléctrica. Esperamos que sejam concretizados o mais rápido possível”, disse o administrador, acrescentando que os sectores da energia e águas fazem parte das prioridades definidas para a rápida recuperação de Aldeia Viçosa.
“A reabilitação das vias de acesso vai possibilitar o transporte dos materiais necessários para a construção de escolas, postos de saúde, sistemas de fornecimento de água potável e energia eléctrica, para além de facilitar a livre circulação de pessoas e bens”, rematou o administrador Mateus Pedro.

Abandono escolar

Carlos Cabral Alexandre, coordenador escolar da comuna, está preocupado com o abandono das crianças: “muitos alunos desistem de ir às aulas por negligência dos pais, que obrigam os filhos a trabalhar nas lavras”.
O coordenador escolar disse à reportagem do Jornal de Angola que, durante o presente ano lectivo, pelo menos 102 crianças desistiram de estudar: “são 55 rapazes e 47 raparigas que decidiram trocar a escola pelo campo, obrigados pelos pais. Já convocamos os encarregados de educação, mas eles são indiferentes à situação”, informou.
O ensino primário e o primeiro ciclo têm um total de 925 alunos matriculados, sendo 520 masculinos e 405 femininos, que estudam nos escombros de antigas unidades militares, igrejas, e debaixo de árvores. A comuna tem 76 professores que asseguram o funcionamento do sector.
Os alunos que transitam para o segundo ciclo são obrigados  ir até à sede do município do Quitexe, para darem continuidade aos estudos. O material didáctico é outra dor de cabeça. Há uma grande carência de manuais de leitura da quarta classe.
O Governo Provincial do Uíge está a construir em Vila Viçosa uma escola de quatro salas com capacidade para albergar 360 alunos subdivididos em dois períodos de aulas. A rede escolar tem 17 escolas que funcionam em péssimas condições e nem sequer têm carteiras. Os alunos levam de casa bancos ou latas para se sentarem.
Irene Augusto Manuel, estudante da 9ª classe, está feliz com a construção da nova escola: “já é tempo de estudarmos em escolas com carteiras e quadros.
 Estou feliz porque, finalmente, vamos deixar de estudar debaixo de árvores ou em salas de aulas que não possuem quadros nem carteiras”, disse.
“É um grande passo que o Governo Provincial está a dar, mas é preciso construir mais escolas para que todos os estudantes da comuna possam sentir-se bem”, disse o estudante Amélio António.
Amílcar Fernando Maxinde é de opinião que a nova escola, para além de proporcionar uma imagem mais vistosa à vila, vai contribuir para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem. “Mas é necessário que esteja bem apetrechada e precisamos de mais escolas”, disse a concluir.

Ambulância sem motorista

Aldeia Viçosa tem um centro de saúde onde funcionam apenas três enfermeiros. Miguel Candando Boto, chefe do centro de saúde comunal, disse que a unidade sanitária necessita de, pelo menos, sete enfermeiros para permitir a melhoria dos serviços de assistência sanitária às populações locais.
Apesar do Governo Provincial do Uíge colocar uma ambulância nova à disposição do centro de saúde da comuna, ela não funciona por falta de motoristas.
“Nós recebemos a ambulância há mais de dois anos e até agora não conseguimos arranjar um motorista. Sempre que é necessário evacuar um doente, pedimos sempre favores a alguns motoristas que, embora trabalhando noutros sectores, se mostram disponíveis para nos dar uma ajuda”, revelou.
Por falta de reagentes, no laboratório são feitas apenas análises de gota espessa, fezes e urina. O paludismo e as diarreias agudas são as doenças mais frequentes na localidade.Quanto ao paludismo, o chefe do centro de saúde da comuna de Aldeia Viçosa, Miguel Candando Boto, garantiu que o sector realiza palestras sobre as formas de prevenção da doença, para além de distribuir mosquiteiros à população.
Para o responsável comunal, a distribuição de água potável às populações seria o melhor antídoto para a prevenção de muitas doenças de origem hídrica.
“Se tivessemos regularizado o abastecimento de água potável às populações, tenho a certeza que muitos casos de diarreias seriam cortados pela raiz”, disse.

Caça furtiva

A par da agricultura rudimentar, a caça é outra forma encontrada pelas populações para a sua subsitência. Macacos, javalis, veados e outros animais de pequeno e médio  porte são encontrados no mercado local e ao longo da via que dá acesso à Vila Viçosa.
 As autoridades proibiram a caça desses animais, mas caçadores furtivos abatem diariamente  dezenas de peças de caça que são encontradas facilmente à venda no mercado local.
De acordo com velho Manuel, apesar da proibição, as pessoas continuam a caçar, porque além da caça ter tradição na região, é um dos poucos meios existentes para a sobrevivência de muitas famílias.  

 

José Bule - Jornal de Angola





publicado por Quimbanze às 21:27
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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010
Quitexe 1966 - José Lapa

Depois dois meses de interregno regressamos ao blogue com a colaboração do amigo José Lapa que nos enviou duas fotografias do ano de 1966:

 

 

 

Foto do cemitério do Quitexe, no ano de 1966. Ao fundo do lado direito são visiveis algumas casas do Quitexe.
            
 

 


             Foto do Natal de 1966, no Quitexe, onde se vê em primeiro plano o Comandante do BARTº786,Ten.Cor.Dagoberto C.Graça (já falecido). Alguém se reconhece?



publicado por Quimbanze às 09:33
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010
Administração incentiva aumento na produção na Aldeia Viçosa

 

A comuna da Aldeia Viçosa, 65 quilómetros a sul da cidade do Úige, é composta por cinco regedorias, 20 povoações e com uma população estimada em nove mil 72 habitantes maioritariamente camponesa que produz mandioca, amendoim, milho, batata-doce, banana e diversas hortícolas.

 

 

Uíge - A Administração Comunal da Aldeia Viçosa, município do Quitexe,  está a trabalhar,  desde o princípio do corrente ano, na sensibilização da população para o aumento da produção agrícola, no âmbito Programa do Governo de Combate à Fome e à Pobreza nas comunidades.

 

O administrador comunal de aldeia Viçosa, Mateus Pedro,  que anunciou o facto hoje,  quinta-feira,  à Angop, disse que a população da comuna está a corresponder com as expectativas, estando já a trabalhar para o aumento dos campos de cultivo.

 

"O maior problema que enfrentamos no ramo de agricultura é a falta de máquinas de lavoura, para preparação dos campos de cultivo, de modo que os camponeses não produzam só para o auto-sustento. Até agora continuam a trabalhar com instrumentos
rudimentares (enxadas e catanas) ”, frisou.

 


Mateus Pedro afirmou,  por outro, que estão também a mobilizar os camponeses para se organizarem em associações com vista a progredir para cooperativa de produção agrícola.

 



publicado por Quimbanze às 07:52
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE V - A DIVISÃO ADMINISTRATIVA (CONTINUAÇÃO)

 

Coordenação: João Matos Garcia

 

Colaboração: Arlindo de Sousa  

                    João Cabral

 

 

 

 

Imediatamente antes de 1961 já os Postos Administrativos do Quitexe (pertencendo ao concelho de Ambaca - Camabatela) e do Dange (pertencendo ao concelho dos Dembos - Quibaxe) estão ambos integrados no Distrito do Cuanza Norte

 

 

Na sequência dos acontecimentos de 15 de Março de 1961, uma nova reorganização administrativa fez o Quitexe recuperar a antigo estatuto perdido (de cabeça de circunscrição), transformando-o em sede da Administração do Concelho do Dange, então criado pela portaria nº11740 de 26JUL61.

 

Procedeu-se à junção de dois postos administrativos, Quitexe (destacado do concelho de Ambaca - Camabatela) e Dange (desanexado do Concelho dos Dembos – Quibaxe), ficando a sede no primeiro e adoptando o nome do segundo. E sob a sua dependência, para além do posto – sede, ficaram os postos administrativos de Aldeia Viçosa e Vista Alegre, então também criados, e o Posto Administrativo de Cambamba (antiga sede do posto de Dange).

 

 

Sanzala e morro da Cambamba

 

Cambamba

 

Pouco tempo depois (21 de Julho de 1962), verificou-se novo reajustamento administrativo, em resultado do qual o Concelho do Dange foi separado do Distrito do Quanza Norte, de cuja capital o Quitexe dista 300 Km, e passou a pertencer ao distrito do Uíge, cuja capital está apenas a 40 Km de distância.

 

Houve cerimónia oficial no Quitexe. Para além de muitas outras pessoas, estiveram presentes os Governadores de ambos os distritos respectivamente Major Silva Sebastião e Major Rebocho Vaz, o Comandante Militar do Quitexe e o Dr. Pinto Assoreira. Na ocasião foram "Louvados por S exa. Gov. Dist. Q. N." o Secretário da Administração do Quitexe Políbio Fernando Amaro Valente de Almeida e os Chefes de Posto António Augusto Ribeiro França (Aldeia Viçosa) e Guedes Vaz (Vista Alegre).

 

Aldeia Viçosa 1967

 

 Em 1962 foi permitido à vila de Quitexe usar escudo e bandeira:

Portaria n.º 19076

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Ultramar, no uso da competência que lhe é conferida pela base XI da Lei Orgânica do Ultramar e nos termos da base XLVIII da mesma lei e do artigo 4.º das ordenações aprovadas pela Portaria n.º 8098, de 6 de Maio de 1935:

1.º As povoações da província de Angola adiante mencionadas têm direito a usar escudo de armas ordenadas da forma que a seguir se indica:

Quitexe - Em campo de prata, um ramo de cafèzeiro de verde, frutado de vermelho, posto em pala; em chefe, duas pacassas de negro, de cornutos azuis, aprontadas.

2.º Às povoações referidas no número anterior é permitido o uso das bandeiras que a seguir são descritas:

Quitexe - Esquartelada de amarelo e negro. Cordões e borlas das mesmas cores.

Ministério do Ultramar, 15 de Março de 1962. - Ministro do Ultramar, Adriano José Alves Moreira.  

 

 

 

Com a implantação da independência em 11 de Novembro de 1975, a Lei Constitucional passou a definir no seu artigo 55º:

O território da República de Angola, para fins político-administrativos, divide-se em Províncias, Municípios, Comunas e Bairros ou Povoações.

 

 

 

As Províncias, Municípios e Comunas, mantiveram, de um modo geral, os limites dos anteriores distritos, concelhos e postos administrativos. Deste modo o Município do Quitexe-Dange integra a província do Uíge e engloba, além da comuna sede, as comunas de Aldeia Viçosa (Quitende), Vista Alegre (Quifuafua) e Cambamba

 

 

 

 



publicado por Quimbanze às 09:23
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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010
I Feira Agropecuária no Quitexe

Os expositores da I Feira Agropecuária do Uíge, que arranca sexta-feira, no município de Quitexe, esperam que o evento venha a contribuir para o crescimento da agricultura e da pecuária, em direcção ao desenvolvimento sócio-económico da província.
A feira, alusiva aos 93 anos da cidade do Uige, conta com expositores de sectores diversos, como a agricultura, pecuária, artesanato, comércio e serviços, dos 16 municípios da província.
Zola Lucau, responsável pela montagem do stand da fazenda Kibopecuária, do município de Maquela do Zombo, considera que a ideia do Governo provincial, em promover a feira agropecuária anualmente, vai contribuir para o desenvolvimento económico e a promoção turística da província, que prevê receber, nesta primeira edição, mais de 10 mil visitantes. “Esperamos, com esta feira, mostrar as potencialidades da província e aquilo que de melhor aqui se produz”, disse Zola Lucau. A fazenda por que responde vai expor, durante os nove dias da feira, bovinos e caprinos, galinhas, banana, pão, mandioca, café, abacaxi, laranja, manga, madeira e materiais de construção.
A fazenda Kibopecuária, que participa pela primeira vez numa feira agropecuária, segundo Zola Lucau, tem mais de 600 cabeças de gado bovino e caprino. Uma cabeça de gado bovino no stand desta fazenda custa mil e 500 dólares, enquanto o preço do caprino varia entre os oito e 12 mil kwanzas.
“O nosso gado é proveniente do Brasil e da República Democrática do Congo e é de boa qualidade”, garantiu.
Por seu lado, João Bunga, expositor de Quitexe, defende que a feira, à semelhança das realizadas em outras províncias do país, além de promover os sectores da agricultura e pecuária, deve fomentar a troca de experiências entre os agricultores e os criadores de gado.
O evento abriu, igualmente, espaço para produtos como leite e mandioca, confecção de artesanatos, gastronomia, comercialização de factores de produção a nível da agricultura e venda de plantas ornamentais.
“Estamos nesta feira para divulgar a qualidade dos produtos da província do Uíge, em geral, e do município de Quitexe, em particular”, disse João Bunga. Para o empresário, o evento serve também para mostrar aos visitantes que Quitexe é um pólo de produção, principalmente de hortaliças, frutas, mandioca, banana, gingumba e outros produtos.
Para Mário Pedro, expositor do município do Songo, a feira é uma oportunidade para este sector trocar experiências na área de produção e comercialização dos seus bens. “Temos animais e produtos do campo de excelente qualidade”, disse.

 

Jornal de Angola



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Domingo, 20 de Junho de 2010
APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE - GUERRA, CARVALHO & Cª Lda

O velho Guerra (Augusto César Guerra Borges) quando foi para Angola no início do século XX, foi inicialmente trabalhar

para o Lucala onde conheceu  e fez amizade com outro compatriota de nome Lanita.

 

Depois foi para o Quitexe onde fez uma grande demarcação. A fazenda inicialmente chamava-se Rio Vouga. A fazenda era tão grande que o velho Guerra acabou por ceder uma quota ao Sr. Carvalho.

 

A Sociedade passou a chamar-se Guerra, Carvalho & Ca Lda

 

 

 

Anos mais tarde o César Guerra dá uma quota (da parte dele da fazenda) a uma das filhas do Sr. Lanita e a sociedade passa a chamar-se Guerra & Cª Lda., nome que manteve até 75.

 

Com a morte do velho Guerra, a parte deste foi assumida pelo genro Celestino Pereira (Celestino Guerra).

 

 

Mapa de 1944



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Sábado, 19 de Junho de 2010
APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE - TORRES GARCIA

Como vimos, anteriormente, a listagem de "Agricultores"  do Quitexe, de acordo com o "Anuário do Império Colonial", aquando da sua 1ª edição, 1935, era a seguinte


 - Dr. António Alberto Torres Garcia
 - Guerra, Carvalho & Cª, Lda.
 - José Borges Calheiros
 - José Ferreira
 - José Neves Ferreira
 - Matos, Vaz & Cª Lda.

  

Começamos pelo primeiro da lista, Dr. António Alberto Torres Garcia:

  

Nasceu em Várzea  Grande -Vila Nova do Ceira, no ano de 1889, e veio a morrer, na casa onde nasceu, a  9 de Setembro de 1937.

Era filho do proprietário Joaquim da Costa Garcia e de Maria Augusta Nazaré Garcia.

Concluídos os estudos liceais em Coimbra, ingressa na Faculdade de Direito dessa cidade, obtendo o respectivo grau de bacharel em 1911, e, mais tarde, frequenta o 1.º ano do Instituto Superior Técnico. O seu percurso profissional é pautado pelo exercício de diferentes actividades, em áreas diversas.

Na docência, foi assistente da Faculdade de Ciências de Coimbra, professor no Liceu José Falcão e lente na Escola Industrial e Comercial Brotero.

 

 

No âmbito militar, fez parte do Corpo Expedicionário Português no posto de alferes miliciano, de onde ascendeu a tenente miliciano no Batalhão de Artilharia da Costa e a capitão, quando regressou da campanha.

Na administração de Angola, serviu, desde 1926, de secretário provincial e, entre 26 de Março e 17 de Agosto de 1928, de governador--geral interino, ocupando ainda o lugar de director da Companhia de       Pesca do Sul desse território ultramarino.

Por sua iniciativa foi fundado em 1932, em Porto Alexandre, o sindicato de Pesca, depois GRÉMIO DOS INDUSTRIAIS  DE PESCA sendo, de longe  a maior obra socioeconómica do distrito. A importância deste organismo foi de tal maneira válida que as suas estruturas iniciais se mantiveram inalteradas, no fundamental, até ao fim, até 1975.

 

Finalmente, no domínio do associativismo, presidiu à Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra, desempenhou o cargo de secretário--geral do Congresso Beirão, em 1936, e integrou o conselho directivo da Casa das Beiras.

Emancipando-se ideologicamente na última década da Monarquia, filia-se no Partido Republicano Português, além de aderir ao Centro Republicano Académico e à Maçonaria, em cuja loja “Redenção” se iniciou, sob o nome de Morral.

É durante a I República que desempenha os cargos políticos mais relevantes. Começa por ser vereador da Câmara Municipal de Coimbra, em 1913 (reassumindo o lugar na década de 1930), da qual virá a ser presidente e vogal, a partir de 1920. Segue-se a passagem pelo Congresso da República, onde foi deputado por Coimbra (nos períodos de 1921 a 1922 e de 1922 a 1925) e, nessa condição, membro das comissões de Orçamento, Finanças, Comércio e Indústria e Guerra.

Ascende, por fim, à esfera governativa, nos papéis de ministro do Trabalho (em Novembro de 1921), ministro da Agricultura (de 22 de Julho a 22 de Novembro de 1924; de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925 e de 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926) e, por último, ministro das Finanças, que exerceu entre 1 de Agosto e 17 de Dezembro de 1925.

Além de ter sido director do Diário de Coimbra desde os tempos da Ditadura Militar até 1937, ano em que faleceu, notabilizou-se enquanto conferencista, tendo realizado palestras sobre assuntos coloniais na Sociedade de Geografia de Lisboa, na Associação Comercial do Porto e na Câmara Municipal de Coimbra.

Foi igualmente o grande impulsionador do Caminho de Ferro de Arganil. Mas, apesar das verbas que disponibilizou para a obra, enquanto ministro das finanças, e de toda a actividade exercida em prol deste investimento viu a linha de caminho de ferro parar a escassos 5 Km da sua terra Vila Nova do Ceira, ficando a linha reduzida ao ramal da Lousã com términos em Serpins.

 

Durante a sua permanência em Angola demarcou diversas propriedades, tendo requerido, em 1929 a concessão dos seguintes terrenos, na circunscrição da Quibala, Distrito do Cuanza-Sul (conforme descrito no Boletim Oficial de Angola):


- 4900 ha em Bango-ia-Coma, na sede da circunscrição;
- 4900 ha no Sobado de Tari, em Cariango;
- 4900 ha, no Sobado de Gungo, em Cariango;
- 4900 ha, em Catumbe, na sede da circunscrição;

Apesar destas demarcações não terá aí exercido qualquer actividade agrícola.

 

Mais tarde, e de acordo com o Boletim Oficial de Angola de 28 de Maio de 32, é-lhe atribuída a concessão de uma propriedade na área do Encoje que será a fazenda Pumbaloge no Quitexe que, no entanto, nunca terá gerido directamente.

 

Curiosas, são as áreas demarcadas, sempre de 4900 Ha. A explicação residia na tabela de taxas:

 

 

Aviso da Repartição Superior da Agrimensura

 

- Para os devidos efeitos se publica que as importâncias a depositar… pelos requerentes de concessões de terrenos do Estado ou de títulos de concessão ou de propriedade, são os seguintes:

 

          Terrenos de 1ª classe (povoações classificadas)

- até 500 m2                     -   30$00 

- por cada 100 m2 além  -     1$00

  

       Terrenos de 2ª classe e subúrbios

- até 500 ha                     -   30$00 

- de 501 até 2500 ha        -   70$00 

- de 2501 até 5000 ha      - 120$00 

- por cada 100 há a mais -     4$00

 

Não são aceites vales ou cheques. As importâncias deverão ser depositadas na Caixa Económica Postal ou Fazenda, à ordem do Director da Agrimensura.

29 de Agosto de 1923.

 

Saliente-se que, depois da demarcação havia que obter uma licença provisória de ocupação que só era passada se estivessem agricultados 20% da área demarcada. Para esse efeito era feita uma vistoria com elementos da administração, das finanças e testemunhas dos interessados.

 


 



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Sábado, 12 de Junho de 2010
Administração incentiva aumento na produção na Aldeia Viçosa

 

 

Uíge - A Administração Comunal da Aldeia Viçosa, município do Quitexe,  está a trabalhar,  desde o princípio do corrente ano, na sensibilização da população para o aumento da produção agrícola, no âmbito Programa do Governo de Combate à Fome e à Pobreza nas comunidades.

 

O administrador comunal de aldeia Viçosa, Mateus Pedro, disse que a população da comuna está a corresponder com as expectativas, estando já a trabalhar para o aumento dos campos de cultivo.

 

"O maior problema que enfrentamos no ramo de agricultura é a falta de máquinas de lavoura, para preparação dos campos de cultivo, de modo que os camponeses não produzam só para o auto-sustento. Até agora continuam a trabalhar com instrumentos
rudimentares (enxadas e catanas) ”, frisou.

 


Mateus Pedro afirmou,  por outro, que estão também a mobilizar os camponeses para se organizarem em associações com vista a progredir para cooperativa de produção agrícola.

 

A comuna da Aldeia Viçosa, 65 quilómetros a sul da cidade do Uige, é composta por cinco regedorias, 20 povoações e com uma população estimada em nove mil 72 habitantes maioritariamente camponesa que produz mandioca, amendoim, milho, batata-doce, banana e diversas hortícolas.

 

ANGOP



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Quinta-feira, 10 de Junho de 2010
Quitexe - Reabilitação de edifícios na ordem do dia

A administração municipal de Quitexe está apostada na recuperação de infra-estruturas sociais e económicas da sede do município e das comunas, com vista a garantir uma maior qualidade no funcionamento do executivo local e a melhorar a imagem arquitectónica das vilas.
A administradora municipal, Maria Fernando Cavungo, disse ao Jornal de Angola que, no âmbito dos investimentos locais, o seu pelouro está empenhado na reabilitação de escolas, residências e edifícios onde funcionam algumas dependências da administração municipal e das administrações comunais de Cambamba, Aldeia Viçosa e Vista Alegre.
“Estamos a recuperar as infra-estruturas que foram destruídas durante o conflito armado para melhorarmos a imagem das vilas, garantir melhor comodidade aos funcionários nos locais de serviço e dar resposta ao anseios da população, transformando desta forma o município num verdadeiro estaleiro de obras”, disse.
Maria Cavungo avançou que os projectos, integrados no Programa de Intervenção Municipal (PIM) para o município de Quitexe, para o presente ano, estão direccionados para a reabilitação e construção de mais infra-estruturas escolares, residências para os administradores comunais e seus adjuntos, sistema de abastecimento de água e reabilitação das vias de acesso às comunas e aldeias.
“Está elaborado um programa integrado e extensivo para o município. Pretendemos melhorar as condições de vida da população, através da construção de mais infra-estruturas e na recuperação das estradas que ligam a sede municipal às comunas e aldeias”, referiu.
 A administradora Maria Cavungo reafirmou a necessidade de se reabilitar a estrada que dá acesso à comuna de Cambamba, com a máxima urgência possível, tendo em conta que a mesma apresenta um elevado nível de degradação, dificultando a circulação da população e o processo de escoamento dos produtos cultivados na localidade.

 

Jornal de Angola - António Capitão |Quitexe - 08 de Junho, 2010



publicado por Quimbanze às 08:52
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Chão de Kanâmbua – Tomás Lima Coelho - Chiado Editora - 2010

 

 

Dominando com mestria as palavras e a escrita Tomás Lima Coelho construiu um notável romance histórico vivido em terras malanjinas na segunda metade do Século XIX. Associando personalidades e factos históricos com personagens e vivências ficcionadas, mas bem enquadradas e ancoradas em relatos, documentos e muita investigação histórica, Tomás leva-nos ao encontro do período da história de Angola em que a correlação de forças nesta zona e, portanto, da guerra de ocupação foi pendendo para o lado português. As primeiras tentativas de colonização com recurso a degredados e as sucessivas guerras, foram conduzindo a uma dominação cada vez mais permanente do exército colonial.

 

Em torno de Manuel Justino, degredado chegado a Angola em 1860, e logo enviado como soldado para o presídio de Malanje são tecidas diversas histórias, dramas, guerras e conflitos, mas, também, amizades e, raramente, alguma solidariedade envolvendo colonizadores e colonizados. Com ele se vão cruzando o Coronel Henrique de Carvalho, os exploradores Ivens e Capelo, o degredado Zé do Telhado e muitas outras figuras, portuguesas e angolanas que a história de Malanje irá referenciar. E é, também, questionada a versão oficial da história que promove aqueles que por obras vis e mesquinhas “se vão de lei da morte libertando”, ofuscando os Homens (com H maiúsculo) que contribuíram, de facto, para o bom relacionamento entre os povos.

 

Uma obra a não perder, cuja sessão de lançamento está marcada para o dia 19 de Junho, sábado, pelas 16 horas, na Livraria Les Enfants Térribles que se situa no Cinema King, junto ao Teatro Maria Matos, em Lisboa.

Para aqueles que não puderem comparecer e que queiram adquirir o livro, podem fazê-lo contactando o autor, por telemóvel (964070576) ou mail (tomaslimacoelho@hotmail.com), para combinar a entrega.

 

Tomás Daniel Gavino Lima Coelho nasceu em Mossâmedes (hoje Namibe) em 5 de Outubro de 1952. É o mais velho de 5 irmãos todos naturais de Angola. O pai, Ápio de Andrade Coelho, nascido no Lobito, filho de um português que arribou a Angola em 1890, descendia, pelo lado materno de uma família Angolana originária de Ambriz. A Mãe, Maria lúcia Gavino, pertencia a uma família muito conhecida em terras do sul. Sendo o pai funcionário da Fazenda Nacional e, por isso, sujeito a transferências sucessivas, percorreu desse modo grande parte do território angolano, residindo em Malange em 1975. Nesta data viaja para Portugal com toda a família, fugindo à guerra.

Sobre as suas origens naturais e afectivas, gosta de se definir com as palavras do poeta: "No Namibe vi a primeira luz do dia, mas foi em Malange que nasci".

 

 



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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Notas sobre Santo António de Caculo Caenda e sobre o alferes David Magno - Parte 2 - João Cabral

Iniciado o confronto nesse ano de 1907, muitos milhares de homens estiveram envolvidos. 12.000 é um dos números indicados para o total de guerreiros reunidos pelos Dembos. Os portugueses sempre foram bastante menos, raramente excedendo as centenas.

Entre muitos outros recontros similares, “A 20 de Outubro, depois de encarniçada defesa do Cazuangongo (um ‘Soba’, chefe regional), a sua banza (povoação-residência de um chefe gentílico, acampamento fortificado) de Santo António de Lisboa foi tomada à baioneta. Para resistir ao assalto, o dembo mandou incendiá-la parcialmente, mas em vão. Os seus arquivos arderam, mas os portugueses recuperaram algumas armas perdidas em 1872 e já inutilizadas.”

Noroeste de Angola (1848-1878) - Pélissier, René - Les Campanges Coloniales du Portugal

 

No ano seguinte, em 1908, já Cazuangongo reconstruíra a sua banza de Santo António de Lisboa. Porém, a 23 de Julho os portugueses voltaram a atacar a banza, desta vez usando um canhão até lá rebocado. Mais uma vez foram bem sucedidos… porém, “Depois desta vitória, a tropa abandonou a posição, que era perigosa, e regressou a Maravila. Sofrera 6 ou 7 mortos e trazia 20 feridos…”. “Era já evidente (1909), e durante mais de dez anos continuaria a sê-lo: o fortim de Maravila estava numa região inimiga.”

“Foi bem nas terras do Golungo-Alto português, a sul do Zenza, que durante vinte dias, a contar de 15 de Fevereiro de 1909, operou uma coluna de 133 soldados, comandada pelos alferes António Bargão e David Magno.”…

“Dois anos depois de João de Almeida, os brancos continuavam proibidos de permanecer nos Dembos. Paiva Couceiro chegou a pensar dirigir pessoalmente uma grande coluna que dispersasse o Caculo Cahenda e abrisse o caminho para o Congo. Lisboa recusou-lhe os homens para isso. O Caculo Cahenda aconselhava os portugueses a que não fossem incomodá-lo. Mas seria o seu poder tão sólido como o prestígio?”…

 

Esclareça-se que, naquela amálgama em que os portugueses tornaram uno o que não o era, Caculo Cahenda era entendido como o maior e mais importante dos muitos Dembos. Como tal, Caculo Cahenda era a tendencialmente efectiva força de liderança da revolta, mas também o necessário e icónico símbolo a derrubar numa vitória desejada pelos portugueses. E foi aqui que o alferes Magno   – o pretexto deste texto – jogou um papel decisivo. Voltemos a René Pélissier, exactamente no ponto onde o deixámos.

 

“No flanco sul, ia ter de…” – o Caculo Cahenda) – “… enfrentar, de 1909 a 1912, (com interrupções em 1910 e 1911), um oficial de vaidade dificilmente suportável mas extremamente temível, visto que preferia a diplomacia ás balasO alferes David José Gonçalves Magno era comandante militar do Lombige e não descansaria enquanto não fosse senhor do Caculo Cahenda e não conseguisse aliciar o titular do dembado, D. Domingos Miguel Sebastião, um Dembo bastante pacífico devido, talvez, à idade.

O oficial começou por fingir salvar a vida a um dos filhos do Caculo Cahenda…e,  por fim, atirou os Dembos uns contra os outros. Apenas com 21 soldados disciplinares europeus e 23 soldados moçambicanos, entrou finalmente, de maneira pacífica, a 27 de Setembro de 1909, na banza do Caculo Cahenda, um verdadeiro ninho de águias inacessível. Os portugueses tinham o Caculo Cahenda na conta de ser o mais poderoso de todos os Dembos; mas Magno conseguiu persuadi-lo de que aquela força era somente a guarda avançada de uma imponente coluna de ocupação… Para concluir a construção do fortim, Magno ficaria cinco meses no Caculo Cahenda, quase ignorado de Luanda e vítima do bloqueio económico dos comerciantes do Golungo Alto. Finalmente, a 22 de Fevereiro de 1910, içou a bandeira na montanha (1000 m).”…

… “Magno mandara deslocar de Camabatela para Santo António de Caculo Cahendaa sede do Lombige e iniciara uma política indígena à francesa; monografia etnológica, abertura de uma escola, instalação de uma casa comercial. A intenção era confessada: queria colher só para si a glória de ter pacificado toda a região dos Dembos.” Isto ainda em 1910.

Nos anos de 1910 e 1911 Magno foi substituído, mas regressou em 1912. Contudo… “… havia um mal-entendido: o Caculo Cahenda, tido por suserano dos Dembos e dos sobas de menor importância era o único que estava ocupado…”. E ele pretendeu apoio dos portugueses para se impor aos outros Dembos. Não o teve!

E a rebelião do Caculo Cahenda retomou o viço em Junho de 1913. Magno já não estava por lá e a prática diplomática também não. Norton de Matos – então no seu primeiro período enquanto Governador-Geral – procurou restabelecer a ordem, mas…

“Segundo um perito na matéria – que neste caso era David Magno – seria necessário enviar uma coluna de, pelo menos, 300 homens… David Magno ia também, a título de guia e de especialista.” Os portugueses foram bem sucedidos. “Ergueu-se um fortim na pista de Caculo Cahenda, que os habitantes tinham desertado quando a expedição lá entrou a 10 de Agosto.” Entretanto o velho Dembo escapara para norte… “… continuava na floresta e os seus vizinhos continuavam a não pagar imposto. David Magno, no entanto, recomendou que se lhe poupasse a banza para o fazer voltar por meios suaves. E para ter futuros contribuintes! Quando ele partiu novamente, os erros redobraram.” Incendiaram a banza…

 

Termina por aqui a relação directa de David Magno com os Dembos. Mas a revolta continuou, para só terminar com um “anjo exterminador”, em Novembro-Dezembro de 1918. “Evitaremos dizer que foi a ‘solução final’ dos Dembos, mas gostaríamos de conhecer melhor a personalidade do capitão Eugénio Ribeiro de Almeida, que ia encarregar-se dessa tarefa.”… “Em 1919-1920, o imposto de cubata rendeu nos Dembos 46 contos. A nova ordem colonial consolidava-se. Já não havia Dembos aliados nem vassalos a corresponder-se com Luanda, havia apenas Dembos servidores.”

 

Foi então, a partir desse anos 20, que começou a ocupação efectiva do território da futura Angola, com sucessivas demarcações de terras, cada vez mais dentro e mais fundo no território previamente, não muitos anos antes, desenhado num mapa cor de sonho. E só então começava a erguer-se, de facto, a Angola que já não era apenas o velho reino de Ndongo/Angola. E era a economia de plantação            – particularmente o café – a vigorar forte por resposta aos mercados internacionais. Mas tudo isto sem que algum qualquer plano prévio e governamental o tivesse definido. Nada disso: aconteceu assim, porque sim… apenas por força e obra de uma colonização livre e não orientada pelos sucessivos governos.

 

Como será bom de ver, esta nova Angola é a única que os novos colonizadores – cujos filhos ainda hoje sobrevivem – podem recordar. A outra, imediatamente antes – a de David Magno – já não a conheceram e, por tal razão, não a recordam. Assim, foi com alguma surpresa, para eles, mas não para quem ler estas linhas, que foi exactamente por aquelas terras dos Dembos que a revolta de 1961 começou. Afinal, entre os dias de David Magno, nos anos de 1907 a 1913, e os dias de 1961 distam menos de 50 anos.

 

Uma nota final: no livro em referência, René Pélissier utilizou as seguintes obras escritas por David Magno:

- “Relatórios dos serviços militares do Lombige” (Governo Geral da Província de Angola), Relatórios. 1910, Luanda. A actividade de um capitão-mor astuto nos Dembos.

- “A ocupação dos Dembos”, Revista Militar, Anno LXVI, nº 9, Setembro de 1914. Como apoderar-se dos Dembos segundo Magno.

- “A sublevação dos Dembos de 1913”, b.S.G.L., 34ª série, nº 10-12, Outubro-Dezembro de 1916. Narrativa em primeira mão.

 

João Cabral



publicado por Quimbanze às 20:35
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Domingo, 16 de Maio de 2010
Notas sobre Santo António de Caculo Caenda e sobre o alferes David Magno - João Cabral

A propósito do Largo de Santo António de Caculo Caenda descoberto por Arlindo Sousa em Lamego, João Cabral pesquizou e elaborou um texto com larga informação sobre o Dembo Caculo Caenda e o Alferes David Magno

 

 

 

Informação específica recolhida da “História das Campanhas de Angola – Resistência e revoltas 1845-1941” de René Pélissier, mais concretamente do capítulo X, “A queda dos reis: os Dembos de 1878 a 1919”.

 

 

 

Antes de mais, que fique claro que a presença de portugueses em Angola – no sentido da ocupação de um território imenso e vasto – só começou na década de 1920. Sobre este assunto, destaque-se o brilhantíssimo livro de Cláudia Castelo, “Passagens para África – O povoamento de Angola e Moçambique com naturais da Metrópole (1920-1974)”, cuja qualidade extravasa em muito a especificidade do tema e se torna imprescindível para compreender a própria Pátria-mãe, ou seja a fonte do fluxo migratório.

 

 

E esta informação prévia releva, porque as memórias pessoais e directas – nomeadamente a de leitores não avisados – tendem a projectar sobre o passado dias idênticos aos que recordam. Pois bem, com mais ou menos saudade, com lágrimas ou com risos, com mais ou com menos deformação, a memória dos contemporâneos em nada se liga com os dias do alferes Magno e com tudo o que ocorreu nos Dembos naqueles anos de 1907, 1909 e seguintes, os quais precederam a ocupação do território.

 

Até então, Angola apenas existia no que sobrava de um relativamente recente mapa cor-de-rosa. O que então se chamava de Angola não passava, de facto, de uma corruptela do velho Reino do Ndongo, mal e pontualmente sinalizado com a presença de alguns portugueses, por uma franja de terra que se estendia entre o rio Cuanza, a sul, e o Caminho de Ferro de Ambaca que o emulava numa insegura linha paralela um pouco a Norte, desde Luanda até às terras de Pungo Andongo e de Malanje.

 

Pouca terra para ainda menos gente. E tudo o mais era um mapa e um sonho cor-de-rosa.

 

 

Em 1845 existia um total de 1832 brancos. Em 1869, 2863. Em 1910, cerca de 400 anos após a chegada dos portugueses, apenas viviam 12.000 brancos em Angola. Em 1920 eram 20.700. E destes 1576 (dados de 1922) eram estrangeiros. A maioria de todos eles vivia em Luanda.

 

 

 

Dito isto, os Dembos eram uma vasta região (pequena no mapa da actual Angola e não muito distante de Luanda) exactamente a norte daquele velho reino do Ndongo, um pequeno enclave entre este e o antes poderoso Reino do Congo, uma região de pequenos poderes locais, sem outro padrão de unidade que não o das suas afinidades sócio-culturais – “… não eram etnicamente monolíticos…” –, reforçadas pela seu lugar excêntrico face aos poderes exteriores de que sempre foram subsidiários: o dito reino do Congo e o aportuguesado reino do Ndongo.

 

Nunca até aqueles dias os portugueses os haviam efectivamente dominado, como, de resto, ocorria com todo o demais território, à excepção do velho Ndongo. Por um lado, raramente o pretenderam; por outro… a ocupação era militarmente inviável. E por duas razões: não havia armas nem homens que chegassem para a conquista; não havia colonos que se sedentarizassem e efectivassem a conquista. E terra apenas ocupada por armas, nunca é terra verdadeiramente possuída.

 

Mas sempre houvera refregas por todos aqueles reinos e territórios que, a partir dos anos de 1920, se iriam tornar na Angola de hoje (e que corresponde à que os portugueses contemporâneos recordam), tanto a sul com os Ovimbundos, por exemplo, como a norte, de que, no caso vertente, os povos dos Dembos são outro exemplo. Pois bem, vamos ao René Pélissier.

 

 

 

Após um breve, etéreo, inconsequente e impreciso período português, a antiga província dos Dembos voltara a ser independente em 1872, naquele que “fora o maior ultraje infligido pelos Ambundos aos Portugueses no século XIX”; “… antes de 1919 Luanda parecia atacada por um ‘complexo dos Dembos’. Refugiados nas suas terras, erradamente tidas por inexpugnáveis, os Dembos encarnavam o ‘mal absoluto’, pois não só não pagavam o imposto como davam acolhimento a todo o Ambundo que se sentisse farto da tutela portuguesa.”; …“Para a comunidade branca, a palavra ‘Dembo’ era sinónimo de ‘canibal’ e de guerreiro, de constante ameaça no flanco norte.”; …

 

 

 

Voltemos um pouco atrás para enquadrar esta revolta dos Dembos. Foi já no decurso do século XIX que a condição essencial para a existência do Ndongo/Angola se esvaneceu. Até então tudo assentara, de facto, na escravatura, ou seja, na exportação de mão-de-obra. Os números imprecisos apontam para mais de 3 milhões ao longo dos séculos precedentes e até àqueles dias. E com eles, é importante ter em conta, partiram também todos os seus vindouros, os seus filhos e os filhos destes que já iriam nascer em terra alheia.

 

Rapemos de imediato toda e qualquer réstia de moralismo para afirmar o óbvio: a escravatura era não só o elemento essencial nas perspectivas económicas e financeiras, como também o factor agregador das relações entre o português reino do Ndongo/Angola e os povos que lhe eram marginais. E enquanto o negócio se manteve tudo correu tendencialmente bem e com agrado de todas as partes… … se excluirmos os escravizados.

 

Porém, o fim do comércio de escravos – apenas porque os mercados, nomeadamente o brasileiro e o americano ficaram saturados, e nunca por um qualquer e súbito estado de alma alinhado com os Direitos do Homem – rompeu o equilíbrio secularmente estabelecido e conveniente a todos os interlocutores.

 

Daqui à cobrança de impostos, por parte dos portugueses e como forma de criar novas receitas… foi um passo. Sucede, porém, que para os povos gentílicos a coisa não era particularmente agradável, até porque as suas próprias receitas – venda de escravos – tinham praticamente desaparecido.

 

Neste contexto, o próprio equilíbrio de forças regional – mais concretamente a relação fundamental entre as potências regionais do Ndongo/Angola português e do Reino do Congo e as relações subsidiárias destes com os Dembos e outras regiões/povos, a funcionarem perifericamente, mas de forma coordenada – perdeu-se. E se o controlo de um Reino tendencialmente organizado foi relativamente simples – o do Congo – já o mesmo era de difícil sucesso com povos desorganizados e fragmentados como sucedia com os Dembos.

 

 

 Noroeste de Angola (1848-1878) - Pélissier, René - Les campagnes Coloniales du Portugal

 

Daí que… retomemos René Pélissier.

 

“O ano de 1907 foi um ano importante na história dos Dembos. O século ia já avançado e continuava a existir uma bolsa imensa, impenetrável por brancos e por assimilados. Tinha a forma de um quadrilátero cujos lados eram: i) a sul: o Bengo (ou Zenza), entre Cabiri e as terras do Duque de Bragança; ii) a oeste: uma ponta que ia acabar entre Caxito e Catete… iii) a norte: as terras abandonadas, ou desconhecidas, do Sul do distrito do Congo, até à fronteira do Estado independente; iv) a leste: os limites eram também imprecisos. Os Hungos dominavam o flanco oriental dos Dembos e não se conta que tenha havido explorações, na época moderna, desses confins do Duque de Bragança.”

 

“Entra então em cena um desses oficiais do Renascimento colonial português, o capitão João de Almeida Fernandes Pereira… Chegou a Luanda a 11 de Fevereiro de 1907.” … “Em dois meses e meio de quase-exploração, João de Almeida pôde avaliar a dificuldade do terreno e – de longe – a hostilidade dos Dembos mais importantes, que ele rodeou, mas que tinham pressentido a ameaça de cerco. E armavam-se.” … “O relatório da missão de João de Almeida atraiu as atenções do novo Governador-Geral, Paiva Couceiro, homem da ocupação pensada e das grandes operações porfiadas.”.

 

 Na verdade, Paiva Couceiro e João de Almeida não são paradigma dos seus companheiros de armas, em geral toscos, incompetentes, incapazes e a quem nunca deve ser concedida a desculpa da desmotivação. E é na linha dos primeiros que surge David Magno. E o local do seu encontro, na história, foi os Dembos.

 

 

(Continua)

 

 

 

 

 

João Cabral

 

 

 



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APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE V - A DIVISÃO ADMINISTRATIVA (CONTINUAÇÃO)

Sob o primeiro governo de Norton de Matos (1912-1915) foi publicado um novo regulamento administrativo através da Portaria nº 375, de 19 de Abril de 1913 (Boletim Oficial de Angola, nº 51, 1913)

De acordo com o citado regulamento, Angola passou a compor-se de 35 circunscrições civis, 25 capitanias, 11 concelhos e uma intendência. Ao aplicar o regime das circunscrições, a província centrou-se no Distrito de Luanda, cujos concelhos eram: Luanda, Cambambe, Novo Redondo, Dande, Ambaca, Cazengo, Golungo Alto, Ícolo e Bengo, Lícolo, Muxima, Pungo Andongo e as capitanias-mores de Amboim, Dembos, Encoge e Quissama.

Esta divisão deverá permanecer até à Reforma Administrativa de 15 de Agosto de 1914, traduzido na “Lei Orgânica da Administração Civil das Províncias do Ultramar”, que terá criado o Distrito de Cuanza Norte que, como vimos, já existia em 1915.

No seu segundo governo e depois da pacificação dos Dembos, Norton de Matos percebeu que vitórias militares sem desenvolvimento material e humano que as sustentasse, de nada valiam. Tem a palavra Norton de Matos:

 

“…Em 1921 publiquei em Angola o Decreto n.º 80, transformando em circunscrições civis todas as capitanias-mores, e em postos civis os actuais postos militares da Província e dizendo que esta transformação deveria estar completamente realizada em 31 de Dezembro de 1922.”.  (Norton de Matos -  Memórias e Trabalhos da Minha Vida – volume I, Editora marítimo Colonial, lda., Lisboa, 1944, pág. 104).

 

 

Fragmento do mapa da "Colónia de Angola", de 1926

 

Temos pois que a transformação do Encoge em Circunscrição Civil acontece como resultado do decreto supracitado. Provavelmente o posto militar do Quitexe terá, também, passado, nesta data, a posto civil. Desconhecemos a data em que o Quitexe passa a sede do Concelho do Encoge, mas não terá sido muito depois. De facto S. José do Encoge já há muito tinha perdido o poder de controlo das rotas comerciais e, com o fim da guerra nos Dembos, também a sua importância militar.

Nesta data (1922), também o posto militar do Dange (Cambamba) passa a civil.

 

Estavam, também criadas as condições para a instalação de comerciantes, os chamados “aviados” que representavam as empresas comerciais estabelecidas no litoral. É neste contexto que Joaquim Neves Ferreira, que se encontrava desde 1919 no Uíge, vai em 1921 para o Quitexe fundar uma casa comercial da firma de Joaquim Cunha do Ambrizete. Este comerciante é o grande impulsionador da abertura da picada directa ao Uíge, transpondo o rio Loge em ponte de trocos de árvores. A abertura desta via e, mais tarde, da ligação Quitexe – Quibaxe deixaria o Quitexe numa posição privilegiada no cruzamento das estradas Uíge / Luanda e Camabatela / S. José do Encoge.

 

 

                        Fragmento do mapa da "Colónia de Angola", de 1929, "Edição da Papelaria e Tipografia Mondego, de Argente, Santos & C.ª, Lda., Luanda"

 

Nestes dois mapas (1926 e 29) a principal diferença reside na dimensão do concelho do Encoge. Em 1926 abrangeria os actuais municípios de Dange-Quitexe e e a parte nascente do Ambuíla até ao Rio Vamba) englobando a antiga capitania-mor do Encoge e os antigos postos militares de Quitexe e Dange. Em 1929 a sua área aumentou englobando, também, todo o actual município de Ambuíla e o actual município de Nambuangongo.

O Dange, primitivamente um posto dos Dembos, pertenceu até 1932 à Circunscrição do Encoge, passando nesta data a pertencer de novo aos Dembos.

Os limites do Quitexe foram, pela primeira vez, fixados em 1918, tendo esta povoação sido a sede da Circunscrição do Encoge até à extinção desta em 1932.

 

Analisemos o mapa de 1929 com a sua divisão administrativa:

 

O Distrito Cuanza-Norte abrangia todo o território desde Catete até Pungo Andongo, incluindo os territórios (concelhos? circunscrições?) de Icolo e Bengo (Catete) e dos Dembos (Quibache)... que em 33 já são do distrito de Luanda. O de Pungo Andongo será de Malanje.

Portanto, em 29 haveria 7 concelhos ou circunscrições no Cuanza-Norte, os quais seriam:

 

CONCELHOS

SEDE

Encoje

Quiteche

Ambaca

Camabatela

Dembos

Quibache

Icolo e Bengo

Catete

Cambambe

Dondo

Pungo Andongo

Cacuso

Cazengo

Dala Tando

 

Consultando uma carta escrita no Quitexe e datada de 18 de Maio de 1930, em que o respectivo signatário Manuel Gomes dos Santos diz em determinado momento da sua missiva que tinha “de fazer de escrivão, oficial do registo civil, notario, chefe de posto e secretario da Comissão Municipal” do Encoge, verifica-se que o concelho (ou circunscrição) do Encoge, se não tivesse sido extinto em 1932 (?), teria ficado tipificado como concelho (ou circunscrição) de 2.ª classe após a Reforma Administrativa Ultramarina.


Após esta reforma, em 1933, tudo se modificou. Nessa altura o Cuanza-Norte passa de 7 para 3 concelhos apenas (Ambaca, Cambambe e Cazengo). Extinto o concelho do Encoge e transformado em Posto Administrativo sob a imediata alçada do concelho de Ambaca, o Quitexe teria baixado à categoria de povoação de 3.ª ordem, justificando (em termos autárquicos) apenas a existência de uma “Junta Local”. Situação jurídica que deveria ser comum a todos os postos administrativos.

 

 Falando de Ambaca, em 33 tinha 6 postos administrativos e uma área que ia de Quiteche até Calandula, lá para os lados das quedas de água, terras já há muito de Malanje. (Como nota, Dimuca, hoje dependente do Negage, era posto e de Negage nem sombra).

 

Finalmente, transcreve-se a listagem de "Agricultores" e de "comerciantes" do Quitexe, de acordo com o "Anuário do Império Colonial", aquando da sua 1ª edição, 1935, portanto, provavelmente, a primeira listagem nominal existente:


"Agricultores" (6)
 - Dr. António Alberto Torres Garcia"
 - Guerra, Carvalho & Cª, Lda.
 - José Borges Calheiros
 - José Ferreira
 - José Neves Ferreira
 - Matos, Vaz & Cª Lda.


Comerciantes (1)

- Serafim Nunes de Almeida.

 


 Na divisão administrativa ilustrada por este mapa o posto do “Quiteche” está integrado no Cuanza Norte e o posto do “Danje” (Cambamba) no distrito de Luanda

 

 

Continua 



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Sábado, 15 de Maio de 2010
Santo António de Caculo Caenda - Arlindo de Sousa

Nos passados dias 2 e 3 do mês corrente, estive em Lamego para ver uma exposição de carros de tracção animal e calcorrear mais uma vez a parte mais antiga da cidade. Nestas andanças incluí por mero acaso o Bairro de Fafel, onde encontrei um pequeno monumento comemorativo com os seguintes dizeres:

 

“LARGO

de St. ANTONIO de

CACULO CAENDA

Dembos – 1909

Amigos de Fafel – 09/2008”

 

 

Como devem calcular, fiquei espantado. Quando cheguei a casa fui à Internet e sobre o assunto encontrei apenas a seguinte informação:

 

Amigos de Fafel

Arquivo: Edição de 05-09-2008

6 SETEMBRO-Sábado

IV Encontro Convívio dos Amigos de Fafel, Ponte de Pau e Oliveiras;

 

11,00 Horas - Homenagem Pública ao Major David Magno com descerramento de uma placa toponímica;

 

13,00 Horas - Colocação da Placa LARGO STº ANTÓNIO DE CACÚLO CAENDA Dembos – 1909-Amigos de Fafel – 09/2008”.

 

 

 

O meu passo seguinte consistiu em procurar o que pudesse sobre o Major David Magno. Todavia encontrei muito pouco. Apenas o seguinte:

 

MAGNO, David José Gonçalves (1877-1957)

Oficial do Exército

Nasceu em Lamego a 17 de Agosto de 1877 e morreu em Lisboa a 30 de Setembro de 1957. Seguiu a carreira militar, sendo promovido a alferes em 22 de Dezembro de 1906. Começou por se distinguir em Angola, ao conseguir avançar para o interior e impor a presença portuguesa na região dos Dembos Orientais. Combateu depois em França, durante a Primeira Guerra Mundial, onde por feitos em combate recebeu a cruz de guerra e a cruz de Cristo com palma. A sua acção no CEP não foi, contudo, consensual e isenta de polémica, pelo que pediu para ser julgado pelas acusações de que foi vítima, tendo sido absolvido e visto confirmados os seus serviços como relevantes.
Mais tarde, na sequência da revolta de 3 de Fevereiro de 1927 foi deportado para o Sul de Angola, tendo antes passado pelos Açores e Guiné. Reabilitado foi promovido a major e em 14 de Março de 1932 optou por passar à situação de reserva.
Paralelamente à sua carreira militar exerceu intensa actividade literária, sendo autor de diversas obras, algumas das quais escritas com base na sua experiência de guerra, para além de ter sido membro da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, da Revista Militar e da Comissão de História Militar”.

 

E também o que se segue:

 

Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia

—Vol. I — Fases, II e III—Pôrto, 1920 e 1921. — Estes dois fascículos

dos Trabalhos da Sociedade de Antropologia conteem, entre outros

artigos cuja índole não interessa em especial à nossa revista, um estudo

do sr. major Leite de Maglahães sôbre etnologia timorense, outro do

sr. capitão David Magno sôbre os Dembos e ainda um do sr. Prof. J.

Pires de Lima sôbre o dente santo de Aboim da Nobrega e a lenda de

S. Frutuoso Abade.(...)

O trabalho do sr. David Magno sbôre a população angolense dos

Dembos é uma detalhada e interessante resenha dos caracteres etnográficos

daquela população, cujas origens o autor averiguou sobre curiosos

documentos dos povos de Caculo-Cahenda.

M. C.

 

[16983]
Magno, David J. G.
A sublevação dos Dembos de 1913 / David J. G. Magno. - Lisboa : Sociedade de Geografia de Lisboa, 1917 (Lisboa : Typographia Universal, 1917. - 71 p.

 

Título: Revoltas e Campanhas nos Dembos (1872-1919). 47 Anos de Independência às Portas de Luanda.

Autor: Marracho, António José Machado

 

Resumo: Em 1872 perante a escassez de meios no terreno, falta de força, falta da autoridade portuguesa, o dembo Caculo Cahenda, revoltou-se. A resposta militar portuguesa foi materializada através do envio de uma coluna comandada pelo Tenente-Coronel Gomes de Almeida. O aparente sucesso militar traz consigo uma paz negociada com a manutenção do Status Quo. Como consequência do fim do conflito, foi assinada uma portaria pelo Ministro dos Negócios da Marinha e Ultramar, na qual foi decretada, a abolição de dízimos dos concelhos, passagens dos rios e dízimos do pescado. No período de 1890 a 1907, os dembos, entraram em conflito com os portugueses três vezes: em Dezembro de 1890, de Janeiro a Março de 1891 e em Fevereiro de 1899. De 1907 a 1919, foram organizadas sete expedições militares: Setembro a Novembro de 1907, de Julho de 1908, de Fevereiro a Março de 1909, de Julho a Setembro de 1913, de Novembro a Dezembro de 1918, de Janeiro a Abril e de Maio a Dezembro de 1919, sem contar com incidentes menores. Os dembos, nunca tiveram o apoio dos seus irmãos do Golungo Alto ou de Ambaca. Abandonados, divididos, caíram em dominó. A impossibilidade de arranjar pólvora, a doença do sono, a abertura de estradas e a cultura do café iriam anular os últimos lutadores pela independência pelo menos até 1961. Na conferência de Berlim de 1884-85, foi decidida a partilha do continente Africano. Alterouse o paradigma de relacionamento entre Europeus e Africanos. Nasceu um direito novo, que validava a efectiva ocupação dos territórios Africanos. Quando Paiva Couceiro assume o Governo da província, decide terminar com a independência dos Dembos. Ordena a constituição da coluna de 1907. A coluna de 1907 fez 39 etapas superiores a 21 quilómetros, sendo a maior de 38, percorrendo enquadrada por graduados cerca de 840 quilómetros. Se adicionarmos as marchas extraordinárias, ela percorreu mais de 1500 quilómetros. Entre 1913 a 1917, a região dos Dembos mantém-se estável. Os poderes locais Africanos decidem o seu destino e toleram a autoridade portuguesa nos seus fortes. Na década de 1920, foi desenhado o mapa de Angola, fruto de uma intensa actividade militar. As campanhas na região dos Dembos enquadram-se neste cenário político-militar com vertentes étnicas e tribais.

 

Arlindo de Sousa



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Quinta-feira, 6 de Maio de 2010
APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE V - A DIVISÃO ADMINISTRATIVA

Coordenação: João Matos Garcia

 

Colaboração: Arlindo de Sousa  

                    João Cabral

 

O Código Administrativo de 18 de Março de 1842 modificou em vários pontos o primeiro Código Administrativo Português promulgado em 1836. Este código, conjugado com o Decreto de 1 de Dezembro de 1869, permaneceu a base jurídica fundamental da Organização Administrativa e Judiciária das Províncias do Ultramar até à publicação da “Lei Orgânica da Administração Civil das Províncias do Ultramar”, em 1914.

 1º Centenário da Reforma Administrativa Ultramarina 1869-1969

 

Na época, promovia-se a reprodução das estruturas metropolitanas nas Província Ultramarinas, insistindo-se “em considerar as colónias como simples províncias do reino - Províncias Ultramarinas - a que se aplicavam com ligeiras alterações as leis feitas para o continente, os critérios de administração e os planos de governo estabelecidos e traçados para a metrópole” (Marcello Caetano).

Consultemos o "Manual de Administração, para uso dos Chefes de Concelho da, Província de Angola, coordenado, por, J. J. da Silva",  editado em Loanda, pela Imprensa Nacional, no ano de 1894.

 

 

Entre muitos outros assuntos específicos à essência da obra, encontramos a Divisão do Território. Antes de a apresentar, atentemos na data - 1894 - e consideremo-la em contexto com a Conferência de Berlim -  O Congresso de Berlim, realizado entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885 - proposto por Portugal e no qual as potências coloniais europeias se aprestaram para ordenar a divisão/partilha de África. Mais: foi nessa Conferência que Portugal apresentou o célebre mapa cor-de-rosa, que pretendia unir os territórios de Angola a Moçambique. E ainda mais um dado: a construção do Caminho de Ferro de Ambaca - que talvez deva ser entendido à luz da necessidade de dar corpo ao dito mapa cor-de-rosa - teve início em 1886.

 

 

 

Carta da África Meridional Portuguesa (Mapa cor-de-rosa) – 1886

 

 

Falemos então da Divisão Administrativa de Angola ao ano de 1894:


- 4 Distritos Administrativos, dos quais três - Loanda, Benguella e Mossamedes - "... subdividem-se em concelhos, e estes em divisões, ou freguezias...", e o quarto - Congo - "... se subdivide em circumscripções".

 

Carta de Angola de 1892 com a delimitação dos quatro distritos: Congo, Luanda, Benguela e Mossâmedes

 

 

Antes de mais faz-se notar a Portugalidade da ocupação do território, muito marginal e toda à beira-mar, seguindo uma linha contínua de Cabinda - "É a capital do districto e séde de comarca" - até ao sul. De Huambo, por exemplo, nem sequer a palavra. Ainda faltava o Norton de Matos.

Quanto à importância de nomes que no futuro se tornaram familiares, temos: o Lubango, a Huilla e a Humpata eram concelhos pertencentes a Mossamedes.

O Bihé, Bailundo e Catumbela eram concelhos de Benguella.

A Loanda pertenciam, entre outros, os concelhos do Alto Dande, Ambriz, Barra do Dande,  Barra do Bengo, Novo-Redondo e, numa linha que acompanha o Cuanza e o Caminho de Ferro de Ambaca,  temos os concelhos de Massangano, Muxima, Cambambe, Icolo e Bengo, Golungo Alto, Cazengo, Ambaca, Duque de Bragança, e Malange.

Havia, ainda, o concelho do Encoge, o qual, ao contrário de quase todos os outros, não tinha Divisões. Dito de outra forma, o concelho do Encoje seria muito pouco ocupado, em termos de população europeia, entenda-se. O do Golungo Alto, por exemplo, tinha 7 Divisões. Os de Ambaca, Massangano e Malange 11. O de Muxima 9. Sem quaisquer Divisões, para além do da própria cidade de Loanda, apenas os do Encoge, Ambriz e Novo-Redondo.

 


Para terminar, fale-se do Distrito do Congo, com sede em Cabinda e sem Divisões, mas tão-somente "Residencias" em Ambrizette, Cacongo, Santo António e S. Salvador.

 

Do Quitexe ou Quiteche nem sombra. Em 1894 ainda "não existia".

 

 

Mapa de Angola de 1900 - neste mapa além dos quatro distritos, atrás enumerados, surge já o distrito da Lunda e as fronteiras da colónia aproximam-se mais das definitivas (estava por resolver a questão do Barotze no sudeste que acabou por impedir o acesso de Angola ao Zambeze médio).

 

Continua



publicado por Quimbanze às 22:41
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Sábado, 1 de Maio de 2010
Dia do trabalhador

Hoje, dia do trabalhador, revisitamos os selos e envelopes  de 1976, alusivos à data, na época da revolução, pelo poder popular. Pelo caminho houve o 27 de Maio de 1977 e mais 26 anos de guerra. Os figurantes são os mesmos, mudou a ideologia!

 

 



publicado por Quimbanze às 23:17
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Domingo, 25 de Abril de 2010
Pedro Francisco Massano de Amorim - Marquez do Lavradio

 

 

 

Marquês do Lavradio - “Pedro Francisco Massano de Amorim”, Colecção Pelo Império n.º 73, Agência Geral das Colónias, 1941

 

Neste pequeno livro, o Marquês do Lavradio traça o perfil e o percurso de Pedro Francisco Massano de Amorim que durante mais de 30 anos exerceu a sua actividade nas colónias portuguesas. Desde 1896, quando desembarcou pela primeira vez em Moçambique, até Maio de 1929, quando morre na Índia, como  Governador Geral, passando várias vezes por Angola, ora em comissões administrativas, ora em missões militares, o seu nome ficará ligado à história da ocupação de Angola e Moçambique.

A sua importância para o Quitexe advem do facto de ter sido no seu governo geral que foi fundado o posto militar do Quitexe pelo Major Djalme de Azevedo e tê-lo deixado atestado em relatório.

 

Ler mais em O QUITEXE NA LITERATURA

 



publicado por Quimbanze às 21:52
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Sábado, 24 de Abril de 2010
APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE IV - FUNDAÇÃO DO POSTO MILITAR DO QUITEXE

 

Coordenação: João Matos Garcia

 

Colaboração: Arlindo de Sousa  

                    João Cabral

 

 

A data da fundação do Quitexe como posto militar ainda está envolta em controvérsia, embora a data mais provável seja Março de 1917, como veremos.

 

 Depois das campanhas de João de Almeida, em 1907 contra os Dembos (aqui com significado das populações da região administrativa, compreendida entre o curso médio do Dange ou Dande, a norte, e o rio Bengo a sul) julgava-se a zona pacificada. Nada mais erróneo. A debilidade do dispositivo militar português e a tentativa de cobrança do imposto de palhota ia fazendo estalar revoltas dos que se tinham submetido uns anos antes, aliando-se, agora, aos que mantinham a sua independência. Durante vários anos os Dembos mantiveram-se fora do controle das autoridades portuguesas: os impostos não eram cobrados e os fortins eram impotentes. No entanto foi desenvolvido um lento processo de envolvimento militar e administrativo da região, apertando-se o cerco a norte e leste. Para isso muito contribuiu o governador do distrito de Quanza Norte (major de artilharia Alfredo Djalme Martins de Azevedo). Neste distrito ao qual estavam ligados os Dembos (incluindo os do norte do rio Dange, que noutros tempos tinham estado dependentes de S. José do Encoge) um destacamento militar que partira de Camabatela (fundada em 1915) instalou em 1915 (segundo Hélio Felgas – “História do Congo Português” – Carmona, 1958) ou, mais provavelmente, em Março de 1917 (segundo Marquês do Lavradio - “Pedro Francisco Massano de Amorim”, Pelo Império n.º 73, Agência Geral das Colónias, 1941), os postos militares de Quisseque e de Quitexe e criou a capitania-mor do Ambuíla. Dirigiu-se depois para S.José do Encoge pelo leste. ( Texto redigido a partir de Pélissier, René - História das Campanhas de Angola, Editorial Estampa)

 

 

Em relatório datado de 13 de Abril de 1917 e publicado no livro de Marquês do Lavradio, Massamo de Amorim, que fora nomeado Governador Geral de Angola em 29 de Janeiro de 1916, dá-nos conta da situação da colónia nos seguintes termos:

 

 “Os trabalhos de ocupação, nos últimos 10 meses, pelos Governadores dos Distritos, com o pessoal sob as suas ordens, minguado em número, mas cheio de dedicações, boa vontade e energia, determinou (…) a conquista de territórios que já agora podemos considerar, com verdade, subordinados à nossa autoridade. Diremos em resumo a este respeito:

(…) No Cuanza o Governador Djalme de Azevedo, com uma persistência grande, apenas comparável à sua serenidade, consegue em trabalhos sucessivos de duas colunas, que organizou no grande e pequeno Cacimbo e acompanhou, romper primeiramente o território que lhe ficava entre Lucala e o Ambuíla chegando até ao Encoge, deixando à retaguarda o posto de Quissaque (17 de Março de 1917) e depois, numa segunda fase das operações militares, montar o posto de Quiteche e internar-se já a Norte e a Sul em território dos Dembos (…)”.

 

O posto militar fundado nas terras do dembo Quitexe e adoptando o seu nome, foi estabelecido num “plateau” a 750m de altitude, rodeado de serras e às portas da região dos Dembos e veio dar origem à povoação e vila do Quitexe.

 

  

Estilo de casas da fundação do Uíge (o posto militar do Uíge foi fundado alguns meses depois do posto do Quitexe)

 

  

A autoridade portuguesa só seria estabelecida nos Dembos em 1919.

 

Nota Final

 

“As operações nos Dembos não ficaram pelas de 1913. Anos depois, nova coluna invadiu a região e, de então para cá, se pode considerar completa a sua vassalagem, não sem que por ela tenha corrido um caudal de sangue. Necessário? Não necessário? A História o dirá. Por enquanto é cedo de mais para fazê-la. As ossadas dos que tombaram, andam por lá, ainda, à flor da terra, e o tempo não apagou, ainda, os vestígios e os trágicos efeitos da luta.”

 

 

Esta nota escrita por Manuel Resende no livro “A ocupação do Dembos 1615-1913” é bem premonitória dos trágicos acontecimentos de 1961 e da guerra que se seguiu. Depois prolongou-se, numa guerra fratricida entre os movimentos de libertação até ao século XXI. É caso para dizer que, passados quase 100 anos, “as ossadas dos que tombaram, andam por lá, ainda, à flor da terra”.



publicado por Quimbanze às 08:48
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Terça-feira, 20 de Abril de 2010
PAV imuniza mais quatro mil pessoas contra diversas doenças no Quitexe

Quatro mil e 716 pessoas, entre crianças e adultos, foram imunizadas de Janeiro a Março do corrente ano, na secção municipal do Programa Alargado de Vacinação (PAV) no Quitexe, província do Uíge.

 
Em declarações hoje à Angop, o chefe da repartição municipal da Saúde do Quitexe, Kuavita Gabriel Garcia Bomba, informou que deste número de pessoas 375 são crianças menores de cinco anos de idade que beneficiaram de vacina BCG, outros mil e 528 foram vacinados contra poliomielite, 662 contra sarampo e mil e 900 receberam a vacina pentevalente.
 
De igual modo, disse Kuavita Gabriel, 412 crianças receberam a vitamina A, 310 mulheres em estado de gestação foram vacinadas contra o tétano e 400 outras em idade fértil receberam igualmente a mesma dose.
 

O técnico revelou que o município do Quitexe funciona com 40 enfermeiros distribuídos nas três comunas e algumas regedorias que compõem o município, considerando o número como insuficiente para atender a demanda dos pacientes que afluem as unidades sanitárias.

ANGOP



publicado por Quimbanze às 22:17
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Domingo, 18 de Abril de 2010
Fotografias do Quitexe

O nosso amigo José Oliveira -César colocou no seu blogue CESAR QUITEXE B/CAV. 1917 magníficas fotografias do Quitexe nos anos 1973/74.

 

A não perder aqui



publicado por Quimbanze às 08:37
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APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO QUITEXE III - S. JOSÉ DO ENCOGE

Coordenação: João Matos Garcia

 

Colaboração: Arlindo de Sousa  

                    João Cabral    

 

 

 

 

Estabelecido pelo governador capitão general da província de Angola, António de Vasconcelos, os Portugueses ergueram em 1759 um forte de pedra, destinado a impedir o contrabando estrangeiro através da costa norte do Congo, do Ambriz e do Mossul.

 

Antonio de Vasconcellos saltou em terra na noite de 4 de Outubro de 1758, e tomou posse em 14 do dito mez, governando cinco annos, sete mezes, e vinte e hum dias. No primeiro conquistou a celebrada pedra de Encoge situada entre os dous poderozos dembos Ambuilla, e Ambuella, sem que algum delles disputasse a posse, e formando-se o novo prezidio se lhe deu o nome de S. Jozé do Encoge. Foi cabo desta expedição Francisco Manoel de Lira tenente de granadeiros, que lhe deo a primeira forma. He a tal pedra huma prodigioza obra da natureza, e dentro do seu recinto pode receber hum grande exercito. He também útil a sua posse ao nosso commercio pelo concurso e frequência das nações circunvizinhas, sebem o clima he o mais enfermo de todo este sertão.

Na província de Embaça avasallou aos dous potentados Molundo, e Quiangalla. Na de Encoge o dembo Quitexe.”

(" Catalogo dos governadores do Reino de Angola. Com huma previa noticia do principio da sua conquista, e do que nella obrarão os governadores dignos de memória."- Academia Real das Ciências 1826).

 

Como é referido, os dembos que ali exerciam maior influência, eram o Ambuíla e o Amboela; O dembo Ambuíla revoltou-se contra os portugueses e foi batido em 1765. Passado um quarto de século, isto é, em 1791 foram derrotados os Dembos Dambi-Angonga e Quitexi-Cambambi que passaram a prestar vassalagem ao rei de Portugal.

 

 

Pormenor de mapa com a indicação do Dembo Ambuíla e Dambi-Angonga

 

Completamente isolado atrás de uma barreira rochosa (Pedras do Encoge), o forte, de forma quadrada, com quatro baluartes pequenos, nos ângulos, era feito de pedra solta e ainda se encontrava em sofrível estado no fim do século XIX, ao contrário das restantes construções (residência do chefe, arrecadação, paiol, casa do guarda, etc.) que estavam em total ruína, incluindo as peças de artilharia, todas elas incapazes de fazerem um único tiro.

 

 

Nesta data a igreja, de pedra e cal, mas com tecto de palha ainda conservava as imagens de S. José e de Santo António.

 

 

Inicialmente protegida por uma centena de soldados que faziam uma ligação trimestral a Luanda, contava com um branco e 27 mestiços. Só que depois, talvez em consequência do marasmo do país provocado pelas Invasões Francesas primeiro, pela guerra civil mais tarde (a seguir à Revolução de 1820) e por outros momentos de grande instabilidade e crise nacional, entrou em profunda decadência. Depois de 1853 este forte não representava mais que um elemento simbólico da presença portuguesa.

 

Segundo Alfredo Sarmento (“Os sertões d'Africa (apontamentos de viagem)” publicado em 1880, F.A. da Silva, Lisboa) a fortaleza era “guarnecida por catorze soldados pretos, armados de espingardas de fuzil cheias de ferrugem e, pela maior parte quebradas”. Mas a decadência continuou a ponto de em 1907, João de Almeida (1873-1953), ao reconhecer a zona, da grandeza passada ter ali encontrado somente ruínas “e três soldados de segunda linha acocorados em volta de uma fogueira.” (DEMBOS pelo capitão Henrique Galvão, Lisboa, 1935, pág. 31).

Os únicos méritos da fortaleza eram, por um lado, o facto de ela se situar muito acima do paralelo 8º Sul, o qual concretiza a presença portuguesa numa zona que os ingleses pretendiam ser resnullius ; e, por outro lado, o facto de ela ser um posto avançado no caminho do Reino do Congo. De facto, os caminhos para o Encoge só eram transitáveis a Oeste (11 a 12 dias de Luanda) quando os Dembos ditos “vassalos” se não opunham à passagem.

 

 

Mapa de Angola – 1870 (observar a divisão administrativa – “Districtos” de Engoge, Colungo Alto, Ambaca, etc – se substituirmos o termo distrito por concelho teremos sensivelmente a divisão administrativa existente em 1894 como veremos mais à frente)

 

 

 No fim do século XIX eram estes os dembos ou régulos “avassalados”, todos com nomes portugueses: